BÖLÜM 2: TÜRKÇEDE SÖZDİZİMİ VE BİRLEŞİK CÜMLE
2.4. Türkçede Yan Cümle
2.4.2. Türkçede Yan Cümle Çeşitleri
2.4.2.2. Fiili Çekimsiz Yan Cümleler
2.4.2.2.2. Sıfat-Fiil Yan Cümleleri
Lakoff e Johnson (1999) delinearam que os nossos conceitos morais abstratos são estruturados metaforicamente. Os autores defendem seu ponto de vista argumentando que a moralidade está relacionada ao bem-estar humano. As metáforas que definem os nossos conceitos morais têm uma significativa base experiencial e são motivadas pelo contexto sociocultural e histórico. Por exemplo, de acordo com a cultura, com os anseios e com as necessidades das pessoas, elas vão construindo e reconstruindo suas concepções de bem-estar que servem de domínio fonte para estruturar noções mais abstratas de moralidade. Na vida em sociedade, as pessoas almejam bem-estar – estado vinculado à moralidade, promovido por ações humanas tais como a manifestação de justiça; de virtude; de tolerância; de verdade; de liberdade; de compaixão; de respeito; de perdão; de doação e de diálogo.
Nas palavras dos autores:
[...] virtualmente todos nossos conceitos morais abstratos - justiça, direitos, empatia, proteção, força, retidão dentre outros - são definidos por metáforas. Isto porque não há sistema moral que não seja metafórico. Entendemos nossa experiência através dessas metáforas conceituais, raciocinamos de acordo com sua lógica metáforica e fazemos julgamentos baseados nessas metáforas. Isso é o que queremos dizer quando dizemos que a moralidade é metafórica (1999, p.325).
Os conceitos morais abstratos estão ligados particularmente ao tema de nossa tese, uma vez que a categoria VIOLÊNCIA envolve a subversão aos conceitos morais socioculturalmente situados em muitos aspectos. Por exemplo, as pessoas têm o direito à liberdade, de se locomover em segurança; então privá-las desse direito é causar-lhes danos. Todos nós almejamos ser respeitados, independentes de nossa cor ou classe social, então discriminar, insultar, xingar, humilhar alguém é causar-lhe danos, mal-estar. Sob essa perspectiva, VIOLÊNCIA É CAUSAR MAL-ESTAR; CAUSAR MAL-ESTAR É IMORAL. Por outro lado, MORALIDADE É BEM-ESTAR, agir de forma moral causa bem-estar aos outros.
Uma vez que o nosso interesse é investigar como os participantes conceptualizam VIOLÊNCIA, levando em consideração a emergência de aspectos relacionados à moralidade e ao bem-estar, o julgamento de ações no âmbito da
violência podem ser consideradas pelos participantes, a partir daquilo que eles concebem como moral ou imoral, violento ou não violento. Para tanto, adaptamos os fundamentos da proposta do Sistema da Metáfora Moral ao entender que NÃO- VIOLÊNCIA É BEM-ESTAR. Dessa forma, a concepção de bem-estar relaciona-se à promoção de ações humanas fundadas na sensação de bem-estar individual e coletivo, seja na dimensão física corporal ou psicológica-moral.
A forma de entender a violência, em muitos exemplos citados pelos dois grupos analisados, descortinaram expressões instaciadas pela Metáfora da Contabilidade Moral, discutida na próxima seção.
2.6.1 Metáfora da Contabilidade Moral
A metáfora da CONTABILIDADE MORAL é integrante do Sistema da
Metáfora Moral, proposta por Lakoff e Johnson (1999). Nessa metáfora, o bem-estar
é concebido em termos de riqueza, logo, aumentar o bem-estar é aumentar a riqueza; se aumentarmos o bem-estar de outras pessoas, ganhamos um crédito moral; porém se, causarmos dano a alguém, geramos um débito moral porque extraímos algo de valor dessa pessoa.
