Para que se possa adentrar nas próximas questões teóricas a serem desveladas, é preciso recuperar uma das assertivas mencionadas anteriormente (a partir das noções de
imaginário na perspectiva de Baczko), que o dispositivo imaginário quando acionado, assim é
feito através da produção de discursos, nos quais e pelos quais se efetua a reunião de
representações coletivas. Do que trata a expressão discursos, propriamente? Qual é a sua
definição ou suas definições? Afinal de contas, o que é discurso e qual é a abordagem específica que será utilizada na tese?
Todas essas questões levantadas indicam que a questão discursiva precisa ser estreitamente balizada sob pena de provocar alguns equívocos interpretativos, especialmente quando se leva em conta a profusão (e confusão) conceitual acerca da noção de ―análise do discurso‖. Nesse sentido, Dominique Maingueneau (2007, p. 15), em artigo no qual buscou compreender os emaranhados conceituais e metodológicos que envolvem a ―análise do
discurso‖, adverte que esse rótulo se aplica a trabalhos de inspirações muito diferentes em todo o mundo. Nas suas palavras, ―a análise do discurso permanece extremamente variável [...] pois ela representa um espaço que se constituiu progressivamente a partir dos anos 1960 por meio da convergência de correntes oriundas de lugares muito diversos‖.33 Disso resulta que uma das tarefas essências aos pesquisadores, que transitarão pela analítica discursiva, consiste em balizar a própria noção de discurso que será apropriada.
Entretanto, antes de apresentar qual é a corrente teórica que balizará a noção utilizada na tese, é preciso deixar posto que não se pretende realizar uma ―Análise do Discurso‖ propriamente dita, referida nos termos de uma disciplina que tem por objeto o discurso, mas sim, esclarecer – da mesma forma que foi empreendido nas questões das representações e
imaginários – qual é o domínio que o discurso será circunscrito neste trabalho, tendo em vista que esse esclarecimento será crucial para a operacionalização da noção no tratamento das fontes. Ou seja, discurso – nas análises das ciências humanas – carrega em si muito mais do que um simples ato de fala ou um simples pronunciamento, mas todo um conjunto de questões de fundo teórico, nem sempre lavado em conta por aqueles que se utilizam da expressão.
De acordo com Maingueneau (2007, p. 18), discurso se estabelece enquanto uma ―intrincação de um texto e de um lugar social34 [...] não é nem a organização textual, nem a situação de comunicação, mas aquilo que as une por intermédio de um dispositivo de enunciação específico‖. Daí a existência de diversos tipos de discursos, sempre relacionados a um dado setor de atividade da sociedade – discurso administrativo, publicitário, etc. – com todas as subdivisões que forem necessárias.
A noção de tipos de discursos, por seu turno, abarca um princípio de agrupamento de
gêneros discursivos que deve responder a pelo menos duas lógicas, a saber, a do co-
pertencimento a um mesmo ―aparelho institucional‖ e à lógica da dependência de um mesmo ―posicionamento‖. O discurso anticomunista, nesse sentido, remete à diversidade de gêneros possíveis (jornais, panfletos, revistas) produzidos no interior de campos diversos (político e religioso, no caso desta pesquisa). Essas noções permitem alcançar um aspecto essencial referente ao domínio discursivo, que consiste justamente na definição da identidade dos
33Esse autor salienta ainda que seu desenvolvimento implica não apenas em uma extensão da linguística, mas
também em uma ―reconfiguração do conjunto dos saberes‖. Complementa afirmando que ―apenas uma parte daqueles que foram seus grandes inspiradores nos anos 60 é constituída por linguistas, estando presentes ainda antropólogos (Hymes), sociólogos (Garfinkel, Sacks) e também filósofos preocupados com a linguística (Pêcheux) ou não (Foucault)‖.
