TÜRKİYE’DE VERGİ SİSTEMİNİN GELİR DAĞILIMI ÜZERİNE ETKİSİ: 2001 – 2018 DÖNEMİ
2. TÜRKİYE’DE GELİR ÜZERİNDEN ALINAN VERGİLERİN GELİR DAĞILIMI ÜZERİNE ETKİSİ DAĞILIMI ÜZERİNE ETKİSİ
2.2. TÜRKİYE’DE KURUMLAR VERGİSİ HASILATI VE GELİR DAĞILIMI ÜZERİNE ETKİSİ
O documento final da CONFINTEA VI denominado ―Marco de Ação de Belém‖, na sua apresentação brasileira, ressalta que o Brasil não apenas foi o primeiro país do hemisfério sul a sediar uma CONFINTEA, mas também, junto aos Fóruns Estaduais de Educação de Jovens e Adultos, mobilizou milhares de pessoas em encontros estaduais, regionais e nacional (ver quadro 1) para discutir o estado da arte em educação de jovens e adultos no Brasil, incorporada no documento de base apresentado à UNESCO.
QUADRO 1: Participantes do Encontro Nacional que elaboraram o Documento Nacional segundo
segmento auto-declarado
Fonte: Mapeamento da Participação no Encontro Nacional Preparatório à VI CONFINTEA, anexo
1 do Documento Nacional Preparatório à VI Conferência Internacional de Educação de Adultos
O Encontro Nacional realizou-se em Brasília entre os dias 28 e 30 de maio de 2008 onde foi elaborado o documento base nacional, a partir das produções dos encontros estaduais e regionais, o qual foi apresentado na Conferência Latino-Americana, realizada em setembro de 2008, no México. Haddad (2009) ressalta o caráter participativo do documento brasileiro:
[...] ocorreu um amplo processo participativo que, para além de construir um documento que pudesse refletir a diversidade de questões produzidas pelos diversos sujeitos e regiões teve o objetivo de mobilizar atores sociais para o tema da EJA e da CONFINTEA, numa ação preparatória para o encontro de Belém. Em todo esse processo houve forte presença dos fóruns de EJA, que conduziram as consultas no plano estadual e regional. Além disso os fóruns priorizaram seus esforços em participar do encontro oficial em Belém, disputando vagas e produzindo pressão para que houvesse financiamento para a participação de um maior número de representantes dos fóruns. (pp. 365-366).
Desde o Relatório Síntese Regional da América Latina e Caribe já se reconhecia o diferencial do Brasil na forma de produzir seu Documento Nacional. De acordo com as diretrizes do Institute for Lifelong Learning da UNESCO (UIL), as principais fontes de informação para o relatório da América Latina e Caribe foram os relatórios nacionais para o CONFINTEA VI preparados por governos, ministérios de Educação e departamentos de Educação de Adultos durante o primeiro semestre de 2008, com base em um questionário distribuído pelo UIL a todos os países e regiões. Vinte e cinco dos 41 países e territórios que compreendem a região apresentaram relatórios: um na América do Norte, sete na América Central, dez na América do Sul, e sete no Caribe.
A sugestão do UIL de que fossem organizadas comissões nacionais foi adotada em poucos casos, mas a maioria dos relatórios foi produzida por funcionários de departamentos de Educação de Adultos, ou por consultores contratados para essa tarefa. No caso do México e da Colômbia, também foram produzidos documentos independentes e complementares por especialistas em Aprendizagem e Educação de Adultos (AEA). Somente em alguns países – notadamente Brasil e Uruguai – os relatórios foram elaborados por meio de processos participativos que incluíram outros atores além de órgãos governamentais (América Latina e Caribe, 2008).
Vale ressaltar que tivemos e temos ações que deveriam ser mostrada e podem servir de base para se pensar e implementar as políticas para EJA tanto aqui no Brasil quanto em outros países seja pelos aspectos positivos seja pelos negativos.
