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Karşılaştırmalı Analiz: Bush ve Obama Dönemi Silah Ticaret

Belgede Ortadoğu Araştırmaları Merkezi (sayfa 181-191)

Santidade e felicidade […], às vezes, são designadas nas escrituras inspiradas como “o Reino de Deus”. 613

John Wesley Você sabe o que é religião? É a participação na natureza divina, a vida de Deus na alma do ser humano:

“Cristo formando o coração”, “Cristo em você, a esperança de glória”,

felicidade e santidade; o “céu começando aqui na terra”.614

John Wesley

Relacionar um movimento de reforma espiritual com uma suposta aceitação do desejo no seu meio, como motivação parece uma tolice, ainda mais quando se fala de um movimento com fortes laços puritanos, sendo o puritanismo considerado antiprazeroso por natureza. Mas, por incrível que pareça, o tema compõe um eixo forte da proposta metodista.615 Vimos anteri- ormente que a busca de felicidade era um objetivo introduzido na sociedade inglesa já no fim do século XVI por Thomas Morus e sua obra Utopia. Ela também ocupa um espaço central no discurso de Wesley e representa mais uma peça de sua construção de uma práxis religiosa pa- ra ser vivida no cotidiano.

612 WJW, vol. 9, 1745, p. 130 – Advice to a People Called Methodist, [§23]: “Use every ordinance which you believe is of God; but beware of narrowness of spirit towards those who use them not. Conform yourself to those modes of worship which you approve; yet love as brethren those who cannot conform. Lay so much stress on opinions, that all your own, if it be possible, may agree with truth and reason; but have a care

of anger, dislike, or contempt towards those whose opinions differ from yours.” (grifo deste autor).

613 WJW, vol. 2, 1746, p. 224 – sermão 7, §I.12 [The way of the kingdom]. “This holiness and happiness, […], are sometimes styled, in the inspired writings, `the kingdom of God´[…].”

614 WJW, vol. 1, 4 abril 1742, p. 149-150 – sermão 3, §II.10 [Awake, thou that sleepest]: “Dost thou know what religion is? That it is a participation of the divine nature, the life of God in the soul of man: 'Christ formed in the heart', 'Christ in thee, the hope of glory'; happiness and holiness; heaven begun upon earth.”

Fazer os homens felizes foi a grande obra pela qual nosso Senhor veio no mundo [...] Sabendo que a busca da felicidade é o nosso objetivo comum e que um instinto interno continuamente nos motiva a procurá-la, ele respon- deu a este instinto da forma mais gentil possível e direcionou-o para seu ob- jetivo verdadeiro. Apesar de todos desejarem a felicidade, poucos a alcan- çam, porque a procuram onde ela não pode ser encontrada.616

Lemos quase mil vezes, nas obras de Wesley, sobre felicidade ou o ser feliz: suas cau- sas, sua continuidade, seu amadurecimento. Felicidade é a expressão de uma religião contem- porânea e o reflexo da sua própria revolta contra a expressão mais radical da mística medieval e seu conceito da “escuridão da alma”, baseada na convicção que Deus deixaria a humanidade a sós.617 Wesley, porém, não ignorava o eventual silêncio de Deus e construiu a sua soteriolo- gia eclesiástica ao redor da convicção de que se precisava “esperar a hora de Deus”, porém, de forma ativa, não passiva, causa do seu desentendimento com os moravianos de Londres.618

A relação entre felicidade e santidade parte, segundo Wesley, da promessa do Reino de Deus.619 Wesley descreve, freqüentemente, a fé como um estado de felicidade em Deus e como capacidade de amar a Deus e ao próximo, até o inimigo. Nos sermões, o conceito apare- ce pela primeira vez no sermão 2, O quase-cristão:

És feliz em Deus? [...] Está escrito em teu coração este mandamento: “O que ama a Deus, ame também a seu irmão?” Amas, pois, a teu próximo co- mo a ti mesmo? Amas todos os seres humanos, mesmo a teus inimigos, aos inimigos de Deus, como à tua própria alma, e como Cristo te amou?620

A felicidade, então, está relacionada com a percepção do amor divino e da capacidade de amar, sinônimo de santidade em Wesley, descrita, às vezes, como “santidade interior” – a

não era o fenômeno do desejo humano em sim, mas a sua direção.

