• Sonuç bulunamadı

Faktör 3: Fiyat; bu faktör bir değişkenle ifade edilmektedir.

6.10. Tüketicilerin Gıda Ürünü Satın Alırken Dikkat Ettikleri Özellikler

No domingo da Ressurreição, em alguns lugares do país, ou, mais frequentemente no mês de junho, no Dia de Pentecostes, têm início as festividades do Divino, que também fazem parte do ciclo da Semana Santa, e revelam, dentro deste período festivo, algumas contradições do catolicismo. Este festejo, ao contrário dos ritos de devoção entoados pelo padre, figura central nas celebrações da Semana Santa, é partilhado entre fiéis católicos da cidade e “da roça”, sendo o sacerdote a figura menos importante. Em contraposição aos sacrifícios da quaresma de penitências e privações dos prazeres da vida em solidariedade a Jesus, e à semana santa com seus rituais que relembram os momentos de dor passados por ele, a festa do Divino é regida pela alegria, pelo júbilo, pelos festejos de ruas, pela abundância e pelo requinte de seus componentes.

Desde os primeiros períodos da colonização esta manifestação de fé continua a se repetir em muitas cidades e em muitos recantos rurais brasileiros, onde, com muita fartura e exuberância, as folias persistem a cantar e a louvar em nome do Divino Espírito Santo, viajando de casa em casa, levando a benção por onde passar. Sendo considerada uma das mais importantes comemorações da igreja católica, celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus no dia de Pentecostes, cinqüenta dias após a Páscoa.

As festas do Divino ganharam evidencia em Portugal ainda no século XIV, quando as primeiras solenidades eram realizadas no mês de maio na tentativa, “desde D. João I, (de) evitar o paganismo das “Maias”, cantadas e dançadas pela rua” (PRIORE, 2000, p. 13). Trazidas para o Brasil e celebradas em muitas cidades do país, ainda hoje essas folias esbanjam a mesma pompa do período colonial e ostentam através de fogos, muita comida, belas vestimentas, procissões, cantos e danças, o nome de Imperador do Divino:

Armados de violas e lanças, embandeirados de vermelho e branco, vestidos de seda e de veludo, as personagens dos ritos e dos folguedos da Festa do Divino trabalham um ano inteiro para colocar na rua, na “casa do império”, na praça da cidade e até na igreja seus dias de reza da novena e, no auge de tudo, o fim de semana dos dias da festa (BRANDÃO, 1989, p. 10).

As festividades para celebração do Espírito Santo são então realizadas, em várias partes do país, pelo imperador eleito ou escolhido pelos demais foliões, todos os anos. Este torna-se, portanto, o responsável pelas festividades daquele ano e, em nome do Espírito Santo, arca com as prováveis despesas e com o trabalho necessário para a construção da festa. Para

40

auxiliar o imperador, são também eleitos os chamados mordomos, “como o do mastro e o da bandeira” que se responsabilizam “pelos leilões, pela comida servida a todos e por outros setores de trabalho e pequeno poder que criam, em seu todo, a festa” (BRANDÃO, 1989, p. 11). Os foliões são então convocados para compor as caminhadas em torno das propriedades rurais ou do município de forma a saudar e a convidar os habitantes destas para as solenidades das festividades do Divino:

Eles fazem isso ritualmente, distribuindo bênçãos e arrecadando as “prendas do Divino”: cabeças de gado, leitões, frangos, artesanato comestível, dinheiro. Esmolam em nome do imperador (...). Viajando a pé ou a cavalo, vão de casa em casa na cidade e na roça. Em cada uma cantam o pedido de entrada porta adentro, cantam o anúncio da festa, o peditório de bens e as bênçãos que deixam (BRANDÃO, 1989, p. 11).

Neste sentido, podemos afirmar que as festas em celebração ao Divino Espírito Santo são, ao mesmo tempo, exuberantes em vista de seus componentes estéticos: “coroas e cetros em prata, bandeiras vermelhas do Divino com uma pomba ao centro, de onde se irradiam raios dourados; longas mesas de jantar rica e cuidadosamente arranjadas onde se estendem numerosos pratos, talheres e garrafas de vinho” e filantrópicas, já que o mais importante delas ainda prevalece e persiste em alguns lugares do país - a tradição portuguesa da distribuição farta de alimentos às pessoas da cidade ou da comunidade rural envolvidas com a festa (GONÇALVES & CONTINS, 2008, p. 1). 15

Torna-se importante ressaltar ainda que a realização de festejos que incluem folias como as festas do Divino, é uma prática principalmente de comunidades rurais e podem ser consideradas, não só como um momento de expressão religiosa, mas também como um espaço de sociabilidade capaz de unir em torno da fé as pessoas tanto de um mesmo lugar, bem como sua vizinhança. Os rituais exibidos pelos foliões em suas jornadas, através de danças e ladainhas, são heranças coloniais ligadas à prática da “comunhão” e da “transcendência”, e hoje, reafirmam este mesmo caráter, na benção das casas e dos anfitriões que os recebe:

Homenagens ou cultos às divindades protetoras estão na origem das festas portuguesas, que foram introduzidas no Brasil a partir da colonização, e mantêm, ainda, forte influência em comunidades tradicionais no interior do país, servindo, aliás, como elo com outros espaços e atores (FERLINI apud OLIVEIRA & ROMARCO, 2010, p. 78).

15 Nas festas do Divino observa-se a função distributiva dos chefes religiosos, que acumulam bens materiais ape as o o i tuito de uei a as ese vas du a te o ritual (Mauss, 1988).

41

Desta maneira, as folias constroem uma rede social ligada pela religiosidade que incentiva a prática da reciprocidade. Típica das comunidades rurais, a sensibilidade aos problemas do outro ganha menção maior por ocasião das folias, que através da distribuição da comida e da união em torno da construção festiva, estabelece e reafirma laços de compadrio e amizade entre seus membros. Se a religiosidade é característica de comunidades rurais e pequenas cidades do Brasil, a realização de festejos do Divino, por exemplo, contribui para a reunião de pessoas em torno de uma prática comum, ou seja, a dádiva. Em vista disso, este tipo de festejo incentiva e fortalece a realização de outras práticas de sociabilidade (MAUSS, 1988).