BÖLÜM II: SAĞLIK TURİZMİ BAĞLAMINDA TERMAL TURİZM
2.2. Türkiye’de ve Dünya’da Sağlık Turizmi
Apesar da violência ter assumido um caráter secundário nas nossas investigações, nos contatos que estabelecemos com os jovens do bairro o tema da violência sempre foi recorrente; a coincidência com algumas mortes também contribuiu para levar o tema à pauta das nossas conversas.
Por outro lado, duas razões nos motivaram a considerar a discussão sobre violência neste trabalho. A primeira delas decorre do fato outrora já referido, da imagem de bairro “perigoso”, “violento”, construída no imaginário social urbano sobre o bairro de Mãe Luíza. A esse respeito, dedicamos um item especifico neste capítulo para tecer alguns comentários. A outra razão é que a violência é um tema que perpassa a prática profissional do assistente social.
O assistente social lida, dia-a-dia, independentemente do que pensa e do seu nível de preparação e de apreensão da dinâmica real, com diferentes situações de violência. Neste contexto é importante construir alternativas que ofereçam respostas criticas e propositivas em relação às demandas impostas pelo mercado de trabalho que, direta ou indiretamente, com maior ou menor intensidade e de forma inevitável, expõem situações perpassadas pelo circuito reprodutivo da violência (SILVA, 2004, p. 139).
Tendo em vista as razões acima explicitadas, procuramos abordar a violência a partir de alguns referentes. O primeiro deles que observamos como parâmetro foi o espaço mais de âmbito privado: a família, espaço relacional no qual o indivíduo inicia o seu processo de socialização. Na amostra quantitativa foi questionado se o(a) entrevistado(a) já tinha presenciado alguma situação de agressão entre os pais, e,
em um segundo momento, se já tinha sofrido algum tipo de violência física no âmbito familiar. Delimitamos violência física na amostra quantitativa por esta permitir maior objetividade que o tipo de técnica que estava sendo utilizada requeria; já nos grupos focais não utilizamos deste recorte e ouvimos relatos de outros tipos de violência.
Outro referente utilizado foi a violência policial. A “priori” tínhamos colocado no questionário que elaboramos, pois nos estudos exploratórios que realizamos observamos que o bairro de Mãe Luíza tinha sido cenário de incursões violentas por parte de grupo de extermínio composto por policiais, conforme referenciamos no item 1.1. No entanto, obtivemos uma quantidade significativa e surpreendente de relatos sobre violência policial sofrida pelos jovens moradores de Mãe Luíza, de modo que julgamos ser necessário dedicarmos um item especifico para abordar tal questão.
O último referente que estabelecemos foi relativo ao espaço social: Mãe Luíza: espaço violento? Tendo como fontes secundárias os dados estatísticos da Polícia e os relatos apreendidos a partir dos diálogos estabelecidos com os jovens, procuramos apontar alguns elementos sobre a questão que formulamos.
3.1- VIOLÊNCIA NO CONTEXTO FAMILIAR
Considerar a violência como objeto de investigação implica em se deparar com a dificuldade em definir teoricamente o que é violência. A primeira questão que se levanta é quanto à definição ampla de que é violência, para a qual ocorrem várias objeções tanto no plano político, como epistemológico. Segundo Debarbieux (2002), as primeiras inquietações acerca da delimitação do conceito de violência surge em um texto do pensamento francês, escrito por Jean-Claude Chesnais, intitulado
“História da Violência”. Chesnais é da opinião de que devemos nos ater ao ‘círculo interno da violência’, que seria a violência física mais grave, a qual é subdividida em quatro tipos: homicídio (ou tentativa de homicídio), estupro (ou tentativa de estupro), danos físicos graves e roubos ou assaltos à mão armada. De forma que a violência ‘moral’ ou ‘simbólica’, seria um mau uso do termo.
Face a restrição na definição de violência, levantam-se alguns problemas epistemológicos igualmente complexos: ela seria a extensão de um texto legal, isto é, o Código Penal, marcado pela temporalidade e relatividade? Ela provém de um mal entendido a respeito da maneira como é construído o vocabulário das ciências humanas? Ela torna impensáveis as experiências nas áreas que são operacionais na nomeação da violência, ou as confina à categoria de fantasia? (IBIDEM, 2002).