O domínio fonte é TRANSAÇÃO FINANCEIRA, pois quem paga o que deve age moralmente e quem não paga, age imoralmente. Os autores sistematizam esse domínio em esquemas morais básicos dos quais são oportunos para nossa pesquisa tais como o da reciprocidade; da retribuição e vingança; da restituição; do altruísmo, expostos a seguir:
reciprocidade: se devemos algo a alguém, estamos em débito, mas se pagamos o que devemos estamos quites. Metaforicamente, se causarmos mal-estar a alguém, adquirimos um débito que deverá ser pago – esse pagamento é efetivado quando proporcionamos bem-estar ao outro e, assim, quitamos nossa dívida. Sob esse ponto de vista, ação moral é fornecer algo de valor positivo para a alguém, enquanto uma ação imoral é dar algo de valor negativo.
retribuição e vingança: esse esquema proposto causa o seguinte dilema: Se causarmos algo de ruim a alguém, algo de valor negativo foi dado a essa pessoa. Pela metáfora da ARITMÉTICA MORAL, dar algo negativo significa tirar algo de valor positivo, então criamos para nós um débito. A pessoa prejudicada fica diante do seguinte dilema: se retribuir o dano causado para quitar a dívida, age imoralmente, e, caso deixe a pessoa impune, age também imoralmente.
restituição: esse esquema é baseado na ideia de que se alguém causa um dano a outra pessoa, esse alguém deu algo negativo e tomou algo positivo, então o agente do dano deve pagar com algo de equivalente valor positivo que foi tomado por ele.
altruísmo: se alguém faz algo de bom para o outro, então, a pessoa fica com o crédito moral. Esse crédito concebido não precisa ser pago, isto é, a pessoa cancela o débito e, com isso, eleva o seu caráter moral ou o seu crédito moral.
No contexto de nossa pesquisa, em poucas situações, os estudantes pensaram em retribuir o dano causado. Em geral, eles mencionaram que os débitos devem ser cobrados por uma autoridade legítima. Então, surgiram instâncias da Metáfora da AUTORIDADE MORAL. Em um primeiro momento, essa metáfora envolve princípios paternalistas que regem as famílias em nossa sociedade. Nela, inscreve-se i- autoridade legitimada, quando o respeito é merecido pelos pais que agem moralmente, dando exemplo positivo para os filhos; ii- autoridade absoluta, baseada na obrigação e na imposição de autoridade sob os filhos e a esposa a partir da hierarquia familiar. Lakoff e Johnson (1999) apresentam a metáfora AUTORIDADE MORAL É AUTORIDADE DOS PAIS. Nela, o agente moral é a criança e a figura de autoridade é de um dos pais.
Inerente à AUTORIDADE MORAL, outra metáfora estudada pelos autores em foco, foi a da METÁFORA DA ORDEM MORAL. Essa metáfora defende que os mais fortes dominam os mais fracos, ou seja, os mais fortes têm superioridade moral perante os mais fracos:
DEUS TEM AUTORIDADE MORAL SOBRE OS HOMENS PAI TEM AUTORIDADE MORAL SOBRE OS FILHOS
HOMEM TEM AUTORIDADE MORAL SOBRE A MULHER
Como os mais fortes têm autoridade sobre os mais fracos, eles deveriam ter o dever moral de cuidar e de zelar pelo bem-estar dos mais fracos. Nesse enfoque, Lakoff e Johnson (1999) apresentam, dentro de Sistema da Metáfora da Moral, a MORALIDADE COMO CUIDADO (PROTEÇÃO). Em nossas análises, essa metáfora surge na medida em que os estudantes citam exemplos de Violência Doméstica em que há quebra do Modelo de Família como proteção, cuidado e exemplo de moralidade. Também, a metáfora emerge quando os participantes discorrem sobre a Violência Urbana – neste caso, há falta de proteção e de cuidado do Estado em oportunizar bem-estar e segurança aos cidadãos, O ESTADO É IMORAL.
Tendo em vista essas considerações teóricas, investigaremos as metáforas subjacentes aos Modelos Cognitivos Idealizados, porque tais modelos nos possibilitam compreender as formas de conceptualizar a VIOLÊNCIA e os sentimentos decorrentes dela; as ideologias inscritas nos grupos sociais e culturais historicamente situados; os julgamentos de ações e de reações vinculadas à categoria que são explicitadas não somente por Modelos Metafóricos, mas por Modelos Metonímicos – e ainda em domínios conceptuais que contam com a interação de Metáforas e Metonímias – a Metaftonínia - tratados a seguir.