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A seguir, apresenta-se um sintético perfil das publicações que formam o corpus desta pesquisa. O objetivo é situar minimamente cada um dos veículos, reconhecendo as particularidades das diferentes organizações que, de alguma forma, deixam marcas na estrutura dos valores-notícia, conforme indica Hall (1999).

4.2.1. A revista Veja

A revista Veja foi lançada em 1968 e idealizada por Roberto Civita, filho de Victor Civita, fundador do Grupo Abril no Brasil. Com o slogan inicial “Veja e leia”, revista enfrentou uma crise durante os seus cinco primeiros anos, operando no vermelho. A rejeição ocorreu devido ao modelo proposto, que era diferente daquele esperado pelo público, acostumado com as revistas semanais ilustradas como a Manchete, e não como uma revista semanal de informação, calcada no texto e sem grandes preocupações visuais (MIRA, 2001).

No período do regime militar, Veja sofreu com a censura e se posicionava contra as arbitrariedades do regime. Nos anos 1970, a revista ainda recebeu bastante pressão do regime militar, particularmente em relação a Mino Carta, que foi demitido pela direção do Grupo Abril em 1975, um ano antes do fim da censura (MIRA, 2001).

Veja só alcançou a estabilidade em 1976, quando atingiu o número de 170 mil exemplares por semana. Em 1978, a revista já utilizava cor em todas as fotografias publicadas, chegando a média de 250 mil exemplares por semana. No início da década de 1980, o número de exemplares saltou para 400 mil, sendo 340 mil destinados a assinantes.

No final da década de 1980, Veja já representava um terço do faturamento da Editora Abril. A partir dos anos 1990, a revista amplia seu enfoque e abre espaço para reportagens sobre comportamento, saúde e cultura. A publicação, assim procura adaptar-se as exigências do mercado para manter a tiragem.

Atualmente, Veja é a revista de maior tiragem do país, com mais de 1 milhão de exemplares, sendo 905.459 vendidos por assinatura e 123.622 em venda avulsa. O site da editora Abril descreve a revista Veja como “abrangente”, cobrindo política, economia, notícias internacionais e “até” artes e cultura. A missão da revista, segundo uma citação de Roberto Civita também apresentada no site, é ser a principal publicação brasileira. “Não apenas em circulação, faturamento publicitário,

assinantes, qualidade, competência jornalística, mas também em sua insistência na necessidade de consertar, reformular, repensar e reformar o Brasil”.17

Ainda segundo os dados disponíveis no site da Abril, o público da revista é formado por 47% de leitores do sexo masculino e 53% do sexo feminino. Destes, 50% são classe B, 21% da classe A, 26% da classe C e 3% da classe D. Em relação à idade, não há predominância significativa de uma faixa etária (64% tem de 20 a 49 anos).

É importante considerar, ainda, a linha editorial de Veja e da editora Abril. Segundo Silveira (2010), a editora segue um método conhecido como “padrão liberal de jornalismo”, um padrão norte-americano caracterizado por imputar ao produto jornalístico uma característica empresarial e mercadológica. Assim, o objetivo da editora apresenta-se como a venda de um produto para a obtenção de lucro, equiparando-se às demais empresas capitalistas. “Baseado nessa premissa, a esse padrão de jornalismo foram relacionadas ideias como neutralidade, objetividade, competência, autonomia, imparcialidade, já que o produto deveria atingir o máximo possível de compradores” (SILVEIRA, 2010, p. 27). Portanto, o padrão liberal de jornalismo, que considera a notícia como um produto a se comercializado e adota por Veja, é um fator importante a ser considerado na análise.

4.2.2. A revista Época

A Época é a segunda maior revista semanal em circulação no país. Ainda assim, sua tiragem é bastante inferior a da Veja, com 387.956 exemplares. O periódico é publicado pela editora Globo, o braço editorial das Organizações Globo, maior conglomerado de empresas do setor de comunicação da América Latina. A Globo foi fundada em 1925 pelo jornalista Roberto Marinho, com a criação do jornal O Globo.

A revista Época foi fundada em 1998, no contexto da reeleição do então presidente da república Fernando Henrique Cardoso. Abordando tanto assuntos cotidianos como fatos políticos e econômicos, Época inovou no mercado também pela sua infografia. A primeira edição da revista trouxe uma Carta aos Leitores

17 Informações coletadas no site da editora Abril. Disponível em:

escrita por Roberto Marinho, que “afirmava que Época seria a primeira revista semanal de informação concebida na era digital, integrando texto e ilustração de forma só possível com as ferramentas tecnológicas disponíveis hoje e nem sequer sonhadas há duas décadas”18.

