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FİNANSAL İSTİKRARSIZLIK SORUNUNUN MALİ POLİTİKALAR KAPSAMINDA DEĞERLENDİRİLMESİ

2.6. FİNANSAL İSTİKRARSIZLIĞIN ÖLÇÜLMESİNDE GÖSTERGELER

É importante ressaltar, no entanto, que embora os pressupostos da Terminologia que norteiam a busca de traduções adequadas às distintas áreas de especialidade sejam os da equivalência e correspondência, a ideia de variação terminológica precisa ser levada em consideração quando tratamos especialmente de texto como os das Ciências Sociais.

Faulstich (2002) insere-se em um grupo de pesquisadores os quais seguem os princípios da Socioterminologia. Esta área de análise possibilita avaliar a variação do uso dos termos em diferentes contextos, considerando a não estabilidade da língua.

Na perspectiva da autora, é importante que a investigação terminológica considere que “os termos, no meio linguístico e social, são entidades passíveis de variação e mudança e que as comunicações entre membros da sociedade são capazes de gerar conceitos interacionais para um mesmo termo ou de gerar termos diferentes para um mesmo conceito” (2002, p.70).

De acordo com Esteves, em seu trabalho Um estudo sobre a equivalência conceitual entre termos do português do Brasil e do inglês: aspectos lexicais e semânticos (2010), a fundamentação teórica proposta por Faulstich para o reconhecimento da variação terminológica delimita a definição de termo e o entendimento de sua movimentação dentro do sistema.

Nesse contexto, os termos são descritos como:

(i) Signos que encontram sua funcionalidade nas linguagens de especialidade de acordo com a dinâmica das línguas; (ii) Entidades variantes porque fazem parte de situações

comunicativas distintas;

(iii) Itens do léxico especializado que passam por evoluções, por isso devem ser analisados no plano sincrônico e no plano diacrônico das línguas. (FAULSTICH, 2002, p.75). Verificamos que, sob a ótica da pesquisadora, a funcionalidade de um termo está inserida na conjuntura das distintas áreas de especialidade. Notamos,

também, que essa proposta adequa-se aos objetivos de nossa investigação, ou seja, avaliar as possíveis diferenças entre a composição dos termos e conceitos de Antropologia na LF e na LM. As análises de Faulstich (2002; 2004) e de Esteves (2010) corroboram as ideias de que os termos assumem funções específicas “de acordo com o contexto de uso”; e de que, em condições similares de uso, “serão considerados variantes um do outro” (FAULSTICH, 2002, p.75).

Dessa maneira, as autoras apontam, ainda, uma série de postulados que orientam esta teoria da variação, a saber:

a) dissociação entre estrutura terminológica e homogeneidade ou univocidade ou monorreferencialidade, associando-se à estrutura terminológica a noção de heterogeneidade ordenada;

b) abandono do isomorfismo categórico entre termo-conceito- significado;

c) aceitação de que, sendo a terminologia um fato da língua, ela acomoda elementos variáveis;

d) aceitação de que a terminologia varia e de que essa variação pode indicar uma mudança em curso;

e) análise de terminologia em co-textos linguísticos e em contextos discursivos da língua escrita e da língua oral. (FAULSTICH, 2002, p. 76).

No âmbito da Tradução, esses fatores nos permitem correlacionar possíveis mudanças de perspectiva analítica de um idioma para outro, por meio da identificação das alternâncias de funções que as variantes sofrem dentro das sociedades. Para Faulstich (2002, p.76), os termos estão intimamente relacionados à colocação que exercem dentro de um sistema social, sendo seu desempenho parte de uma entidade de natureza pragmática, a qual condiciona os possíveis “mecanismos de variação”.

