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Rus-Müslüman Okullarının Kuzey Azerbaycan’da Yaygınlaşması

BÖLÜM 4: RUS-MÜSLÜMAN (TATAR) OKULLARI

4.3. Rus-Müslüman Okullarının Kuzey Azerbaycan’da Yaygınlaşması

Como analisar a rede de relações senão em relação? Essa questão nos fez optar pelos grupos para coleta de dados. Os grupos, enquanto espaço para a coleta de dados em pesquisas qualitativas, vêm sendo referenciados por alguns autores tais como PATRÍCIO (1994), POLITY(1995), CARLINI-COTRIM (1996), WESTPHAL et al. (1996), MINAYO (1998), falando mais especificamente da técnica de grupo focal.

Esses autores vão trazer os grupos enquanto processos de enriquecimento para a construção da pesquisa, assim como campo possível de apropriação e transformação da realidade pesquisada. Afirmam que os grupos permitem o pensar coletivo de uma temática que faz parte da vida das pessoas reunidas, permitem ainda conhecer o processo dinâmico de interação dos participantes, observar como as controvérsias se expressam e são resolvidas, e ainda reproduzem os processos que ocorrem fora dos encontros grupais.

Essas são “características” que estabelecemos enquanto sendo importantes para pesquisar a dinâmica e a configuração da rede de relações e que compõem os motivos pelos quais estamos optando pela técnica grupal.

A técnica do grupo operativo enquanto método de investigação é discutido por BAZ & BARRIGA (1991) e desses autores apontamos as seguintes considerações:

“Desde nuestro punto de vista, los grupos son formas concretas de manifestación de las relaciones sociales, susceptíbles de procesos de análisis y de intervención especializados. La interrogación permaniente que atraviesa o dicho campo se refiere a los processos de la subjetividad coletiva, que se ponen en juego en toda tarea grupal o proyetcto conjunto.” (BAZ &

BARRIGA., 1991)

Essa forma de investigação adota os pressupostos teóricos sobre os grupos operativos de Enrique Pichon-Rivière, já descritos anteriormente. Outros autores apresentam a possibilidade da investigação através de grupos operativos, entre eles: FERNANDES (1989); CASTELO (1992) e SILVA, E.P. (1994).

Quando um grupo se reúne para discutir um assunto desencadeia-se a construção de um "texto" que não pode ser tomado como parecer de indivíduos, pois é uma ampliação, um tecido tramado na relação. O "texto" é, assim, fruto das relações dos participantes naquele momento.

A análise desses textos grupais (enriquecido com as observações), nas reuniões de supervisão e apontadas para o grupo em devolutivas nos encontros seguintes, articulados ao que observamos durante a fase de exploração de campo, é o que constituiu a base de análise nessa pesquisa.

Cada sessão grupal foi lida e analisada em reuniões de supervisão e a seguir foi elaborada uma "Crônica" que já se constitui numa primeira análise dos encontros grupais e da rede de relações.

O grupo dispôs de um coordenador das discussões e dois observadores. Tanto a coordenadora como os observadores possuem formação em coordenação de grupo operativo na abordagem pichoniana. Nas sessões grupais ocorreu um registro sistematizado das discussões, através da anotação feita pelas duas observadoras.

Este registro seguiu a sistematização adotada para grupos operativos, ou seja, as falas são anotadas conforme são ditas, também se registram os silêncios, os gestos, o momento anterior à sessão (pré-grupo), ou seja, quando e como os integrantes estão chegando à sala, sobre o que conversam, se se atrasam e etc.

A escolha dos participantes dos grupos ficou a cargo da própria unidade, sendo realizadas por nós recomendações quanto ao tamanho dos grupos (entre 6 e 12 integrantes), e compostos de pelo menos um trabalhador de cada categoria profissional que atue na Unidade, podendo aqueles que trabalham oito horas pertencerem a ambos os grupos (manhã e tarde).

No período de observação, percebemos que parte da equipe (cerca de dois terços dos trabalhadores) fica durante oito horas na Unidade enquanto outros trabalhadores de nível universitário permanecem por quatro horas. Interessou-nos reproduzir essa configuração. Portanto, nos grupos de discussão alguns trabalhadores participaram tanto do grupo organizado no período da manhã como no da tarde.

A participação de pelo menos um trabalhador de cada categoria profissional se deu para que nos grupos houvesse uma conformação semelhante àquela vivida no dia-a-dia.

Para o desenvolvimento do trabalho grupal algumas questões precisaram ser levadas em consideração, como por exemplo a duração dos encontros; seguimos a duração recomendada no referencial teórico adotado dos grupos operativos, ou seja,

uma hora e trinta minutos, em que os primeiros trinta minutos foram destinados à devolutiva do encontro anterior e desenvolvimento do disparador temático.

Outro aspecto importante é o do estabelecimento do "enquadre". No início de cada sessão, foi conversado com os integrantes sobre o tempo de duração, início e término previstos, sobre a importância de não se ausentar durante a sessão, de não se faltar e de não se atrasar nos encontros grupais.

O coordenador do grupo, nessa proposta, faz um papel de co-pensor, de quem pensa junto, de facilitador dos aconteceres grupais. Isso inclui a contenção das angústias, acolhimento, o acreditar que o grupo é capaz, a compreensão de que as possíveis agressões que o grupo possa empreender estão dirigidas ao seu papel e não a sua pessoa. Nessa pesquisa fomos coordenador e pesquisador concomitantemente.

No que se refere ao observador, ainda mais que realizar um registro das falas tal como ocorrem, ele está atento aos gestos, expressões, atrasos, silêncios, segredos, e conjuntamente com o coordenador, e após a sessão grupal, faz hipóteses quanto ao movimento do grupo.

O coordenador, o observador, o local, o horário, a duração, os registros, (enfim todo o “seting” grupal) podem servir também enquanto possíveis espaços depositários das angústias do grupo.

Com base em todas essas considerações realizamos oito sessões de grupos com trabalhadores de uma mesma unidade de saúde, que aconteceram em seus locais e horários de trabalho. Um grupo no período da manhã com quatro encontros grupais e outro à tarde também com quatro encontros.

Optamos por esse número de encontros considerando-os necessários para o desencadear dos processos grupais e reprodução da rede de relações,

havendo a perspectiva de que, se houvesse possibilidade e solicitação dos trabalhadores, prosseguiríamos com os outras sessões.

Não encontramos na revisão bibliográfica, especialmente nas produções científicas que adotam grupo operativo enquanto técnica para a coleta de dados, indicação quanto ao número de encontros.

Uma vez realizada a escolha da unidade, que na verdade foi recíproca, ( é que de uma certa forma, os trabalhadores também nos escolheram quando se permitiram participar desse estudo), estabelecemos com os eles os horários para os encontros, o local, e a freqüência.

No período da manhã, esses grupos ocorreram no horário das 9:30h até 11:00h, às terças-feiras, e à tarde às quintas-feiras das 14:30-16:00h.

Esses horários foram escolhidos em função do próprio trabalho. Também o dia da semana utilizado para o desenvolvimento dos grupos articulou a necessidade do serviço e a disponibilidade dos observadores e coordenador/pesquisador do grupo.