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Tükenmiflli¤e Etki Eden Bireysel ve Örgütsel Faktörler

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Bir ‹nceleme

1.2. Tükenmiflli¤e Etki Eden Bireysel ve Örgütsel Faktörler

A possibilidade de convívio com a diversidade é o caminho possível para desmistificar a estranheza sugerida no afastamento de tudo aquilo que foge ao pseudocontrole da razão. Os diversos (des)caminhos de concepções e métodos segregatórios e separatistas foram acentuando a não familiaridade com as singularidades pessoais. Não é possível compreender aquilo de que nos afastamos por medo do desconhecimento. A desqualificação relegada a tudo que foge às regras estabelecidas conduziu ao desenvolvimento de relações sociais produtoras da interdição que negam acesso ao mundo, para aqueles que são considerados “diferentes” (FERNANDES, 2003, s/p). A partir de Fernandes (2003) é possível refletir sobre a sensação de medo do desconhecido que atravessa a convivência com a diversidade, e melhor compreender e familiarizar-se com as singularidades daqueles “que são considerados diferentes”. Assim, o desenvolvimento de relações sociais que se orientem por processos emancipatórios só será possível a partir das rupturas com algumas concepções instituídas e naturalizadas, desocultando as contradições da realidade social.

Reiterando aspectos já apontados neste estudo e por estudos anteriores, pensando em caminhos e rupturas possíveis, necessário se faz a garantia de intervenção junto aos núcleos familiares e priorização de investimentos sociais nas periferias de Alvorada/RS. É preciso pensar na priorização de processos preventivos às vulnerabilidades sociais, além da capacitação de trabalhadores e a interface efetiva entre as políticas públicas e delas com as demais instâncias da sociedade para a garantia de direitos.

A fragilidade de vínculos familiares dos sujeitos que vivenciam os processos de rualização é fator preponderante em suas histórias de vida, sendo o principal motivo que determina a utilização das ruas como estratégia de sobrevivência. Neste sentido, os suportes ofertados pelas políticas sociais têm obtido resultados pouco substantivos no enfrentamento dessa expressão da questão social (PRATES et. al 2013). A mediação de intervenções junto aos núcleos familiares, sejam a família de origem ou as novas formas de constituição familiar construídas na rua, portanto são fundamentais para fortalecer vínculos ou reiniciar novos.

A necessidade de investimentos em processos preventivos para evitar processos de rualização, vem sendo sistematicamente destacada em estudos e pesquisas que versam sobre populações em situação de rua. É, portanto,

indispensável a socialização de pesquisas e realização de debates, que possam contribuir para a superação dos processos de alienação, para desocultar as particularidades dessas condições de desigualdade, para a qualificação das políticas públicas e para a ampliação de processos sociais emancipatórios, de modo que os sujeitos que vivenciam o processo de rualização possam ter visibilidade, como sujeitos de direitos.

Na análise dos documentos normativos da política nacional percebe-se não só princípios e diretrizes explicitadas, mas também ações concretas a serem realizadas por cada área, incluindo processos de participação dos sujeitos usuários, com vistas a estimular o seu protagonismo. Diante das respostas ao questionamento e a análise sobre como o município oferta alternativas para o enfrentamento da situação de rua e garante a participação e o protagonismo dos sujeitos usuários, e como os atores sociais a percebem e estimulam, percebe-se como uma ação necessária e urgente a realização de um mapeamento em todo o município de Alvorada/RS, com vistas à dimensionar e caracterizar a população que vivencia em seu cotidiano os processos de rualização.

Um dos dados que sinalizam a necessidade da interface entre as políticas públicas citadas anteriormente é de que no município 30,9% dos jovens em extrema pobreza, com 15 a 17 anos de idade estão fora da escola e que Alvorada tem um número superior a 80 casos de HIV por 100 mil habitantes. O desvendamento destas particularidades locais contribui para o planejamento de ações que enfrentem essa realidade concreta.

A integralidade proposta pela politica, assim como no Plano Brasil Sem Miséria (2011), ultrapassa a proteção social isolada no âmbito de cada território – SUAS: básica e especial e demais políticas – buscando ações que vinculem os sujeitos, toda a comunidade e articule recursos, o que pressupõe o reconhecimento das relações estabelecidas no território com a criação de espaços públicos para o exercício do protagonismo.

Para os casos de necessidade de afastamento familiar e comunitário o Acolhimento Institucional que contemple as aspirações e características dos sujeitos usuários se transforma em importante recurso. Considerando o alto índice de uso de drogas entre as vulnerabilidades enfrentadas pelos sujeitos, o atendimento a dependência química deve ser também um dos recursos articulados na rede de enfrentamento aos processos de rualização em conjunto com as políticas de

habitação, dentre outras, sem segregação, isto tem sido reiteradamente apontado por usuários, profissionais e pesquisadores.

