• Sonuç bulunamadı

3.4 2001 SONRASI PARA POLİTİKASI-FİNANSAL İSTİKRAR İLİŞKİSİ

3.6. TÜRKİYE’DE FİNANSAL DOLARİZASYON-FİNANSAL İSTİKRAR İLİŞKİSİ

civilizatório e possíveis variações terminológicas no processo

tradutório de Betty J. Meggers em The Civilizational Process

Ao geramos as listas de palavras mais frequentes, assim como as de palavras-chave, a partir da primeira obra de AC de Darcy Ribeiro, e após consultarmos os dicionários das subáreas das Ciências Sociais correlatas, foram selecionadas as cem primeiras palavras como base inicial dos glossários desta pesquisa.

Apresentamos, abaixo, as Tabelas 1 e 2 com as dez palavras mais frequentes do TO e do TT da obra em análise:

Tabela 1: Dez palavras mais frequentes do subcorpus principal da obra O processo civilizatório

N Palavra Freq. 1 SOCIEDADES 204 2 POVOS 203 3 SOCIAL 182 4 REVOLUÇÃO 179 5 PROCESSO 152 6 SISTEMA 138 7 DESENVOLVIMENTO 124 8 FORMAÇÕES 112 9 TRABALHO 108 10 FORMAÇÃO 94

Tabela 2: Dez palavras mais frequentes do subcorpus principal da obra The Civilizational Process

N Word Freq. 1 SOCIAL 241 2 REVOLUTION 165 3 SOCIETIES 164 4 PROCESS 138 5 CULTURAL 135 6 TECHNOLOGICAL 123 7 SYSTEM 117 8 CIVILIZATIONAL 109 9 MERCANTILE 109 10 SOCIOCULTURAL 106

Nos apêndices A e B, encontramos as listas com as cem palavras mais frequentes da obra inaugural do antropólogo brasileiro e da respectiva tradução.

Ao cruzarmos tais levantamentos, observamos que, das palavras do Apêndice A, sessenta encontram possíveis correspondentes no Apêndice B. Sendo assim, no tocante ao grau de frequência, notamos que os vocábulos mais ocorrentes no TO, como por exemplo, “sociedades” (204), “povos” (203), “social” (182), “revolução” (179) e “desenvolvimento” (124), também apresentam alto nível de repetição no TT, a saber: societies (164), peoples (103), social (241), revolution (165) e development (105).

As alterações no número de vezes que os termos são utilizados revelam as mudanças de cunho linguístico e lexical nas escolhas dos tradutores, muito embora não possamos restringir nossas análises a esse único elemento. As questões de âmbito sociocultural que permeiam a constituição do habitus da tradutora também podem ser avaliadas por meio do número de ocorrências de palavras.

Como vimos, Meggers teve uma vasta produção arqueológico- antropológica que foi fundamental para a formação do aporte teórico seguido por Darcy Ribeiro na constituição da teoria sociocultural que permeia suas obras e conceitos.

Sendo assim, podemos dizer que a teórica lida com os campos que compõem a escrita antropológica por uma via distinta daquela que seria seguida por um tradutor não especialista. Tendo o aval e a revisão do autor, Meggers trabalhou o texto de maneira a ressaltar alguns aspectos em detrimento de outros. Podemos fazer tal análise se avaliarmos, por exemplo, as alterações das utilizações do termo “sociedade/s” e sua tradução society/ies. A diferença é de quarenta ocorrências a menos na LM, o que demonstra uma omissão e uma reordenação da linguagem por parte da tradutora. No caso do adjetivo “social”, este ocorre 59 vezes a mais no TT, revelando que a teórica e tradutora pode ter explicitado de maneira mais enfática as relações humanas que se estabelecem entre os atores político-culturais das comunidades em análise. A interpretação das traduções de Meggers ainda precisa levar em conta o fato de que a pesquisadora foi uma das primeiras estudiosas de Antropologia a lerem a obra de Darcy Ribeiro e a se depararem com as novas perspectivas de compreensão da sociedade neobrasileira. Com isso, ao levar, não somente o texto, mas a teoria darcyniana ao

público de especialistas nos EUA e Europa, Meggers pode ter colocado seu habitus de antropóloga à frente do habitus linguístico e mesmo tradutório, e também é possível considerar que se reservou o direito de manter-se dentro dos campos ou sistemas que lhe eram conhecidos. Teve grande liberdade criativa, muito embora a frequência nos revele que utilizou esse arbítrio para abrandar a análise do autor e adequá-la para uma recepção mais ampla da obra. Essa relação ficará mais clara ao longo de nosso trabalho, com a análise das omissões e simplificações terminológicas que Meggers realiza em seu TT.

