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Em algumas pesquisas sobre o estado da arte a respeito do uso de tecnologias na Educação, os pesquisadores revelaram que a maioria delas destacou fortemente os aspectos positivos em detrimento dos negativos e das dificuldades enfrentadas quando o assunto é o uso das novas tecnologias. Motivamos-nos a fazer esse mesmo levantamento com a amostra de trabalhos selecionada e observamos um maior equilíbrio, ou seja, 50% de todos os trabalhos apresentaram apenas vantagens no uso de tecnologias móveis na Educação, mas outros 50% trouxeram à tona tanto aspectos positivos quanto negativos quando fazemos uso dos dispositivos em sala de aula. Esses dados nos dão indícios de que os pesquisadores estão mais atentos a essa necessidade de equilíbrio entre os prós e os contras quando o objetivo é promover uma reflexão sobre os novos equipamentos. Mesmo assim, são poucos os trabalhos que se empenharam em destacar muitos problemas ou dificuldades quando o tema é tecnologia na Educação. Nesse caso, merece destaque a pesquisa de Shuler (2009) que mencionou diversas desvantagens ou problemas na área.

A grande maioria dos trabalhos citou a preocupação com a distração dos alunos ao utilizarem os equipamentos móveis durante as aulas como a principal desvantagem.

4.5.1 – Artigos Nacionais

Observando as informações nos artigos nacionais, notamos que mais da metade das pesquisas citaram apenas vantagens no uso das tecnologias móveis, perfazendo um total de dez trabalhos.

4.5.2 – Artigos Internacionais

A tendência de apontar apenas os aspectos positivos do uso das novas tecnologias se mostrou maior na leitura dos artigos internacionais, já que sete deles apontaram apenas vantagens.

4.5.3 – Dissertações

Nas dissertações escolhidas, o percentual se manteve igual, ou seja metade dos trabalhos optou por elencar apenas aspectos positivos do uso das novas tecnologias móveis na Educação e a outra metade das pesquisas apresentou tanto as vantagens quanto as desvantagens do uso das mesmas.

4.5.4 - Teses

Já na análise das teses encontradas, observamos que todos os pesquisadores mostraram vantagens e desvantagens do uso das novas tecnologias.

Das vantagens citadas, consideramos importante apresentar as que mais foram citadas nos trabalhos. São elas:

 possibilidades de trabalhos colaborativos;  mobilidade;

 maior interatividade;

 facilidade de acesso às informações;  ubiquidade;

 aprendizagem em qualquer hora e lugar.

Nossa intenção, desde o início, sempre foi apresentar e discutir algumas das potencialidades dos tablets e, por isso, optamos por realizar uma apresentação de todas as vantagens citadas nos trabalhos em uma nuvem de palavras, como mostra a figura 4: recurso gráfico para apresentar os termos mais utilizados em determinados textos. Acreditamos ser uma ferramenta visual bastante interessante para destacar algumas das vantagens e potencialidades desses equipamentos.

Nesse tipo de imagem, as palavras mais citadas aparecem proporcionalmente maiores e com maior destaque. Embora já houvesse a intenção de utilizar esse recurso visual no trabalho, por uma feliz coincidência encontramos essas nuvens de palavras também na dissertação de Mandaio (2011). A autora optou por iniciar cada um dos capítulos de sua pesquisa com uma nuvem de palavras bastante significativa para o leitor compreender o desenvolvimento das ideias fundamentais em questão.

Figura 4 - Vantagens na aprendizagem com os equipamentos móveis

FONTE: produção da autora

Observando esse recurso gráfico, notamos que a palavra com maior destaque é “colaborativa”. Isso indica que ela foi a mais citada nos trabalhos analisados e dá indícios de que se trata de uma tendência educacional para os próximos anos: cada vez mais proporcionar trabalhos colaborativos entre alunos e também entre os professores. Por outro lado, a palavra “competências” mostra-se em tamanho bastante reduzido se comparada às outras. Embora tenhamos discutido e apresentado que uma das grandes funções da escola seja proporcionar, por meio dos conteúdos e das disciplinas, o desenvolvimento de habilidades e competências, seu tamanho na nuvem de palavras não demonstrou ser essa uma das preocupações quando o assunto é o uso das tecnologias móveis na Educação. Da mesma forma, podemos observar que as palavras “quebra” e “paradigmas” também apareceram em tamanho reduzido. Embora necessária, talvez a quebra de paradigmas educacionais esteja longe de tornar-se uma realidade.