Acolhimento Institucional como alternativa nos casos de afastamento familiar e comunitário e a oferta de repúblicas transitórias ou um Centro POP são serviços reconhecidos como importantes e demandados pelos próprios sujeitos, usuários e trabalhadores. Assim como, a interface efetiva entre as políticas públicas e delas com as demais instâncias para a garantia de direitos, com a contribuição da oferta de alternativas de capacitação para o trabalho e inserção produtiva induzida pelo poder local, como serviços de proteção básica da Assistência Social.

Para tanto, a ação inicial que precisa ser realizada pelo poder local é a efetivação do diagnóstico territorializado para mapear, dentro do município, as zonas de maior vulnerabilidade e risco social e a cobertura da rede prestadora de serviços, conforme previsto pela função de vigilância social que compõe a Politica. Por meio do mapeamento os gestores e demais trabalhadores da Assistência Social e outras politicas públicas poderão conhecer a realidade concreta de Alvorada, de modo a melhor planejar as ações que decorrem das políticas sociais. Destaca-se aqui a intenção de garantir o acesso aos serviços ofertados pela rede socioassistencial de forma igualitária, fortalecendo os indivíduos e as famílias na conquista de sua autonomia, dignidade e protagonismo, por meio do desenvolvimento de potencialidades, valorizando sua identidade e seu lugar de pertencimento.

A elaboração de um diagnóstico é uma ação que possibilita ao poder local compreender as particularidades do município no qual estão inseridos os sujeitos e detectar as características e dimensões das situações de precarização que trazem riscos e danos aos cidadãos, à sua autonomia, socialização e convívio familiar. Essas informações são fundamentais para conhecer a distribuição das necessidades e demandas em cada território, com a finalidade de direcionar a realização da estratégia de Busca Ativa15 tão necessária em Alvorada.

Esta necessidade já foi apontada no Censo 2010 e reiterada neste estudo que indica mais de 4 mil famílias em extrema pobreza que ainda não foram inseridas no Cadastro Único dos programas sociais. O Cadastro Único possibilita qualificar e

15

Estratégia destacada em nota de rodapé n.1, p. 13 deste estudo, através da Instrução Operacional Conjunta SENARC/SNAS/MDS nº 10, de 25 de outubro de 2011, que orienta os municípios sobre o estabelecimento de parcerias de Busca Ativa nos níveis federal e municipal e sobre o protocolo para inclusão de famílias extremamente pobres no Cadastro Único (BRASIL, 2011).

mapear as carências de comunidades e adequar à disponibilidade dos serviços públicos às necessidades locais.

Com o cadastro é possível caracterizar a realidade socioeconômica das famílias e seus domicílios. Algumas delas, inclusive, úteis na realização do diagnóstico socioterritorial do município. Na caracterização dos sujeitos é possível perceber as necessidades de documentação civil, onde se encontra o público-alvo para o Programa Bolsa Família e acesso a serviços públicos como educação, energia elétrica, água potável e todos os serviços da rede socioassistencial.

A Busca Ativa também auxilia na identificação das regiões com concentração do público-alvo dos programas, no caso deste estudo dos sujeitos em situação de rua e aqueles que estão enfrentando os processos de rualização. Assim, conhecendo estes sujeitos ou famílias torna-se mais fácil cadastrá-las com a finalidade de encaminhá-las aos programas e benefícios a que tem direito. Essa ação determina o planejamento da oferta de uma rede de acordo com a demanda, considera as particularidades de cada caso e a multicausalidade do processo de rualização.

Diante disso, a Busca Ativa pode ser uma estratégia de garantir acesso da população em situação de rua e extrema pobreza aos serviços ofertados, ou o planejamento da ampliação e oferta de serviços, considerando, todavia, o direito a participação e ao protagonismo dos sujeitos usuários das políticas sociais e, portanto, direito que para estes atores sociais é limitado pela falta de condições materiais de existência para que se materialize.

Destarte, o Serviço de Abordagem já existente no município amplia e qualifica sua ação e pode encaminhar cada caso conforme a necessidade real e concreta, a partir disso monitorar e avaliar os resultados das ações, alimentando o processo decisório com informações qualificadas.

Para finalizar, afirmam-se estas ações concretas articuladas com as propostas de participação e protagonismo, afirmativas de possiblidades de acesso ao mundo para aqueles que são, muitas vezes, considerados “diferentes”.

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