Ao trabalharmos a frequência de itens lexicais na obra inaugural da série de AC, pudemos reconhecer também quais os principais assuntos abordados pelo autor, que trata dos processos de civilização dos países latino-americanos, considerando que a pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de traçar um panorama arqueológico geral da fundação dos Estados Neolatinos na América.

O autor constrói uma reformulação dos temas tratados pelas Antropologias Britânica e Francesa e elabora pelo menos quatro possíveis subdivisões para a composição terminológica da subárea: (1) termos relacionados aos fatores de mudança social, como por exemplo, “escravismo” e “capitalismo”; (2) grupos ou padrões de coletividade, no caso de “populações”, “comunidades” e “aldeias”; (3) elementos de interação social, como “comércio” e “industrialização”; e (4) locais de interação sociocultural e política, como “latifúndios” e “fazendas”.

Foi possível notar, também, que alguns dos principais termos que constam do livro de Darcy Ribeiro e da tradução de Meggers são utilizados de maneira geral pelos demais cientistas sociais, como é o caso de “agricultura”, “capitalismo”, “colônia”, “comunidade”, “escravo”, “estado”, “feudalismo”, “homem”, “população” e “propriedade”. Dessa forma, uma vez presentes na lista de palavras mais frequentes e mais representativas do subcorpus, os termos foram mantidos para a análise da subárea antropológica.

Com isso, os dados permitem-nos lidar, a princípio, com a constituição do comportamento de Darcy Ribeiro e, então, observar como a tradutora encontrou um habitus próprio para construir seu TT. Também podemos observar que, ao fazer uso de termos que são compreendidos por todas as subáreas das Ciências Sociais, Ribeiro e Meggers, tanto em LF quanto em LM, compartilham a

linguagem de especialidade, assim como, muitas vezes, entrecruzam objetos de pesquisa, visto que o campo da Antropologia pode ser influenciado por questões de ordem política, econômica, histórica e geográfica.

Dentro desta perspectiva e com base na investigação da constituição do texto de Darcy, verificamos, no que concerne ao processo tradutório da área, que o tradutor depara-se com a necessidade de conscientização de quatro tipos de habitus distintos, que irão compor suas competências:

1) O habitus linguístico (léxico-terminológico);

2) O habitus das Ciências Sociais;

3) O habitus da Antropologia;

4) O habitus da Antropologia da Civilização.

O uso de corpora paralelos permite a análise destes quatro comportamentos aplicados ao processo utilizado pelos tradutores profissionais, permitindo-nos promover um tipo de pesquisa linguística que associa fenômenos da língua a expressões de âmbito societário, sendo a linguagem a primeira forma de relação humana, de acordo com as proposições de Nida (1945) e de Malinowski (1923). Em todos os níveis apresentados, podemos encontrar, na recorrência dos termos, certos padrões que não se restringem ao plano da forma e que são também atos sociais e culturais. Precisamos ainda atentar para o fato de que nenhum habitus atua isoladamente no comportamento tradutório, eles compõem um conjunto constante e mutável, de modo que qualquer alteração em um dos planos levará a mudanças nos demais. Assumimos que o processo tradutório ocorre dentro de um círculo normativo variável que ao mesmo tempo em que determina os comportamentos é determinado por estes.

É interessante pensarmos, no âmbito da Antropologia, que durante muitos anos o habitus dos tradutores repercutiu para a formação acadêmica e metodológica dos pesquisadores brasileiros, visto que as obras clássicas ainda são lidas em suas traduções para o português nos principais cursos de graduação do país. Ao apresentarmos os textos de Darcy Ribeiro vertidos à língua inglesa, passamos a observar a influência da conduta do antropólogo brasileiro na formação de novos modos de interpretação da sociedade nacional pelo público alvo da Cultura Meta, ou seja, de um novo habitus da Antropologia. Com isso,

avaliamos também a variabilidade e o papel determinante da tradução como ação social, pois o TT irá gerar conhecimentos aplicados à produção teórica da subárea em estudo.