34 Lugar social entendido enquanto um posicionamento em um campo discursivo político, religioso, etc.; pode se
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discursos que serão analisados no decorrer deste trabalho: o discurso anticomunista católico produzido pelos Grupos/colaboradores/articulistas das Revistas Catolicismo e Cruzada.
Feita as devidas advertências, já é possível apresentar a tradição do pensamento na qual se pretende focalizar o domínio discurso na tese. Utilizar-se-á os aportes desenvolvidos pelo filósofo Michel Foucault, cujo sentido e propósitos dessa incorporação começaram a ser fomentados ainda por ocasião dos resultados do desenvolvimento da pesquisa de mestrado (BETT, 2010), momento em que foi evidenciada a necessidade de um arcabouço teórico que possibilitasse uma maior efetividade no tratamento da complexidade inerente ao objeto daquela pesquisa (discurso anticomunista católico através da grande imprensa).35
A noção de discurso na ótica foucaultiana estabelece que este seja constituído a partir de relações de saber e de poder que se inter-relacionam, apresentando regularidades que permitem definir uma rede conceitual própria. Para Foucault (1986), os discursos também são práticas sociais, são conjuntos de acontecimentos historicamente produzidos, possuem uma materialidade, a qual interfere no real, transformando e recriando o mundo. Na sua ótica, o
discurso não trata simplesmente de uma análise linguística, mas de uma interrogação sobre as
condições de emergência dos dispositivos36 discursivos que engendram ou sustentam práticas. (REVEL, 2005)
Tendo como parâmetro a noção acima descrita, ainda na pesquisa de mestrado (BETT, 2010), verificou-se que os discursos católicos nas grandes imprensas, ao fazerem referência ao comunismo, no contexto da década de 1960, articularam determinados procedimentos que estavam na ordem do discurso, ou seja, satisfizeram exigências e qualificações para dizer o que foi dito ou escrito e que imprimiram ou tentavam imprimir uma ―verdade‖ em relação ao que entendiam por comunismo (FOUCAULT, 1971). Por isso a necessidade de se prestar
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Uma das primeiras objeções surgiu da necessidade de ampliar o entendimento da noção de anticomunismo
católico. Identificou-se que entender o anticomunismo católico apenas enquanto oposição sistemática ao
comunismo, não permitia um avançar analítico que desse conta da complexidade das disputas (culturais e políticas) que abrangiam o espectro dos dois países focos da pesquisa, especialmente levando em conta os processos que envolvem a circulação de ideias. Deste modo, partindo das evidências da pesquisa do mestrado e das especificidades da pesquisa atual, buscou-se, então, aprofundar e aperfeiçoar o referencial teórico que tentasse dar conta de sistematizar o uso dos conceitos já utilizados pela historiografia do anticomunismo (principalmente imaginários e representações) incorporando a noção de discursos sob o prisma foucaultiano. Por circunstâncias relativas ao formato do atual objeto de pesquisa, entendia-se não ser necessário esse aporte teórico e, por isso, essa operação acabou não sendo contemplada no projeto inicial. Entretanto, a partir da realização das disciplinas do Curso de Doutorado e do desenvolvimento dos artigos, participação em congressos e o (do) aprofundamento em leituras teóricas, bem como – e principalmente –) das próprias fontes, viu-se a necessidade dessa incorporação.
36 Na teoria foucaultiana o termo ―dispositivo‖ designa os operadores materiais do poder, suas técnicas,
estratégias e formas de assujeitamento. Conforme Revel (2005) os dispositivos são, por definição, de natureza heterogênea (discursos, práticas, táticas). Daí, em consequência, a existência de "dispositivos de poder", bem como de "dispositivos de saber".
atenção, conforme explica Veiga Neto (2003, p. 21), ―nos variados procedimentos que regulam, controlam, selecionam, organizam e distribuem o que pode e o que não pode ser dito‖.
