• Sonuç bulunamadı

SAHA ÇALIŞMASI

7.5. Suriyeli Sığınmacı Akını ile Ortaya Çıkan Diğer Toplumsal Sorunlar 1. Komisyonculuk

Como observa Fernando Luso Soares, falar-se das obrigações ou dos deveres287 impostos à figura do magistrado, demanda, de certo modo, uma interjeição, porquanto sua distinção está na autoridade com que exerce os poderes que lhe são conferidos, sendo o poder jurisdicional aquele que mais efetivamente identifica a capacidade do juiz, pela prerrogativa de dizer o direito a quem o tem. Logo, instituído para exercer poderes, parece inconciliável com o prestígio que emerge da judicatura, tenha ele - o juiz - deveres e esteja regido sob princípios, sobretudo o da probidade, como será delineado doravante.

Por sua vez, o princípio da igualdade, consagrado na constituição, ficaria sem ressonância se, gradativamente, a uns tivesse ascendência e a outros nenhuma influência, quebrantando outro princípio, que seria o da legalidade. Por isso, juízes também observam deveres e a probidade, como princípio da retidão ou da integridade moral, não pode dispensar o magistrado da devida vassalagem.

Legalidade e igualdade provêm da constituição e se estendem por toda a legislação infra-constitucional, de tal modo que, ao magistrado, cabe-lhes acatá-las, sobretudo pelo dever que têm de devotar “respeito à Constituição da República e às leis do país, buscando o fortalecimento das instituições e a plena realização dos valores democráticos”.288

É cativante a sensibilidade de Alcides de Mendonça Lima, sobre a temática que se descortina. Com propriedade, bem o diz acerca da probidade do julgador: “O primeiro a dar o exemplo tem de ser o juiz. Ainda que se tenha de presumir sua isenção de ânimo e seu zelo em favor do melhor resultado conforme os ditames da justiça e das prescrições legais, o legislador tinha de considerar a condição humana do magistrado, sujeito, portanto à inexorável falibilidade e, até, a influência maléfica.”289

É possível que a fundamentação ou motivação das decisões judiciais seja um específico componente da aferição da probidade dos juízes. Primeiramente, trata-se de um preceito constitucionalizado (CF, inc. IX, art. 93) e, em segundo, indistinto a

287Cf. SOARES, Fernando Luso. A responsabilidade processual civil. Coimbra: Livraria Almedina,

1987.

288Cf. art. 2º. Código de Ética da Magistratura Nacional, aprovado pelo Conselho Nacional de Justiça. 289MENDONÇA LIMA, Alcides. Probidade processual e finalidade do processo. Uberaba: Editora

135

todos os órgãos do Poder Judiciário. Além da fundamentação, frisa-se a publicidade (mesmo inciso e artigo constitucional), como a exteriorização dos julgamentos ou como o conhecimento que é dado ao público das decisões judiciais. Desse modo, fundamentação e publicidade harmonizam-se em processo de apreciação pública da probidade do julgador.

Por isso, há, sim, deveres. Dever de motivar e levar a público o ato que prolatar o juiz.

Percebe-se, nesta linha de raciocínio, como o tema das provas judiciais se processa em confronto com a probidade judicial. Preliminarmente, o norte do tema está redundante em diversos artigos do Código de Processo Civil e brocardos também, que se constituem em máximas processuais. A exemplo, o brocardo quod

non est in actis non est in mundo delimita quais provas servirão à decisão, sendo

excluídas aquelas que não estão nos autos, porque não existem para o mundo jurídico (ou, como se diz vulgarmente, fora dos autos, fora do mundo). A par da máxima latina vem o art. 131 do CPC, que aduz: “O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento.” O Código de Processo Civil de 1939 tinha assemelhada disposição quanto ao livre convencimento do juiz na apreciação da prova, desde que indicasse na sentença os fatos e circunstâncias do seu convencimento (art. 118 e parágrafo único). Além da liberdade dada ao juiz para formar a sua persuasão, reflita-se a respeito dos poderes que lhe eram dados, para determinar as provas necessárias à instrução do processo (art. 130) – tudo num encaminhamento sistemático em prol da verdade. Em 1939, em sede da verdade, a Exposição de Motivos reportou-se de quem “quer na direção do processo, quer na formação do material submetido a julgamento, a regra que prevalece, embora temperada e compensada como manda a prudência, é a de que o juiz ordenará quanto for necessário ao conhecimento da verdade”.

As faculdades concedidas ao juiz fazem com que ele, em favor da verdade290,

dirija o processo com bastante independência, mas delimitada pela obrigação de dar

290Veja-se que o Código de Ética da Magistratura Nacional, associa a imparcialidade à verdade e aos

fundamentos, como deflui do art. 8º. deste estatuto: “O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes, e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito.”

136

publicidade das razões do seu convencimento, como atestado inequívoco da sua probidade. As razões de seu decidir, ou seja, a motivação, dá aos juízes e jurisdicionados a transparência que deve pautar as ações da justiça.

A falta de motivação das decisões e a inexistência da verdade , uma ou outra, ou pior, ambas, podem levar à suposição de lesividade, sugerir improbidade e até macular a jurisdição, na pessoa do seu agente.

