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Sultan Mecid Genizade ve Habib Bey Mahmudbeyov’un Rus-Müslüman Okulları

BÖLÜM 4: RUS-MÜSLÜMAN (TATAR) OKULLARI

4.2. Sultan Mecid Genizade ve Habib Bey Mahmudbeyov’un Rus-Müslüman Okulları

A observação consiste em manter, por um período, atenção sobre um fenômeno de forma sistematizada. Observar oferece uma possibilidade de enriquecimento da realidade, pois alguém ao lado e imerso nessa realidade, por um período, se dispõe a lançar olhares através de outras perspectivas.

O ato de observar requer períodos de relativos afastamentos das conversas e das situações vivenciadas. Essa “externalidade” se constitui num exercício de tomar (e de assumir que se toma) algo a ser pesquisado a partir de uma dada perspectiva, e assim o observador olha a partir de seu mundo interno admitindo todas suas interferências.

E como pesquisar observando sem “concluir” as próprias suposições elaboradas anteriormente? Esse é um desafio que requer permanente reflexão. Para MENDES GONÇALVES (1994), a observação na pesquisa se faz com “um olhar enviesado pela hipótese” e contribui com um poder controlador sobre a interferência subjetiva do pesquisador. Nesse estudo o ir e vir, a revisão e a ação, a (re)elaboração, o olhar atento da orientadora e as reuniões de supervisão dos grupos8,

estiveram em função desse desafio.

8 Reuniões de supervisão são estratégias utilizadas na técnica do grupo operativo para o acompanhamento e

avaliação do desempenho da atuação do coordenador e dos observadores, assim como dos resultados das sessões grupais. No caso dessa investigação, a supervisão foi realizada por dois especialistas da área. A coordenadora do grupo foi a autora dessa pesquisa e as observadoras enfermeiras com formação em coordenação de grupo operativo e pesquisadoras do núcleo de Estudos e Pesquisas em saúde Coletiva - NUPESCO.

Nas duas unidades selecionadas, realizamos uma exploração preliminar, num total de 24 horas de observação em cada unidade, procurando observar os diferentes períodos de funcionamento - manhã, tarde e intermediário (10-14h).

A observação se fez nos lugares onde o trabalho se desenvolvia e onde os trabalhadores se encontravam para conversar com mais freqüência: na recepção, na copa, na sala de pré e pós consulta de pediatria (anexa à sala de almoxarifado), na pré e pós de clínica médica (que fica no corredor).

As duas unidades oferecem, como ação central, a consulta médica nas áreas de clínica, GO, e pediatria, e atendem praticamente a queixa e sua medicalização. A odontologia faz um atendimento à parte do restante e a enfermagem praticamente viabiliza o ato médico e as ações necessárias à medicalização das queixas.

Nelas estavam lotados respectivamente 29 e 38 trabalhadores9. das

seguintes categorias/atribuições : gerente, pediatras, enfermeiras, dentistas, atendentes de consultório dentário, escriturários, clínicos, ginecologistas, atendentes, auxiliares e técnicos de enfermagem, escriturários, vigias, serventes (auxiliares de serviço e ajudante de desinfecção). Ambas funcionam das 7 às 17h de segunda a sexta-feira, população adstrita de estimada10 para 1998 de 8.759 e 18.759 mil

habitantes.

Para nortear o período de observação que foi realizado entre Abril e Maio de 1998, estabelecemos preliminarmente algumas questões enquanto eixo principal, conformando um protocolo inicial para a observação. Este constou dos seguintes direcionamentos:

9 O número de trabalhadores lotados não significa necessariamente o número de trabalhadores em exercício,

devido a afastamentos e possibilidade de efetivamente desenvolverem trabalho em outro local como nas escolas da área.

ü processo de decisão: as negociações presentes, seus principais articuladores e a “moeda” utilizada, (ou seja, possíveis “objetos” de negociações), as decisões percebidas, seus agentes e as bases dessas decisões.

ü a existência de acordos para o desenvolvimento do trabalho, sua natureza e direção e possíveis causas de cisão.

ü estilo de gerência, formas de lidar com absenteísmo, mecanismos de controle de poder mais empregados e por quais trabalhadores.

ü principais saberes e fazeres no atendimento de um usuário, acordos e desacordos no processo de atender.

ü relações entre os trabalhadores, os “rótulos”, a cooperação, formas de lidar com mudanças de escala e na forma de trabalhar propostas pela gerência, as situações conflitivas, estratégias adotadas para recompor essas situações.

ü possibilidades de reconhecem-se ou não nesse trabalho e em seu “produto”.

Com base nos achados da observação, realizamos discussões grupais objetivando olhar as relações em processo, para os segredos, os aspectos implícitos e explícitos, para as mútuas representações, os vínculos, os momentos de tarefa e pré- tarefa, assunção e adjudicação de papéis.

Utilizamos, para cada sessão grupal, um disparador temático também composto por situações vividas no aqui/agora, baseados nos emergentes e na vivência de cada sessão anterior.

Com o término de uma primeira fase de observação (exploratória), submetemos o material registrado a uma primeira (re)leitura daquilo que havia sido observado nas duas Unidades. Deparamo-nos com a necessidade da escolha de um dos locais para prosseguir a coleta de dados.

O critério adotado foi aquele da disponibilidade dos trabalhadores em querer e poder se reunir em sessões grupais, em que todas as categorias estivessem representadas. Isso envolveu todo o conjunto de trabalhadores da unidade uma vez, que quando alguns estavam em grupo, outros realizavam suas atividades.

Em ambas as unidades apresentamos a proposta da realização de sessões grupais, sendo possível numa delas. Os motivos explícitos adotados pela outra unidade para a não realização dos encontros grupais, especialmente pela gerência, foi o volume de trabalho e impossibilidade de se parar o atendimento durante a realização dos referidos encontros.

Na unidade onde o estudo foi completado já havia adesão da gerência e de uma das enfermeiras, sendo a proposta da realização dos grupos apresentada na reunião bimestral de toda a unidade. Na reunião do período da manhã, tivemos a participação das duas observadoras que estariam nos grupos. Aparentemente, a “equipe” recebeu a proposta com certo receio e apreensão. Percebemos que houve uma certa descontração quando se explicou o caráter não analítico e terapêutico das reuniões, e que estas seriam para discutirmos a organização do trabalho e as relações que se estabelecem para desenvolvê-lo.

Essa conversa se reproduziu no período da manhã e da tarde, e na “equipe” da tarde houve uma aparente melhor receptividade. Nossa hipótese para isso foi a de que havia maior segurança para a apresentação da proposta, e a de que os trabalhadores haviam conversado entre si sobre o assunto tendo elaborado tal situação.

Durante o mês intermediário (entre o final das observações e o início dos grupos de discussão), que se deu devido a férias de diversos trabalhadores,

mantivemos períodos de observação na unidade, a fim de manter a aproximação com os trabalhadores da Unidade.

Procuramos nesse período estar mais participantes, entrando no atendimento se necessário, também ocorreram menor número de registros. Optamos por observar algumas tardes e manhãs, indiscriminadamente.

2.3. A opção pela utilização do grupo operativo: a realização das