Conforme mencionado em outro lugar (BETT, 2010), esse enfoque teórico/metodológico permitiu visualizar o anticomunismo católico como constituidor/constituído de uma rede discursiva específica que tomou o ―comunismo‖ como um objeto, tratando de, constantemente, em contextos específicos37, atualizar a sua constituição.
Aqui, nesse ponto, talvez seja pertinente recuperar a questão sobre
heterogeneidade/elementos comuns que a tradicional historiografia do anticomunismo
suscitou e levantar um possível redimensionamento analítico que a incorporação do aporte teórico com ênfase no discurso poderá proporcionar. Nesse sentido, dois pontos devem ser ressaltados. Em primeiro lugar, considerando a premissa do comunismo enquanto um objeto construído pelos discursos, levanta-se a hipótese de perceber o ato discursivo dos grupos católicos, no contexto específico da década de 1960, como propositores de uma tentativa de reduzir o comunismo nos esquemas explicativos do próprio ideário católico, ou seja, de torná- lo compreensível, inteligível e enquadrando conforme problemáticas específicas desse contexto.38 E, um segundo aspecto, evidenciando a necessidade de questionar o discurso anticomunista católico na sua vontade de ser um discurso totalizante, emissor e pretensioso à verdade, é pertinente verificar de que forma e quais são os dispositivos utilizados pelos discursos no processo de enquadramento pedagógico do comunismo, ou seja, lançando mão de dispositivos de reconhecimento a partir das mais diversas práticas.
Daí, a necessidade de se perceber como, em contextos diferenciados (do Brasil e da Argentina), os grupos católicos, através das respectivas Revistas (Catolicismo e Cruzada), se utilizaram do discurso anticomunista para demarcar posições, representando os ―nós‖ e os ―outros‖, quer dizer, aspecto que constantemente implicou na necessidade de se atribuir
37 A contextualização dos discursos parece ser uma das questões fundamentais nesse empreendimento. Mais do
que um cuidado metodológico, essa operação caracteriza uma postura próxima de preceitos ligados à ética da operação historiográfica, qual seja, buscar evitar anacronismos na interpretação dos textos. Por isso, adentrar no mundo linguístico em que os discursos anticomunistas se ancoravam parece ser uma medida mais do que necessária, no sentido em que potencializa o reconhecimento da circularidade e maleabilidade desses discursos, principalmente no ato operativo das suas enunciações.
38 Aqui a inspiração é foucaltiana por quando da análise que o filósofo empreendeu na obra sobre o ―parricida‖
Pierre Rivière. Conforme Durval Muniz de Albuquerque, a apropriação dos discursos de Rivière pela psiquiatria e pela justiça tentam ―enquadrá-lo dentro de suas grades conceituais, tentam apagar as suas diferenças, sua singularidade, sua estranheza, tentam torná-lo compreensível e, portanto, domar sua rebeldia‖ (2007, p. 104).
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qualificações do que deveria ser e quais atributos deveria possuir um legítimo anticomunista para fazer frente àqueles considerados comunistas.
Ainda da pesquisa de mestrado (BETT, 2010), o corpus documental analisado demonstrou que quando os católicos se utilizaram dos discursos para combater o comunismo, o fizeram utilizando inúmeras representações, constantemente se apropriando e fabricando o objeto comunismo de uma forma impossível de ser determinado a partir de redes conceituais definitivas e estanques. Demonstraram o comunismo enquanto categoria ambivalente39 e, nesse sentido, contraditoriamente, os próprios discursos dos católicos estabeleceram e demarcaram as potencialidades do comunismo.
