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Suudi Arabistan

Belgede Ortadoğu Araştırmaları Merkezi (sayfa 143-146)

The Struggle for Power in Red Sea: Causes and Actors

2. Küresel ve Bölgesel Aktörlerin Kızıldeniz Stratejiler

2.7. Suudi Arabistan

Wesley incluiu na Biblioteca Cristã uma breve biografia de Hooker e apresenta-o co- mo uma pessoa educada, prudente, acolhedora, piedosa e pastoral: “Da mesma forma que ele era cuidadoso e caridoso com os doentes, insistiu em não procurar os tribunais; sempre incen- tivou seus paroquianos e vizinhos a agüentar mutuamente a falta de firmeza e viver em a- mor.”354

Em Wesley o uso de conceito via media, e de conceitos paralelos como “equilíbrio”

(inglês balance)355 ou seu oposto, “desequilíbrio” (disorder), seguem uma lógica clara.356 Li- teralmente, Wesley fala muito pouco de via media num sentido positivo. Entretanto, Wesley aborda os conceitos “equilíbrio” e “desequilíbrio” de maneira abrangente, e, dependendo da sua abordagem específica (medicinal, antropológica, sócio-política, teológica, cosmológica e filosófica), também muito diferente.

Quanto à primeira abordagem, Wesley interpreta as doenças na tradição de Hipocrates como desequilíbrio (disorder). “...quando o ser humano se revoltou [...] milhares de desequi- líbrios (disorders) surgiram permanentemente, até sem ajuda alguma de violência externa”.357 “Violência externa” poderia se referir a um conceito concorrente da antigüidade, a idéia que as doenças fossem causadas por daimons (poderes) que invadem o corpo. Uma afirmação in- direta dessa proposição pode ser o próprio título Primitive physick: David Lederer lembra que o exorcismo era considerado spiritual physick e que esta tarefa era oficialmente vinculado com o clero, obviamente em busca de controlar uma práxis exorcista popular.358 Houve ex- pectativas também em relação a Wesley e a sua atividade ministerial. Com o título, Wesley toma posição e relaciona com os leigos auto-tratamentos medicinais. De qualquer forma, as doenças fazem parte da natureza humana no seu estado comum. Há uma relação entre o físico e o espiritual; uma saúde desequilibrada prejudica a alegria da fé e a felicidade em Deus tem

354 CLJW, vol. 15, 1752, Life of Richard Hooker: “And as he was thus watchful and charitable to the sick, so he was diligent to prevent law-suits; still urging his parishioners and neighbors to bear with each other's infirmities, and to live in love.”

355 Veja também EDJW, 1764, p. A G: “An ÆQUILIBRIUM, equality og weight, of evidence.”

356 Seguem aqui os resultados de um estudo parcialmente publicado. Helmut RENDERS. Papel social e subjeti- vação no metodismo nascente. Caminhando, São Bernardo do Campo, SP: Faculdade de Teologia, Universidade Metodista de São Paulo, ano IX, n. 13, 1 semestre 2004, p. 212-225.

357 PPJW, 1747, p. III-VI. Numa outra edição lê -se “disorder” em vez de “diseases ”.

358 David Madness LEDERER. Religion and the State in Early Modern Europe. Cambridge: Cambridge Univer- sity Press, 2006, p. 14-16.

um efeito curativo. Satanás pode se aproveitar de uma fragilidade física, mas não é a sua cau- sa:

Realmente, nervosismos desequilibrados são, como se observa, inimigos da alegria da fé. [...] Há três razões para suas provações internas: (1) desequilí- brio corporal, (2) Satanás que não falha e se aproveita disso, (3) a sua pró- pria fragilidade em argumentar com ele em vez de buscar a força no que é forte.359

Mais adiante iremos ainda documentar que Wesley defendeu causas supranaturais de doenças contra a sua mera compreensão como doenças natu- rais. O interessante é que este aspecto está ausente no

Primitive physick. A busca de um equilíbrio psíquico

garante que uma vida comprometida pode ser manti- da sem acabar em excessos. A humildade humana não destrói, mas “...equilibra (balance) as afecções”, não acaba com o zelo por Deus, mas “...equilibra (ba-

lance) raiva e medo”.360 Os mansos, segundo Mt. 5.5 e Gl 5.23, “mantêm todas as suas paixões e seus afe- tos plenamente equilibrados”.361 O Senhor equilibra na vida “louvor e sofrimento” de forma sábia (Lc 9.45),362 sendo que o aplauso é mais perigoso do que a rejeição (censure) humana para manter seu equilí- brio (balance), porém os dois podem se equilibrar mutuamente.363 Todo esse discurso enfatiza a participação ativa do ser humana na construção de uma vida plena e saudável em comunhão.