Quando limitamos a violência ao âmbito do Código Penal, não se assegura uma base para que sejam evitadas as armadilhas do relativismo, uma vez que o documento foi escrito num contexto histórico, e como tal ele é marcado pela temporalidade.
A segunda dificuldade epistemológica apontada por Debarbieux refere-se ao erro fundamental, idealista e histórico em definir violência ou qualquer outro termo que leve a aproximar-se de um conceito absoluto. Na verdade, esse pragmatismo da linguagem revela uma incompreensão dos mecanismos de constituição do vocabulário no campo das ciências humanas.
Por último, a terceira dificuldade nega aos próprios participantes o poder de dar um nome à sua experiência. Portanto, ela incide diretamente no campo semântico, que também é um campo de poder.
Para efeito dessa pesquisa, propomos abordar a violência como estando presente em todas as sociedades, garantindo a “perpetuação e a renovação social”.
Dessa forma, a violência exerce um papel fundador e estruturador, pois fecunda novas expressões no plano social, revelando-se no plano da linguagem como uma resultante dos conflitos ocorridos no cotidiano. Portanto, a violência é um dos elementos centrais do dinamismo social, relacionando-se às diferenças, às heterogeneidades presentes em cada sociedade (HERSCHMANN, 1997).
Ao mesmo tempo em que a violência é parte integrante de todas as sociedades, a sociedade possui mecanismos auto-reguladores eficazes, os quais, segundo Pereira (2003, p.18), são capazes de neutralizar a violência, permitindo que “o social prevaleça sobre o anti-social, ou que o anti-social seja, paradoxalmente, um recurso para o reforço da coesão social”.
Nos grupos focais, quando indagados sobre o que seria violência, em um primeiro momento os(as) jovens fizeram associação com confronto corporal ou armado: “violência é um matando o outro. É isso” (Jovem, Católicos), ou “é dando tiro num, dando facada, um bocado de coisas” (Jovem da Galera da Jaboatão).
À medida que o diálogo foi sendo estabelecido, o significado de violência passou a ter uma definição mais ampla, além da violência física. A violação aos valores, como ética, amor e respeito, também foram compreendidos como ação violenta:
“Violência é falta de paciência, falta de ética, porque uma pessoa civilizada vai procurar conversar, pois tudo se resolve com conversa. Pelo menos eu acho assim, tudo se resolve com conversa...” (Jovem de Curso Profissionalizante).
“Diz respeito à sociedade, diz respeito ao próximo, não amar o próximo, vamos dizer assim” (Jovem da Galera da Jaboatão).
Além das idéias reducionistas do fenômeno da violência às suas formas de maior visibilidade, como a violência física, os (as) jovens de Mãe Luíza têm uma
definição que perfeitamente se associa à noção de barbárie e de selvageria, expressa na ausência do diálogo, do respeito. Ao seu ver, a violência afeta a sociabilidade, na medida em que as relações de alteridade não são respondidas reciprocamente.
Mas qual a relação estabelecida entre violência e família? Ela advém do fato da violência ter uma multiplicidade de formas de manifestações, e para melhor apreendê-la são realizadas classificações. Viana (1999) propõe classificá-la a partir das características comuns da vítima (violência contra a mulher, à criança); características comuns dos agentes de violência (violência policial, estatal); local onde ocorre (violência urbana, no campo, doméstica); forma como é realizada (simbólica, sexual, física); objetivos (violência revolucionária, repressiva); pelos grupos sociais envolvidos (violência racial, de classe, étnica); pelas suas “motivações inconscientes” (violência reativa, vingativa, compensatória, recreativa).
Baseando-se nesta orientação, a categoria violência será estudada, considerando-se a dimensão do local em que ocorre, o espaço doméstico, a família. Concebemos a família como espaço de socialização do indivíduo. Nela se estabelece o primeiro diálogo do sujeito com o mundo. O conceito de família é mutável, de modo que ela tem assumido diferentes composições e significados ao longo da história. Enquanto espaço de socialização e mutação, a família também é marcada por tensões sociais, uma vez que faz parte da sociedade e é atingida por suas mesmas contradições. A família organiza a vida emocional de seus membros através da formação da personalidade que acompanha a existência do indivíduo. No entanto, como afirma Santos (2002), a ‘presença’ da família não significa, porém, a ‘família presente’ e estruturada.
