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TÜRKİYE İNŞAAT SEKTÖRÜNÜN GELECEK DÖNEM TAHMİNİ

3. TÜRKİYE’DE İNŞAAT SEKTÖRÜ

3.10 TÜRKİYE İNŞAAT SEKTÖRÜNÜN GELECEK DÖNEM TAHMİNİ

A criação de uma casa em Piratininga mostrava ser uma medida estratégica, pois era “escala para muitas nações de índios”637 e “porta e o caminho mais certo para entrar nas gerações do sertão”638.

Ademais, era uma região rica, pela fertilidade do solo, contrastando com a penúria do litoral, que, com muita dificuldade, podia manter um internato639.

634 ANCHIETA, Carta aos padres e irmãos de Coimbra, 15.08.1554 (CAP, p. 60).

635 “(...) somente lhe darei alguma conta desta capitania de S. Vicente, onde a mayor parte residimos, por ser

ella terra mais aparelhada para a conversão do Gentio que nenhuma das outras, porque nunca tiveram guerra com os Christãos, e é por aqui a porta e o caminho mais certo e seguro para entrar nas gerações do sertão, de que temos boas informações; há muitas gerações que não comem carne humana, as mulheres andam cobertas, não são cruéis em suas guerras, como estes da costa, porque somente se defendem; algumas têm um só principal, e outras cousas mui amigas da lei natural, pela qual razão nos obriga Nosso Senhor a mais presto lhes socorrermos, maiormente que nesta capitania nos proveu de instrumentos para isso, que são alguns Irmãos línguas, e por estas razões nesta capitania nos occupamos mais que nas outras (Carta para

El-Rei D. João (1554), CN, p. 144-145).

636 NÓBREGA, Carta de 15.06.1553 (In: LEITE, NCJ, p. 41). 637 GRÃ, Carta ao Pe. Inácio de Loyola, 8.06.1556 (CPJ, v. 2, 291). 638 NOBREGA, Carta a El-Rei, 1554 (CN, p, 144).

639

“(...) a mantença delles e na terra [São Vicente] haver poucas esmolas para tanta gente, foi-me forçado,

des que á esta capitania vim, a passar os meninos a uma povoação de seus paes [Piratininga], donde era a maior parte delles (Id., Carta a Inácio de Loyola, [1556], CN, p.152). Anchieta também confirma este dado:

No ano de 1554 mudou o P. Manoel da Nóbrega os filhos dos índios ao Campo, a uma povoação nova, que os índios faziam por ordem do mesmo Padre (Informação do Brasil e suas capitanias, 1584. TH, p. 50).

Como a maior parte dos adolescentes indígenas que viviam naquela Casa dos Meninos de São Vicente eram originários do planalto, nada melhor que levá-los para perto de suas famílias. Além do mais, a região já era bem conhecida, pois estava sendo visitada pelo Pe. Leonardo Nunes desde 1550. O papel deste missionário na fundação da Casa de São Paulo quase nunca é destacado, embora explicitamente Nóbrega tenha escrito que foi “por su contemplación [sugestão] principalmente hize aquella Casa”640.

As aldeias eram numerosas, como se viu atrás, em torno de 12, espalhadas “a uma, duas e três léguas” em todo o planalto641.

Por um momento temeu-se por João Ramalho e sua família, que vivia em Santo André, chamados pelos jesuítas de “petra scandali” (pedra de escândalo)642. Mas logo o

Pe. Nóbrega percebeu que poderiam ser importantes nestes inícios.

Assim, no dia 29 de agosto de 1553, festa da degolação de São João Batista, este jesuíta deixava, sob a orientação de dois Irmãos, um grupo de 50 indígenas catecúmenos, que se preparavam para receber o batismo cristão:

Haier [ayer], que fué fiesta de la degollación de San Joán, veniendo a estar en una Aldea donde se aiuntan nuevamente y apartan los que se convierten, adonde tengo puesto dos Hermanos para doctrina dellos, hyze solennemente algunos 50 catecuminos de los quales tengo una buena sperança que será Buenos chrystianos y que merecerán el batismo; será monstrada por obras la fe que toman ahora 643.

640 Carta ao Pe. Diego Laynes, 12.06.1561 (CPJ, v. 3, p. 359).

641 “Junto desta vila, ao princípio havia 12 aldeias, não muito grandes, de Índios, a uma, duas e três léguas

por água e por terra, as quais eram continuamente visitadas pelos Padres” (ANCHIETA, Informação do

Brasil e de suas capitanias, 1584. TH, p. 53).