Tal conjectura analítica agrupa as variantes em três categorias principais, são elas: as variantes concorrentes, as variantes coocorrentes e as variantes competitivas (FAULSTICH, 2002, p.77; ESTEVES, 2010, p.59). As primeiras podem concorrer entre si, ou concorrer para a mudança. Não ocupam o mesmo espaço e, se uma é utilizada, a outra não ocorre concomitantemente. De acordo com Faulstich (2002, p.77), são identificadas por suas atribuições formais, de modo que “a variante formal é uma forma linguística ou forma exclusiva de registro que corresponde a uma das alternativas de denominação para um referente, podendo concorrer num contexto determinado.”

Por sua vez, as variantes coocorrentes apresentam duas ou mais denominações para um mesmo referente. Durante o desenvolver do texto, são responsáveis pela coesão lexical e entre ela existe “compatibilidade semântica”. Com isso, tais formas representam as sinonímias terminológicas, em que os sentidos de dois ou mais termos, contendo “significados idênticos”, podem aparecer em um mesmo contexto. Em nosso corpus de estudo, encontramos alguns exemplos desse tipo de variação, como no caso de: índios, indígenas e nativos.

No âmbito das variantes competitivas, Faulstich (2002) postula que: [...] são aquelas que relacionam significados entre itens lexicais de línguas diferentes, quer dizer, itens lexicais de uma língua B preenchem lacunas de uma língua A. As variantes competitivas sofrem, em seu desempenho, intersecções, devido à própria natureza estrangeira da expressão. Esse fenômeno se dá quando a estrutura da língua do termo estrangeiro é perturbada por estruturas da língua vernacular: a mistura de formantes ativa a variação. (FAULSTICH, 2002, p.77).

Dessa maneira, a autora considera que a ocorrência desse tipo de variantes se dá por pares de empréstimos linguísticos e formas vernaculares, e acrescenta que

Os empréstimos lingüísticos são itens lexicais que se originam de língua estrangeira e, depois, no contexto social da língua recebedora, se tornam variantes porque provocam o surgimento de uma forma vernacular equivalente, por causa do ambiente lingüístico estranho à sua permanência natural. (FAULSTICH, 2002, p.77).

Este último grupo de variantes corrobora nossa proposta de pesquisa, visto que, no decorrer da nossa investigação, nos depararemos com termos formulados via empréstimo, e assim, podemos avaliar as interferências da língua portuguesa sobre a língua inglesa, no que corresponde à formulação da terminologia antropológica. Também podemos verificar que não somente o português tem autonomia para fazer-se presente na composição da linguagem de especialidade das Ciências Sociais, mas também as línguas indígenas e africanas, assim como as variações dialetais das diferentes regiões brasileiras, como é o caso de termos como: bombacha, capangas, cangaceiros, caipiras, etc.

Assim, ao pensarmos no processo tradutório, é possível compreender que o termo passa por diversas etapas e adequa-se a inúmeros tipos de empréstimos e variações. Dessa forma, ainda podemos considerar, no contexto da Tradução, fatores como registros, discursos, temporalidades e geografias como importantes elementos a serem poderados durante a atividade do tradutor.

Lembramos que, ao explicarem as variantes terminológicas, tanto Faulstich (2002) quanto Esteves (2010) salientam que: 1) a interpretação dos significados é a base de análise dos termos; 2) as unidades terminológicas são investigadas sob o ponto de vista funcional; 3) a pesquisa de termos, em Socioterminologia, parte do princípio de que o uso precede a norma.

Estabelece-se, com isso, uma relação de convergência teórica com os preceitos dos estudos de Toury (1978), acerca das normas; e de Baker (1992, 1993, 1995), no que concerne aos traços tradutórios, considerando a proposta de análise descritiva e observacional de dados de uso corrente tanto na LF quanto na LM.

Consideramos, por conseguinte, que uma visão fundamentada na possibilidade de interação entre os termos e expressões servir-nos-á para contextualizarmos os problemas que enfocamos na análise dos dados, assim como para verificarmos a relação que há entre Terminologia e Tradução e as influências que dada relação estabelece para possíveis alterações de conceitos e de ambientações de uma linguagem de especialidade focada na Cultura Brasileira.