Kenneth Collins investigou a releitura do pietismo alemão por John Wesley como uma “apropriação crítica”.504 Em seguida, num só capítulo, trataremos dessa relação em conjunto com a releitura wesleyana do puritanismo, com base na proximidade formal e doutrinal dos dois, sem esqueceremos das suas diferenças, especialmente, em relação ao espaço público. Fazemos isso, como já descrito no capítulo anterior, convictos de que, tanto o puritanismo in- glês como o pietismo alemão, representam fenômenos europeus interdependentes e não sufi- cientemente descritos por uma relação hierárquica ou unilateral.
Quais são as perguntas soteriológicas relacionadas com esses ramos da igreja? Apesar das interligações nessa rede de movimentos de avivamento ainda europeus, pela primeira vez na história com expressão global mediante as missões, o pietismo alemão e o puritanismo in- glês passaram por momentos diferentes. O puritanismo estava em declínio e o pietismo ale- mão estava no seu ápice. Assim, Wesley conheceu os moravianos quando eles estavam – co- mo ele – indo para trabalhar na Geórgia, ou seja, numa colônia britânica e depois na própria Londres, onde mantiveram uma sociedade.
A relação de Wesley com os moravianos foi marcada por gratid ão – por sua ênfase na
sola fide – e rejeição – pelo seu suposto “quie tismo”, interpretado por Wesley como antino-
503 Veja WJW, vol. 19, 6 jul. 1741, p. 204 – diário: “I took down, by mistake, Episcopius, the works of which, opening on an account of the Synod of Dort. […] But what a scene is here disclosed! I wonder not at the heavy curse of God, which so soon after fell on our Church and nation. What pity it is that the holy Synod of Trent and that of Dort did not sit at the same time! Nearly allied as they were, not only as to the purity of doctrine which each of them established, but also as to the spirit wherewith they acted! If the latter did not exceed.”
504 Kenneth COLLINS. John Wesley's critical appropriation of early German pietism. Wesleyan Theological
Journal, vol. 27, 1992. Disponível em: < http://wesley.nnu.edu/wesleyan_theology/theojrnl/26-30/27.3.htm >.
mismo, fato destacado no título dos tratados que documentam as suas conversas com o Conde de Zinzendorf e que, primeiramente, foram incluídos no seu diário, publicado em 1741.505 Em termos soteriológicos, a descoberta pessoal da justificação pela fé foi um impulso que regene- rou Wesley de tal forma que ele começou a participar intensamente no movimento de aviva- mento inglês e na organização do movimento metodista. Logo em 1738, ele procurava encon- trar-se com o Conde Zinzendorf e o pietismo hallense, presidido na época pelo filho de Au- gust Hermann Francke. Antes dos problemas com o chamado quietismo moraviano, da socie- dade de Londres que causa a ruptura organizacional em 1741, Wesley não se entendeu com Zinzendorf sobre questões soteriológicas, como a questão da imputação da fé. Ele tornou isso público em 1741, no ano da ruptura.506 No parágrafo 14 da respectiva carta Wesley criticou o Duque e os líderes moravianos de Fetter Lane por não promover obras de caridade, geralmen- te designadas em Wesley como obras de misericórdia. O antiintelectualismo de Zinzendorf se deve talvez à mesma tendência de um pietismo mais místico.507
Mesmo que não concordemos com Dreyer que defendeu, recentemente, que Wesley dependeria muito mais dos moravianos do que de qualquer outra grupo inglês,508 admitimos que Wesley apreendeu muito dos moravianos em relação à eclesiologia soteriológica, especi- almente, sobre a importância da hinologia e da organização eclesiástica. A marca metodista de uma doutrina cantada, com um total de 65 hinários publicados durante a vida dos irmãos Wes- ley, começou, em 1737, com a publicação de um hinário na Geórgia, inclusive com uma boa parte de canções traduzidas do alemão e carregadas de espiritualidade moraviana.
