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Mirza Hasan Rüşdiyye ve Onun “Rüşdiyye” Okulları

BÖLÜM 3: USUL-Ü CEDİD OKULLARI

3.7. Mirza Hasan Rüşdiyye ve Onun “Rüşdiyye” Okulları

Ribeirão Preto, cidade do interior do Estado de São Paulo, tem sua economia pautada no comércio e na agroindústria sucro-alcooleira. Fundada em 19 de Junho de 1856, essa cidade emergiu de movimentos migratórios voltados para a produção de café. Hoje é cidade pólo da região norte do Estado, com 456.252 habitantes, segundo o IBGE em 1996.

Possui, enquanto rede de saúde, trinta e sete Unidades de Saúde Municipais e/ou municipalizadas (extra-hospitalares), 12 hospitais que totalizam 1.638 leitos, sendo 1.316 conveniados ao SUS. Conta ainda com diversificada oferta de assistência médica supletiva através de convênios, cooperativas ou grupos empresariais privados.

O poder municipal optou, em 1998, pela gestão plena do sistema de saúde, que equivale ao gerenciamento de toda a rede de saúde pelo município, contando com repasse de verba do governo federal realizado via pagamento de um teto financeiro.

As unidades de saúde da rede básica municipal, localizadas nos diversos bairros da cidade, caracterizam-se de acordo com horário de funcionamento, complexidade, presença ou não de especialidade assistencial e área de abrangência, diferenciando-se em Unidades Básicas de Saúde (com oferta de serviços médicos das especialidades de pediatria, clínica médica e ginecologia e obstetrícia, serviço de enfermagem e odontológico) e Unidades Básicas e Distritais de Saúde (que além daqueles serviços das UBSs, oferecem especialidades em diferentes áreas tais como cardiologia, dermatologia etc).

No quadro abaixo estão apresentadas as trinta e sete unidades segundo sua distribuição distrital e horário de funcionamento.

Quadro 1: Distribuição das unidades de saúde da rede básica municipal segundo área distrital e horário de funcionamento. Ribeirão Preto, 1999.

Distrito de Saúde Unidades Horário de funcionamento

Distrito Central UBDS Central 24

UBS Campos Elíseos 7 – 22

PAM - Setor Pediatria – especialidades

7 – 19

CSE- Vila Tibério 7 –17

UBS - Vila Tibério 7 – 22

UBS Bonfim Paulista 7 – 22

Distrito Norte – Simioni

UBDS Simioni 24

UBS Quintino I 7 – 17

UBS Quintino II 7 - 17

UBS Valentina Figueiredo 7 – 17

UBS Marincek 7 -22

UBS Vila Mariana 7 – 17

Distrito Sul - Vila Virgínia

UBDS Vila Virgínia 24

UBS Adão do Carmo 7 – 17

UBS Parque Ribeirão 7 - 22

UBS Jardim Maria das Graças

7 – 17 Distrito Oeste –

Sumarezinho

UBDS Sumarezinho – CSE Cuiabá

24

UBS Presidente Dutra 7 - 17

UBS Vila Albertina 7 – 17

UBS Vila Recreio 7 – 22

UBS José Sampaio 7 - 22

UBS Dom Mieli 7 – 17

UBS Ipiranga 7 - 17

CSE - Ipiranga 7 – 17

CMSC - Vila Lobato 7 - 17

Distrito Leste - Castelo Branco

UBDS Castelo Branco 24

UBS - Jardim Zara 7 – 17

UBS Vila Abranches 7 – 22

UBS Juliana 7- 17

UBS São José 7 – 17

UBS Santa Cruz 7 - 17

Saúde Mental NAPS I 7 – 17

dependentes Ambulatório Regional de Saúde Mental 7 – 19 Ambulatório Regional de Especialidades NGA – 59 7 – 17 Projeto Alternativo: Unidade de promoção à Asúde Casa da Saúde 7 - 17

Para a escolha do campo de pesquisa, procedemos a avaliação da composição das equipes em termos numéricos, sendo este um primeiro critério para a definição do local da pesquisa. A adoção deste critério excluiu a escolha das unidades de porte e complexidade de distritais e funcionamento superior ao de 10 horas diárias, uma vez que essas unidades dispõem de um contingente numérico de pessoal que poderia dificultar ou inviabilizar tanto a observação como a composição de grupos de discussão.