Atualmente, a revista tem seu público leitor dividido igualmente entre os dois sexos, sendo 68% pertencente às classes AB e 28% à classe C, de acordo com o site da Editora Globo19. A idade do público de Época é um pouco diferente de Veja, com leitores mais jovens: 26% têm idades entre 25 e 34 anos, 20% têm entre 35 e 44 anos, 16% têm entre 18 e 24 anos, 13% têm entre 45 e 54 anos e 7% têm entre 10 e 17 anos.

A revista informa que sua missão é “fazer um jornalismo que capte o espírito do nosso tempo e ajude a construir o amanhã, converta informação em conhecimento, transforme a confusão em clareza”20.

4.2.3. A revista IstoÉ

A Isto É foi fundada em 1976, período em queo país ainda vivia a ditadura militar. A revista é publicada pela Editora Três, fundada pelo argentino naturalizado brasileiro Domingo Alzugaray. A direção de redação da Isto É era assinada por Mino Carta, que havia sido demitido da revista Veja um ano antes. Hoje, é a terceira revista semanal de maior circulação no Brasil, com 332.672 exemplares.

Em seu site, a revista defende que um de seus pilares é a defesa do Estado Democrático de Direito e que, portanto, “caracteriza-se por uma linha editorial independente, jamais atrelada a grupos políticos ou econômicos”21.

Atualmente, seu público tem maioria feminina (51%) e 72% pertence às classes AB, sendo 19% da classe A e 53% da classe B. Quanto a idade dos leitores,

18 Informações coletadas no site da Editora Globo. Disponível em: http://corp.editoraglobo.globo.com/historia/ Acesso em fevereiro de 2014.

19 Disponível em: http://editora.globo.com/midiakit/epoca/arquivos/MidiaKit_Epoca_2013-PT.pdf.

Acesso em fevereiro de 2014.

20

Disponível em http://epoca.globo.com//tempo/noticia/2013/07/nossa-missao.html. Acesso em fevereiro de 2014.

21 Informações coletadas no site da Editora Três. Disponível em

20% têm de 20 a 29 anos, 24% têm de 30 a 39 anos, 21% têm de 40 a 49 anos e 29% têm 50 anos ou mais.

4.2.4. A revista Carta Capital

A Carta Capital foi fundada em 1994 pelos jornalistas Mino Carta e Bob Fernandes. A revista chegou ao mercado como uma publicação mensal, depois tornou-se quinzenal e somente em 2001 passou a ser semanal. Apesar de ser uma das quatro maiores revistas do segmento do país, sua tiragem é bastante inferior que suas concorrentes, com 30.561 exemplares.

Publicada a partir de 2001 pela Editora Confiança (anteriormente, era publicada pela Carta Editorial), a revista sempre apresentou uma linha editorial definida e assumiu-se como contrária às políticas e partidos de orientação conservadora. Nas eleições de 2002 e 2006, posicionou-se abertamente a favor de Luiz Inácio Lula da Silva e, em 2006, a favor de Dilma Rousseff (GRANDO, 1012).

A Carta Capital também faz duras críticas à imprensa nacional, especialmente à Editora Abril e às Organizações Globo, responsáveis pela edição das revistas Veja e Época, respectivamente. Em seu site, a publicação apresenta-se como “alternativa ao pensamento único da imprensa brasileira”22.

Ainda segundo o site da revista23, 64% de seus leitores são homens e 36%, mulheres. Destes, 31% pertencem à classe A, 57% à classe B e 12% às classes C e D. A idade prevalecente é entre 35 e 64 anos, com 59% dos leitores nesta faixa etária. A revista descreve o seu leitor como “altamente qualificado e gosta de conhecer a verdade dos fatos e busca por pontos de vistas e opiniões diferenciados do mercado”.

22

Fonte: site da revista Carta Capital. Disponível em

http://www.cartacapital.com.br/editora/cartacapital. Acesso em fevereiro de 2014.

23 Fonte: mídia kit revista Carta Capital. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/anuncie/media- kit/MidiaKit_CartaCapital2013.pdf. Acesso em fevereiro de 2014.