Já num nível sócio-político, os metodistas foram freqüentemente acusados de que a sua pregação ao ar livre promovia desequilíbrio (disorder) social e confusão na sociedade por

359 LJW, vol. 5, Londres 17 fev. 1770, p. 182 – carta para Lady Maxwell: “Indeed, nervous disorders are […] as one observes, enemies to the joy of faith.”; LJW, vol. 6, Londres 29 nov. 1776, p. 241 – carta para William Mi- nethorp: “There are three causes of your inward trials: (1) bodily disorder, by means of which the body presses down the soul; (2) Satan, who does not fail to avail himself of this; (3) your own frailty in reasoning with him instead of looking to the Strong for strength.”

360 WJW, vol. 1, 1748, p. 489 – sermão 22, §I.3 [Upon our Lord´s sermon on the mount, II].

361 NTJW, 1754, p. 19 – Mt 5.5: “Happy are the meek – They that hold all their passions and affections evenly balanced.” também Gl 5.23: “Meekness – Holding all the affections and passions in even balance.”

362 NTJW, 1754, p. 165 – Lc 9.45: “So wisely does our Lord balance praise with sufferings.”

363 LJW, vol. 8, Londres, 2 ago. 1788, p. 78 – carta para Sarah Mallet: “But you are in far greater danger from applause than from censure; and it is well for you that one balances the other.”

Capa do guia de Medicina popular numa edição de 1772

“inflamar o imaginário do povo”. Wesley defendeu, com freqüência, o contrário. A pregação ao ar livre, segundo Wesley, transformou os mineiros de Kingswood – uma população fre- qüentemente relacionada com distúrbios e caos – de tal maneira– e pelo contrário do que foi dito dos metodistas – que a ordem substituiu em seu cotidiano a desordem (disorder).364 Mas Wesley foi mais além ainda na desconstrução do discurso oficial, quando começa a analisar a qualidade da ordem estabelecida e supostamente tão ideal. Para isso ele usa, mais de cinqüe n- ta vezes, a palavra balance, entretanto, não no sentido de “equilíbrio”, mas de “balança” e “balanço”, ou seja, um tipo de avaliação e análise “conjuntural”. Nunca afirma, do ponto de vista do povo, a situação na Inglaterra como sócio-político e economicamente equilibrada.

Oh! Como podem seres humanos incultos e ignorantes sustentar sua causa na presença de tais oponentes? Estes não são os únicos com quem são obr i- gados a contender, mesmo em condições de aparente inferioridade; porque há tantos seres humanos poderosos, tão nobres e influentes quanto sábios, no caminho que leva à destruição e eles têm meios mais fáceis de refutar do que o raciocínio e o argumento. Usualmente apelam, não para o entendi- mento, mas para o terror que sabem inspirar a quem quer que lhes oponha, método raramente falho, mesmo onde o argumento nada aproveita, nivela n- do as capacidades de todos seres humanos; porque todos podem temer, quer possam raciocinar, quer não possam. E todos os que não têm uma firme confiança em Deus, uma confiança segura em seu poder e em seu amor, na- da podem fazer senão temer desgostar aos que têm o poder do mundo em suas mãos.365

Esta citação mostra que a defesa das qualidades da Inglaterra, tão freqüentemente en- contrada em Wesley, não o levaram a ignorar e esconder os graves problemas do país. Bem diferente, as tensões sociais, segundo Wesley, causam o caos e contribuem para a ingoverna- bilidade das cidades. A opressão do povo resulta em “discórdia civil”:

Não haverá […] nenhuma […] cidade [city] dividida contra si mesma e des- pedaçando as próprias entranhas. A discórdia civil se acabará para sempre, e nada ficará para servir de fomento de destruição ou até ofensa ao próximo. Não haverá nenhuma opressão que “transforme o sábio em louco”/ nenhu- ma extorsão capaz de “oprimir [grind] a face do pobre”; nenhum furto ou dano; nenhuma injustiça ou rapina: todos estarão “contentes com as coisas que possuem”. Assim, “A justiça e a paz se beijaram” (Sl 85.10): elas “en- raizaram-se e encheram a terra”; “a justiça floresceu sobre a terra” e a “paz deitou seus olhos desde os céus”.366

