BÖLÜM 2: TÜRKÇEDE SÖZDİZİMİ VE BİRLEŞİK CÜMLE
2.6. Türkçede Bağlanma Şekilleri
Para esse tipo de occorrência, adotaremos a denominação metaftonímia sugerida por Goossens (2003) para designar o processo de interação entre metáfora e metonímia. Esse termo é aceito por Silva (2003) quando ele discorre sobre as tendências teóricas de alguns autores (BARCELONA 2003a; 2003b; RADDEN 2003; GIBBS, 2006) vinculados a LC, embora sob enfoques diferentes no que diz respeito a essa abordagem.
O conjunto de estudos teóricos sobre a interação metáfora e metonímia -
metaftonímia, cujo pilar assenta-se na natureza metafórica de grande parte do
sistema conceitual humano e o alcance cognitivo da metonímia - ambos como processo de pensamento - está inserido sob a denominação de Teorias Cognitivas
da Métafora e da Metonímia- TCMM7.
Goossens (2003), em seus estudos, sustenta a ideia de que as
metaftonímias, geralmente, são baseadas em partes do corpo. O autor, em síntese,
apresenta dois grupos de ocorrências:
metaftonímia integrada: é designada a metonímia dentro de uma metáfora e a metáfora dentro de uma metonímia. Nesses casos, podem-se analisar a combinação de metáfora e de metonímia em uma mesma expressão. Para o autor, o primeiro tipo é mais comum, por exemplo na expressão cortar a língua, temos um domínio fonte cuja projeção metafórica evoca um domínio mais abstrato e subjetivo. O sentido pode ser arrepender-se daquilo que se pronunciou; não repetir o que se disse; autopunição simbólica. Tal projeção
7 Foge aos limites dos objetivos de nossa Tese, abordar de forma exaustiva, as propostas vinculadas às Teorias Cognitivas da Metáfora e da Metonímia – TCMM e empreendê-las neste trabalho. No entanto, ressaltamos a sua importância e a constatação de algumas evidências empíricas observadas em nossos dados, quando analisados os Modelos Cognitivos Idealizados de VIOLÊNCIA.
torna-se possível pela integração da metonímia: LÍNGUA ESTÁ PELA FACULDADE DE FALAR, PARTE PELO TODO. A leitura da figura a seguir, indica essa integração:
Figura 2 - Metaftonímias Integradas
Fonte: Baseada em Goossens (2003)
O que desejamos explicitar na figura é o fenômeno de integração do processo metafórico com o metonímico cujo domínio fonte metafórico integra-se ao ponto de referência metonímico e, simultaneamente, a integração do domínio alvo com a zona ativa metonímica.
metaftonímia cumulativa: a metáfora a partir de uma metonímia. O pressuposto levantado pelo autor é de que os domínios fonte e alvo podem estar ligados de forma natural e simultânea em uma única cena complexa - situação que conta sempre com a presença de metonímias servidas como base para a interpretação metafórica. Nesse sentido, a leitura metonímica é necessária para formação da metáfora; essa formação apresenta uma ligação com a sua origem metonímica. O exemplo citado é boca fechada, podendo significar não falar os segredos dos outros, ser discreto. Pode ser entendida de forma mais literal manter os lábios unidos ou fechados, conforme na Figura 3 seguinte:
Figura 3 - Metaftonímias Cumulativas
Fonte: Baseada em Goossens (2003)
Já Radden (2003) inicia a sua discussão no que tange à relação metáfora e metonímia em seu artigo intitulado “Quanto metonímias são metáforas?” (How
metonymic are metaphors?) ao defender que:
Metonímia baseada em metáfora supera, pelo menos, parte do problema criado por limitar um estudo de uma ou outra categoria particular. Em vez de sempre querer separar os dois, podemos muito mais pensar em um
continuum metonímia metáfora com evidentes casos fuzzy no meio.
Metonímia e metáfora podem ser vistas como categorias prototípicas nos extremos deste continuum (2003, p. 93)
Segundo o autor, os dois fenômenos sociocognitivos e culturais do pensamento e da linguagem estão sob inter-relação e distingue quatro tipos de metonímias baseadas em metáforas com diferentes motivações entre domínios conceptuais, aqueles:
de base experiencial comum: são realizados a partir de metáforas primárias que são correlacionadas ou complementares aos elementos dos dois domínios. Como metáfora por correlação metonímica: MAIS ESTÁ EM CIMA; IMPORTANTE É GRANDE. E de elementos complementares como MENTE É UM CORPO. No exemplo, subida de
preços, as pessoas podem compreender ou analisar a expressão tanto
leitura faz-se pela representação gráfica do preço sob a forma de uma linha ascendente num gráfico; configura-se a metonímia COISA PELA SUA REPRESENTAÇÃO (THING OF REPRESENTATION), ou ainda ACIMA POR MAIS, correlacionando o preço à quantidade de dinheiro investido. Na segunda análise, temos uma relação de similaridade entre “altura” de um preço e “quantidade” de dinheiro, segundo a metáfora MAIS É PARA CIMA (RADDEN, 2003).
