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4. ARAŞTIRMA BULGULARI VE TARTIŞMA

4.3 Tüketici Hakları ve Sorumlulukları

A atividade pesqueira no lago da usina hidrelétrica de Tucuruí mostra que os pescadores conseguem encontrar formas diversificadas para a captura das espécies ictiológicas da região. Estudos sobre os petrechos de pesca realizados no reservatório por Cintra et al (2009) destacam 6 petrechos (rede, anzol, espinhel, arpão, zagaia e matapi) ratificando a pesquisa sobre as técnicas e os petrechos de pesca realizada na reserva Alcobaça, como mostra o quadro 9, desencontrando apenas as informações do espinhel e da zagaia.

Quadro 9 – Panorama geral das técnicas de pesca na reserva Alcobaça – Lago de

Tucuruí/PA.

PETRECHOS E TÉCNICAS DE PESCA NA RESERVA ALCOBAÇA

LAGO DE TUCURUÍ/PA

PETRECHO PERÍÓDO CAPTURADA ESPÉCIE DESCRIÇÃO

MALHADEIRA

Foi introduzida no Brasil pelos portugueses no período colonial. Se destacou na atividade pesqueira, a partir da imensidão de águas interiores e costeiras, em meio a uma variedade de espécies de peixes foi desenvolvida diversos tipos de redes. No reservatório de Tucuruí é considerada fundamental na pesca de espécies como a jatuarana (Hemiodus spp.) e o mapará (Hypophthalmus spp.).

Fixa ou espera Período de cheia

Mapará (Hypophthalmus spp.) Pescada (Plagioscion spp.)

a malhadeira fica verticalmente na coluna da água, onde o peixe é emalhado, fixada por um objeto no fundo dos rios e mares. Nas comunidades pesquisadas foi identificado que nesta técnica a malhadeira é fixada em um lugar estratégico do rio

Bloqueio ou

cerco Período de cheia

Mapará (Hypophthalmus spp.) Pescada (Plagioscion spp.) Jatuarana (Hemiodus spp.)

A malhadeira precisa está apenas com o cabo mestre em toda sua extensão. É praticada por 2 a 4 pescadores em uma canoa ou rabetas. No momento em que o pescador localiza o cardume o cerco é realizado, duas malhadeiras são lançadas impedindo a fuga do cardume, ao mesmo tempo que os pescadores estão

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fazendo o bloqueio os peixes são empurrados para a malhadeira, no momento em que o cabo inferior é levado até a superfície do outro lado da rede, impedindo dos peixes escaparem pelo fundo da malhadeira.

ANZOL

É considerado um dos menos invasivos na pesca, pois quando o peixe é capturado se não estiver nos padrões legais, o pescador pode devolver o peixe ao seu habitat natural sem muitos impactos para a espécie

Caniço Período de seca e cheia

Tucunaré (Cichla spp.) Piranha (Pygocentrus)

É utilizado por todos os pescadores das comunidades estudadas, é formado por uma vara de bambu medindo aproximadamente 5 metros de comprimento.

Linha de mão Período de seca Tucunaré (Cichla spp.)

É formada por uma linha de náilon, presa em um carretel de madeira, de isopor ou segura na mão do pescador. É utilizada para a captura de espécies de pequeno porte. Para a pesca com linha de mão é utilizado anzol de número 8 ou 9.

ARPÃO Período de seca no lago Pirarucu- (Arapaima gigas) Tucunaré (Cichla spp). Espécies a partir de 30 cm.

É formado por uma vara, geralmente da paracauúba (Leci iointea amazônica) e pau d‟ardo – (Tabebuia), medindo aproximadamente cerca de 2 m de comprimento com uma ponteira numa extremidade e uma corda na outra. Como o peixe é arpoado a certa distância, a corda é necessária para trazê-lo até próximo do pescador.

ZAGAIA Período de seca no lago

Tucunaré (Cichla spp.) a partir de 50 com.

Petrecho formado a partir de uma lance de metal de três pontas. Essa lance pode ser comprada pronta em estabelecimentos de pesca ou feita pelos próprios pescadores. É fixada é uma haste geralmente feita da madeira 2 metros.

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poucos pescadores que se atrevem para utilizar a zagaia, pois além dessa forma de pescar exigir um saber aprofundado sobre o ambiente e sobre a espécie a ser captura, é uma técnica ilegal na área do reservatório da usina de Tucuruí. MATAPI Se estende ao longo do ano. Camarão (Macrobrachium) Confeccionado no reservatório de Tucuruí da palmeira do miriti (Mauritia exuosa). Na região do baixo rio Tocantins a confecção é feita com tala da palmeira de jupati (Raphia

taedigera), a distância entre as

talas tem finalidade de classificação do tamanho dos indivíduos a serem capturados. A farinha de babaçu é utilizada como isca, coloca-se uma porção de farinha envolvida em uma folha, e amarra dentro do matapi.

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2 SABERES DA NATUREZA

O estudo do saber de populações indígenas e das chamadas populações tradicionais20, tem sido reconhecida com total importância e ganhado espaço nas discussões acadêmicas. Pesquisas sobre os saberes dessas populações desenvolvidos por pioneiros como Balick e Cox (1952), Conklin (1954), Lévi- Strauss (1976), Berta Ribeiro e Darcy Ribeiro (1986) e Posey (1997). Esses estudos, têm mostrado que o saber tradicional indígena e não-indígena estão próximos, uma vez que se baseiam em uma constatação empírica (DIEGUES, 2001).

