4. Suriye’de Değişim Konferansı’nda Çeşitli Gruplardan Temsilciler ile Yapılan Mülakatlar .12
4.2. Fransa’da Yaşayan Suriyeli İnsan Hakları Savunucusu Emel Atasi ile Mülakat
O principal acontecimento que marcou o início deste período foi, sem dúvida, o XX Congresso do Partido Comunista, em 1956. Ao mesmo tempo, a morte de Estaline, o desmascaramento do culto da sua personalidade e uma certa libertação do pensamento social deram, também, um impulso para o desenvolvimento do ensino em geral e do ensino da História em particular.
Entretanto, logo no ano de 1959, o XXI Congresso Extraordinário do Partido Comunista concluiu de forma exagerada, como se veio a provar mais tarde, que estava próxima a vitória completa e final do socialismo na URSS. Na sequência desta conclusão o XXII Congresso do PCUS aprovou o Programa de Construção do Comunismo para cuja realização se propunham 20 anos (XXII congresso, 1961). A ideia principal foi bem expressa na promessa que o partido fez: “ A geração actual do Povo Soviético vai viver sob o comunismo” (Idem, parte 2.1).
A construção da sociedade comunista significava a criação de uma sólida base técnica e material, a formação de relações sociais comunistas e a educação de um novo tipo de Homem. Segundo o próprio líder, Nikita Khrushchev, o maior desafio, ao qual tinham sido subordinados todos os outros, era criar uma nova pessoa. A questão então colocada era: "O que é importante numa sociedade comunista? A resposta: O Homem. Por isso, todos os esforços físicos e mentais e recursos materiais deveriam ser
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Estes exemplos dos guerreiros vitoriosos e corajosos, na luta pelo orgulho e a honra nacionais, podem ser encontrados nos livros de História em todos os Estados-nação em desenvolvimento. Os detalhes e exemplos podem variar, mas o padrão é sempre o mesmo: fortalecer a unidade nacional, muitas vezes em detrimento de outros aspectos. À medida que a nação se vai desenvolvendo na sua totalidade, e é atingido um nível elevado de confiança e auto-estima nacional, o processo inicial de construção da nação chega ao fim, que se traduz no facto de os livros escolares usarem outras técnicas. Por exemplo, na Noruega, os heróis da guerra são muito pouco utilizados nos livros escolares e emergiu uma forma crítica de expor o desenvolvimento dos países ocidentais em relação aos outros países do mundo (Lorentzen, 2007).
101 direccionados para melhor satisfazer as necessidades do homem e de toda a sociedade comunista como um todo.” (Khrushchev, citado por Fokin, 2008, p. 2). Afinal de contas, sobre os ombros do “Homem Soviético”, colocou-se a tarefa de se criar a base material e técnica do comunismo e as relações sociais comunistas. O domínio da energia nuclear e o primeiro sucesso na exploração espacial, nomeadamente, deram ânimo ao programa da Construção do Comunismo e alimentavam a ilusão da sua realização rápida. A propaganda Soviética usava a conquista espacial como um símbolo do mais ambicioso projecto da Construção do Comunismo e o próprio cosmonauta como ideal comunista e o modelo do Novo Homem soviético (Gerovitch, 2007).
Assim, os anos 60 marcam um período decisivo no desenvolvimento da ideia da “construção” do “Homem Soviético” e das tentativas da sua concretização. Primeiro, porque a sua concepção se transforma em projecto nacional, segundo, porque a sua implementação exige a alteração radical das estratégias organizacionais e práticas políticas, que decorrem de uma análise da situação política, económica, social e educacional dos últimos anos de estalinismo.
Os anos entre 1945 e 1953 foram política e economicamente muito difíceis para a URSS, mas, ao mesmo tempo, foram os anos gloriosos de “grande vitória na II Guerra Mundial” e, consequentemente, os anos da manifestação de um elevado entusiasmo e orgulho nacional. De facto, durante a Guerra o sistema soviético gerou e fortaleceu uma profunda lealdade política; o governo de Estaline e o partido comunista desenvolveram uma técnica que, usando todos os meios – visual, gráfico, artístico – apelava ao esforço nacional e recorria aos sentimentos patrióticos e hábitos emocionais do povo, produzindo reacções massivas ao terror e à tirania do inimigo. O Homem Novo comunista, que desde a Revolução de Outubro fora sempre percebido com um herói, fortaleceu esta sua imagem nos anos da Grande Guerra.