A relação com Halle representou outros impulsos, trazidos para Inglaterra por An- thony William Boehm, enfatizando uma fé pública e a caridade. Sua tradução da Pietas Ha l-
lensis509 de autoria de Francke, foi lido pelos irmãos Wesley na Geórgia. Notavelmente, en- contramos a metáfora do caminho em combinação com a providência divina: Uma demons-
505 John WESLEY. A dialogue between an antinomian and his friend, 1745; John WESLEY. A second dialogue
between an antinomian and his friend, 1745.
506 Mesmo assim, Wesley mandará ainda em 1742 uma cópia para o pastor Steinmetz, residindo perto de Herren- hut. WJW, vol. 4, 1777, p. 579-580 sermão 112, §3 [On laying down the foundation of the New Chapel]. 507 “Whoso wishes to grasp God with his intellect becomes an atheist.” Em M. Aug. Gottlieb SPANGENBERG.
Apologetische Schluß-Schrift. Leipzig e Görlitz, 1752. Reproducido fotomecanicamente em Nikolaus Ludwig
von ZINZENDORF, Ergänzungsbände zu den Hauptschriften. BEYREUTHER, Erich e MEYER, Gerhard (eds.), vol. 3, Hildesheim, 1964, p. 181 apud: The Isaiah Berlin Virtual Library, disponível em: < berlin.wolf. ox.ac.uk/lists/quotations/quotations_by_ib.html >. Acesso em: 15 ago. 2005.
508 Frederick DREYER. The Genesis of Methodism. Bethlehem, Pa.: Lehigh University Press. Associated Uni- versity Presses, Cranbury, N.J. 1999.
509 August Hermann FRANCKE. Pietas Hallensis: or, A publick demonstration of the footsteps of a divine being yet in the world: in an historical narrative of the orphan-house and other charitable institutions at Glaucha near Halle in Saxony. Tradução: Anthony William Boehm, London, 1705. Uma tradução do Boehm (1673- 1722) foi
tração publica das pegadas de um ser divino nas narrativas do orfanato e de outras institui- ções de caridade.510 Boehm contribuiu também para a criação da Sociedade de Promoção de
conhecimento cristã511 e fez uma experiência na criação de uma sociedade de caridade512. En- tre os metodistas, era Whitefield, o fundador de um orfanato na Geórgia e da escola em Kingswood, que tinha estabelecido contatos diretos com Halle. Wesley, logo depois da via- gem para Halle, tinha traduzido para o inglês o Nicodemus, um tratado sobre o medo no ser
humano (1739)513. Era o primeiro texto “central” do ambiente do pietismo alemão introduzido por Wesley na Inglaterra. O forte acento de Halle na luta do arrependimento (Bußkampf), po- rém, foi diminuído no metodismo em direção a um rito de passagem entre o quase-cristão (the
almost Christian) e o Cristão completo (all together Christian).514 Quanto ao aspecto diaconal e educacional do movimento, Wesley visitou em Halle o orfanato e a escola e relata os conte- údos de ensino no seu diário. Em comparação com eles, o plano de ensino de Kingswood mostra um horizonte significativamente mais amplo e orienta-se, na educação das escolas in- glesas como o Charterhouse de Londres, onde Wesley mesmo estudou.515 Poderíamos dizer que a escola alemã concentrava-se na vida intimista da fé dentro do espaço oferecido pelo movimento pietista. Kingswood, por sua vez, introduziu o aluno, mesmo que certamente de forma filtrada, também a um ambiente de filósofos e poetas e às ciências. O acento mais forte herdado desta vertente do pietismo alemão é um impulso para integrar mais a diaconia na e- clesiologia, para aproximar mais a diaconia ao cotidiano do ser igreja, ou seja, para ser socie- dade metodista. No metodismo porém, a diaconia é desenvolvida como forma de existência da comunidade da fé e não através de instituições paralelas à igreja. Apesar de um comentário no
entrou na Biblioteca Cristã, vol. 1: True Christianity, 4 vol., de Arndt.