Ao se trabalhar com as premissas até aqui expostas, verificou-se que a incorporação da noção de invenção, também dentro de uma ótica discursiva foucaultiana40, permitiu cooperar no esforço de descortinar e tornar ainda mais inteligível a prática anticomunista. De acordo com Durval Muniz de Albuquerque (2011, p. 257), invenção deve ser entendida levando-se em conta a ―forma como se constituem tanto os objetos quanto os sujeitos históricos‖. É preciso concordar com o historiador que não existe nenhum objeto ou sujeito que seja natural, pois a sua construção ocorre na própria história41. Nessa perspectiva, a noção de invenção busca ressaltar a construção de algo em um dado momento, ―pelos homens, pelas relações sociais, que foi construído no campo da cultura, no campo do pensamento, que emergiu a partir de ações humanas‖. Ainda, segundo o autor, a noção de invenção serve para:
39 O conceito de ambivalência na perspectiva de Zygmunt Bauman é entendido como uma desordem específica
da linguagem pela possibilidade de conferir a um objeto ou evento mais de uma categoria. E a maneira como esta desordem é percebida se reflete no desconforto que sentimos quando somos interpelados pela indeterminação que uma situação pode proporcionar (BAUMAN, 1999).
40 Foucault (1986, p. 56) sistematiza a noção de invenção a partir da ideia que os discursos fabricam (inventam)
sistematicamente os objetos dos quais se apropriam. Essa questão é explicada pelo filósofo na seguinte passagem: ―gostaria de mostrar que o discurso não é uma estreita superfície de contato, ou de confronto, entre uma realidade e uma língua, o intrincamento entre um léxico e uma experiência; gostaria de mostrar, por meio de exemplos precisos, que, analisando os próprios discursos, vemos se desfazerem os laços aparentemente tão fortes entre as palavras e as coisas, e destacar-se um conjunto de regras, próprias da prática discursiva. [...] não mais tratar os discursos como conjunto de signos [...], mas como práticas que formam sistematicamente os objetos de que falam‖.
41 De acordo com José Carlos Anjos (2004, p. 142), a noção de objeto construído em Foucault tem sua
fundamentação na epistemologia de Gaston Bachelard. Segundo o autor, vem de Bachelard a noção foucaultiana de que ―a pesquisa deve reivindicar um realismo próprio da ciência, uma busca da ‗realidade‘ que não se compromete com os fenômenos na forma como se apresentam ao senso comum.‖ Em Bachelard, complementa José Carlos, ―o ‗real‘ já sempre está em relação dialética com a ‗razão científica‘, precisando ser reconstruído em laboratório‖. Na sua ótica, Foucault busca em Bachelard os procedimentos que embargam a nitidez dos objetos que se apresentam como ―dados‖: ―Trata-se, de fato, de arrancá-las de sua quase-evidência, de liberar os problemas que colocam; reconhecer que não são o lugar tranquilo a partir do qual outras questões podem ser levantadas (sobre a sua estrutura, sua coerência, sua sistematicidade, suas transformações), mas que colocam por si mesmas todo um feixe de questões (que são? Como defini-las ou limitá-las? A que subconjuntos podem dar lugar? Que fenômenos específicos fazem aparecer no campo do discurso?). Trata-se de reconhecer que elas talvez não sejam, afinal de contas, o que se acreditava que fossem à primeira vista. Enfim, que exigem uma teoria‖ (Foucault citado por Anjos, 2004, p. 143).
―[...] destacar o acontecimento, para reforçar essa ideia de que as coisas surgem historicamente num dado momento, a partir de um conjunto de fatores, um conjunto de relações [...] ressaltar a historicidade, tanto dos objetos quanto dos sujeitos, de analisar como eles são construídos, [...] como são produtos de um processo histórico, produtos de uma construção que se dá no tempo‖.
Portanto, em uma palavra, é possível afirmar que o comunismo acabou sendo
inventado e reinventado pelos discursos anticomunistas dos católicos que percebiam (ou
achavam perceber), no contexto político e social percorrido pela pesquisa (BETT, 2010), a sua ―periculosidade‖ e necessitavam mobilizar a sociedade para enfrentar a sua ―propagação‖, constituindo, deste modo, as bases para a legitimidade de um imaginário anticomunista42.