Na esfera governamental, sem perder de vista o papel dos movimentos da sociedade civil nas articulações e pressões por políticas educacionais, o Brasil tem desenvolvido várias ações no âmbito da EJA e constam, inclusive no Documento Nacional: o Programa Alfabetização Solidária (PAS), lançado em 1996 pelo Conselho do Comunidade Solidária, órgão da Presidência da República e que em 1998 passou ser ONG; Programa Recomeço – Supletivo de Qualidade (em 2001), que oferecia apoio financeiro aos governos municipais e estaduais integrantes do Projeto Alvorada das regiões Norte e Nordeste; em 2004 o Programa Recomeço mudou para o Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos – Fazendo Escola que consiste na transferência, em caráter suplementar, de recursos financeiros em favor de Estados, Distrito Federal e Municípios; em 2003, início foi lançado como uma das prioridades do governo o Programa Brasil Alfabetizado (PBA); o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (PROEJA) que torna obrigatória a oferta de EJA na rede de escolas técnicas e incentiva redes estaduais a também
ofertarem essa modalidade; o Programa Saberes da Terra que surgiu em 2005 e atualmente integra a Política Nacional de Inclusão de Jovens (PROJOVEM) com a denominação de ProJovem Campo – Saberes da Terra; o Plano Nacional de Formação e Qualificação Profissional (PLANFOR) lançado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em 1995, cuja missão era a promoção da educação profissional no nível básico; O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), criado em 1998 como iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB); O Programa Nacional de Inclusão de Jovens (PROJOVEM), lançado em 2005 e executado pela Secretaria Especial de Juventude da Presidência da República; O Projeto Educando para a Liberdade, desenvolvido entre 2005 e 2006, promoveu uma aproximação inédita entre o MEC e o Ministério da Justiça, com apoio da Unesco, com o objetivo de afirmar o direito à educação e melhorar as condições de sua oferta nos presídios brasileiros (BRASIL, 2009a)
Essa extensa lista mostra a diversidade de iniciativas formativas destinadas para pessoas jovens e adultas do Brasil nos últimos quinze anos e em que pese seus distanciamentos e desencontros enquanto políticas, mostra que não estamos parados, que num ―processo de ensaio e erro‖ a articulação entre governos e movimentos da sociedade civil tem criado alternativas educacionais na área da EJA.
As orientações do Marco de Ação de Belém que oferecem uma diretriz que permite ampliar o nosso referencial na busca de uma Educação de Jovens e Adultos mais inclusiva e equitativa, incluem várias recomendações do documento brasileiro reconhece a UNESCO (2010a). Esse reconhecimento é importante, pois é afirmativo do papel que os movimentos pela EJA tem assumido no Brasil, especialmente pelos Fóruns de EJA. Mas é necessário ressaltar que no Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos (GRALE), elaborado em 2009, não aparecem os dados sobre as ações efetivadas no Brasil. Está ausente na tabela 2.1, que mostra os exemplos das principais políticas específicas de aprendizagem e educação de adultos, introduzidas desde 1997; no quadro 3.1, que destaca os países que tem programas de alfabetização como uma área chave; no quadro 3.2, que aponta exemplos de iniciativas de educação e ensino profissionalizante; no quadro 3.3, que dá destaque a programas de educação de adultos oferecidos em universidades; na tabela 4.2, que mostra a porcentagem de participação de adultos em contextos formais ou não formais de educação e treinamento; na tabela 5.1, que trata das qualificações e níveis de formação de profissionais em educação de adultos; na tabela 6.1, que mostra as alocações para a educação de adultos
como parcela do orçamento de educação; e na tabela 6.2, que evidencia a evolução dos gastos públicos em educação de adultos.