616 NTJW, 1754, p. 19 – Mt 5.2: “…to make men happy, was the great business for which our Lord came into the world. […] Knowing that happiness is our common aim, and that an innate instinct continually urges us to the pursuit of it, he in the kindest manner applies to that instinct, and directs it to its proper object. Though all men desire, yet few attain, happiness, because they seek it where it is not to be found.”

617 A expressão encontra-se, por exemplo, nos escritos de místico João da Cruz. Segundo WJW, vol. 1, 1748, p. 485-486 – sermão 21, §II.5 [Upon our Lord’s sermon on the mount, I], (“toda essa reclamação sobre um Deus ausente”), e WJW, vol. 2, 1760, p, 208-209 – sermão 46, §II.1.2 [The wilderness state], Deus nunca abandona a humanidade, mas são as pessoas que ignoram Deus. Assim a reclamação sobre um “Deus ausentes” (na tradição de Deus absconditus de Martim Lutero) não teria fundamento. “Esse escuro e não confortável caminho” é substi- tuído pelo caminho da salvação. A chamada última frase de John Wesley, “O melhor de todas as coisas é que Deus está conosco”, indica numa direção parecida. Veja WJW, vol. 7, 1780, p 224 – Collection of hymns, hino 113, estrofe 5: “A darker soul did never yet / Thy promised help implore; / O, that I now my Lord might meet, / And never lose him more!”

618 Este motivo aparece ainda em 1783 em WJW, vol. 2, 1783, p. 584 – sermão 69, §III.4 [The imperfection of human knowledge], p. 584.

619 WJW, vol. 2, 1746, p. 224 – sermão 7, §I.12 [The way of the kingdom].

620 WJW, vol. 1, 1741, p. 141 – sermão 2, §III.9 [The almost Christian]: “Are you happy in God? Is he your glory, your delight, your crown of rejoicing? And is this commandment written in your heart, `That he who loveth God love his brother also?´ Do you then love your neighbour as yourself? Do you love every man, even

capacidade de amar ativamente Deus – e “santidade exterior” – poder amar o próximo.621 Em coerência com o projeto de “espalhar a santidade bíblica sobre a terra”, a paz em Deus traz uma felicidade a partir da qual se consegue encarar os desafios da vida:

...é uma paz que os poderes reunidos da terra e do inferno são impotentes para subtrair do crente. Ondas e tempestades rugem em torno dela, sem que a possam abalar, porque está fundada sobre a rocha. Essa paz guarda os co- rações e as mentes dos filhos e das filhas de Deus, em todas as ocasiões e em todos os lugares. Quer estejam em abundância ou em necessidade, na saúde ou na doença, em fartura ou em falta, de qualquer modo sentem-se fe- lizes em Deus. 622

É uma felicidade não a partir do retiro ou de uma busca solitária de um encontro int i- mista com Deus e também não se trata da busca da felicidade em momentos de êxtase, que não deixam de ser simplesmente uma outra forma de retirada do mundo, talvez agora de fo r- ma mais coletiva. É uma percepção da capacidade de viver de forma transformada e transfo r- madora e de agüentar o sofrimento e a rejeição623, senão a perseguição,624 vista como uma das formas de se tornar mais parecido ao próprio Cristo.625 Segundo, Wesley enfatiza as bem- aventuranças como orientações em relação à felicidade cristã, uma perspectiva na qual os ca- minhos comuns da busca de felicidade são questionados: “É possível que ainda esperes en- contrar, no dinheiro, a felicidade, ou que tudo possa o dinheiro comprar? Como! Podem então a prata e o ouro, comida e bebida, cavalos e servos, vestidos deslumbrantes, diversões e praze- res (como são chamados), fazer-te feliz?”626

Este argumento já aparece em Wesley no seu Apelo sério às pessoas de razão e de re-

your enemies, even the enemies of God, as your own soul? as Christ loved you?”

621 WJW, vol. 1, 1746, p. 213-214 – sermão 6, §II.9 [The Righteousness of Faith]; WJW, vol. 1, 1748, p. 423 –

sermão 18, §III.3 [The Marks of the New Birth]; WJW, vol. 1, 1748, p. 541-542 – sermão 24, §III.1 [Upon the

Lord’s sermon on the mount, IV]; WJW, vol. 1, 1760, p. 194 – sermão 45, §III.1 [The New Birth]; WJW, vol. 2, mar.-abr. 1784, p. 174-176 – sermão 83, §9 e §10 [On Patience]; WJW, vol. 3, 11 set. 1775, p. 189 – sermão 84, §III.2 [The Important Question]; WJW, vol. 3,set.-out.1785, p. 202-203 – sermão 85, §I.2 [On Working Out our Own Salvation]; WJW, vol. 3, 17 out.1787, p. 507-508 – sermão 107, §I.9 [On God's Vineyard]; WJW, vol. 3, 21 abr. 1777, p. 585 – sermão 112, §II.1 [On Laying the Foundation of the New Chapel].

