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TÜRKÇENİN ENTEGR ASYON DİLİ OLAR AK ÖĞRETİLMESİNE DAİR BULGULAR

A COCAMAR, desde o início de suas atividades, se caracterizou como um empreendimento coletivo de produtores individuais. Seu objetivo era adquirir vantagens tanto na aquisição de insumos quanto no processamento dos produtos agrícolas, fazendo da cooperativa um instrumento de agregação de valor à sua produção individual. A única forma de ingresso na COCAMAR, como cooperado, se dá mediante a comprovação da atividade agrícola e a integralização de quotas-partes, com valor mínimo de R$ 500,00. As quotas- partes são remuneradas com juros não superiores a 1% ao mês, habilitando o sócio a realizar a compra de insumos nos entrepostos da cooperativa, receber assistência técnica e comercializar sua produção. Os ativos particulares de cada cooperado, ou seja, sua propriedade fundiária, instalações físicas e equipamentos, continuam sob propriedade individual e os ativos da

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cooperativa são constituídos pela somatória das quotas-partes subscritas por cada cooperado, separando o patrimônio da cooperativa do patrimônio de seus sócios.

Quando de sua fundação, em 1963, a COCAMAR contava com 46 sócios, e seus ativos se resumiam a um barracão, onde eram recebidos e processados os produtos agrícolas, e o maquinário para o beneficiamento da produção. No ano de 2006, 43 anos após sua fundação, a cooperativa contava com mais de 6700 cooperados, sendo composta por 30 unidades industriais instaladas em municípios do noroeste paranaense (APÊNDICE A), com sua sede e maior unidade em Maringá (APÊNDICE C). As principais atividades da COCAMAR estão elencadas na tabela abaixo:

- Extração de óleos e farelos - Refino e envaze de óleos

- Comercialização de óleos comestíveis

- Industrialização e comercialização de fios têxteis - Fabricação de suco de frutas concentrado e congelado - Torrefação, moagem e comercialização de café

- Fabricação de sucos/néctares de frutas - Fabricação de bebidas à base de soja

- Comercialização de sucos a base de frutas e de soja - Fabricação e comercialização de cremes e molhos vegetais

- Estoque da produção em redes de armazéns - Processamento de resíduos vegetais

- Usina de preservação de madeira

- Pesquisas no Instituto de Tecnologia Oswaldo M. Corrêa Fonte: COCAMAR, 2007

Tabela 3.2: Rol de atividades da COCAMAR em 2006

Todo o patrimônio da COCAMAR pertence a seus sócios, sendo a participação individual na composição desse patrimônio proporcional ao número de quotas-partes que cada sócio detém. O montante de quotas-partes individual não precisa ser igual entre os sócios, cabendo diferenciação entre o volume de ativos pertencente a cada cooperado. A valorização do patrimônio da COCAMAR, bem como os resultados positivos de seus exercícios, se refletem na valoração da quota-parte, sob duas condições: a) pelo aumento do patrimônio líquido da cooperativa; b) pelo volume de transações com a cooperativa.

A valoração da quota-parte, referente ao aumento do patrimônio da COCAMAR, se dá pela elevação do volume de ativos da cooperativa, tanto no investimento direto em suas instalações quanto na composição de seus ativos monetários. A COCAMAR vêm apresentando, desde 2000, os maiores faturamentos de sua história, como pode ser observado na figura 3.1.

Evolução do faturamento do Grupo COCAMAR (em milhões de reais)

305 408 482 602 774 1008 1154 958 874 1100 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

* Os dados referentes ao faturamento em 2007 foram coletados em janeiro de 2008. Fonte: COCAMAR, 2007

Elaborado pelo autor

Figura 3.1: Evolução do faturamento do Grupo Cocamar12 (1998-2007*)

De acordo com a COCAMAR (2007), a queda no faturamento total registrada em 2005 e 2006 reflete o período de crise da produção por que passou a cooperativa, gerada pelos seguintes fatores: a) efeito cambial, com a valorização do Real frente ao Dólar13, reduzindo as exportações; b) baixa capacidade de capitalização dos produtores; c) elevação dos custos de produção; d) estiagem em 2006; e) falta de auxílio oficial para a produção. Já em 2007, a COCAMAR apresentou recuperação em seu faturamento, conforme apresentado na figura 3.1.

A COCAMAR possui ainda uma empresa coligada, a Transcocamar LTDA, que opera no ramo de transportes e é especializada em cargas agroindustriais, especialmente

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O Grupo Cocamar, em 2007, era formado pela cooperativa COCAMAR e pela empresa coligada TRANSCOCAMAR LTDA.

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açúcar, álcool, soja e cítricos. A empresa iniciou suas atividade em 1990 e em 2006 seu faturamento foi de cerca de R$ 110 milhões contra R$ 90 milhões em 2005; além disso, suas operações em 2006 apresentaram um aumento de 20% em relação ao ano anterior. O desempenho da Transcocamar, em 2005 e 2006, colaborou para amenizar a queda no faturamento do Grupo Cocamar em função da crise nas atividades agrícolas.