O GRALE, segundo a UNESCO (2010), é o resultado do trabalho conjunto de muitas pessoas ao longo de várias fases. No final de 2007, os Estados-Membros da UNESCO foram solicitados, com base em um conjunto estruturado de questões e temas, a apresentar um Relatório Nacional sobre os avanços na educação de adultos e na política e prática da educação desde a CONFINTEA V, em 1997. Estas orientações abrangeram as áreas-chave de política, governança, participação, provisão, qualidade e recursos. Um total de 154 Relatórios Nacionais foi apresentado apontando a situação da aprendizagem e educação de jovens e adultos em cada um desses países. A maioria foi entregue em tempo e em formatos que permitiram sua utilização na preparação dos Relatórios-Síntese Regionais para a África Subsaariana, os Estados Árabes, a Ásia e o Pacífico, a Europa e a América do Norte e a América Latina e o Caribe, ou seja,
O Relatório Global usa as informações e análises contidas nos cinco Relatórios-Síntese Regionais, juntamente com dados estatísticos comparativos e de pesquisas (quando disponíveis) e material contextualizador, baseado em pesquisa, para fornecer uma visão global dos problemas e desafios que a aprendizagem e educação de adultos enfrenta hoje, e um conjunto de discussões temáticas em torno de dimensões-chave para a ação. (UNESCO, 2010, p. 15).
Essa questão da formatação evidencia um dos porquês da não inclusão de vários dados do Documento Nacional: por não estarem em acordo com o ―questionário‖ da UIL usado tanto para a Declarações Finais das Conferências Regionais Preparatórias para a Sexta Conferência Internacional de Educação de Adultos (CONFINTEA VI) quanto para os Documentos Nacionais.
No caso de vários países da América Latina e Caribe ressalta-se que a necessidade de complementar esses relatórios nacionais para a CONFINTEA VI com fontes adicionais de informação tornaram-se evidentes os arranjos alternativos dado que: a) nem todos os países prepararam e submeteram tais relatórios; b) na maioria dos casos, os relatórios focaram as perspectivas e ações governamentais; c) muitos adotaram uma abordagem descritiva e pouco crítica; e d) o foco maior foi nas políticas e normas em vez da implementação. Isso tornou a sistematização dos relatórios problemática, pois muitos não acompanharam a estrutura previamente determinado se pautando nas informações de apoio que foram retiradas de muitos e diversos outros relatórios nacionais e regionais e estudos sobre Aprendizagem e Educação de Adultos (AEA) na região que foram produzidos nos últimos anos. Informações
disponíveis na internet, nos sites dos ministérios da educação e outras instituições e programas relevantes também foram utilizadas (América Latina e Caribe, 2008).
O encontro dos países da América Latina e Caribe (Cidade do México – México), juntamente com o da Ásia e Pacífico (Seul – Coreia do Sul); o da África (Nairobi – Quênia); o da Europa, América do Norte e Israel (Budapeste – Hungria); e o dos Estados Árabes (Túnis – Tunísia) formaram o conjunto de cinco encontros regionais preparatórios a CONFINTEA VI. Nesses encontros foram produzidos os textos das regiões (que eu chamo de agendas) que, segundo Haddad (2009), contaram com a participação de delegações nacionais representando a maioria dos Estados-membros das regiões, incluindo ministros, vice-ministros e secretários de Estado responsáveis por educação de adultos, além de setores de organizações não- governamentais, que no geral procuraram retratar o contexto regional específico e os desafios a serem enfrentados pela educação de adultos nessas regiões e apontar uma série de recomendações, incluindo as políticas públicas necessárias para apoiar ações nos níveis regional e internacional. Isso mostra que:
Esse processo não ocorreu sem forte presença da sociedade civil, em grande parte sob a liderança do ICAE, rede mundial de entidades e movimentos que trabalham com o tema da educação de pessoas adultas. Nos encontros regionais, as organizações da sociedade civil reuniram-se com antecedência, produziram documentos de incidência política e disputaram espaços para influir nos documentos, como já é tradição na maioria dos encontros do sistema das Nações Unidas. (Idem, p. 363).