622 WJW, vol. 1, 1748, p. 422 – sermão 18, §I.7 [Marcs of the New Birth]. “…it is a peace which all the powers of earth and hell are unable to take from him. Waves and storms beat upon it, but they shake it not; for it is founded upon a rock. It keepeth the hearts and minds of the children of God, at all times and in all places. Whether they are in ease or in pain, in sickness or health, in abundance or want, they are happy in God.”

623 Por exemplo em WJW, vol. 2, 1760, p. 232 – sermão 47, §IV.3 [Heaviness through manifold temptations]. 624 Veja também as minhas observações em Helmut RENDERS. O metodismo nascente como movimento: men- talidades e elementos estruturas de um cristianismo militante. Caminhando, ano X, n. 15. São Bernardo do Ca m- po: Faculdade de Teologia, 1o semestre 2005, p. 31-42.

625 WJW, vol. 2, 1763, p. 321 – sermão 52, §V.7, [Society for reformation of manners].

626 WJW, vol. 1, 1748, p. 625-626 – sermão 28, §20. [Upon the Lord’s sermon on the mount, VIII]: “Is it possi- ble you should still expect to find happiness in money, or all it can procure? What! can silver and gold, and eat- ing and drinking, and horses and servants, and glittering apparel, and diversions and pleasures (as they are called) make thee happy?”

ligião (1743), em que ele prefere destacar a possível felicidade na terra, ao invés de assustar

pela infelicidade garantida do inferno: “Eu não quero assustar a superficialidade do seu tem- peramento mediante a conversa sobre um estado futuro, mas deixe-me falar sobre coisas atu- ais. Você está feliz agora?”627 No parágrafo seguinte, Wesley descreve a rotina das classes al- tas, dividida entre dormir, se vestir, comer e se divertir e mostra até compreensão com quem prefere se suicidar diante da falta de sentido dessa vida, porque nela não se acha “nada que valha a pena viver.” Em contraste a esta falta de sentido no mundo contemporâneo, Wesley descreve o Cristianismo primitivo como exemplar por não ter qualquer forma de felicidade egoísta (selfish happiness). No Breve relato do povo chamado metodista (1749), a felicidade é descrita como experiência de comunhão, capaz de contribuir para o amadurecimento dos seus integrantes.628 Da mesma forma, Wesley adverte os pregadores e as pregadoras da sua cone- xão a pregar de tal modo que ninguém perca a “alegria da fé”:

Alguns dos nossos assistentes não pregam demais sobre a ira e de menos sobre o amor de Deus? Resposta: Tememos que eles tendam a este extremo, portanto, alguns dos seus ouvintes podem ter perdido a alegria da fé. Per- gunta 18: Precisamos sempre pregar os terrores do Senhor para aqueles a- ceitos por ele? Resposta: Não, isso é uma loucura! O amor é o seu motivo mais forte. Pergunta 19: Nós representamos o estado da fé justificada na sua real grandeza e felicidade? Resposta: Talvez não.629

Uma pregação que tira essa alegria nega a grandeza e a felicidade da fé, testemunhado pelo movimento. Assim, “santidade e felicidade” são, às vezes, co-interpretadas pelos seus opostos “pecado e medo”.630 Por causa disso estabelece-se e estabiliza-se a felicidade da fé pela proclamação do amor de Deus.

627 WJW, vol. 11, 1743, p. 60 – An earnest appeal to men of reason and religion, §42: “I will not now shock the easiness of your temper by talking about a future state; but suffer me to ask you a question about present things: Are you now happy?”

628 WJW, vol. 9, 1749, p. 262 – A plain account of the People called Methodists, §II.7. “Many now happily ex- perienced that Christian fellowship of which they had not so much as an idea before. They began to `bear one another's burdens,´ and naturally to `care for each other.´ As they had daily a more intimate acquaintance with, so they had a more endeared affection for, each other. And `speaking the truth in love, they grew up into Him in all things, who is the Head, even Christ´.”

