Inicialmente, o Currículo do Estado de São Paulo (2012) faz um breve panorama histórico sobre a presença da disciplina de Sociologia no cenário educacional. Em seguida, diz que para desenvolver um currículo para a Sociologia deve-se observar as propostas dos anos anteriores, em especial as dos anos 1980 e 1990, já que elas davam norte ao que se buscava em termos de ensino, de estudo e de debate. A referência primeira seria a que foi produzida, pela Associação dos Sociólogos do estado de São Paulo (Asesp) na década de 1980, para o 2º Grau, e da qual, seus fundamentos e convicções permanecem de valor pertinente para a atualidade.
Nos anos de 1980 e 1990, a SEE/SP, também gerou meios para que se houvessem discussões e produções curriculares para o 2º Grau, publicando coletânea de textos e uma proposta de currículo que foi utilizada por demais estados da federação.
Sendo assim, o retorno da Sociologia na grade curricular das escolas da rede estadual de ensino de São Paulo, reconhece a importância dessa volta sabendo da importância que há dentro dos conhecimentos científicos da Sociologia para trazer informações aos cidadãos, conscientizando estes a participarem da vida pública. (SÃO PAULO, 2012).
No que se refere aos fundamentos para o ensino de Sociologia, o Currículo do Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2012) baseia-se nos pressupostos de Karl Mannheim, das Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio – Ciências Humanas e suas Tecnologias7, que por sua vez, se apóia nas Leis de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996.
Em termos de conteúdos, este mesmo currículo, inclui além da Sociologia, a Antropologia e a Ciência Política – pilares esses das Ciências Sociais:
Com essas ciências, entende-se que o objetivo geral da disciplina é levar o aluno a compreender quem ele é enquanto membro da sociedade brasileira. Desse modo, o centro das preocupações e o ponto de partida e de chegada é o aluno, o aluno jovem,
7O documento faz essa referência as Orientações Curriculares Nacionais e a Karl Mannheim enquanto seus
fundamentos. Entretanto, ao professor ter acesso ao Caderno do Aluno e do Professor, este pode ver que não é o que ocorre de fato.
62 com empenho para partir dele a fim de, com ele, pensar a sociedade em que se vive. (SÃO PAULO, 2012, p. 133).
Um dos objetivos é, portanto, se aproximar do jovem e estranhar o mundo juntamente com ele, sendo o estranhamento, o princípio norteador do Currículo do estado de São Paulo (2012), baseado nas Orientações Curriculares. Esse procedimento só será possível se buscar seus princípios na Sociologia de Karl Mannheim, quer dizer, “[...] levar a sério e compreender o contexto sócio-histórico que envolve as maneiras como o jovem pensa e vivencia o seu mundo “.(SÃO PAULO, 2012, p. 134). Além disso, levar o jovem a compreender sociologicamente quem é o outro, por meio do processo de estranhamento e dando bases para a desnaturalização da realidade social, dos fenômenos sociais etc.
O Currículo do estado de São Paulo (2012) toma como exemplo, para ser estranhado e desnaturalizado, a questão do desemprego, de como essa situação resulta de transformações no mercado de trabalho, exigindo que a escola crie bases para atender essa demanda profissional do qual o jovem irá fazer parte.
Assim, cabe ao docente da disciplina de Sociologia, por meio de uma série de aparatos didáticos (como filmes, textos, imagens e etc.) e pedagógicos (métodos, perspectivas), fundamentado nas Orientações Curriculares, fazer uma mediação entre o conhecimento e o aluno, para que este possa entender as diversas interações humanas que ocorrem no seu dia a dia. . (SÃO PAULO, 2012).
A respeito da organização dos conteúdos básicos, o currículo em questão, tem como objetivo central o desenvolvimento do olhar sociológico, por meio da desnaturalização e do estranhamento, levando o aluno à compreensão da sociedade. Nessa proposta curricular ainda, são feito recortes em temas dentro das grandes áreas das Ciências Sociais, sendo elas: Antropologia, Ciência Política e Sociologia (com suas teorias e conceitos específicos de cada uma delas), dando ênfase em fatos considerados problemas sociais, que afetam todos dentro de uma sociedade, principalmente os jovens.
Consequentemente, os recortes feitos acabam por ignorar grande parte de demais temas, bem como de determinadas teorias e conceitos, já que os debates em torno da Sociologia não chegaram a um consenso. Sendo assim, o Currículo do estado de São Paulo (2012, p. 135) para a disciplina de Sociologia “[...] é produto de opções feitas tanto no que se refere aos temas, como aos conceitos e autores que se situam em diversos campos teóricos. Assim, as questões ou problemas sociais, transformados em temas [...]” são trabalhados dentro dos bimestres.
63 Metodologicamente, a pesquisa é de grande importância no processo de ensino e aprendizado, que contribui para determinadas posturas do aluno, como a curiosidade, ação investigativa, que certamente contribuirá para este entender seu meio. O diálogo com demais disciplinas também compõe a intenção desse currículo, como Geografia, Filosofia, História (estas com mais ênfase) e possibilita também a aproximação com outras, como Língua Portuguesa e as ligadas as Ciências da Natureza, se constituindo assim em um leque multidisciplinar. O ensino dentro da disciplina de Sociologia trará bases para que o aluno construa um olhar crítico e desenvolva hábitos de leitura e escrita, sendo estes essenciais para desenvolver boa comunicação com os outros.
O fato da existência de um currículo, não quer dizer que o professor deva segui-lo de forma completa e sim entendê-lo com uma contribuição no processo educativo, considerando os aspectos de cada região, dos alunos, as condições para se ensinar e a imaginação de cada docente. O conteúdo proposto pode ser sempre revisto e ampliado, se pautando evidentemente nas Orientações Curriculares Nacionais.
Como princípio pedagógico dessa proposta curricular, tem-se o diálogo entre docentes e alunos, para não se ater a uma aula que se pretende ser meramente expositiva, conhecendo a bagagem que o aluno traz acerca da realidade, que muitas vezes está baseada no senso comum e buscando superá-la, por meio do ensino sociológico. Nessa perspectiva, a pesquisa é de fundamental importância nesse processo, como também a competência leitora e interpretativa dos textos.