364 LJW, vol. 4, 26 nov. 1762, p. 351 – carta para Dr. Warburton, Bishop of Gloucester: “What is a `fanatic manner of preaching´? Is it field-preaching? But this has no such effect, even among the wildest of men. This has not `bewildered the imagination´ even of the Kingswood colliers or `inflamed their passions.´ It has not spread disorder or confusion among them, but just the contrary. From the time it was heard in that chaos, Confusion heard the voice, and wild uproar stood ruled, and order from disorder sprung. [Paradise Lost, iii. 710-713].” 365 A tradução segue em grande parte a edição em português. WJW, vol. 1, 1750, p. 670 – sermão 31, §II.7 [Upon the Lord’s sermon on the mount, XI].

366 WJW, vol. 1, 1744, p. 170 – sermão 4, §III.3 [O cristianismo Bíblico]: “…no […] city divided against itself, and tearing out its own bowels. Civil discord is at an end for evermore, and none is left either to destroy or hurt

A superação da opressão e da concupiscência marcará a transformação do espaço ur- bano ideal cristão. Como instrumento da mencionada “opressão” serviram, na época de Wes- ley, predominantemente, o exército e a legislação.

Em vez disso, Wesley introduz o amor cristã “...como medicamento da vida, o remé- dio para todos os males de um mundo tumultuado (disorder), para toda a miséria e todos os vícios do ser humano.”367 Balance é muitas vezes, somente uma questão de aparência, um e- quilíbrio falso enganador, que se reflete, por exemplo, no uso de pesos e medidas falsas na economia. 368 É uma realidade, um mundo, construído contra a vontade de Deus. O que pesa, no balanço de Deus, é o amor ao próximo ou a sua falta.369

A única referência positiva ao uso político de equilíbrio encontra-se somente em 1790 quando Wesley concorda com o Tratado sobre o equilíbrio do poder na Europa de um rei su- eco.370 A desordem da vida pessoal aparece na avaliação divina, critério chave da leitura da realidade. Assim, Wesley comenta Jó 31.6: “Eu não desejo mais do que isto: o meu coração e a minha vida sejam pesados por uma balança justa, e investigados por Deus quem enxerga tu- do.”371 Conseqüentemente, Wesley orienta que cada membro da sociedade deve pesar-se con- tinuamente na “balança do santuário”.372

Finalmente, balance aparece também num sentido cosmológico quando Wesley inter- preta a ação divina na criação como força que mantem o equilíbrio.373

Significativamente diferente é em Wesley o aproveitamento do conceito via media. Antes de 1760, o conceito aparece somente uma vez e é rejeitado: são os falsos profetas que

his neighbour. Here is no oppression to `make (even) the wise man mad´; no extortion to `grind the face of the poor´; no robbery or wrong; no rapine or injustice; for all are `content with such things as they possess´. Thus `righteousness and peace have kissed each other´; they have `taken root and filled the land´; righteousness flour- ishing out of the earth, and `peace looking down from heaven´.”

367 WJW, vol. 3, 21 abr. 1777, p. 585 – sermão 112, §II.1 [On Laying the Foundation of the New Chapel]: “This love is the great medicine of life; the never failing remedy for all the evils of a disordered world, for all the mis- eries and vices of men.”

368 OTJW, 1765, [vol. 3,] p. 1849 – Pv 11.1: “A false balance – The use of all false weights and measures in commerce.”

369 WJW, vol. 23, 1 set. 1784, p. 330 – diário: “I opened and applied, "Thou shalt love thy neighbor as thyself." And many were laid in the balance and found wanting, even of those who had often appealed to this very rule.” 370 WJW, vol. 24, 19 set. 1790, p. 188 – diário: “I read over the King of Sweden's tract, upon the Balance of Power in Europe. If it be really his, he is certainly one of the most sensible, as well as one of the bravest, Princes in Europe.”

371 OTJW, 1765, [vol. 2,] p. 1592 – Jó 31.6: “Let me – I desire nothing more than to have my heart and life weighed in just balances, and searched out by the all – seeing God.” Veja também LJW, vol. 6, Londres, 26 nov. 1775, p.191 – carta para Ann Bolton: “I have carefully weighed you in the balance; and, blessed be God, I have not found you wanting.”