As palavras “mobilidade”, “qualquer”, “hora” e “lugar” destacam uma das principais características dos tablets: potencializar a aprendizagem dentro e fora da escola, a qualquer tempo e lugar.

Não podemos deixar de mencionar outro aspecto a ser levado em conta: a necessidade de uma mudança curricular para que as reais potencialidades dos equipamentos móveis sejam colocadas em prática.

É praticamente senso comum que a escola tem a função de preparar seus alunos para a cidadania e, para isso, somente as disciplinas acadêmicas, como estão no currículo hoje, são insuficientes. Na opinião de Leadbeater (2000, apud MOURA 2010, p.130), temos que deixar de olhar para a educação como um ritual de passagem que envolve a aquisição de conhecimentos e qualificações suficientes para entrar na vida adulta. De acordo com o guia realizado pela organização não governamental EDUTOPIA, os estudantes também precisam adquirir um conjunto de habilidades e competências que lhes servirão para a vida toda. São os chamados “4 Cs”, (Parthership for 21st Century Skills):

- Colaboração - Criatividade - Comunicação - Pensamento Crítico

Essas competências não excluem outras já desenvolvidas na escola, tais como leitura, escrita e interpretação de textos, resolução de problemas etc. Vale destacar Moura (2010, p.131) sobre a relação entre as competências e os conhecimentos:

Para a ciência cognitiva as competências e os conhecimentos são interdependentes. Por isso, possuir uma base de conhecimento é fundamental para aquisição de mais conhecimento e também de competências. Isto quer dizer que as competências não podem ser adquiridas ou aplicadas de forma eficaz sem conhecimentos prévios, numa ampla gama de assuntos, e a escola tem de estar atenta a isto.

O relatório (EDUTOPIA) menciona que o mais ambicioso dos objetivos é integrar as competências do século 21 com os conteúdos tradicionais da escola. Nesse sentido, foi bastante interessante encontrar no trabalho de Moura (2010) a menção a alguns projetos que, utilizando tecnologias móveis, centravam seus objetivos no desenvolvimento de diferentes competências, entre as quais: colaboração, lidar com situações problemas e desenvolvimento do pensamento crítico.

Também Rifkin (2011, p.250-252) aponta para essa preocupação com o novo currículo:

As universidades e as escolas precisarão começar a treinar a força de trabalho da Terceira Revolução Industrial. O currículo precisará focar cada vez mais em tecnologia da informação, nano e biotecnologia, ciências da Terra, ecologia e teoria de sistemas, bem como em habilidades vocacionais, incluindo o desenvolvimento e o marketing de tecnologias de energia renovável, transformar edifícios em miniaturas de energia, instalar tecnologia de armazenamento de hidrogênio e outras, instalar redes inteligentes de serviços públicos, fabricar transporte movido a célula de combustível de hidrogênio e a eletricidade, implantar redes de logística verdes e outros. [...] Assim como as escolas na década passada eram equipadas com computadores pessoais e conexões da internet de modo que os estudantes pudessem gerar suas próprias informações e compartilhá-las uns com os outros no espaço virtual, a atual geração de estudantes precisará estar equipada com tecnologias da TRI (Terceira Revolução Industrial) de modo a poder captar sua própria energia renovável e compartilhá-la em espaços de energia de fonte aberta.

