BÖLÜM 2: TÜRKÇEDE SÖZDİZİMİ VE BİRLEŞİK CÜMLE
2.4. Türkçede Yan Cümle
2.4.2. Türkçede Yan Cümle Çeşitleri
2.4.2.1. Fiili Çekimli Yan Cümleler
2.4.2.1.2. Ki’li Birleşik Cümle
Os esquemas de imagem e de movimento – portanto, imagético- cinestésicos – são estruturas cognitivas formadas ao longo do desenvolvimento ontogenético do indivíduo, construídos a partir de suas interações com o ambiente. O termo imagético, ou seja, pertinente a imagens, deve ser entendido como referente a imagens de diferentes naturezas (visual, auditiva, olfativa, gustativa e táctil). Assim, tais esquemas incorporam imagens das percepções pertinentes aos diversos sentidos em atuação com o meio-ambiente.
Para ilustrar: a criança pode internalizar o esquema de RECIPIENTE formado a partir da visão e da manipulação de diferentes recipientes, dos quais o mais prototípico é seu próprio corpo. Neste construto internalizado preserva-se, de forma esquemática (i.e.sem riqueza de detalhes), uma imagem daquilo que é relevante em termos do conceito de recipiente e não as peculiaridades dos inúmeros
recipientes com os quais o indivíduo se deparou ao longo de seu desenvolvimento cognitivo.
As estruturas conceptuais são, assim, formadas basicamente de esquemas de imagens e de esquemas motores que advêm das experiências sensório-motoras e de estruturas neurais. A partir desse perspectiva, significar passa a ser uma questão da cognição em geral e não apenas um fenômeno linguístico de base, porque aquela emerge da experiência perceptiva, espacial, motora e também sociocultural. As estruturas mentais são conectadas aos nossos corpos e as nossas experiências corporais cinestésicas.
Gibbs (2006) usa o termo imagem para se referir: (1) a qualquer instância imaginária de tal maneira que seja possível alguém mover seu corpo de maneira específica ou (2) usar o pensamento para manipular um objeto em diferentes maneiras ou (3) poder sentir a ação sobre um objeto sem fazê-lo fisicamente. Estas imagens não são meramente perceptuais, mas cinestésicas, ou seja, envolvem o movimento de nossos corpos de formas particulares. O que justifica que a imagem mental envolve aspectos da experiência cinestésica é o fato que os cegos congênitos são capazes de formar representações imagísticas, isto é, eles não dependem totalmente da percepção visual para formar imagens mentais cinestésicas (ZIMLER ; KENAN, 1983, apud GIBBS, 2006).
Em síntese, a imagem mental está intimamente vinculada à atividade contínua da exploração perceptual/motora do meio ambiente. Dessa forma, os esquemas imagéticos não se separam das atividades sensório-motoras, portanto é um erro a visão de que são representações mentais abstratas fora da experiência corpórea e sociocultural (GIBBS, 2006).
Relevante entender na perspectiva da Linguística Cognitiva que esses esquemas são considerados pré-conceituais e apresentam um importante papel na cognição humana. São construídos desde nossas primeiras atuações físicas, corpóreas e também perceptuais, que envolvem os objetos mais centrais e comuns ao nosso convívio desde que nascemos:
para que tenhamos experiências conectadas e significativas, com intuito de sermos capazes de compreendê-las e refleti-las, deve existir um padrão e uma ordem para nossas ações, percepções e concepções. Um esquema é
um padrão recorrente, forma, e regularidade nas e das atividades de ordenação contínua. Tais padrões emergem como estruturas significativas
para nós, certamente, ao nível de nossos movimentos corporais no espaço, de nossa manipulação com os objetos, e de nossas interações perceptuais (JOHNSON 1987, p.29).
As experiências vivenciadas, independentemente de quaisquer conceitos, podem motivar futuras estruturas conceituais mais abstratas, assim os modelos de esquemas de imagens valoriza as experiências sensorio-motoras desenvolvidas e estruturadas ao longo de nossa vida.
Os esquemas de imagens são estruturantes dos Modelos Cognitivos Idealizados, dos quais, os principais são: RECIPIENTE; PARTE-TODO; LIGAÇÃO; CENTRO-PERIFERIA; ORIGEM-PERCURSO-META; PARA CIMA – PARA BAIXO; FORÇA; CONTATO. Recorreremos a seguir aos conceitos e aos exemplos dos esquemas de imagens mais relevantes aos objetivos dessa tese, a partir da leitura de Feltes (2007), Johnson (1987), Lakoff (1987).