629 John WESLEY (ed.). Minutes of some late conversations between the revd. M. Wesleys and others (doctrinal Minutes), 1749: “Q. 17. Do not some of our assistants preach too much of the wrath, and too little of the love, of God? A. We fear they have leaned to that extreme; and hence some of their hearers may have lost the joy of faith. Q 18. Need we ever preach the terrors of the Lord to those who know they are accepted of him? A. No: It is folly so to do; for love is to them the strongest of all motives. Q. 19. Do we ordinarily represent a justified state so great and happy as it is? A. Perhaps not.”

630 WJW, vol. 9, 1742, p. 58 – The principles of a Methodist, §19; WJW, vol. 9, 1749, p. 254-255 – A plain ac-

count of the People called Methodists, §I.2: “…orthodoxy, or right opinions, is at best but a very slender part of

religion, if it can be allowed to be any part at all.” Veja também WJW, vol. 2, 13 mar. 1782, p. 405-406 – ser-

mão 57, §II.2 [On the fall of men] e WJW, vol. 18, 23 abr. 1738, p. 234 – diário: “…out of sin and fear into ho-

O tema chama até hoje atenção e há aproximações, por exemplo, entre católicos e me- todistas. É o caso de Vincente González, que afirma que “a salvação não será uma realidade a menos que a alma alcance uma felicidade completa e perdurável [...] por meio da contempla- ção [...] Como Deus é santo, ele ama a bondade, por isso o homem que quiser entrar no âmb i- to da justiça de Deus tem que praticar tudo que é bom [...] e viver na presença de Deus”. Em outras palavras: santidade é felicidade!631 Do lado metodista pode ser citado Douglas Ruffle. Ele fala da importante coerência entre santidade interna e externa, entre “santidade pessoal” e “responsabilidade social”. Felicidade não está relacionada com o ganho de “tempo livre”, com a “aquisição de produtos de consumo” ou com “relações satisfatórias entre pessoas”, mas, surge da vida em serviço. Em Wesley “...alimentar os famintos, vestir pessoas nuas, visitar os doentes e presos” é descrito como causa da “alegria interior”.632 De forma muito parecida, ar- gumenta Ronald Sider: “Somos cooperadores do criador [...] cuidando do nosso próximo. A obra (work) é a nossa alegria e responsabilidade”.633

Finalizando, a busca da felicidade, conceito popular na época, é plenamente aceita, po- rém, re-interpretada por Wesley a partir da tradição cristã e utilizada para comunicar a essên- cia do evangelho ao seu tempo e para amadurecer a compreensão da vida cristã como vida fe- liz e comprometida. Tudo isso é uma marca da sua soteriologia social que relaciona a santida- de interior e a exterior, o esforço individual e a graça universal, a vida privada e a vida públi- ca, em ritmo do compromisso e da festa.

631 Vincente Cudeiro GONZÁLEZ. La salvación del hombre en Platón y en Jesucristo. II. El caminho de la sal- vación. Communio, vol. 32, n. 2. Sevilla: Dominicanos de la provincia de la Andalusia, 1999, p. 337-338. 632 Douglas W. RUFFLE. Holiness and happiness shall cover the earth: trajectories of Wesley’s theology of mis- sion and evangelization. Quarterly Review, vol. 19, n.1. Nashville, TN: The United Methodist Board of Higher Education, primavera 1999, p. 80. Não é por acaso que a teologia grega ou ortodoxa também enfatiza a doxolo- gia com o centro do seu culto.

633 Ronald J. SIDER. Poor in the midst of plenty: toward holistic social holiness. Quarterly Review, vol. 20, n.4. Nashville, TN: The United Methodist Board of Higher Education, inverno 2000, p. 402.

2.3 “A salvação das almas da morte” e a “cura animarum”

Vossa Senhoria, eu tenho duas colheres de chá de prata em Londres e duas em Bristol. Isso é toda prata que eu tenho no momento.