No que se refere à configuração familiar na qual se insere a juventude do bairro de Mãe Luíza, na amostra quantitativa procuramos identificar com quem o(a) jovem morava, e obtivemos a seguinte composição:
Gráfico 5: Com quem você mora?
35,4% 1,9% 31,4% 17,3% 12,9% 0,3% 0,8% pais pai mãe parentes companheiro(a) amigo(a) sozinho(a)
O destaque da figura acima é a alta incidência da mãe como pessoa de referência. Quando aborda a pessoa de referência na família, Miranda (2001) constata na sua pesquisa que a presença da liderança feminina ocorre em Mãe Luíza em graus muito superiores aos apurados na pesquisa nacional do IBGE, no Censo Demográfico de 1991. É de notar que, no universo por ele pesquisado, o percentual de mulheres como pessoa de referência foi de 31,3%, dado similar obtido quando questionamos com quem o(a) jovem morava. Tal fenômeno relaciona-se às mudanças nos padrões e arranjos familiares, em que as famílias monoparentais, chefiadas prioritariamente por mulheres, têm crescido em proporções significativas.
Em 2000, o Censo Demográfico verificou que 24,9% dos domicílios brasileiros tinham mulheres como responsáveis. Quando considera a divisão por região demográfica, a região Nordeste é a que apresenta maior proporção de domicílios,
cuja pessoa de referência é a do sexo feminino, 25,9%; e o município de Natal apresenta o percentual de 30,3%. Os dados indicam que os domicílios com responsáveis do sexo feminino compreendem um fenômeno tipicamente urbano, pois 91,4% dos mesmos se localizam em cidades.
Os estudos acerca da “feminização da pobreza” apontam o aumento na proporção de famílias chefiadas por mulher, bem como o crescimento da taxa de participação das mulheres em setores de atividades informais urbanas de baixa remuneração, como sendo razões para o empobrecimento das mulheres. Berquó levantou as características sócio-demográficas das famílias monoparentais chefiadas por mulher: idade, escolaridade, rendimento, cor e estado civil, concluindo que “As mulheres sem marido e com filhos são as mais pobres. Em 1998, 45,2% viviam sem rendimentos ou com menos de um salário mínimo e apenas 32,1% tinham três ou mais salários” (BERQUÓ apud NOVELLINO, 2004, p.2).
A Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE (2004) mostra que as diferenças de gênero foram significativas na comparação com os rendimentos mensais de homens e mulheres ocupados. Em 2002 o rendimento médio de homens era de R$ 719,90, enquanto as mulheres recebiam apenas 70% desse valor (R$ 505,90). Entre os ocupados com mais de 11 anos de estudo, as mulheres recebiam R$ 829,20, ou seja, 58% do valor recebido pelos homens (R$ 1.416,13).
Ainda do ponto de vista de caracterização, outro dado que obtivemos refere- se à quantidade de pessoas por residência. Durante o processo de coleta de dados foi possível perceber que nas casas visitadas era comum a presença de muitas pessoas; como também a existência de residências em torno da casa principal, em que moravam outras famílias. No tocante aos cômodos (para fins desta pesquisa consideramos cozinha e banheiro como sendo cômodos), os dados apontam:
Gráfico 6: Distribuição de cômodos por domicílio 1,1% 6,4% 14,1% 24,3% 21,5% 32,6% 1 2 3 4 5 6 ou mais
Considerando que a maioria dos(as) jovens de Mãe Luíza não mora sozinho (a), é de se esperar que as residências tenham pelo menos cinco cômodos, o que comportaria dois quartos, um banheiro e duas salas. Mas os dados coletados mostram-nos que 45,5% das residências possuem de 1 a 4 cômodos, que 21,5% têm cinco cômodos e que 32,6% mais de seis cômodos. Quando relacionamos a quantidade de pessoas por residência, obtemos:
Gráfico 7: Distribuição de moradores por domicílio
0,3% 3,3% 15,4% 20,9% 23,4% 36,7% 1 2 3 4 5 6 ou mais
Os dados revelam a presença de famílias numerosas, o que se dá, principalmente, em função da ocorrência de mais de uma geração adulta num mesmo núcleo familiar, visto que os(as) filhos(as) adultos continuam morando com os pais, ou a permanência de idosos na casa de propriedade do(a) filho(a). (MIRANDA, 2001).
