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Suriye Politik ve Stratejik Araştırmalar Merkezi Başkanı ve George

4. Suriye’de Değişim Konferansı’nda Çeşitli Gruplardan Temsilciler ile Yapılan Mülakatlar .12

4.4. Suriye Politik ve Stratejik Araştırmalar Merkezi Başkanı ve George

Na Ucrânia, desde o desmoronamento da União Soviética, houve três fases de transição: do totalitarismo à democratização, da economia planificada ao livre mercado, de república dependente da URSS a Estado independente. Segundo Bekeshkina (citada por Laville, 1999), cada uma dessas fases foi acompanhada por uma nova interpretação histórica, apoiada por novo discurso político. Esta alteração fez com que o capitalismo, de um sistema de exploração prestes a desaparecer, passasse a um futuro atraente e desejado; a nação, antes destinada a contentar-se com uma posição secundária na comunidade soviética, tornou-se o protagonista da sua vida e história (Laville, 1999).

A reconstrução da identidade nacional, que começou logo após a independência, baseia-se no discurso nacional e, ao mesmo tempo, no discurso pró-europeu, que começou a ser influente já no início dos anos 90 e tem como base a reinterpretação da história da Ucrânia, a fim de provar a sua relação próxima com a Europa. Assim, a influência da Polónia e do império Austro-Húngaro na Ucrânia é apresentada nos livros didácticos como um facto muito positivo, enquanto a influência do Império Russo é vista como totalmente negativa (Turchenko, 1994). A União Soviética é retratada nos manuais como uma força externa que subjugou a Ucrânia contra a vontade da sua população. Assim, o livro de História para o 10 º ano sublinha que a base social dos bolcheviques depois da Revolução era fraca na Ucrânia e que o seu poder só pudera ser estabelecido por meio da “violência e da mentira”, aliás, o manual aproveita todas as oportunidades para descrever a União Soviética como um Estado que era hostil para com ucranianos (Idem).

Na Bielorrússia, a política estatal no domínio da educação histórica, desde final dos anos 90, seguia em consonância com a russa, de facto correspondia à corrente do “russismo ocidental”, cujas ideias-chave eram as de idealizar a religião ortodoxa, e ao mesmo tempo denegrir o catolicismo e todo o tipo de relações com a Polónia. De facto, segundo esta corrente, a Bielorrússia não era considerada um país com uma cultura nacional autónoma, mas como uma parte administrativa e cultural da Rússia que tinha que ser visto como um elemento desta última. Assim, já no primeiro manual de História, publicado em 1998, os períodos ligados ao ocidente e ao catolicismo são associadas com as “páginas mais trágicas” da história do país. Contudo, de todos os povos apresentados nas páginas do livro escolar, os alemães são os que se apresentam com

113 uma imagem mais negativa e estereotipada do inimigo, ultrapassando mesmo os “padrões” vigentes na época soviética (Sahanovich, 2002).

Os autores do manual de História reduzem todo o passado à oposição do “Ocidente ao Leste”, que se lê “Eles e Nós”. O Ocidente é representado pela Polónia, às vezes pela Alemanha e no decurso da história moderna pelos países capitalistas (Estados Unidos e Europa ocidental), enquanto do lado do Leste estão a igreja ortodoxa, a Rússia e todos os países eslavos. Ao mesmo tempo, os autores tentam absorver as vantagens do passado socialista e incorporá-las na vida presente, ou seja, considerar o passado soviético como a fonte de ideias positivas a serem tomadas para o futuro projecto nacional (Leviatsh, citado por Titarenko 2007) que os nacionalistas, que estão em minoria, rejeitam como sendo totalmente pertencente à “era da opressão nacional e da colonização da União Soviética” (Orlov, 2006).

A História da Moldávia não existe como disciplina autónoma nos livros didácticos. As crianças aprendem-na juntamente com a história da Roménia e a dos romenos. Nos manuais, a Rússia é referida ocasionalmente, como por exemplo no caso da transferência da Bessarábia em 1812 (hoje Moldávia). A Grande Guerra Patriótica é referida como II Guerra Mundial, cujo final dependeu também do facto de a Roménia deixar de apoiar Hitler (Miagkov, 2005). Os livros didácticos da Moldávia referem ainda que o país foi poupado dos horrores do estalinismo, por estar sob a ocupação romena nessa época, apesar de o panorama geral deste período ser pouco animador: os moldavos foram “desconsiderados na esfera social e económica” (Ihrig, 2007).

Se o regime soviético não foi claramente considerado um elemento constitutivo da nação ucraniana, o que poderá dizer-se então relativamente à língua, como um elemento cultural? Os livros didácticos destacam a língua como o fundamento da nação ucraniana. Assim, o livro do 9 º ano chama à língua ucraniana “o cimento e a força unificadora da cultura nacional” (Sarbei, 1996, p. 106). Além disso, afirma explicitamente que “[…] a composição da nação ucraniana era acima de tudo determinada pela sua componente nativa, ou seja, pela língua ucraniana “(Idem, p. 107).

Ao discutir o destino da língua ucraniana, o livro dá especial atenção a três períodos históricos: o período czarista, o bolchevique e o pós-guerra. É neste terceiro período que se concentra a crítica mais dura – o livro para o 11 º ano interpreta a política de “russificação” como uma tentativa deliberada, por parte das autoridades

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soviéticas, de nacionalizar e transformar os ucranianos em “Homo Sovieticus”, em conformidade com a política oficial da “fusão de nacionalidades soviéticas” (Turchenko, 1995). Esta convicção, de que a língua e a identidade nacional estão intimamente relacionadas, encontra a sua origem na experiência com a russificação intensa do período pós-guerra, que circunscreveu a língua ucraniana à família, ao folclore e à linguagem rural. De acordo com Arel, (citado por Janmaat, 2004), esta experiência gerou um medo de extinção cultural que se mostrou tão forte que dominou completamente as políticas de construção da nação pós-independência. Por outro lado, fez fortalecer a ideia de que, sem uma língua diferente da russa, não haveria uma nação ucraniana e, por conseguinte, um Estado ucraniano independente (Janmaat, 2004).

O caso da Bielorrússia é diferente. Uma das principais características da situação contemporânea bielorrussa é o bilinguismo. Algumas condições históricas da era pré- soviética determinaram o facto de uma grande parte dos bielorrussos falar russo, quer como língua materna quer como segunda língua principal. Na época pós-soviética, a língua bielorrussa até hoje nunca se tornou um símbolo nacional susceptível de ser um meio de mobilização, o que leva a pensar que a identidade nacional bielorrussa não pode ser construída da mesma forma como a da Ucrânia (Idem) ou da República Checa, onde a língua também é o factor central (Hroch, 2005).