Portanto, deve ficar claro para todos nós que não podemos pensar em estratégias inovadoras de ensino em um modelo curricular ultrapassado. Para tanto, não basta dotar as escolas de novos equipamentos tecnológicos, devemos sim, assumir uma postura de orientadores da aprendizagem e auxiliar os alunos na busca de informações e na construção de seus conhecimentos.

Com relação às desvantagens, os maiores problemas ainda estão relacionados com a resistência dos professores ou com o descrédito deles na ferramenta. Dois trabalhos citaram a falta de investimento na formação dos professores como uma das grandes dificuldades para a boa implantação dos equipamentos móveis em sala de aula.

Embora não seja uma desvantagem, mas sim um problema a ser enfrentado por professores e diretores das escolas, a falta de infraestrutura técnica é um entrave a ser vencido. É notório que muitas escolas, principalmente as públicas, sofrem com a falta de apoio técnico e também com dificuldades relativas à conexão de Internet. Claramente, os equipamentos móveis só poderão ser utilizados com todo o seu potencial se houver uma infraestrutura de acesso à rede de computadores eficiente. Quanto ao apoio técnico, podemos inferir que, sem a ajuda e o suporte de pessoas especializadas, os professores sentem-se solitários e inseguros no uso das tecnologias em sala de aula.

Outro grande problema ou desvantagem no uso desses equipamentos é o risco de distração dos alunos durante as aulas. De acordo com Rifkin (2011, p. 271- 272):

Jovens estão crescendo em um mundo altamente mediado por estimulação eletrônica de todos os tipos e constantemente bombardeados por um fluxo de informação estão perdendo a capacidade de se concentrar, de acordo com inúmeros estudos conduzidos nos anos recentes. Em salas de aula onde várias tarefas se tornaram a norma e as distrações são a regra, a capacidade de refletir, organizar os pensamentos e perseguir uma ideia até sua conclusão torna-se cada vez mais fugaz. Muitas crianças sentem-se sobrecarregadas e esgotadas quando chegam ao ensino médio.

Algumas pesquisas observaram também que os pais dos alunos não estão completamente convencidos do potencial de aprendizagem dos equipamentos móveis.

Um problema apontado na pesquisa de Herrington et al (2009) é a preocupação dos professores com a privacidade e com a “invasão” dos momentos de descanso através dos e-mails enviados e lidos nas horas de folga do professor.

O problema de a tecnologia aumentar a quantidade de trabalho não é encontrado apenas na área da Educação, mas afeta a sociedade como um todo. Carr (2010) expõe como esse problema nos influencia e diz que, normalmente, a tecnologia nos proporciona uma “sobra” de tempo que será utilizada para realizar outro trabalho. Na era da conexão, o trabalho, que antes era realizado apenas no escritório, na fábrica ou na escola, está entrando em nossas casas, em nosso horário “livre”, de maneira bastante intensa. Quantas vezes, nos finais de semana, recebemos e-mails tratando de trabalho e já iniciamos a tarefa mesmo estando em nossos momentos de descanso?

Para destacar e analisar os principais problemas do uso de equipamentos móveis, recorremos novamente ao recurso gráfico da nuvem de palavras, como é mostrado na figura 5. Essa figura mostra as palavras recorrentes e destaca-as de acordo com sua incidência: quanto maior o tamanho, mais vezes ela apareceu entre as desvantagens observadas nos trabalhos analisados.

Para nós é muito importante destacar e refletir sobre alguns dos principais entraves para a adoção dos tablets e acreditamos que esse recurso visual será significativo e nos ajudará nas análises.

Figura 5- Desvantagens na aprendizagem com os equipamentos móveis

FONTE: produção da autora

Como era esperado, após nossa discussão ao longo do trabalho, a palavra com maior destaque é “distração”, indicando ser essa a maior preocupação de pais e professores quando se trata de entregar tablets nas mãos dos estudantes. Embora essa questão cause muita preocupação, existem algumas alternativas para minimizar o problema, sendo a criação de uma cultura de uso adequado entre os estudantes a solução mais adequada para o momento. Além disso, outra opção é proporcionar mais atividades nas quais os estudantes sejam engajados na construção de seus conhecimentos, “puxando” as informações necessárias e sendo auxiliados pelos professores na sistematização de conteúdos.