No caso das listas de palavras-chave, evidenciam a representatividade do corpus de estudo em relação aos corpora de referência da língua geral, os quais contêm mais de um milhão de palavras, indicando o uso de determinados vocábulos, reconhecidos, por sua vez, como possíveis termos da subárea em análise. Os resultados obtidos revelam a validade de um levantamento de termos com base na metodologia da Linguística de Corpus, dado que esta auxiliou no refinamento das listas apresentadas neste trabalho. Abaixo, apresentamos as Tabelas 3 e 4 com as respectivas dez palavras de maior índice de chavicidade no TO e no TT:

Tabela 3: Dez palavras-chave do subcorpus principal da obra

O processo civilizatório

N Palavra - Chave Chavicidade

1 POVOS 1.127,18 2 SOCIEDADES 1.075,03 3 REGADIO 549,27 4 SOCIOCULTURAL 547,83 5 MERCANTIL 496,01 6 IMPÉRIOS 439,80 7 REVOLUÇÃO 396,03 8 PASTORIS 386,79 9 CIVILIZATÓRIO 370,40 10 CIVILIZAÇÕES 304,47

Tabela 4: Dez palavras-chave do subcorpus principal da obra

The Civilizational Process

N Keywords Keyness 1 SALVATIONIST 270.59 2 COLLECTIVISTIC 257.69 3 CHIEFDOMS 233.01 4 UNDEDEVELOPED 199.57 5 ACCULTURATION 183.81 6 FEUDALISM 175.60 7 INDUSTRIALIZED 155.72 8 OLIGARCHICAL 150.88 9 INDUSTRIALIZATION 148.04 10 SUBSISTENCE 144.52

Entre as cem palavras-chave dos corpora do TO e do TT, as quais compõem os Apêndices C e D, apenas 42 delas coincidem como possíveis correspondentes. Podemos citar, por exemplo: “aculturação” Æ acculturation; “campesinato” Æ peasantry; “chefia” Æ chiefdom; “colonialismo” Æ colonialism; “comunidade” Æ community; “crença” Æ belief; “feudalismo” Æ feudalism; “militarismo” Æ militarism; “socialismo” Æ socialism; e “subsistência” Æ subsistence.

Estes resultados revelam, em um primeiro momento, o compartilhamento do uso de termos pelas distintas sociedades receptoras das teorias de Darcy Ribeiro em língua portuguesa e em língua inglesa. No entanto, a grande diferença entre os níveis de chavicidade, apontada pelo levantamento, não se restringe apenas aos planos do léxico de autor e tradutora, mas também reflete o alcance dos contextos de situação (MALINOWSKI, 1972) de cada cultura envolvida no processo tradutório. Assim, nos textos de Ribeiro e de Meggers, notamos que os destaques são dados a termos diferentes e que as dissociações entre ocorrências representam como a Antropologia é trabalhada teórica e terminologicamente em cada país.

Podemos observar, por exemplo, que, no contexto brasileiro, os leitores concebem como conceitos-chave as ideias de “povo”, “sociedade”, “população”, “cultura” e “desenvolvimento”, caracterizando uma comunidade que recebe a teoria darcyniana, a qual depreende, primeiramente, os princípios de coletividade e de evolução da sociedade, o que, por sua vez, parece conduzir a uma compreensão dos fatores positivos da proposta darcyniana. Os contextos europeu e americano, ao contrário, apresentam como primeiras palavras-chave as acepções, por exemplo, de chiefdom, acculturation, feudalism, stagnation e domination. Com isso, notamos uma tendência para colocar em destaque relações de dominação e de sobreposição de valores de um grupo dominante sobre as comunidades dominadas. Observamos, assim, que, talvez, ao interpretar o TT, os teóricos da sociedade de chegada acabaram por adequá-lo a conceitos de suas próprias produções antropológicas, de certa forma, neutralizando o impacto que Darcy Ribeiro procurava causar entre seus pares.

Atendo-nos somente às acepções dos candidatos a termos que coexistem nas listas de palavras-chave do TO e do TT, verificamos que no dicionário de Winick (1961) o conceito de “aculturação” (acculturation) compreende o processo pelo qual uma cultura é transmitida por meio de contato contínuo de diferentes grupos societários, de modo que, geralmente, um destes núcleos humanos tenha uma civilização mais desenvolvida. Neste sentido, no contexto de situação da cultura americana, consideramos que a adoção de traços característicos de outras comunidades ainda apresenta a ideia de superioridade e de diferenciação nos níveis de evolução. G.P. Murdock corrobora tal concepção ao definir o termo para o Dictionary of Sociology, de Fairchild (1955), acentuando também a adoção da cultura por meio do contato, especialmente com um povo de civilização mais adiantada.