Outra modalidade de valorização do capital dos associados é a distribuição crescente das sobras em proporção à transação dos cooperados com a cooperativa. Para tanto, todo sócio possui uma conta capital em aberto junto à COCAMAR, que acumula fundos oriundos da retenção de 1% do valor de todas as suas operações com a cooperativa ao longo do ano. Quanto mais operações são realizadas, seja comprando insumos ou repassando sua produção, a conta capital se eleva e as sobras distribuídas são maiores. Assim, um cooperado que transacione intensamente com a cooperativa pode receber sobras superiores em relação àqueles que possuem um volume maior de quotas-partes, mas que não transacionam plenamente com a cooperativa. O dispositivo da conta capital tem por objetivo claro privilegiar cooperados que se relacionem com a COCAMAR nas etapas de plantio, processamento e comercialização da produção.

Desde 2002, cooperados com idade a partir de 60 anos passaram a receber, parceladamente, 50% do saldo de sua conta capital. A partir de 2007, ao completarem 65 anos de idade, os cooperados passaram a ter acesso a mais 50% do saldo remanescente em sua conta capital, e, ao completarem 75 anos, recebem todo o saldo de sua conta capital, permanecendo somente um valor residual de R$ 500,00. O resgate do saldo da conta capital não prejudica a movimentação normal desses cooperados junto à cooperativa, além do que, suas operações não estão mais sujeitas à retenção de 1%. Essa política foi concebida como uma forma de prestigiar os sócios mais antigos e que transacionam intensamente com a cooperativa, propiciando uma renda adicional (uma vez que o repasse é parcelado mensalmente) sob os mesmos moldes de uma previdência privada.

Na percepção da COCAMAR, um cooperado participante do dia a dia da cooperativa é um ator que representa três papéis: cliente, fornecedor e dono. No entanto, essa relação muitas vezes se mostra conflituosa. A ausência dos valores da cooperação leva muitos sócios a se comportarem de maneira individualista, exigindo que a cooperativa: pague os melhores preços pelo seu produto (fornecedor); venda os insumos pelos menores preços (cliente) e proporcione os maiores dividendos possíveis (dono). Uma postura individualista do cooperado se reverte em problemas com relação à sua fidelização, quando não há uma cultura

forte do cooperativismo. Para a COCAMAR, tal cultura parece se esfacelar a cada geração que se sucede. A preocupação com a adesão dos sócios ao compromisso pela cooperação tem uma motivação adicional: a COCAMAR é partidária da modificação da Lei 5794/71 no que diz respeito à fidelidade do sócio. Frequentemente são detectados comportamentos oportunistas por parte de alguns cooperados, principalmente quando estes se abstêm de negociar sua produção com a cooperativa após serem por ela beneficiados. A COCAMAR planeja, para 2008, alterações em seu estatuto social, de modo a dinamizar o processo de desligamento de cooperados que realizem pouca movimentação com a cooperativa, aproveitando-se de seus benefícios, mas sem prestigiá-la nas demais ocasiões.

Outra preocupação da cooperativa diz respeito à regularidade de suas finanças, principalmente depois da crise financeira descrita na seção 3.1.1. Como participante do segmento do agronegócio, a COCAMAR foi muito afetada pelos planos econômicos da década de 1980 e pela redução do crédito oficial, adentrando a década seguinte com uma séria crise de endividamento, tendo sido inclusive cogitada a sua dissolução. O elevado passivo da empresa fora diagnosticado como um reflexo de má gestão, com a manutenção de estruturas ociosas e inoperantes, além de investimentos sucessivos em atividades pouco rentáveis ou não ligadas à atividade-fim da cooperativa. Depois de uma profunda reorganização administrativa, a COCAMAR efetuou a repactuação de suas dívidas a partir de 1995 e, com os recursos advindos do RECOOP, em 1998, a cooperativa estabilizou suas finanças.

A COCAMAR é favorável à alteração da Lei 5794/71 também para que seja possível a abertura de seu capital, o que levaria a cooperativa a alavancar mais recursos para investimentos, com baixo custo financeiro. Sem a possibilidade de abrir seu capital, desde 2002 a cooperativa comprometeu-se com a redução do endividamento bancário priorizando a capitalização de suas atividades com recursos próprios, mediante a realocação de ativos entre seus setores de atuação. Um exemplo disso foi a decisão pela venda de sua usina de açúcar e álcool em 2006, em plena retomada da produção nacional para álcool carburante, formalizando negócio com o grupo Santa Terezinha, de Maringá. A Usina São Tomé possuía capacidade de esmagamento de 700 mil toneladas de cana por safra, mas, para se tornar viável, seria necessário o aumento da produção para não menos de 1,2 milhão de toneladas de cana esmagada por safra, o que demandava um volume de investimento na ordem de R$ 60 milhões. Entretanto, as atividades da cana de açúcar representavam cerca de 1% das atividades totais dos cooperados. Sob essas condições, a cooperativa optou por se retirar do setor sucroalcooleiro, vendendo a usina por R$ 143 milhões, dos quais R$ 43 milhões foram

destinados para liquidação de passivos junto ao Banco do Brasil e R$ 100 milhões para injeção em capital de giro na cooperativa.

O financiamento das atividades de seus cooperados não faz parte da política da cooperativa, que se limita a parcelar a compra de insumos e auxiliar seus sócios no acesso a linhas de crédito com taxas diferenciadas, principalmente junto ao Banco do Brasil, responsável pelo repasse do crédito oficial para a agricultura. A COCAMAR também realiza uma parceria estratégica com uma cooperativa de crédito, a SICREDI, que faz o atendimento direto aos produtores cooperados em 28 unidades na região noroeste do Paraná. A SICREDI, em 2006, atingiu um faturamento de R$ 243 milhões e era composta por 25.549 sócios, dentre os quais muitos cooperados da COCAMAR (COCAMAR, 2007).