Não comprarei mais enquanto tantos ao meu redor necessitam de pão. Sendo, vossa Senhoria, seu servo mais humilde, John Wesley.634

A idéia de que Wesley de fato teria promovido um tipo de uma soteriologia social in- clusive de cuidados especiais com todos os aspectos da vida dos necessitados precisa também dialogar com a afirmação de que a vocação do metodismo tivesse sido essencialmente a de “salvar almas”. A expressão encontra-se, realmente, com freqüência em Wesley, e em 1746, tornou-se descrição oficial e interna do movimento, registrada nas atas da conferência dos pregadores.635 A redução desse conceito soteriológico a uma compreensão intimista e indivi- dualista deve u-se em muitos casos, à falta de conhecimento lingüístico. Em inglês, a conheci- da frase “Save our souls” significa desde cerca de 1912 a salvação de um náufrago, ou seja, até hoje o conceito inglês “soul” é mais amplo do que o conceito “alma” em português.636

Além disto, esta redução ignora que Wesley, geralmente, completou, a expressão “sal- var almas” por “da morte”: “Temos um zelo vibrante de salvar almas da morte?”637 Este tra- balho de “resgate da morte” pode ser mencionado lado a lado com a obrigação cristã de fazer boas obras que, em Wesley, significa, adiantando o assunto, fazer obras de misericórdia. No caso da falta dessa concreta compaixão para com o próximo, assim o alerta de Wesley no tex- to a seguir, o céu poderia estar mais longe do que nunca para os empregados na tarefa de sal-

634 Carta em resposta a uma carta circular aos/às possíveis donos de prata. “Sir, I have two silver tea-spoons in London and two in Bristol. This is all the plate I have at present; and I shall not buy any more while so many round me want bread. I am, Sir, Your most humble servant, John Wesley.” Reproduzido em: William HONE.

The every-day book and table book; por everlasting calender of popular amusements, sports, pasttimes, ceremo-

nies, manners and events, incident to each of the three hundred and sixty five days, in past and present time, forming a complete history of the year, months, and seasons, and a perpetual key to the almanac, vol. 3, London: 1835, p. 40.

635 Wesley descreve com certa freqüência e exclusividade como seu emprego principal “Salvar almas”. Nas o- bras temos por um lado uma descrição da vontade de pessoas de “salvar as suas almas”. A expressão se tornou um lema eclesiástica a partir de John Wesley. Minutes of several conversations, 1746, §11. “You have nothing to do but to save souls.” WJW, vol. 26, 8 out. 1755, p. 601 – carta para Christopher Hopper: “You have one busi- ness on earth–to save souls.”

636 E tamb ém do que o conceito “Seele” em alemão.

var almas:

E, sobretudo, você usa todos os meios ao seu alcance para salvar almas da morte? Se […] você faz “bem para todas as pessoas”, portanto, “especia l- mente para os que pertencem à casa de Deus,” o seu zelo para com a igreja está agradando a Deus; mas, se não, quando você não “toma os cuidados pa- ra manter as boas obras”, o que você tem a ver com a igreja? Se não tiveres “compaixão pelo teu próximo”, nem o teu Senhor terá misericórdia de ti.638

A descrição da ênfase vocacional do movimento metodista por “salvar almas [da mo r- te]” não contradiz, então, o que foi dito sobre o compromisso da teologia metodista com a vi- da num sentido abundante e não intimista ou individualista. Esta compreensão se sustenta também na observação de que ao lado da expressão “salvar as almas”, Wesley fala também da tarefa da cura animarum. Ela aparece em 1745, no Apelo adicional para seres humanos de

razão e religião639 de forma irônica e em 1772, numa carta para seu irmão Charles, para des- crever a vocação especial dos dois: “Ó, quão grande é ter uma curam animarum. Você e eu somos vocacionados para isso, para salvar almas da morte, de supervisioná-las como aqueles que devem prestar contas.”640 Nos dois textos “curam animarum” pode ser traduzido por “cuidado com as almas” ou “cura das almas”. Esta expressão interpreta a tarefa de salvar al- mas da morte e explicita a abrangência da compreensão soteriológica. A descrição da ênfase pastoral wesleyana em “sobretudo salvar almas”, não descreve uma espiritualidade intimista e quietistas, mas inclui as dimensões do resgate de circunstâncias mortais da vida, da esperança da restauração de condições da vida dignas e de medidas preventivas de cuidado para com a vida. A cura animarum e a salvação das almas da morte expressava-se na práxis pela preocu- pação com a educação, com a saúde pessoal e pública, com o desemprego, com preços, com fome, com o sistema carcerário, com a escravidão. Isso pode ser visto já pelas iniciativas to- madas em Oxford, a partir de 1729, e em Londres, a partir de 1739. Já em 1740, a Fundição, o

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