No que diz respeito ao primeiro, nosso corpo é experienciado como um RECIPIENTE, em que há uma fronteira que distingue um INTERIOR de um EXTERIOR. Entender o nosso corpo como recipiente é algo primário e origina-se da nossa experiência enquanto seres humanos que ingerem (alimentos, substâncias); expelem, exalam e inspiram. Esse esquema de imagem estrutura conceitos abstratos como as consequências da VIOLÊNCIA VERBAL: A violência verbal deixa
dores que ficam no coração da pessoa. Nesse exemplo, há uma ideia de que as
dores estão dentro do corpo, o corpo é significado como um RECIPIENTE em que se coloca dores .
Para o esquema PARTE-TODO, também referenciamos o nosso corpo como um todo, dividido em partes integrantes. O esquema é assimétrico porque se A é parte de B, então B não é parte de A. O esquema é irreflexivo: A não pode ser parte de A. Sob o ponto de vista gestáltico, o todo não existe se as partes não existirem: se as partes são destruídas, o todo também será, mas todas as partes podem existir sem que constituam um todo; só no momento que as partes existem na configuração é que elas se integram no todo, isto é, as partes são contíguas umas às outras. Esses esquemas de imagens estruturam conceitos abstratos como
o conceito de SOCIEDADE, como no exemplo: Cada setor da sociedade deve fazer
a sua parte.
Já no esquema LIGAÇÃO, formado, por exemplo, com a ligação mãe- filho, pelo cordão umbilical e que se estende pela infância e pelos anos subsequentes através de novas conexões que visam assegurar a posição de duas coisas, uma em relação à outra, por que se A →B, então B é restringido e depende de A; se A →B, então B↔A. Relações sociais e interpessoais são entendidas em termos de ligação como no exemplo do conceito de CASAMENTO-DIVÓRCIO:
Minha mãe e meu pai são unidos pelos laços do matrimônio.
Também, no esquema CENTRO – PERIFERIA, experienciamos nosso corpo em termos de CENTRO – o tronco e os órgãos internos – e de PERIFERIA- o cabelo, os dedos da mão e os pés. A periferia depende do centro, mas o centro não depende da periferia, o centro é mais importante e a periferia é vista como dependente do centro. Temos como exemplo: O Rio de Janeiro é a central de
violência do Brasil.
O esquema ORIGEM-PERCURSO-META é muito utilizado na estruturação de eventos complexos ao se apropriar de um esquema espácio- temporal. Ele segue a seguinte lógica: em atividades humanas há um ponto de início, um ponto final e uma sequência de posições contíguas conectando a fonte ao destino. Indo da origem ao destino, por um determinado percurso, deve-se passar por pontos intermediários, avançando ao longe do caminho, mais distante se fica do início. Como exemplo: Ele se perdeu na vida e entrou para o mundo das drogas.
Esse esquema, foi considerado importante na conceptualização de violência hipotetizada por Feltes (2007, p. 260), na análise da categoria VIOLÊNCIA:
entendendo-se que os atos violentos sejam dirigidos a algo ou a alguém, então é possível que o esquema ORIGEM-PERCURSO-META possa estar presente como princípio da categoria. De fato, na construção de modelos proposicionais que atuassem como condições de pano de fundo para a definição dos membros da categoria, certamente, seria necessário um cenário que contivesse, por exemplo, um agente/ (ORIGEM), uma ação/ (PERCURSO) e um paciente/vítima/objeto (META) . [...]
Outro esquema hipotetizado por Feltes (2007) foi o de FORÇA. Esse constitui-se de base pré-conceitual da categoria VIOLÊNCIA; FORÇA seria um
esquema cinestésico de base corporal, mais especificamente compreendido em termos de FORÇA FÍSICA que incorpora à sua estrutura o esquema CONTATO. De fato, encontramos em nossos dados os esquemas imagéticos cinestésicos, FORÇA e CONTATO que eliciaram tanto MCIs Metáforicos e Metonímicos quanto os Proposicionais, conforme faremos alusão na seção de análise.
Enfim, por adotar os dispositivos análiticos da Teoria dos Modelos Cognitivos Idealizados, buscaremos em nossas análises, identificar quais os esquemas de imagens que estruturam as conceitualizações de violência pelos participantes, vinculados às projeções proposicionais, metafóricas e metonímicas que serão tratadas a seguir.