Quando questionamos se já tinham presenciado alguma situação de agressão física entre os pais, 23,1% afirmaram positivamente. Entendemos ser a agressão física ocorrida dentro do espaço familiar a violência doméstica. Esta é uma ‘prática sócio-econômico-cultural’ identificada pelos conflitos que ocorrem dentro do espaço familiar e que compõem uma realidade que camufla vários tipos de violência. No caso, já mencionado, restringimos à violência física, por ser esta uma manifestação visível, mas ocorre no ambiente familiar outros tipos de violência, como, por exemplo, a violência psicológica (CASTRO et all, 1994).
Nos encontros que estabelecemos com os jovens, ouvimos muitos relatos sobre agressões físicas, não apenas envolvendo os pais, mas entre tios, irmãos e outros membros da família. A violência física entre pais pode ser bem ilustrada na fala de uma jovem que participou de um dos grupos focais que realizamos:
“Vi vários já. Quando vi minha mãe sangrando na minha frente, meu pai cortou o pescoço dela já. Eu fiquei com gosto de sangue na minha boca quando eu vi. Até hoje eu sou nervosa (seu pai tava bêbado?). Não, ele não tava não. Ele chegou, porque ele com minha mãe estava brigado. Ele tava só pertubando na frente de casa pra entrar. Aí ele queria um copo d’água. Aí ele entrou dentro de casa e disse que ia dormir lá. Aí mãe tava deitada no sofá. Aí ele foi pegou uma faca pra cortar o pescoço dela. Só não pegou na veia, porque ela viu quando ele ia chegando perto dela. Ela viu e saiu correndo” (jovem de grupo católico)
Os relatos dessas experiências em família apontam para um fato experienciado na infância, em que a ausência de uma sintonia resultou na separação dos pais, causando uma falta de referência ao jovem:
“sou filho de pais separados... causa muitas dificuldades. Moro com meus avós, nem todos os meus tios são a favor, desde de pequeno. Hoje eu tenho 19 anos, mas até hoje nem todos são a favor, tá entendendo? Porque, por exemplo, já meu pai e minha mãe, aconteceu, eu não pedi para vir ao mundo. Sábado foi um dia que eu discuti com a minha tia, ‘ - não era pra você estar aqui, porque não sei o que...’ Eu não pedi para vir ao mundo. ‘- E quem mandou sua mãe e seu pai botar você aqui?’ Eu também não pedi pra eles se separarem, tá entendendo? Esse final de semana foi um final de semana meio conturbado, saí sábado, cheguei ontem e a confusão continua e assim vai” (jovem de escola pública).
Os problemas na família, às vezes, ultrapassam o âmbito privado e ganha a dimensão do público, causando problemas com a vizinhança:
“Meu pai, antigamente meu pai bebia, hoje ele não bebe mais, faz uns cinco anos que ele não bebe mais, mas quando ele bebia, ele era outra pessoa, muito chata, inconveniente e aí ele tinha um vizinho nosso, que sempre que ele bebia tava lá bebendo com o meu pai. Teve um dia, a gente sabe, qualquer questão se estranha um com o outro, aí meu pai se irou com ele, meu pai se armou com uma chave de fenda, ele veio pra cima de meu pai, meu pai deu uma furada nele com a chave de fenda. Ai ele deixou de falar com meu pai, até hoje não se fala mais” (jovem de curso profissionalizante).