510 Charles Wesley, Diário 7 nov. 1737 comenta a relação: “I read over Pietas Hallensis; and desired our Orphan- house might be begun in the power of faith.”
511 Daniel L. BRUNNER. Halle Pietists in England: Anthony William Boehm and the Society for Promoting Christian Knowledge. 1993.
512 Anthony BOEHM. Rules and orders for a charitable society, set up by some Germans at London. In his sev- eral discourses and tracts for promoting the common interest of true Christianity. London, 1717. 5 anos antes Boehm tinha traduzido True Christianity de Arndt para o inglês. Veja a combinação entre um cristianismo ver- dadeiro e caridade como expressão do “interesse comum” da cristandade.
513 John WESLEY (ed.). Nicodemus: or, a treatise on the fear of man. August Hermann Francke (edição abrevia- da por John Wesley), s.l., 1739.
514 A expressão “not to be almost, but altogether, Christians”, “não ser quase, mas completamente cristão, encon- tra-se 30 vezes nas obras de John Wesley.
515 John WESLEY. A short account of the school in Kingswood, near Bristol, 1768, §2: “Reading, writing,
arithmetic, English, French, Latin, Greek, Hebrew, history, geography, chronology, rhetoric, logic, ethics, geometry, algebra, physics, music.” As matérias grifadas representam ainda as setes artes livres do estudo uni-
versitário divididos em trivium [linguagem]: gramática, retórica e dialética; quadrivium [números]: música, a- ritmética, geometria [mais tarde, geografia] e astronomia.
diário em 1756 sobre o a providência de Deus em relação ao orfanato de Halle516, Wesley não comenta mais essa vertente do pietismo alemão. Ele descreve Francke na sua História Eclesi-
ástica Concisa somente brevemente – o que representa mesmo assim alguma coisa, pois Zin-
zendorf nem aparece517 – mas cede, por exemplo, um maior espaço aos menonitas ou anaba- tistas e aos socinianos e arianos.518 Apesar disso, Francke como Wesley corresponde a um projeto de transformação da sociedade. Para promover esse projeto, Francke escolheu o cami- nho da cooperação com os governantes que resultou numa tendência de aprovar políticas res- taurativas. Afinal, o continente Europeu sofreu fortes tendências da monarquia absolutista. Mesmo assim, Francke entrou na lista das leituras dos pregadores metodistas.519
Já em relação a Bengel que também não aparece na história eclesiástica escrita por Wesley, encontramos um diálogo até o fim da sua vida.520 Em 1749, Wesley menciona textos de Bengel como parte do plano de ensino da escola de Kingswood na sexta série.521 Em 1759, Wesley refere-se a ele como “o grande Bengel”, em 1777, o destaca como pessoa de senso, aprendizagem [erudição/ saber] e piedade e, em 1780, ele considera “...Bengelius o mais pie- doso, mais prudente [judicioso] e o mais esforçado comentarista do Novo Testamento.”522 Em duas cartas, Wesley precisa desmentir que ele apreciava também o lado especulativo da esca- tologia de Bengel,523 cujo genro, Oetinger, decepcionou Wesley pela falta de uso da razão nas
516 WJW, vol. 21, 21 mar. 1756, p. 45 – diário. 517 EHJW, vol. 4, 1781, p. 88-89.
518 EHJW, vol. 4, 1781, p. 144-149.
519 Kenneth J. COLLINS. The motif of real Christianity in the writings of John Wesley. The Asbury Theological
Journal, primavera 1994, p. 49-62.
