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Faktör 3: Fiyat; bu faktör bir değişkenle ifade edilmektedir.

6.9. Tüketicilerin Etiket Bilgilerini İnceleme Durumları

Em muitos lugares no Brasil, durante o período natalino, viajam as folias às casas de fiéis e devotos em benção dos três Reis Magos. Cumprindo esse ciclo que corresponde a um dos principais ciclos do calendário brasileiro de festas, compreendido entre 24 de dezembro a 6 de janeiro, os foliões celebram o nascimento de Jesus e levam em suas visitas a alegria do palhaço e o toque da viola, que no improviso cantam a peregrinação dos três reis santos.

As festividades em torno da comemoração do nascimento do menino Jesus têm sua origem ligada à colonização portuguesa, uma vez que a visitação e a peregrinação da Folia de Reis já se realizavam na península ibérica “sendo comum a doação e recebimento de presentes a partir da entoação de cantos e danças nas residências”. No Brasil, a folia começou por volta do século XVI como forma de catequização de negros e índios por parte dos Jesuítas. A partir daí ela passa a se manifestar de forma sincrética e hoje possui elementos próprios a cada região, mantendo, no entanto, o intuito inicial - louvar o menino Jesus, Maria, José e os três Reis Magos (PERGO, 2011, p. 1):

(...) uma folia constitui sinal de alegria pelo nascimento de Jesus Cristo. Além disso, são organizadas em conseqüência de uma promessa, sendo geralmente feita pelo mestre da Companhia ou de outra pessoa que o tenha solicitado. O compromisso é livremente assumido, porém, a folia teria por obrigação sair um mínimo de sete anos a fim de se alcançar a graça desejada. Os motivos para se fazer as promessas são os mais variados, entre eles: a cura de doenças, o cumprimento de desejos, a superação de dificuldades, entre outras (COUTO & CASTRO apud PERGO, 2011, p. 2).

Para Carlos Rodrigues Brandão, a Folia de Reis, além de devotar a fé nestas figuras santas, “é um bom exemplo da maneira como a sociedade camponesa estabelece relações sociais e simbólicas entre categorias de suas pessoas e grupos, no interior da família, da parentela, da vizinhança, da comunidade” (BRANDÃO, 2010, p. 55). Sendo característica de

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comunidades e cidades rurais11 em todo o país, a folia cria e estabelece laços de solidariedade entre os fiéis que, unidos pela mesma devoção, levam e alcançam graças, cantando em nome dos Reis Magos, cumprindo ano após ano um ritual religioso popular:

O ritual votivo da Folia de Reis é apenas um exemplo do que acontece com inúmeros outros. Sobrevivente em redutos de cultura camponesa, multiplica- se entre incontáveis equipes, grupos e confrarias de foliões. Unidades populares de trabalho religioso; equipes estáveis de especialistas camponeses que realizam uma fração do trabalho popular de fazer com que circule na comunidade e entre comunidades rurais (...) o saber coletivo de crenças de fé, ritos de piedade e regras de vida (BRANDÃO, 2010, p. 43).

No entanto, este rito popular nem sempre compôs o modo de vida camponês. A dança e o canto da folia passaram pelos “salões dos nobres” no velho mundo, mas tornaram-se “partes da vida das confrarias e irmandades religiosas de todo o país” durante o período colonial. Trazidos pelos jesuítas em forma de “dramas de piedade cristã”, foram “aos poucos expulsos do interior dos templos” passando a compor os festejos de praça e rua caracterizando o catolicismo popular. A folia, desta maneira, passa a realizar-se como um trabalho religioso, sobrevivendo ao lado da religião oficial, tornando-se um modo de celebração de pobres e não nobres (BRANDÃO, 2010, p. 42).

Nesta perspectiva, as “Companhias de camponeses” 12 responsáveis pela composição da folia passam a fazer parte da vida da população colonial e, assim como nos primórdios de sua existência, ainda hoje jornadeiam em nome dos Três Reis Santos percorrendo estradas entre as casas dos crentes num longo rito recompondo a viagem que estes fizeram a Belém. Compostas por foliões eleitos também pelo dom, ela cumpre o seu destino em um ritual que se repete todos os anos. Auxiliadas por um mestre responsável pelos saberes e ensinamentos, os foliões saem em comitiva, levando à casa dos devotos o canto, a reza, a dança, a benção. 13 Lá comem e agradecem a hospedagem. De lá levam as promessas e os presentes. Guiam com a bandeira a benção aos moradores. Livram da intemperança os lares de giro e de pouso:

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De acordo com Wanderley (2009) são consideradas rurais as cidades com população inferior a 20 mil habitantes. Estas, por sua vez, não poderiam ser consideradas urbanas ou parte de um sistema de cidades, por não possuírem centralidade e por serem capazes de fornecer apenas bens e serviços simples à sua população. 12 O te o Co pa hia de a po eses e o ve o jo adeia s o usados po Ca los Rod igues B a d o pa a caracterizar os grupos de foliões e para relatar as visitas destes às casas durante as jornadas realizadas nos festejos da Folia de Reis, respectivamente.

13 Segundo Ba d o, se da folia, o o u pe so age do g upo u a uest o de do , palav a ue est es e foli es usa a todo o o e to pa a e pli a po ue, fo a os otivos da f , est o ali e jo ada (BRANDÃO, 2010, p. 62).

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Concluída a cerimônia do peditório e cantados mais alguns versos para o cumprimento de outros votos promesseiros, a bandeira de Reis é retirada da parede e devolvida à mão de um alferes. Muitas pessoas aproveitam o momento para beijar pela última vez a guia e passar a ponta de seu pano sobre o alto da cabeça. Acompanhada por algumas pessoas da casa até a porta e por outras até a porteira, a Companhia retira-se do local e retorna à estrada (...) (BRANDÃO, 2010, p. 74).

A partir disso, podemos afirmar que os rituais coletivos, a exemplo da Folia de Reis, são movimentados pela ação das pessoas que buscam reafirmar seus valores a partir desta movimentação. A ressignificação é inevitável, mas ao longo do tempo, a folia de Santos Reis busca rigorosamente reapresentar sua tradição “intocada”, apesar de uma de suas características ser o improviso. Do mesmo modo, Brandão (2010) confirma que as funções estabelecidas a cada folião buscam se cumprir sem deslizes, para que todos os anos se repitam: o cantador entoa os versos de bênçãos, o palhaço exerce sua “folia”, o mestre conduz a comitiva, o anfitrião recebe a graça prometida.

O trabalho da folia se resume, assim, por uma tentativa de preservação cultural. A celebração ritualística envolve a todos de uma comunidade comprometendo a cada fiel na responsabilidade de realizar ou receber a folia em sua casa, ano após ano. Pela crença no milagre dos santos, os devotos pedem, mas oferecem ao mesmo tempo, seus presentes, sua devoção. Através da repetição dos rituais ao longo do tempo esses grupos de foliões reafirmam sua religiosidade e cultivam uma tradição, preservando, desta forma, os saberes populares de sua comunidade.