Outras palavras com médio destaque são “formação”, “professores” e “infraestrutura”, mostrando que, sem a infraestrutura adequada, o bom uso de tecnologias móveis é prejudicado. Além disso, a formação dos professores para o uso dos tablets em sala de aula é importante..

Finalizando, quando o assunto é o que não devemos fazer ao utilizar os tablets em sala de aula, Daccord (2012) aponta uma lista de erros mais comuns cometidos por professores:

1) Foco em aplicativos de conteúdo – O erro mais comum cometido com

Ipads é se concentrar em aplicativos específicos para determinado

assunto... Em vez disso, devemos nos concentrar na gama incrível de consumo, curadoria e criatividade possível em níveis de ensino e disciplinas, utilizando apenas quatro aplicações gerais: um aplicativo de

anotações, um aplicativo screencasting, um aplicativo para criação de áudio, e um aplicativo de criação de vídeo... O conteúdo vem de uma ampla gama de materiais disponíveis em toda a Web e em nossas salas de aula, e não de apps.

2) Falta de formação do Professor na Gestão de Ipads - Um dos erros óbvios é não fornecer aos professores formação profissional adequada. Antes de entregar os Ipads aos alunos, muitas vezes as escolas entregam o equipamento aos professores, assumindo que o uso dos tablets em um ambiente pessoal vai, naturalmente, traduzir a experiência para o ambiente de trabalho. Isso não acontece. Os professores precisam de instruções sobre como incorporar os dispositivos no processo de aprendizagem, o que é bastante diferente do que experimentar algumas apps. Décadas de pesquisa mostraram que, quando os professores têm acesso às novas tecnologias, seu instinto é usar as novas tecnologias para estender as práticas existentes... Os professores precisam de tempo para a colaboração profissional (e muitas vezes apoio externo) para aprender a cultivar a leitura, escrita, fala e compreensão oral e desenvolver estratégias para diferenciar o ensino usando uma variedade de aplicações e também utilizar algumas das ferramentas da Web.

3) Tratar o iPad como um computador, esperando que ele sirva como um laptop - Fazer comparações iPad versus laptop sufoca a capacidade de ver como o iPad facilita a aprendizagem centrada no aluno. Ipad não substitui o computador. Além disso, a mobilidade dos tablets significa que os alunos podem tirar fotos, gravar áudio e vídeo filmagens, em qualquer lugar... Então, coloque os Ipads nas mãos de professores que entendem que os alunos aprendem melhor ativos.

4) Tratar Ipads como dispositivos multiusuário - Os Ipads foram concebidos como dispositivos de um único usuário. Portanto, não se destina a ser compartilhado. As restrições financeiras obrigaram muitas escolas a abandonar 1 por 1 (um computador por aluno) ... Em vez de compartilhar

Ipads em várias salas de aula, as escolas devem alocá-los apenas para

algumas salas de aula participantes de um projeto-piloto. Assim, as escolas devem documentar os sucessos e fracassos do grupo-piloto para extrair as melhores práticas que servirão de base para a expansão dos tablets no futuro.

5) A falta de uma resposta convincente para a questão "Por que utilizar

Ipads na escola?" - Muitos administradores escolares simplesmente não

conseguem apresentar à comunidade escolar o motivo da compra dos

Ipads. Como resultado, terão que enfrentar a resistência de professores,

pais - e até mesmo dos alunos - que não entendem por que esses dispositivos estão sendo introduzidos em suas salas de aula. (DACCORD, 2012, s/p.tradução nossa).

Certamente, ainda não temos a resposta mais convincente para a questão proposta por Daccord: Por que utilizar os tablets na escola? Mas, sem termos a pretensão de termos esgotado o assunto, esperamos ter conseguido trazer a reflexão sobre o uso dos equipamentos móveis para outro patamar.

Benzer Belgeler