520 A ausência de pietistas alemães nesta história é estranha. A maior referência do texto básico era o teólogo Jo- hann Lorenz Mosheim (1694/95?-1755), um teólogo luterano envolvido na fundação da universidade de Göttingen, Alemanha. Ele é considerado na Alemanha o pai da nova historia eclesiástica. Erudito, mas não orto- doxo, piedoso, mas não pietista, Mosheim opta por uma apresentação não confessional apologética, mas irônica da história da Igreja. Assim Julius August WAGENMANN. Mosheim, Johann Lorenz. Allgemeine deutsche
Biographie. Historischen Kommission bei der Bayrischen Akademie der Wissenschaften, vol. 22, p. 395ss. Dis-
ponível em: Edição digital em Wikisource, URL: < http://de.wikisource.org/w/index.php?title=ADB: Mo- sheim%2C_Johann_Lorenz&oldid=66078>. Acesso em: 12 set. 2005. Wesley descorda com o suposto anti- misticismo deste autor, mas, não modifica o seu abrangente silêncio sobre o pietismo.
521 John WESLEY. A short account of the school in Kingswood, near Bristol, 1749, p. 3.
522 WJW, vol. 21, 27 jan. 1759, p. 176 – diário: “…the great Bengelius…”; LJW, vol. 6, 8 dez. 1777, p. 291 –
carta para Joseph Benson: “But there is no comparison, either as to sense, learning, or piety, between Bishop
Newton and Bengelius. The former is a mere child to the latter.” WJW, vol. 2, 1780, p. 378 – sermão 55, §5 [On the Trinity]: “Bengelius, – the most pious, the most judicious, and the most laborious, of all the modern com- mentators on the New Testament.”
523 LJW, vol. 8, York, 26 jun. 1788, p. 67 – carta para Walter Churchey: “What I spoke a citation of Bengelius, who thought, not that the world would end, but that the Millennium would begin about the year 1836. Not that I affirm this myself, nor ever did” e LJW, vol. 8, York, 3 jun. 1788, p. 63 – carta para Cristopher Hopper, 1788: “MY DEAR BROTHER, I SAID nothing, less or more, in Bradford church, concerning the end of the world, neither concerning my own opinion, but what follows:– That Bengelius had given it as his opinion, not that the world would then end, but that the mi llennial reign of Christ would begin in the year 1836. I have no opinion at all upon the head: I can determine nothing at all about it. These calculations are far above, out of my sight. I have
suas obras.524 A admiração é, então, especialmente pela forma como Bengel combina piedade e ciência, que serviu também como inspiração para o projeto da escola de Kingswood. Entre- tanto, Wesley ainda foi além e estabeleceu uma influência duradoura pela tradução do Gno- mon, as Notas explanatórias sobre o Novo Testamento. Em termos soteriológicos, Bengel traz três contribuições. Primeiro, ele vincula o discurso soteriológico ao discurso bíblico crítico, que vai além da interpretação ortodoxa luterana ou reformada da Bíblia. Em 1724 Bengel pu- blica a sua edição crítica do Novo Testamento. Encontramos esse elemento de uma hermenê u- tica crítica em Wesley que o distingue significativa mente da interpretação bíblica puritana e não-conformista e o aproxima muito mais da exegese anglicana. Segundo, Bengel consegue empregar toda a sua erudição em favor de um pietismo com face popular, mais sensível diante da situação da população. Stoeffler lembra que, no século XVIII, este território era governado por três regimes altamente opressores.525 Isso desafia o discurso soteriológico a ser um discur- so compreensível para o povo, sem perder em profundidade, desafio assumido por Wesley em muitas introduções ou apresentações de livros. Resumindo: do pietismo alemão Wesley herda impulsos soteriológicos múltiplos, tanto em relação ao caminho da salvação, como em relação à estruturação soteriológica da igreja (pequenos grupos, aspecto comunitário, redescoberta da diaconia e da educação como tarefa essenc ial da igreja).