372 LJW, vol. 8, Norwich, 10 out. 1790, p. 241 – carta para Jasper Robinson: “Every member of our Society should weigh himself in the balances of the Sanctuary, and try whether his walk is acceptable before God.” 373 OTJW, 1765, [vol. 2,] p. 1609 – Jó 37.16: “Balancings – How God doth as it were weigh the clouds in bal-

pregam a via media: “...eles lhes aconselham a se manter quieto, bem no centro do caminho do meio; e se cuidar para `não ser justo demais´, para que você não se destrua no final.”374 A ameaça atrás da falsa gentileza – “Acima de tudo, eles chegam a você com a aparência do amor”375 é claramente captada e denunciada. O sistema do poder compra ou ameaça, mas não dá trégua. Mas em dois sermões mais tardios, (20 e 83 I.3) e em cartas a partir de 1760, Wes- ley orienta, de repente: “siga a via média”. Paralelamente, aparece em 1764 no diário um co- mentário parecido: “Eu li o livro de senhor Baxter sobre separação (da Igreja Anglicana, o au- tor). Ele contém alguns relatos bem testados, entre eles alguns os quais eu não assinaria. Co- mo é difícil manter a via media, não crer demais, não crer de menos.”376

Finalmente, no uso filosófico, Wesley busca o caminho no meio (middle way), entre a escolha neoplatônica de Cambridge e aristotélica de Oxford e aconselha o uso da razão dentro do seu propósito como ferramenta.

Não é o caminho no meio o melhor? Deixe a razão fazer o que a razão pode fazer: Empregue-a até onde ela possa ir. Mas, ao mesmo tempo, reconheça que ela é extremamente incapaz de produzir fé, esperança ou amor, e conse- qüentemente, de produzir tanto a virtude real, quanto a felicidade substanci- al. 377

Esta aprovação diferenciada do uso da razão tem a sua continuidade em 1778, quando Wesley promete, na introdução do Arminian Magazine, usar argumentos bíblicos e racionais:

Nós continuamos a defender que Deus quer salvar todos os seres humanos falando a verdade com amor, mediante argumentos e ilustrações tiradas, em parte, das Escrituras e em parte, da razão, apresentados de forma in ofensiva enquanto a natureza do assunto permitir. [...] esperamos que nada nos leve a retornar o mal com mal.378

Wesley mantém, então, o uso médico, critica especialmente o uso político, re-

ances, so that although they are full of water, yet they are kept up by the thin air.”

374 WJW, vol. 1, 1750, p. 679 – sermão 32, §II.5 [Upon the Lord’s sermon on the mount, XII]: “…they advise you to keep still, in the plain middle way; and to beware of "being righteous overmuch," lest you should "destroy yourself."”

375 WJW, vol. 1, 1750, p. 679 – sermão 32, §II.5 [Upon the Lord’s sermon on the mount, XII]: “Above all, they come with an appearance of love.”

376 WJW, vol. 21, 17 dez. 1764, p. 499 - diário: “…I read Mr. Baxter's book upon apparitions. It contains several well-attested accounts; but there are some which I cannot subscribe to. How hard is it to keep the middle way; not to believe too little or too much!”

377 WJW, vol. 2, p. 591. 600. Sermão 70, §10 [The case of reason unpartially considered], 1781: “Is not the mid- dle way best? Let reason do all that reason can: Employ it as far as it will go. But, at the same time, acknowledge it is utterly incapable of giving either faith, or hope, or love; and, consequently, of producing either real virtue, or substantial happiness.”

378 AMJW, vol. 1, jan. 1778, §3, p. iv e v: “We maintain, that God willeth all men to be saved, by speaking the truth in love: by arguments and illustrations drawn, partly from Scripture and partly from reason; proposed in as inoffensive a manner as the nature of the thing will permit. […] we hope, nothing will move us to return evil with evil.”

aproveita, a partir de 1760, o uso teológico e afirma um uso filosófico. O método anglicano é parcialmente usado como ferramenta na argumentação, porém, de forma crítica e dentro de uma visão maior que abrange também os negativos efeitos colaterais desse discurso. Apesar de ter seguido um caminho próprio na argumentação, concordo com David Hempton:

Wesley desenvolve a posição mais radical em relação à propriedade. [...] Wesley, dificilmente, pode ser considerado um exemplar impecável da tra- dição anglicana majoritária do século XVIII. [...] A dedicação de Wesley, durante toda a sua vida, ao cristianismo primitivo e a uma religião vital im- pregnou nas suas opiniões um grau de pragmatismo e radicalismo que so- mente pode ser ignorado ao custo da credibilidade histórica. Mesmo não sendo um rebelde autoconsciente, certamente Wesley estava longe de ser um conformista confortável.379