Por sua vez, o Dicionário de Antropologia: do homem primitivo às sociedades actuais, de Akoun (1983), descreve a “aculturação” como um conjunto de fenômenos que resultam da circunstância de certos grupos de indivíduos de culturas diferentes entrarem em contato constante e de primeira mão com as mudanças que surgem nos modelos culturais originais de um ou de ambos os grupos. Nesta obra, a entrada do termo ainda acresce que a “aculturação” distingue-se da “adaptação” ao meio, da “miscigenação”, do “casamento interracial” e da “assimilação”. Em língua portuguesa não há, na definição do termo, a proposta de um grupo sobrepondo-se ao outro, mas sim a ideia de repercussão de um trabalho mútuo.

Contudo, ao lermos Darcy Ribeiro, vemos que o autor entende que o conceito é definido de maneira insuficiente, pois desconsidera a assimetria geralmente presente nos processos de adoção, por parte de uma sociedade, dos traços de outras culturas. Para o autor, não basta reconhecer que traços das culturas de diferentes sociedades migram para outras, posto que os processos que envolvem essas transferências muitas vezes são coercitivos e se fundamentam na dominação de um grupo sobre outro. Tal dominação pode ser tão intensa que não deixa ao grupo subordinado nenhuma alternativa senão a de aculturar-se. Dessa forma, recoloca a relação de desigualdade social e de predomínio de um grupo

sobre o outro, muito embora sua postura determine a leitura do ponto de vista do povo sobrepujado.

Outro termo que ocorre entre as palavras de maior chavicidade e que contém, em seu significado, a alteração dos contextos que interferem nas relações que se constroem durante a tradução é “colonialismo” (colonialism). Primeiramente, o conceito era usado para indicar a prática colonial, assim como o sistema de governo adotado nas possessões coloniais.

No The Dictionary of Anthropology (1997), o termo colonialism representa o estabelecimento e a manutençao da regra, em um dado período, por um poder soberano sobre povos subordinados e estrangeiros, os quais, por sua vez, ficam alienados do poder regulador. O “colonialismo” é frequentemente associado à “colonização”, ou seja, o povoamento de territórios periféricos por parte de grupos provenientes dos centros imperialistas. Em língua inglesa, a definição do conceito remete, ainda, à superioridade legal e política sobre uma sociedade inferiorizada, de modo que, ocorre a reorientação da economia da colônia em decorrência dos interesses e necessidades advindos da economia da metrópole, o que equaciona uma relação de desigualdade cultural, racial e monetária.

As obras de consulta e apoio não nos dão respaldo somente sobre o que é considerado termo ou expressão dentro da linguagem antropológica e social, fornecem, ainda, a possibilidade de avaliarmos as diferenças de compreensão desta terminologia e de reconhecermos qual a sua repercussão entre os membros das sociedades em que circulam. Notamos, com isso, pequenas variações do campo, as quais estão intimamente ligadas aos habitus e precisam, sim, ser consideradas e reconhecidas por aqueles que irão propor-se a realizar o trabalho de tradução.

A postura analítica da Sociologia da Tradução leva a uma interpretação das palavras-chave e das palavras mais frequentes que coloca o tradutor como principal personagem social da construção do TT, e também salienta a interação que esse ator assume com a sociedade da qual faz parte e com a sociedade na qual o TO foi produzido.

A investigação da chavicidade dos vocábulos da obra de Darcy Ribeiro evidencia elementos linguísticos e culturais que são relevantes à escrita de uma

nova teoria antropológica. Conseguimos observar que os termos-chave em LF estão ligados aos processos de “revolução social”1 e “mudança”, de formação de novos núcleos e sociedades, assim como de alterações nos sistemas de organização dos povos latino-americanos.

No entanto, as palavras de maior índice na LM não se relacionam a esse processo de alteração da perpectiva sociocultural das comunidades das Américas. Pelo contrário, podemos inferir, por meio delas, que na sociedade de chegada, os termos e construções lexicais de maior impacto são aqueles relacionados à ascendência dos europeus e às formas como os sistemas de dominação se interrelacionam para promover o poder dos grupos econônicos mais abastados. Essa investigação nos coloca a par do que Darcy Ribeiro propôs ao longo de sua vida, ou seja, que os grupos sociais da Europa ainda mantêm a concepção eurocêntrica da sociedade global. A associação que os termos da obra O processo civilizatório estabelece com os corpora de referência apresenta a forma como cada público lê a teoria e, por conseguinte, quais são os conceitos que são destacados na interpretação dos antropólogos brasileiros e estrangeiros.