Numa Unidade Básica Distrital de Saúde (UBDS) trabalham entre cem e trezentos trabalhadores, ao passo que numa UBS esse número varia de vinte a setenta, conforme as especialidades oferecidas e horário de funcionamento7.

Priorizamos unidades em que os trabalhadores não rodiziassem em escalas por turnos, por considerar que este é um fator interveniente no trabalho das equipes, de uma complexidade além daquela que pretendíamos nesse estudo.

Ainda, quanto ao número de pessoas, consideramos que quanto maior este fosse, mais provável poderia ser a constituição de subgrupos, de vinculações estereotipadas, enfim, de formas encontradas para se trabalhar junto, o que também estaria além de nosso fôlego nessa investigação.

Outros critérios para a seleção das Unidades foram: a oferta de atendimento nas três áreas básicas e ainda odontologia; a planta física

similar; a localização na mesma região geográfica e distrital. Estes critérios, associados, deixaram-nos a possibilidade de pesquisar em sete das Unidades do Município. A disponibilidade da equipe e da gerência em participar desse tipo de pesquisa se constituiu em um aspecto fundamental e decisivo para escolha das Unidades e desenvolvimento do estudo.

Dessa forma, para o desenvolvimento da fase de exploração de campo da pesquisa optamos por duas Unidades Básicas dentro de um mesmo distrito. Cabe-nos ressaltar que a receptividade dessas UBSs com relação ao estudo foi muito positiva.

Os contatos nas Unidades se fizeram após apresentação do projeto à Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto e autorização, pelo nível central, para o desenvolvimento da investigação.

Procuramos deixar claro que não se tratava de uma proposta de resolução dos conflitos, mas de uma aproximação inicial com a dinâmica da rede de relações. Apontamos a possibilidade de que num outro momento pudesse haver continuidade com uma proposta sistematizada de “intervenção”, o que deveria partir do grupo de trabalhadores.

Esses contatos foram estabelecidos, inicialmente, com os gerentes das duas unidades, que assinalaram que o trabalho naquele momento era excessivo, o que deixaria a possibilidade de realização dos grupos muito remota, mas concordaram com a observação.

Em uma das unidades, antes da resposta definitiva, participamos de uma reunião semanal da enfermagem, em que apresentamos a proposta, que foi discutida e acatada pelo grupo. Um fato importante é o de que as trabalhadoras da enfermagem já possuíam, antes desse estudo, a experiência de reuniões semanais para conversarem sobre o trabalho, sendo isto uma característica desse grupo dentro da rede básica,

uma vez que a SMS-RP não prevê esse tipo de reunião entre os trabalhadores nas Unidades.

Este aspecto talvez tenha sido um facilitador para a participação efetiva dessa UBS na pesquisa e principalmente nas sessões grupais. Mais adiante, quando apresentarmos os dados, retomaremos a questão das reuniões.

Naquela Unidade, a gerência e a enfermeira conversaram com os demais trabalhadores explicando, na medida do possível, o motivo da nossa presença na Unidade, e o objetivo da coleta de dados através da observação.

Em ambas as unidades fizemos o papel de esclarecer, de explicar sobre a pesquisa. Pudemos notar que o fato de estar procurando olhar para a rede de relações estabelecidas nos locais de trabalho, num primeiro momento deixava os trabalhadores pouco à vontade.

A experiência de observar de antemão nos inseriu numa relação com esses trabalhadores. De uma certa forma, alguém externo observa e representa, dialeticamente, tanto a ameaça de se ver o que não se deseja que seja visto, quanto o interesse por olhar, por ver. Se estabelece assim um certo “jogo” de se mostrar, e de se esconder, de se estar visível e invisível.

A observação exigiu não raros esclarecimentos, sendo que em diversas vezes fomos inquiridos sobre o que se anotava, além de recebemos pedidos de leitura dos registros. Esse contato, essa relação foi configurando uma certa vinculação e estabelecimento de confiança capaz de permitir a realização dos grupos de discussão.

Podemos dizer que a observação nesse estudo teve por finalidade:

ü permitir uma reaproximação ao trabalho da Unidade em questão e de sua organização, além de possibilitar melhor delimitação do objeto de investigação;

ü preparar o acontecer das sessões grupais;

ü buscar elementos direcionais para as discussões nos grupos.

2.2. A exploração do campo de estudo: o processo de observação