O Código de Processo Civil impõe a fundamentação de forma iterativa. Destarte, o faz no art. 131, obrigando o juiz a dar na sentença as razões do seu convencimento; adiante, no art. 458, II, trata como requisito da sentença os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; para frente, sugere a ação rescisória, por violação à literal disposição de lei, pelo que a falta de motivação subsume-se ao desrespeito do texto legal, posto que sentença imotivada pode ser anulada ou declarada ineficaz. Averba-se, por ser oportuno, que no caso de sentença terminativa a decisão pode ser concisa (art. 269; 243 a 250; e 459).

Outra ocorrência, que pode insinuar ausência de probidade, é a demora na providência que deva ser ordenada de ofício pelo juiz, ou a requerimento da parte (CPC, art. 115, inc. II), acarretando a demora, caso não observado o disposto no parágrafo único do mesmo artigo, responsabilidade por perdas e danos. Esta norma remete a outra premissa, pela qual é competência do juiz agir pela rápida solução do litígio (art.125, inc. II, do CPC), sob pena da instauração de procedimento para apurar a responsabilidade do juiz que excedeu os prazos (ar. 198, do CPC). Agora, é ínsito ao Código de Ética da Magistratura Nacional o dever do magistrado de “velar para que os atos processuais se celebrem com a máxima pontualidade e para que os processos a seu cargo sejam solucionados em um prazo razoável, reprimindo toda e qualquer iniciativa dilatória ou atentatória à boa-fé processual.”(art. 20).

Outra composição legislativa que afasta sobremodo a improbidade judicial é o impedimento e a suspeição (arts. 134 e 135, do CPC). Segundo Alcides de Mendonça Lima,

as duas modalidades que privam o juiz de atuar ou continuar no feito se fundam, em última análise, no mínimo, num daqueles quatro motivos clássicos das Ordenações do Reino: ódio, amor, interesse ou temor. Em essência nunca deixaram de ser inseridos os caos atuais, para o fim de ser

137

o juiz afastado de um processo; apenas a técnica legislativa de agora e mais apurada.291

O Código de Ética da Magistratura Nacional, mencionado algumas vezes, por ter apoiado um padrão de conduta altaneiro para o exercício da judicatura, emite o entendimento de que o magistrado imparcial é aquele que mantém durante todo o processo uma distância equivalente das partes, além de evitar, por parte de terceiros, qualquer juízo sugestivo de favoritismo, predisposição ou preconceito (art. 8º.).

É certo que a qualidade mais requisitada no magistrado é a sua imparcialidade, o que deve propiciar às partes igualdade de tratamento292, bem como irrestrita isenção no julgar. A judicatura reveste os agentes de suas funções com algumas prerrogativas, dentre elas investidura, vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos, para assegurar a imparcialidade, independência e insuspeição, como predicados ínsitos ao julgador e garantia às partes em conflito da lisura da decisão.

Há uma crença que, por si só, oferta ao juiz a presunção de imparcialidade em razão das garantias da magistratura, que a faz incólume, mesmo diante do poder que as partes possam ter ou da magnitude do bem em conflito. Todavia, situações distintas podem alterar a presunção e até mesmo acenar o contrário.

Por isso, o legislador, considerando possível a redução ou quebra da isenção do julgador, deu, tanto a ele quanto as partes, meios capazes de faze-los reverter esta situação, recuperando, outrossim, a confiança que deve a justiça inspirar, sendo órgão, cujos membros devem obrigatoriamente ter reputação ilibada. Vem, assim, ao encontro da imparcialidade, a possível averbação do juiz de estar impedido por motivo de foro íntimo. Quanto às partes, haverá a possibilidade de sustentar a suspeição ou o impedimento do juiz, conforme a natureza da relação do juiz com a outra parte ou com o bem em litígio. Do contrário, visivelmente alquebra-se a

291MENDONÇA LIMA, Alcides. Probidade processual e finalidade do processo. Uberaba: Editora

Vitória, 1978, p. 32.Repete AMERICANO, Jorge. Comentários ao código de processo civil do Brasil. 2. ed. atual. São Paulo: Edição Saraiva, 1958, v. 1º., p. 273: “As causas de suspeição são precisas, e se ligam ao elementos modificadores da isenção do julgador: ódio, afeição, interesse, amor-próprio.”

292O capítulo III, que tratou da imparcialidade no Código de Ética da Magistratura Nacional, lembrado

frequentemente por constituir tema que concerne ao ora debatido, recomenda ao magistrado, no exercício das suas funções, “dispensar as partes igualdade de tratamento, vedada qualquer espécie de injustificada discriminação.”(art. 9º.).

138

probidade; em seu lugar assume a ruptura da integridade rompendo a isenção da justiça.

O magistério de Alcides de Mendonça Lima, trazido novamente à colação diz que as regras de impedimento e suspeição “procuram resguardar aplicação do chamado ‘princípio da probidade’, que, sem dúvida, é variante do ‘princípio de probidade’ pelo seu extenso raio de alcance. Não se pode falar em atuação do juiz sem pensar em sua imparcialidade, que revela sua capacidade subjetiva, cuja falta originando a imparcialidade – lesa extremamente a própria relação processual. Para cercar o juiz de condições que lhe assegurem agir com imparcialidade, é que o sistema constitucional brasileiro, desde a Constituição Imperial de 1824 até a vigente Constituição Federal de 1967, em ascendente aperfeiçoamento, resguarda os magistrados de garantias e proíbem os tribunais de exceção (arts. 113 e 114; 153, §§ 4º. e 15).”293