642 NÓBREGA, Carta ao Pe. Luís G. da Câmara, 15.06.1553 (CPJ, v. 1., p. 498).

643 Id. Carta ao Pe. Luís G. da Câmara, 31.08.1553 (CPJ, v. 1, p. 522-523). Segundo Leite, um dos irmãos poderia ser Manuel de Chaves, bom língua tupi. (HCJB, T. I, L.3, c. 6, p. 93).

O novo local escolhido foi a colina de Piratininga. Construir em colinas e lugares altos, foi uma estratégia das primeiras missões jesuíticas644 e uma prática indígena em certas regiões mais conflituosas, como se viu atrás.

Em janeiro de 1554, passaram os Irmãos a viver na colina, de forma bastante simples:

[estamos em] uma casa pobrezinha, feita de barro e paus, e coberta de palha, de 14 passos de comprimento e 10 de largura, que é ao mesmo tempo escola, enfermaria, dormitório, refeitório, cozinha e despensa. (...)Esta casa construíram-na os próprios índios para nosso uso, mas agora preparamo-nos para fazer outra um pouco maior, de que nós seremos operários com o suor de nosso rosto e o auxílio dos índios645.

Isto mostra que 24 de janeiro, tradicionalmente comemorado como fundação de São Paulo, não é o início da missão, que foi em agosto, mas o ato religioso que veio dar o nome à Casa de São Paulo646.

Foi a partir deste ano de 1554, que se iniciava um projeto religioso que irá mudar a vida dos indígenas do planalto.

Em 1553, com o segundo governador Duarte da Costa, haviam chegado mais seis jesuítas – dois padres e quatro irmãos – , entre os quais o Pe. Luís da Grã e o Ir. José de Anchieta. Estes dois foram enviados para Piratininga e tiveram um papel fundamental: Anchieta, como cronista, catequista e mestre na língua tupi, e Luís da Grã, como administrador e braço direito de Nóbrega e seu sucessor no provincialato do Brasil.

644 A mesma preocupação houve em Salvador, onde o primeiro colégio foi construído sobre uma colina (NOBREGA, CN, p. 83). Igual recomendação ocorreu para o estabelecimento da missão entre os Maromomi, próximo do rio Tietê, hoje Guarulhos (ARSI. Rom., Congr. 51, fl. 318. In: LEITE, Os jesuítas e os índios

Maromomis, RHIGSP, v. 32, p. 255), assim como na missão de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém (SP).

645 ANCHIETA. Carta a Inácio de Loyola, 1.09.54. CAP, p. 74.

646 Id., Carta de 1o. 09.1554, CAP, p. 65. Em 1556 Nóbrega tinha planos de transformá-la em colégio (GRÃ,

Na Casa de São Paulo, além das indígenas, os jesuítas receberam um grupo de órfãos e mestiços, que poderia ser peça importante na catequese, embora os padres já pressentissem que estes jovens não eram tão confiáveis:

[Recebemos] principalmente mestiços da terra, assim para os amparar e ensinar, porque é a mais perdida gente desta terra. E alguns piores que os mesmo índios (...) e temos que é tão importante ganhar um destes como ganhar um índio, porque neles está muita parte da edificação ou destruição da terra, como também porque são línguas e intérpretes para nos ajudar na conversão dos gentios 647.

Desta forma, a missão de São Paulo ia se tornando mais uma Casa de Meninos, do que uma missão propriamente dita, enfrentando os impasses da manutenção.

Nóbrega se queixava da necessidade de recursos para mantê-la, pois os padres recebiam do rei apenas 5$600 réis ao ano, o que dava apenas para a “vestiaria e mantimento” dos meninos648.

A pesar da reputada fartura do planalto, a situação mudou quando os padres tiveram que assumir a manutenção de um grupo maior de pessoas. Nóbrega chegou mesmo a escrever, que

esta casa de San Vicente [Piratininga] es la más pobre de todas y padecen los Hermanos y Padres y niños mucha hambre y frio, y es maravilla no huir para sus padres. Agora me parece que soy pobre de verdad 649.

Os jesuítas tinham que contar com a ajuda das famílias dos indígenas, que repassavam produtos de suas roças.

647

ANCHIETA, Carta a Inácio de Loyola, julho de 1554 (CAP, p. 55-56).