Outro aspecto que consideramos, embora não dimensionado na amostra quantitativa, foi à violência de gênero, pois na ocorrência da violência doméstica são as mulheres as principais vítimas deste tipo de violência, dado a conformação histórica do tipo de cultura e educação em que o homem ocupa uma posição privilegiada, em detrimento dos direitos das mulheres enquanto cidadãs. Quando questionamos se existiam diferenças entre a violência sofrida pelo homem para a
violência sofrida pela mulher, as opiniões sempre confluíram para o aspecto físico da mulher: “Existe. A mulher é mais fraca do que os homens. As mulheres é um sexo mais frágil” (jovem de grupo católico); “Porque elas não tem muita força pra brigar com o homem” (jovem de escola pública); e: “Talvez mais pior, essa semana um deu uma facãozada na cabeça de uma coroa. Na rua aí de baixo. Ainda mais com o facão rabo de galo” (jovem de galera da Jaboatão)
Quando questionados(as) se já tinham sofrido algum tipo de agressão física dentro do ambiente familiar, 19% deles afirmam positivamente, percentual próximo ao dos que presenciaram agressão física entre os pais. Segundo Minayo (2004), quando numa casa se observam maus tratos e abusos contra algum de seus moradores, é quase certo que todos acabam sofrendo agressões, embora com diferenciações hierárquicas, conforme expressa o relato abaixo, que além da violência física entre os membros da família, mostra que ela também gera a violência psicológica:
“Eu já fui vitima. Fui agredido por meu pai. Eles quebraram uma pedra de mármore na frente da minha casa. Eu estava dormindo. Geralmente meu pai vinha fim de semana. Então, quando eu acordo, Fábio vamos pra cama, eu estava dormindo no chão. Aí minha mãe me chama, quando chego na cama vem meu pai. Quando eu menos espero, tome, até hoje eu me lembro disso. Por causa da bebida também. Quando a gente era menor ele batia mesmo, quando a gente ficou maior não fazia mais porque a gente não deixava. De madrugada a gente acordava eles brigando, minha mãe pequenininha, baixinha, não tinha força pra ele. Uma vez ele também me agrediu de outra forma, chamou de vagabundo, jovem sabe como é, tocava na banda, ele começou a implicar, esse negócio não dá pra você, começou a me discriminar. Até hoje não cheiro loló, nunca fiz tal coisa, não que eu esteja certo. Também fui agredido por jovens que era vitima das drogas. Saí da casa da minha namorada, num domingo, pra você ter idéia o que a violência fez com ele, no final da historia você vai vê. Me pediu um dinheiro, disse: Não tenho dinheiro. Ele e outro cara que estava cheirando cola, estavam se drogando, pra você ter idéia o que a droga leva a pessoa. E no momento que ele pediu pra mim disse a ele que não tinha. Por uma segunda vez, insistiu, pôs a mão na minha carteira. Tire a mão da minha carteira, não tenho dinheiro. Sei que eles me agrediram que tenho machucões. Eram dois, correram, e eu saí todo ensangüentado, braços costas, até hoje tenho uma cicatriz feia. Aí aproveitei a oportunidade corri, chamei a Polícia, inclusive o
policial foi na mesma hora, no mesmo minuto, veio, correu, pegou um deles. Conseguiu pegar um. Aí fui pra casa de um amigo meu, olhe como o inimigo atenta, ‘Fabio quer que eu pegue esse cara dê uma surra e uma volta na via costeira’? Só que eu não sou disso. Então eu disse: policial não maltrate ele não e libere ele. Ele saiu e liberou ele, no outro dia eu fui a casa dele, e sei que com o tempo, isso foi em setembro de 2000. Eu tenho um irmão que é vitima das drogas, ele estava neste caminho neste período, ele foi diferente de mim, não conseguiu , a gente sempre tentou, vim pra Igreja, fiquei aqui, mas não foi por causa da Igreja, por opção minha. Aí meu irmão foi agredir este cara, ameaçou ele, antes disso, de meu irmão agredir este cara, tinha havido uma morte na rua da caixa d´água, lá em cima, e meu irmão estava envolvido com esta morte, isso aconteceu depois que eu fui agredido. Após eu ser agredido, meu irmão ameaçou o cara, aí no carnaval de 2001, de frente ao antigo terminal. Ele deu um tiro no meu irmão, atirou na perna, com pouco tempo depois meu irmão morreu. Após meu irmão morrer, esse cara que na rua que eu moro agrediu várias pessoas, teve uma senhora que foi agredida por bala, teve outras pessoas, teve um irmão de um cara que tá preso. No fim de contas, entre março e abril, ele foi assassinado na rua Nova. O que a violência fez. A morte, isso é uma historia, detalhe por detalhe, se você ouvir as testemunhas, que foram violentas. De certa forma foi a procura dele, o caminho” (Jovem de Grupo Católico).
A fala dos(as) jovens revela uma outra forma de encarar a agressão física realizada pelos pais. Há aqueles que afirmam ter levado “surra”, mas que não consideram ter sido um ato de violência, antes é um direito expressamente adquirido pelos pais de corrigi-los. Esse posicionamento acompanha a história da humanidade em todas as épocas. Trata-se de uma construção histórica que naturaliza a cultura