Mas, isso não significa que Wesley distingue-se em todos os aspectos do anglicanis- mo. Ele encarnou “a ênfase do pensamento anglicano na capacidade e no livre arbítrio da raça humana e para cooperar com a graça divina com o objetivo de alcançar uma vida santa e fe- liz.”380 O uso das escrituras, da tradição e da razão e a ênfase na transformação e, não somen- te, no perdão do culpado é definitivamente algo comum no anglicanismo, e baseia-se nos es- tudos dos pais da igreja.381 Em termos soteriológicos, Wesley usou o conceito via media de tal forma que foi possível cumprir a missão, especialmente em solidaridade com aquelas pessoas às quais o uso opressor desse conceito prejudicou. Mantendo o seu espaço na Igreja Anglica- na, Wesley conseguiu garantir uma soteriologia mais abrangente, relacioná-la com toda a na- ção e projetar uma reforma, não somente da igreja, mas de toda nação. A vocação do movi- mento e dos pregadores metodistas deveria ser cumprida sem romper com a igreja mãe. A vo- cação era “Não de criar uma nova seita, mas de reformar a nação, em particular a igreja, e es- palhar a santidade bíblica sobre a terra”.382

A comparação com as premissas soteriológicas dos não-conformistas e batistas da é- poca mostra uma diferença significativa. Estes grupos, freqüentemente excluídos do projeto

379 David HEMPTON. The religion of the people: Methodism and popular religion 1750-1900. London; New York: Routledge, 1996, p. 77 e 78.

380 Isabel RIVERS. Reason, grace and sentiment: a study of the language of religion and ethics in England, 1660-1780. Vol. 1 – Whichcote to Wesley. Cambridge / New York / Port Chester / Melbourne / Sidney: Ca m- bridge University Press, 1991, p. 1. Wesley não relacionou o livre arbítrio com escolhas salvíficas. Estas se fun- damentam em Wesley sempre na graça preveniente.

381 Kelly D. CARTER. The high church roots of John Wesley’s appeal to primitive Christianity. Restoration

Quarterly, vol. 37, n. 2, 2004. Disponível em: < www.restorationquarterly.org/Volume_037/rq03702carter. htm

>. Acesso em: 31 maio 2004.

382 John WESLEY. Minutes of Several Conversations between the Rev. Mr. Wesley and others from the year

1744, to the year 1789. “Q[uestion]. 3. What may we reasonably believe to be God's design in raising up the

nacional, desenvolveram eclesiologias com uma rígida distinção de dentro e de fora da igreja, de salvo ou não salvo, dos anátemas em vez do respeito e da colaboração mútua. No decorrer do tempo, estes grupos incorporaram a exclusão e investiram menos e menos em projetos a- lém dos limites das suas comunidades. Já em Wesley, a compreensão da santidade ocupava um espaço maior. Mediante essa localização no mundo inglês, os problemas da nação nunca saíram da pauta dos metodistas. Em outras palavras, para Wesley como anglicano da sua épo- ca, a exclusão, não a inclusão, dessas perguntas da sua agenda teria sido a surpresa. O meto- dismo manteve essa característica na sua passagem para os Estados Unidos e para a América Latina, mesmo que com intensidades diferentes. A abordagem de Wesley do conceito via me-

dia, porém, mostra uma forma particular de se posicionar no espectro daqueles que pensaram

as reformas. É um olhar que avalia as conseqüências para os mais necessitados. A reforma da Igreja é necessária porque ela não serve aos mais necessitados. E para chegar lá, Wesley toma os caminhos estabelecidos pela igreja, o estudo da Bíblia e o estudo dos pais da igreja, até sa- ber imaginar também a reforma da nação.

Precisamos mencionar, um outro projeto de re-construção da religião, o cha mado lati- tudinarismo e sua proposta de reconstruir a religião cristã numa base mais racional defenden- do a liberdade de idéias e a redução da religião a alguns conceitos compreensíveis para cada um. Um dos conceitos preferidos do latitudinarismo era a enfase na “sinceridade” que se en- contra em Wesley com freqüência: “Sinceridade eu entendo com um real e interno princípio da religião do qual [...] ações externas seguem.383 Outler comenta a transversalidade do uso em Wesley entre 1725 e 1787.384 Com isso a “sinceridade” dos latitudinaristas e a “seriedade” dos puritanos se completam em Wesley. Com o zelo dos latitudinaristas da primeira geração pela simplificação da fé mediante a sua redução a alguns fundamentos morais, compreensíveis para o ser humano racional comum, Wesley concordou sobre outras condições,385 e preferiu

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