por implicatura: acontece, por exemplo, na metáfora CONHECER É VER; VER É COMPREENDER. Na expressão, estamos vendo como o
mundo está violento, pode significar ver as cenas do cotidiano, implica
em compreender que a violência existe, compreender que as pessoas perdem a sua liberdade. Assim, ver e compreender podem ser ações que ocorrem simultaneamente ou sucessivamente.
baseados em estrutura de categorias: as relações metonímicas entre uma categoria e os seus elementos mais salientes podem ser de origem metafórica. No exemplo, ele feriu-me com suas palavras, a ofensa verbal é entendida em termos de dano físico corporal, então OFENSA VERBAL É DANO FÍSICO.
baseados em modelos culturais: as concepções e as crenças são comunicadas, produzidas a partir de domínios conceituais metafóricos e metonímicos. Por exemplo, COMUNICAR É MANDAR; COMUNICAR É TRANSFERIR, segundo a metáfora do CANAL de Reddy (1979), como na expressão: O professor não conseguiu passar o conteúdo. A contribuição de Barcelona (2003 a, 2003b) colabora com os estudos inerentes à relação metáfora e metonímia ao sistematizar a existência de dois tipos de metaftonímias, ambas constituídas conceitualmente:
Motivação metonímica da metáfora: há uma perspectivação metonímica do domínio fonte e do domínio alvo metafóricos. Esse tipo é problemático para a Teoria da Metáfora, porque é possível identificar um grande número de ocorrências de metáfora com base metonímica, principalmente no que se refere aos estudos sobre as emoções. Na Metáfora Conceitual IRA É O CALOR DE FLUIDO QUENTE EM UM RECIPIENTE (LAKOFF,1987), temos uma motivação metonímica –
EFEITO PELA CAUSA. Os efeitos fisiológicos da raiva são apresentados metonimicamente, dessa forma, as emoções e suas reações fisológicas expressas subjetivamente colaboram para materialização da metáfora com base metonímica.
Silva (2003, p.42) para ampliar a discussão da expressão de sentimentos humanos que contribuem para a motivação metonímica da metáfora, elabora um Quadro 3 mostrado a seguir:
Quadro 3 - Metaftonímia nas emoções/sentimentos Metonímia AGITAÇÃO FÍSICA POR EMOÇÃO
Metáfora A EMOÇÃO SURGE REPENTINAMENTE DO EXTERIOR A EMOÇÃO É UMA FORÇA NATURAL
A EMOÇÃO É UM ORGANISMO VIVO PRESENÇA É A EXISTÊNCIA DA EMOÇÃO EMOÇÃO É UM FLUIDO NUM CONTENTOR O CORPO / OS OLHOS / O CORAÇÃO / OUTROS ÓRGÃOS SÃO CONTENTORES DE EMOÇÕES
Fonte: SILVA (2003, p.42)
motivação metafórica da metonímia: ocorre quando há possibilidade de interpretarmos metonimicamente uma expressão linguística possível somente a partir de uma co-ocorrência de um mapeamento metafórico (2003, p.11). Neste caso, Barcelona (2003a , 2003b) apresenta um exemplo citado por Goossens (2003): Ela pegou o ouvido do ministro e
o convenceu de aceitar os planos dela. Na interpretação de Barcelona,
ATENÇÃO É UMA ENTIDADE FÍSICA, instanciada pela expressão linguística do exemplo. No entanto, identifica-se a metonímia PARTE DO CORPO POR FUNÇÃO; OUVIDO POR ATENÇÃO. Dessa forma, há recorrência da relação metáfora e metonímia, constituída a partir da motivação metafórica da metonímia.