Quanto aos puritanos, também podemos estabelecer uma longa lista de temas em co- mum. Primeiro, Wesley descreve um dissidente de forma objetiva como “alguém que rejeita a communhão com a Igreja da Inglaterra.”526 Isso não quer dizer que Wesley não manteve con- tatos estreitos com o grupo. Destaca-se a sua relação como o pastor independente Philip Dod- dridge (1702-1751), diretor do seminário teológico de dissidentes em Northampton. Wesley refere-se a ele como “piedoso e sábio [learned]”, consultou-o em relação à edição da Bibliote-
ca Cristã e publicou uma carta dele no primeiro volume do Arminian Magazine sobre estudos
teológicos.527 Entre os missiólogos e historiadores, Doddridge é considerado um dos poucos exemplos entre os líderes dos dissidentes à altura dos representantes predominantemente an- glicanos, contribuindo realmente para a rede de avivamento da época.528 Uma outra fonte de
only one thing to do, – to save my soul, and those that hear me.”
524 WJW, vol. 21, 27 jan. 1759, p. 176-177 – diário. “I began reading, with huge expectation, a tract, wrote by a son-in-law of the great Bengelius, Mr. Oetinger, De Sensu Communi et Ratione. But how was I disappointed! So obscure a writer I scarce ever saw before: I think he goes beyond Persius himself.” Oetinger foi também influen- ciado por Jakob Boehme.
525 F. Ernest STOEFFLER. German pietism during the eighteenth century. Leiden: E. J. Brill, 1973, p. 89-91. 526 EDJW, 1764, p. D I: “A DISSENTER, one that refuses the communion of the Church of England.” 527 AMJW, vol. 1, jan. 1778, p. 419–425.
inspiração de Wesley era Richard Baxter, não-conformista moderado, com um espírito irênico parecido com Doddridge. Baxter atraiu bastante Wesley, talvez por sonhar também com um anglicanismo reformado. Wesley publicou quatro obras dele529 e o defendeu a denominá-lo “honesto Baxter” em diversas ocasiões.530 O texto clássico batista O Peregrino de Bunyon, li- teralmente, O progresso do peregrino, era leitura obrigatória na escola de Kingswood e entrou também na Biblioteca Cristã. O Paraíso perdido de Milton é publicado por Wesley, numa e- dição à parte em 1763.531 Bunyon e Milton sustentaram Cromwell, Bunyon como soldado e Milton como secretário de correspondência em latim do ministério de exterior. Anteriormente, Milton tinha apreciado mais o presbiterianismo, mas quando escreveu no fim da sua vida Pa-
raíso perdido, Milton tinha se tornado independente, porém, como arminiano convicto. Por
causa disso, John Wesley cita-o regularmente nos seus sermões532 e Charles nas suas can- ções533. Afinal, são os não-conformistas do século XVII que ocupam, na Biblioteca Cristã, um significativo espaço e não os puritanos ingleses da primeira hora do século XVI como Thomas Cartwright, John Dod (1555-1645), William Perkins (1558-1602) ou Thomas She- pard (1605-1649). Também faltam os representantes do puritanismo escocês – que nunca vin- gou muito na Inglaterra – e da Nova Inglaterra (EUA).534 Apesar disso, Wesley compartilhava com os puritanos pioneiros uma ênfase num estilo de pregação mais simples e acessível ao
New York: Longman, 1993, p. 122-123.
529 John WESLEY (ed.). An extract of Mr. Richard Baxter's aphorism of justification, 1745; John WESLEY (ed.). The saints everlasting rest. Richard Baxter (edição parcial), 1754; John WESLEY (ed.). A call to the un-
converted. Richard Baxter, 1783; e John WESLEY. An extract of Mr. Baxter’s certainty of the world of spirits
em AMJW, vol. 6, 1783, p. 212ss, 267, 324ss, 377ss, 435ss, 494ss, 547ss, 606ss, 667ss.
530 No exemplo em seguida, contra um pastor dissidente... WJW, vol. 21, 1 maio 1755, p. 10 – diário: “I fin ished the `Gentleman's Reasons´ (who is a dissenting minister at Exeter). In how different a spirit does this man write from honest Richard Baxter! The one dipping, as it were, his pen in tears, the other in vinegar and gall. Surely one page of that loving, serious Christian weighs more than volumes of this bitter, sarcastic jester.”