648 Provisão de S. M. aos Padres de Companhia de Jesus (D.H., v. 16, 1930, p. 396).

649 “Mas son las casas tan pobres, que unos quarenta o cinqüenta moços que aqui tenemos no los podemos

sustentar sino mucho mal y con mucho trabajo, y esto aún solamente del comer, quánto más si los ubiéramos de vestir y tratar como era razón” (CORREIA, Pero, Carta de 10.03.1555, CPJ, v. 1, p. 447).

Mesmo com este aporte, os jesuítas sentiam a limitação financeira, e, por isso, Nóbrega pensou solicitar ao donatário uma gleba de terra para a manutenção do colégio:

A Capitania de Sam Vicente como digo vai pejorando e cada vez as rendas d’El-Rei valem menos e por isso me parece que (...) somente se podia pedir a Martim Afonso de Sousa sete ou oito legoas de terra pera o Colegio de Piratininga. E as mais convenientes que me parecia eram começando no porto que agora chamam Piratinim, junto de huma alagoa, polo rio grande [Tietê] abaixo a mão esquerda sete ou oito legoas de comprido e outras tantas de largo. E nam he grande dada [data] porque he [situa-se] no sertão [do planalto], onde nam está dado a ningem 650.

Esta data de terra englobaria a faixa situada entre os rios Tietê e Tamanduateí. Mas, na realidade, lhes foi concedida uma área menor – apenas duas léguas –, talvez neste mesmo ano, ao longo do rio Piratininga, depois chamado Tamanduateí, na região mais próxima ao colégio651.

Com terras próprias, os padres conseguiram uma produção maior, fruto da roça tocada por alguns escravos da Casa, que trabalhavam sob a supervisão de um português amigo e com algumas vacas trazidas de São Vicente652. Isto não era suficiente para manter a comunidade, necessitando ainda de uma ajuda real, que chegou somente em 1558653.

Com o tempo, o chamado colégio, foi destinado apenas para os Irmãos que se preparavam para entrar na comunidade, pois ali ensinava-se “latim e lição de casos”, dado

650 NÓBREGA, Carta ao Pe. Miguel Torres, 2.09.1557 (CPJ, v. 2, p. 414).

651 Ver a permuta feita mais tarde com a sesmaria de Jurubatuba (Semaria de Geraibatiba no campo de

Piratininga, Santos, 26 de maio de 1560, Archivo da Câmara de S. Paulo, quaderno das vereanças da villa de S. André, tit. 1555. In: CPJ, v. 3, p. 197-201).

652 “A mantença da casa, a principal, é o trabalho de Índios, que lhe dão de seus mantimentos, e á boa

industria de um homem leigo que, com três ou quatro escravos da Casa e outros tantos seus, faz mantimentos, criação com que mantém a Casa, e com algumas esmolas, que alguns fazem á casa, e com a esmola que El-Rei dá; tem também esta casa umas poucas vacas, as quaes, por nossa contemplação, se deram aos meninos, quando estavam sem S. Vicente, e do leite dellas se mantém a casa” (NÓBREGA, Carta

ao Pe. Miguel Torres, maio de 1556, CPJ, v. 2, p. 282).

653 Cada missionário recebia quatro panacus [medida de 18 litros] de mandioca, um alqueire de arroz ou milho [36 litros] e um cruzado [400 réis] (Alvará de D. João III, 12.02.1557, retificado na Bahia a 27.01.1558. In: CPJ, v. 2, p. 357-359).

pelo Pe. Luís da Grã. Funcionou por seis anos, de 1555 até 1561, quando foi transferido para São Vicente, pelo fato de ali haver “moços de fora que podiam estudar”, isto é, jovens portugueses ou mestiços654. Portanto, o chamado colégio de São Paulo, na realidade nunca existiu, tendo havido apenas uma escola de alfabetização para as crianças indígenas.

O pensamento de Nóbrega era fazer desta Casa dos Meninos e da Missão de São Paulo não só um centro irradiador do trabalho missionário – que neste início de evangelização iria ser realizado de maneira itinerante –, como também um centro cultural para agregar os moradores do planalto, pois se preocupava com o abandono espiritual em que viviam os portugueses e suas famílias mestiças do núcleo de Santo André655.

Na época da fundação, moravam na Casa de São Paulo os Irmãos José de Anchieta, Antonio Rodrigues, Manuel Chaves, que se destacaram no domínio da língua tupi, Afonso Braz, excelente construtor, e Mateus Nogueira, ferreiro656, todos aptos para os trabalhos de implantação da missão.