Para finalizar essa seção, citaremos Cuenca e Hilferty (1999). Eles argumentam acerca da importância de reconhecer que a metáfora e a metonímia
não podem ser operações cognitivas mutuamente imcompatíveis, porque algumas expressões linguísticas se apropriam dos dois processos. As situações discursivas socioculturalmente motivadas e o desejo de eficácia comunicativa com vistas à construção de sentidos, colaboram para ocorrência de metaftonímias. Por exemplo,
Carlos saiu com o rabo entre as pernas, a interpretação global da expressão
metafórica, sair com o rabo entre as pernas envolve uma base metonímica: rabo
entre as pernas está para cachorro que se aparta de um rival mais forte com medo e
foge. Essa interpretação é evocada pela cena da parte física do cachorro em retirada que orienta o significado.
Para esclarecer, no domínio conceitual de cães, a posição do rabo do cachorro colado entre as pernas implica em submissão. Dessa forma, há uma dedução metonímica do tipo PARTE PELO TODO. A partir dessa metonímia, projetamos a imagem dessa cena para o domínio das pessoas, metaforizando O CAMINHAR DE UMA PESSOA HUMILHADA em termos da RETIRADA DE UM CACHORRO DERROTADO. Com esse exemplo, os autores advogam que, longe de serem domínios excludentes, a metáfora e a metonímia funcionam de forma conjunta e complementar visando à produção de sentidos. Assim, a discussão empreendida nessa seção teve como um dos objetivos compreender a relação metáfora e metonímia de modo a investigar como essa relação está intrínsica ao discurso dos paricipantes quando discorrem acerca de suas concepções de violência.
Em síntese, neste capítulo teórico, discorremos sobre os aportes teóricos da LC, como campo da Linguística que, além de valorizar em seus estudos a língua em uso, busca compreender as estruturas cognitivas inerentes à linguagem. O foco da LC está na perspectiva da cognição corpórea, cujos pilares estão na ideia de que grande parte de nossas crenças, de nossas concepções é estruturada, construída a partir de nossa ação e atuação no ambiente físico e sociocultural.
Desenvolvemos, também, um estudo acerca dos MCIs com intituito de ressaltar a pertinência de nossa escolha teórica e metodológica - acentuar aspectos de natureza linguística, social e cultural subjacentes às construções de domínios conceituais. Esses domínios são organizados a partir dos MCIs, modelos criados por convenções sociais, isto é, pela dinâmica da vida em sociedade, envolvendo os conhecimentos e as experiências acumuladas pelos indivíduos. Dessa forma,
apresentamos os tipos de MCIs que serviram de categorias de análise: os metafóricos; os metonímicos; os proposicionais bem como os de natureza esquemática.
Em vistas dessas considerações, no próximo capítulo, iremos descrever os caminhos metodológicos da pesquisa que nos permitiram investigar as concepções de violência emergentes no discurso de jovens brasileiros e de franceses.
3 TRILHAS PERCORRIDAS: UM CAMINHO DE PESQUISA
De qualquer maneira, estamos bem longe [ou tentamos estar] da velha ideia platônica de ciência como um sistema de enunciados desenvolvendo-se por meio de experimentos e observação e mantido em ordem por padrões racionais e duradouros. (FEYERABEND, 2007, p. 14)
Neste capítulo, argumentaremos acerca da pesquisa qualitativa, tipo de pesquisa escolhida para nossa tese e descreveremos os procedimentos metodológicos realizados no processo de elaboração e de realização do trabalho. O
corpora foi produzido em duas instituições educacionais: uma escola pública
estadual do município de Fortaleza e uma escola privada localizada na região de Libourne, sudoeste da França. O estudo contou com a participação de 12 alunos brasileiros e de 12 alunos franceses, cujo objetivo foi analisar as concepções de violência construídas pelos participantes dos dois países. Essas concepções envolveram as suas crenças, as suas formas de ver o mundo, as suas experiências diretas e indiretas, e os sentimentos acerca do fenômeno da VIOLÊNCIA.
A leitura e a análise dos dados basearam-se nos aportes teóricos da Linguística Cognitiva - LC, em especial, da Semântica Cognitiva. Nessa vertente, optamos em compreender a categoria VIOLÊNCIA na perspectiva dos Modelos Cognitivos Idealizados - MCIs como forma apropriada de apreensão dos modos de conceptualizar a VIOLÊNCIA, levando em consideração aspectos cognitivos, linguísticos (pragmáticos discursivos), culturais e sociais. Esse estudo foi realizado com base na pesquisa qualitativa, tendo como eixo um estudo comparativo que possibilita visitar a heterogeneidade, a singularidade e a complexidade do processo de construção da categoria VIOLÊNCIA.
O capítulo está organizado da seguinte maneira: i- reflexões iniciais acerca da pesquisa qualitativa; ii- desenho da pesquisa; iii- universo da pesquisa no Brasil; e, finalmente, iii- universo da pesquisa na França.