Consideramos, dessa maneira, que, assim como a frequência, o índice de chavicidade também é importante fator condicionante da compreensão dos campos que constituem o ambiente do processo tradutório em AC. No contexto de formação do comportamento comum aos tradutores, vemos que as palavras-chave do TO em análise também revelam, com maior amplitude, o habitus das Ciências Sociais como um todo, visto que elenca termos que constituem objetos gerais da área, como por exemplo: “alienação”, “aristocracia, “burocracia”, “campesinato”, “humanidade”, “pátria”, “pessoa”, “povo”, “racismo” e “religião”. Meggers, por seu turno, atua como uma divulgadora do uso de conceitos já consagrados na linguagem de especialidade para a exposição de uma teoria totalmente remodelada, a qual reordena e reinsere os povos nativos em um contexto de não dominação, em que são personagens ativos na constituição dos processos civilizatórios latino-americanos. O TT assume a responsabilidade de promover a

1Para o Dicionário de Política (2000, de Norberto Bobbio, uma “revolução (social)” trata-se de

uma tentativa, geralmente acompanhada do uso da violência, de derrubar as autoridades existentes em uma instituição, seja esta o Estado ou outra forma de organização governamental. Procura-se com isso realizar profundas mudanças nas relações econômicas, culturais, políticas, etc.

aceitabilidade das propostas de Darcy Ribeiro entre a comunidade antropológica internacional.

Com base neste aspecto, ainda é preciso considerar o impacto da variação das escolhas lexicais na tradução de alguns termos encontrados no subcorpus do TO, para a formação do campo antropológico e para a constituição do habitus tradutório. De modo geral, Meggers respeitou certa regularidade e padrão, seguindo os princípios da Terminologia. Contudo, vimos que Faulstich (1995, 2000), Pathak (1998) e Barros (2004) apontam a existência de variabilidade na formação terminológica, principalmente no que concerne às questões de cunho social e cultural, o que nos levou a considerar a possível ocorrência deste fenômeno na tradução das obras que compõem o corpus principal desta pesquisa.

Foram poucas as opções distintas adotadas por Meggers para o processo tradutório, no que concerne aos termos simples. Abaixo, apresentamos o Quadro 5, com algumas ocorrências dessa variação:

Quadro 5: Lista de termos simples que apresentam variação na Tradução de Meggers em The Civilizational Process

Termos Simples presentes em

OPC

Primeira opção

de Tradução2 Segunda opção de Tradução Terceira opção de Tradução Quarta opção de Tradução

Aprendizagem Apprenticeship Learning --- ---

Clientela Clientele Clientship --- ---

Custo Cost Burden --- ---

Divindade Divinity Deity --- ---

Lavrador Planter Farmer Worker Horticulturist

Patronato Patronage Management --- ---

Senhorio Landlord Feudal Lord Chief Master

Socialização Sociability Socialization --- ---

Trabalhador Worker Laborer --- ---

Trabalho Work Labor --- ---

Verificamos, dessa maneira, que a tradutora apresentou alternâncias de termos para a elaboração de determinados conceitos, evocando outros sentidos à teoria de Darcy Ribeiro. Ao nos atermos a cinco termos, vemos que, por exemplo,

2A ordem de apresentação das opções de tradução segue a ordenação de ocorrência em nossos

“aprendizagem”, tida como a aquisição de conhecimento em oposição aos comportamentos inatos, assume duas leituras no TT. O uso de apprenticeship remete a um sistema de treinamento de uma nova geração de aprendizes de uma dada habilidade, ao passo que a utilização de learning associa-se com maior propriedade ao contexto da LF, cuja concepção representa o processo de obtenção ou modificação de noções, habilidades, valores ou preferências, podendo envolver a sistematização de diferentes tipos de informações.

No âmbito da ideia de “clientela”, Meggers alterna a tradução entre clientele, que se constitui como um corpo de clientes; e clientship, termo que designa a relação entre um homem de influência e um cliente (servo) livre; nesse campo, o cliente reconhece sua dependência e recebe proteção em retribuição. Essa interação aproxima-se da conceituação de “clientelismo”, que surgiu primeiramente no século V a.C. como uma forma de transmissão de poder hereditário. Os escravos libertos tornavam-se automaticamente clientes dos antigos proprietários. O patrão poderia manter os clientes nas cortes ou sustentá- los por meio do pagamento de sua alimentação.

Outro exemplo que mostra claramente as mudanças de sentido e de