Tendo como base estas considerações e fazendo os devidos deslocamentos para a atual pesquisa, dois pontos foram cruciais: 1) adentrar na dimensão da necessidade de se abandonar as verdades universais em relação ao fenômeno anticomunista, bem como reestruturar tradicionais modelos explicativos desse tema. Isso implicou em deixar estabelecida uma inadequação/incompletude do próprio conceito de anticomunismo, ou seja, percebeu-se que
anticomunismo não trata tão somente de uma oposição sistemática ao comunismo – neste formato pronto, estabelecido, congelado e total – mas o procedimento necessário consiste em visualizá-lo nas constantes redefinições, fabricações e reinvenções, cuja contribuição discursiva é fundamental. Por outro lado, 2) também se faz necessário, a partir da influência dessa primeira consideração, reconsiderar que o anticomunismo católico não se restringe unicamente às manifestações dos setores ligados ao campo católico, mas, fundamentalmente, às assertivas discursivas que são remetidas a este campo.
Esse aspecto aponta, necessariamente, para o que deve ser ponto de partida no transcurso metodológico da teoria em questão, qual seja, considerar que os discursos e as
representações anticomunistas possuem uma historicidade43 uma performatividade, nunca se definem em si mesmos, mas que, em sua operacionalidade, estabelecem as bases para a construção do imaginário anticomunista.
A experiência de pesquisa nessa temática, bem como as próprias fontes de pesquisa, contribuíram decisivamente para perceber que os esforços teóricos, até então trabalhados pela
42 Perceber o conceito comunismo a partir da forma como os anticomunistas se apropriavam, se insere nas
premissas defendidas por Skinner de que não há conceitos atemporais, mas eles sempre sofrerão as mais diversas variações em diferentes sociedades. (Skinner citado por Vogt, 2011, p. 101)
43 Conforme Armani (2011, p. 167), afirmar a historicidade das ideias (mas que pode ser estendido para
representações e discursos) é ―afastar aquilo que seria substancializações da memória e de sua legitimação via dispositivos discursivos que recorrentemente patrimonializam o passado através de uma excessiva memorialização e o jogam para fora da própria história‖.
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historiografia pertinente ao tema, acabaram não sendo suficientes para dar conta da complexidade que a pesquisa atual exigiu. Não se trata de desconsiderar toda uma produção (cuja qualidade é inquestionável), mas, pelo contrário, o objetivo é congregar novos aportes aos já trabalhados e buscar cooperar com esse esforço coletivo de se compreender a atuação de grupos que, a rigor, contribuíram para desestabilizar presidentes e para sustentar e legitimar a instauração de regimes autoritários, através da própria institucionalização do
imaginário anticomunista.
Por isso, e finalizando a demonstração da operacionalidade teórica a ser utilizada na tese, propõe-se trabalhar com aquilo que deve ser considerado uma articulação conceitual possível entre as três matrizes teóricas distintas (representações, discursos e imaginários), mas vistas aqui enquanto possibilidades complementares.
Ao esmiuçar cada um desses enfoques, adentrando, inclusive, nas tensões e possíveis contradições, percebe-se que as mútuas contribuições podem resultar no entendimento, grosso modo, de que o imaginário anticomunista (católico, no caso dessa pesquisa) não poderia apresentar condições de ―funcionamento‖ sem que fosse constituído por uma série de
representações e, estas, não ganhariam corpo e significado sem que estivessem reunidas em
uma regularidade discursiva ou – parafraseando Foucault 1971 – na ordem do discurso, sem que emitissem, em seus enunciados, toda uma vontade de verdade em relação ao comunismo e a tudo que a ele era relacionado. Portanto, neste sentido, levou-se em conta aquilo que pode ser considerado uma interdependência entre os três domínios teóricos mencionados, não aferindo, evidentemente, qualquer hierarquização entre eles, muito menos um sentido único e linear de se compreender o processo.