Sobretudo, esses estudos tentam evidenciar o saber da população sobre os fatores ecológicos, culturais e sociais. Balick e Cox (1952) ressaltaram a etnoconservação biológicas a partir do uso de plantas medicinais por indígenas e populações tradicionais, Conklin (1954) destacou a etnobiologia que resultou no conhecimento taxonômico de 1625 espécies de plantas a partir de classificações

folk21, Lévi- Strauss (1976) verificou que o saber tradicional indígena e ocidental

estão epistemologicamente próximos a aprtir de empirias. Berta Ribeiro e Darcy Ribeiro (1986) dão importância a etnobiologia em uma publicação que organizaram e Posey (1997) destacou os estudos etnoecológicos obre os índios Cayapó.

Utilizando o conceito de conhecimento tradicional empregado por Diegues e Arruda (2001) como um conjunto de saberes e saber-fazer a respeito do mundo natural e sobrenatural transmitido oralmente de geração para geração, tido por muitos pesquisadores como de alta relevância para a proteção dos recursos, aborda-se nesse trabalho os saberes da pesca no lago de Tucuruí a partir do saber que os pescadores possuem sobre a ecologia pesqueira, buscando uma inserção dos estudos com um viés etnológico.

A abordagem da etnologia a partir da biologia e da ecologia já foram mostradas como de suma importância para os estudos de populações, mas observa- se ainda uma sobreposição de conceitos e definições nas pesquisas que levam em

20 “Grupos humanos diferenciados sob o ponto de vista cultural, que reproduzem historicamente seu

modo de vida, de forma mais ou menos isolada com base na cooperação social e relações próprias com a natureza” (DIEGUES; ARRUDA, 2001, p. 27).

21 Considerado um sistema de classificação popular que parte de modelos contruídos e analisados

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conta o saber. Nesse sentido faz uma breve revisão nas definições de etnobioloia, etnoecologia e etnoconecimento.

Nessa abordagem Maria Medeiros e Ulysses Albuquerque (2012) definem etnobiologia como o “estudo das relações entre os organismos vivos e os sistemas culturais. Tradicionalmente é apontada como o estudo das interações das pessoas com seu ambiente, sendo o estudo dos conhecimentos e conceitos desenvolvidos por qualquer cultura sobre a biologia” (MEDEIROS, M.; ALBUQUERQUE, 2012, p. 23).

Para Marques (2001, p. 7) “um campo de cruzamento de saberes.” Posey (1997, p. 13) fazendo a abordagem sobre a etnobiologia entre a teoria e prática, conceitua como “o estudo do conhecimento e das conceituações desenvolvidas por qualquer sociesade a respeito da biologia.” O Mesmo autor ainda relaciona a etnobiologia com a ecologia humana, mas ressalta que a etnobiologia por estudar a função da natureza no sistema de crenças, a mesma irá “enfatizar as categorias e conceitos cognitivos utilizados pelos povos” (POSEY, 1997, p. 13).

Embora ConKlin (1954) tenha sido pioneiro no termo “Etnoecologia” não apresentou a sua definição. No Brasil, Marques (1995, p. 22 ) foi o brasileiro que apresentou a definição, “etnoecologia é o estudo das interações entre a humanidade e o resto da ecosfera”, já em 2001, o mesmo autor aprensentou outra definição ao mesmo termo “etnoecologia é um campo de pesquisa que estuda os conhecimentos, sentimentos e comportamentos que intermediam as interações entre populações humanas que os possuem e os demais elementos dos ecossistemas que as inclui” (MARQUES, 2001, p. 18) e o autor em tela ainda apresenta o termo “ecologia abragente” como um campo de pesquisa científica transdisciplinar.

Dessa forma, considerando os aspectos metodológicos nessas pesquisas sobre saberes de populações, Morán (1990) chama atenção para a importância da etnoecologia na metodologia em pesquisas de Ecologia Humana que estuda o relacionamento dos seres humanos com o ambiente, o autor ressalta que através da etnoecologia os pesquisadores tentam descobrir os processos e regras estruturais pelos quais uma população classifica seu ambiente.

A pesquisa de campo em etnoecologia é facilitada por basear-se na coleta de dados linguísticos e em critérios que diferenciam um termo linguístico do outro, fazendo com que o pesquisador paulatinamente descubra a estruturas lógicas que compõem a percepção sobre o meio. Nesse sentido, Alves e Souto (2010, p. 30)

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destacam os pressupostos da etnoecologia como “a valorização da diversidade cultural que se manifesta destro de cada sociedade, esto talvez, deva ser aplicado também no interior do próprio acadêmico”.

Os estudos de etnoecologia têm levado ao uso do termo etnoconhecimento, onde o mesmo vem sendo cada vez mais utilizados por pesquisadores da área por ser mais geral e consequentemente poderá ser utilizada em qualquer estudo, sem muitos equívocos como a contece com a etnobiologia e a etnoecologia, mas a utilização do termo ainda é feita de forma discreta, ou seja, geralmente é evitado em títulos e chamadas de trabalhos acadêmicos. O termo em questão vem substituindo conhecimento tradicional e conhecimento local.

A partir desse foco, Maria Medeiros e Albuquerque (2012) definem de forma básica como o saber do outro ou do pesquisado. Saberes esses através das vivências e experimentações de povos indígenas e não indígenas, repassados de forma oral de geração a geração.

Benzer Belgeler