Naturalmente, após o fim da guerra tornou-se impossível aplicar uma técnica similar nas condições da paz e na ausência dum inimigo evidente – apesar de este, no contexto da Guerra Fria, passar a ser rapidamente substituído por outro –, e esperar o mesmo retorno emocional; já não era possível apelar aos sacrifícios pela pátria apostando somente na memória da Guerra Patriótica. Por outro lado, o novo inimigo, o imperialismo americano, era diferente, o seu campo de batalha era ideológico, os métodos eram mais sofisticados e as forças da propaganda eram desiguais. Para se
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proteger, o sistema soviético exigia mais do que uma generalizada lealdade para com o Estado – o Programa do Comunismo precisava e exigia uma forte visão marxista- leninista e uma participação entusiástica na construção do comunismo. Por isso, a vertente central do Homem Soviético a ser “explorada”, nesta altura, só podia ser o seu lado moral, que se esperava conseguir com o apoio do "Código Moral do construtor do comunismo", no fundo o conteúdo principal do Programa de Construção de Comunismo.
O “Código Moral do construtor do comunismo” é um conjunto de 12 princípios morais que se apresentam como bastante ambíguos. A própria noção de moralidade comunista opõe-se à moralidade não-comunista, que devia ser abandonada, para dar lugar a uma moral nova e progressiva. A moral comunista durante a construção do comunismo teria vindo a enriquecer-se com novos princípios e novos conteúdos. O Código, como era de esperar, abrangia todas as áreas, da lealdade ao comunismo, do amor à pátria socialista e aos países socialistas até à solidariedade fraterna com os trabalhadores de todos os países, de todas as nações, passando pelo lema “um por todos, todos por um”.
Dentro da mesma perspectiva o governo e o partido apostaram também na forte formação política ministrada nas escolas para promover estas virtudes entre os jovens usando novas estratégias metodológicas e práticas pedagógicas68 Não se tratava de algo radicalmente novo, mas as circunstâncias políticas e económicas assumiram, no seu conjunto, outras perspectivas. A questão da educação das gerações que estavam a crescer precisava de uma revalorização urgente das tradições e memórias numa perspectiva “revolucionária”, um conjunto de referências ideológicas susceptíveis de identificar o país e principalmente os seus cidadãos jovens numa continuidade com o recente passado nacional. Por outro lado, a tensa situação económica interna e as dificuldades externas (nomeadamente, a Guerra Fria), forneciam o pretexto para relembrar os princípios do marxismo-leninismo, as glórias do passado comunista e reafirmar a tradição revolucionária e militar do Homem Soviético, dando à URSS uma imagem diferente e ao mesmo tempo um fundamento para a construção de uma moral mais elevada aplicada à vida quotidiana: trabalho, estudos, descobertas científicas.
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Segundo Noah (1965), talvez nenhuma sociedade, em nenhum lugar, tenha depositado mais confiança na educação para resolver os seus problemas políticos, económicos e morais, do que a União Soviética.
103 Na instrução, a atenção foi dada não tanto à construção metódica dos livros escolares, mas principalmente à sua função e papel no processo do ensino e da aprendizagem. A história na escola deveria passar pelo retorno do “Homem”, não como herói inacessível do passado, exemplo a ser seguido e imitado, mas sim, como pessoa do presente, portador de certos ideais e valores, como parte integrante da sociedade em desenvolvimento.
Esperava-se que a História como disciplina escolar se tornasse, deste modo, menos esquemática e mais concreta e real. Por exemplo, depois de Abril de 1961 “[…] quem melhor do que Gagarin, para incorporar esta nova construção ideológica?” (Gerovitch, 2007, p. 135). A máquina de propaganda soviética rapidamente gerou um cliché:
O cosmonauta soviéticonão é apenas um vencedor do espaço exterior, não é apenas um herói da ciência e da tecnologia, mas em primeiro lugar ele é real, vivo, de carne e osso, um novo homem, que demonstra pela acção todas as qualidades do carácter inestimável Soviético, que o Partido de Lenine tinha cultivado por décadas (Idem, p. 136).