531 John WESLEY (ed.). An extract of Milton's paradise lost, with Notes, 1763.
532 Citações de Paraíso perdido encontram-se em WJW, vol. 2, 30 jan. 1763, p. 315 – sermão 52, §III.7 [The reformation of manners]; WJW, vol. 2, 28 jun. 1786, p. 370 – sermão 54, §18 [On eternity]; WJW, vol. 2, 9 jul. 1782, p. 423 – sermão 59, §I.1 [God´s love to fallen men]; WJW, vol. 2, maio – jun. 1783, p. 466 – sermão 61, §33 [The mystery of iniquity]; WJW, vol. 2, 5 mar. 1784, p. 572 – sermão 69, §I.5 [The imperfection of human knowledge]; WJW, vol. 3, 23 jul. 1787, p. 457 – sermão 103, §I.5 [What is man?]; WJW, vol. 4, 25 mar. 1788, p. 9 – sermão 115, §I.6 [Dives and Lazarus]; WJW, vol. 4,17 jan. 1791, p. 192-193 – sermão 132, §7 [On faith]; WJW, vol. 4, maio 1734, p. 353 – sermão 146, §4 [The one thing needful]; A obra Samson Agonistes é citada em WJW, vol. 4, 6 jul. 1790, p. 175-176 sermão 130, §16 [On living without God].
533 No hinário de 1787 encontram-se 15 referências ao Paraíso perdido; 2 ao Samson Agonistes, 2 ao No de ma- nhã do nascimento de Cristo, e 1 ao Paraíso recuperado.
534 O metodismo nunca tinha uma significativa penetração na Escócia e uma campanha missionária sem resulta- do contribuiu para uma profunda crise de John Wesley em 1766. Outler. John Wesley, p. 80-81. Outler cita LJW, vol. 5, Whitehaven, 27 jun. 1766, p. 16 – carta para Charles Wesley: “And yet (this is the mystery) [I don’t love God. I never did.] Therefore [I never] believed in the Christian sense of the world. Therefore [I am only an] hon- est heathen, a proselyte of the Temple…”. [“E, apesar de todo, (isso é o mistério): [Eu não amo Deus. Eu nunca fiz isso]. Por causa disso nunca cri no sentido cristão da palavra. Dessa forma, sou nada mais do que um pagão honesto, um proselito do templo...”.
povo. Em relação ao episcopado já vimos o interesse de Wesley no latitudinarista Edward Stillingfleet. Uma outra fonte importante vinha do campo dos dissidentes. Lord King, um primo de John Locke, convenceu Wesley em 1745, “apesar do veemente preconceito da mi- nha educação [anglicana]”, pelo seu livro sobre a Constituição, disciplina união e culto no
Cristianismo Primitivo535 que o ministério de presbíteros e bispos era essencialmente o mes- mo, e que “cada igreja local seja independente da outra”.536 Essa opinião não teve conseqüê n- cias estruturais imediatas, mas pesaria mais tarde na questão da ordenação de pregadores para os EUA e a Escócia. Também precisa ser mencionada a apreciação das canções do puritano e não-conformista Isaac Watts (1674-1748) e sua publicação nos hinários dos Wesley. Watts elogiou também as composições de Charles Wesley537 e é lembrado como quem introduziu, nas comunidades dos dissidentes, hinos que substituíram o canto de salmos. Charles o seguiria nisso, mas os salmos cantados permanecerem nos hinários metodistas no apêndice.
Quanto à imagem do caminho, tão significativo para a descrição da salvação em Wes- ley, há, ao lado da contribuição dos místicos, uma clara influência puritana.538 Encontram-se, porém, somente três textos que utilizam a clássica imagem puritana que distingue entre o ca- minho largo e o caminho estreito de forma completa.539 Segundo Wesley, como vamos ver