Esses textos (agendas) é que foram usadas para compor o GRALE, visto que este usou as informações e análises contidas nos cinco Relatórios-Síntese Regionais, juntamente com dados estatísticos comparativos e de pesquisas (quando informados dentro do modelo de questionário distribuído) e material contextualizador, baseado em pesquisa, para fornecer uma visão global dos problemas e desafios que a aprendizagem e educação de adultos enfrenta hoje, e um conjunto de discussões temáticas em torno de dimensões-chave para a ação.
O Relatório Global de Educação e Aprendizagem de Adultos (GRALE) é a primeira avaliação internacional focada nas questões específicas da educação e aprendizagem de adultos. É um documento de referência que oferece uma ―visão geral‖ sobre a discussão de políticas públicas e realizações até o presente momento. Ele lista os principais desafios a serem alcançados e propõe recomendações para melhorar a aprendizagem e educação de adultos.
Segundo a UNESCO (2010), o GRALE está dividido em seis capítulos, mas gostaria de ressaltar alguns pontos do primeiro, do segundo e do quarto. No primeiro que tem como
tema Os argumentos em prol da aprendizagem e educação de adultos, contém uma reflexão sobre a importância de Estados, governos e sociedade civil considerarem a Educação de Jovens e Adultos numa perspectiva de aprendizagem ao longo da vida necessária enquanto política pública para garantir uma cidadania ativa e produtiva de todos os sujeitos. Chamou a atenção para a CONFINTEA VI como espaço, embora institucionalizado, plural e fértil para o fortalecimento e reconhecimento da educação de adultos como uma ferramenta central no combate à marginalização em todo o mundo, pois sua oferta com qualidade é fundamental para a consecução dos objetivos globais de maior igualdade.
Essa visão de EJA enquanto ―aprendizagem ao longo da vida‖ apresenta um avanço e um retrocesso. O avanço está no fato de colocar o ser humano, situado histórica, social, cultural, geográfica e culturalmente, como protagonista dessa aprendizagem. Antes não se colocava com esta clareza o que provocou algumas discussões teóricas acerca do que significa esse termo. Lima (2007) reflete, por exemplo, sobre a possibilidade deste termo ser usado pela ―mão direita de Miró‖, ou seja, por grupos afinados com as visões neoliberal e conservadora. Mas percebo um esforço para que uma visão mais crítica e humana da aprendizagem ao longo da vida permeasse as discussões e proposições na CONFINTEA VI.
Isso se verifica no GRALE quando aponta que ao assumir a perspectiva de aprendizagem ao longo da vida, a educação de adultos tem um papel considerado fundamental que é garantir a busca da equidade e da justiça social, juntamente com a manutenção da democracia e da dignidade humana. A aprendizagem ao longo da vida só será um dos meios de cidadania se, além destas garantias, estiver comprometida com as conquistas de muitos povos, pelo menos nos instrumentos legais, no que diz respeito aos direitos e liberdades fundamentais: de aprender, de se expressar, de ir e vir, de mudar de religião, de se associar. Esses direitos, garantidos pela Declaração Universal dos Diretos Humanos, se articulam com outros direitos conquistados dentro de cada país.
No Brasil a EJA é direito garantido na Constituição Federal de 1988, um passo fundamental para se garantir cidadania, mas esse não é o único que garante a cidadania plena. Para que sejam realmente cidadãos os sujeitos precisam exercer outros direitos; o de moradia digna, o de atendimento à saúde gratuito e de qualidade, o de ter saneamento básico como um dos garantidores de qualidade de vida, o de ter uma alimentação saudável e nutriticionalmente suficiente para todos. Isso mostra que cidadania se garante com um conjunto de políticas, em diferentes frentes, para que abarquem as necessidades vitais de homens e mulheres na concretude de suas vidas.