ALACAKLILARA ETKİSİ, ŞARTA VE VADEYE BAĞLI SÖZLEŞMELER, SULH SÖZLEŞMESİNDEN DÖNME VE
B. SULH SÖZLEŞMESİNİN VADEYE BAĞLANMASI
II. SULH SÖZLEŞMESİNİN İKALE (BOZMA) SÖZLEŞMESİ İLE SONA ERDİRİLMESİ
No capítulo anterior foram abordados os principais conceitos do marketing 3.0 baseado em valores, onde o cliente ocupa o papel de “ser humano” e a essência da empresa se fundamenta na criação de produtos e serviços fundamentados na lógica da ética e transparência em todos os processos.
Assim, pretende-se entender a ferramenta de marketing relacionado a causas (MRC), como meio para as empresas iniciarem a atuação com responsabilidade social nos negócios na busca do último estágio de consciência organizacional. O uso legítimo da ferramenta de MRC é uma das formas da empresa promover a responsabilidade social corporativa, pois está investindo em um dos públicos com os quais se relaciona, a sociedade.
O conceito de marketing relacionado a causas pode ser definido por uma “parceria comercial entre empresas e organizações da sociedade civil que utilizam o poder de suas marcas em benefícios mútuos, nas quais a empresa entra com
grandes ativos, como sua estrutura comercial e de marketing e a organização com sua maior especialidade, o conhecimento sobre a causa” (IDIS 2007, p. 76).
Um programa de marketing relacionado a causas (MRC) pode estar pautado na mobilização de recursos para uma causa ou na disseminação de mensagens. No primeiro caso, a empresa destina um percentual das vendas de um produto específico para a causa escolhida ou quando o objetivo do programa for disseminar uma mensagem, a empresa não precisa investir dinheiro diretamente na causa, sendo seu desafio sensibilizar os consumidores para atuarem de alguma maneira nessa causa (BIGLIONE, 2007).
Assim, o MRC é uma estratégia de investimento social da empresa, portanto uma ferramenta que alinha as estratégias de marketing da empresa com as necessidades de captação de recursos da ONG, trazendo benefícios para a causa e para os negócios.
“O Investimento Social Privado é a alocação voluntária e estratégica de recursos privados, sejam financeiros, bens, recursos humanos, técnicos, gerenciais para o benefício público” (IDIS, 2007, P 76). Portanto, uma das formas encontradas por diversas empresas para captação de recursos destinados ao Investimento Social Privado (ISP), é por meio do marketing relacionado a causas (MRC).
O MRC pode ser entendido como uma produtiva ferramenta para as empresas inserirem a atuação social em seu negócio. Além de ser uma grande oportunidade das empresas expressarem aos seus consumidores e à sociedade seus valores socioambientais, um programa bem estruturado de marketing relacionado a causas costuma gerar um enorme impacto social (IDIS, 2007).
Para Henderson (1996, p.12, apud Dowbor 2005), o sistema de parcerias aparece assim no quadro de uma mudança ampla de paradigmas de gestão social. Nesta visão, o próprio conceito de desenvolvimento apoia-se numa abordagem centrada na identificação dos atores sociais interessados, na clara exposição dos interesses diferenciados, e na construção de aproximações mesmo de interesses aparentemente bastante distantes.
Para tangibilizar esta nova visão da empresa na atualidade, Peter Drucker (1998) atualmente dirigente de uma organização não governamental, diz que o foco está nas relações entre o mundo empresarial e as organizações da sociedade civil, onde alega que é imprescindível a parceria entre ambos, não somente para questões de filantropia, mas sim, para inovação social.
Para Dowbor (2005, p. 79) uma coisa é ver o grau de articulação entre instituições de apoio, e outra é ver a que ponto estas diversas instituições se articulam efetivamente com a população interessada. Em sua opinião, “em longo prazo, sabemos se as ações se generalizam e se tornam sustentáveis quando a própria população as assume”.
Dowbor (2005, p. 57) ilustrar isto com o exemplo de Campos Altos, em Minas Gerais, Brasil: Sob pressão da Secretária Municipal de Educação, os fazendeiros se comprometeram a não mais utilizar trabalho infantil, a prefeitura se comprometeu a assegurar lugar e merenda na escola, os pais se comprometeram a não tirar as crianças da escola. O resultado prático foi que os pais, que diziam precisar da renda dos filhos, trabalharam bem melhor ao ter o sossego dos filhos na escola, e ganharam mais dinheiro; os fazendeiros lucraram porque a colheita foi mais eficiente; o prefeito ganhou visibilidade política; e as crianças ganharam um futuro. “Parece óbvio, mas foi preciso articular economia, educação, política, serviço social, em torno ao mesmo problema, e elaborar um consenso onde cada ator social encontrou o seu papel e o seu interesse. O óbvio não é generalizado: no Brasil, onde as políticas são fatiadas, ainda se espera que a educação resolva sozinha os problemas da transição para uma sociedade do conhecimento”.
Portanto, podemos entender que quando a sociedade se articula e assume o papel de protagonista da situação, o resultado é satisfatório para todos. Este exemplo foi citado aqui, a fim de ilustrar as articulações de algumas parcerias entre empresas e organizações da sociedade civil, a fim de promover resultados para ambos, a seguir alguns exemplos.
No Brasil, a ferramenta de marketing relacionado a causas ainda é incipiente, um dos primeiros programas estruturados de MRC acontece desde 1997, há 15
anos, com a parceria pioneira entre duas empresas brasileiras, o Instituto Rodrigo Mendes e a empresa Tilibra. O Instituto promove a inclusão de pessoas com algum tipo de deficiência ao oferecer oportunidades de desenvolvimento artístico e a empresa Tilibra, é a marca líder e maior fabricante de cadernos no País (IDIS, 2007).
A cada ano, o Instituto Rodrigo Mendes cede o direito de reprodução de algumas imagens para a empresa. A escolha fica por conta do departamento de marketing da Tilibra, que tem à sua disposição todo o banco de imagens, com mais de mil obras de arte. Os cadernos são vendidos no Brasil e nos países do Mercosul. O modelo de contrato que garante o direito de licenciamento dos produtos do Instituto Rodrigo Mendes pela Tilibra é o de “royalties”, ou seja, o direito de uso da imagem. Por meio deste sistema, 7% do faturamento líquido dos cadernos da Tilibra que levam as estampas são repassados ao Instituto (IDIS, 2007).
O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) é uma das principais organizações da sociedade civil que trabalham a temática de MRC no Brasil. O Instituto é referência em investimento social privado, pois disponibiliza aos investidores sociais brasileiros formas inovadoras e efetivas de aplicação de recursos no social, tais como o marketing relacionado a causas. Desde 2003, a Iniciativa de MRC do IDIS tem desenvolvido conhecimento sobre o tema por meio de pesquisas e publicações.
Outro caso de destaque é a campanha do McDia Feliz que é o principal evento comunitário do Sistema McDonald’s brasileiro e a maior campanha do país no combate ao câncer infanto-juvenil. O evento ocorre uma vez por ano, sempre em um sábado, dia de maior movimento nos restaurantes da rede McDonald’s. Todo o dinheiro obtido com a venda de sanduíches Big Mac exceto impostos, além de produtos promocionais, como camisetas e bonés é destinado à causa. A venda do Big Mac é a principal fonte de captação de recursos do McDia Feliz. Além disso, as instituições que serão beneficiadas se mobilizam para maximizar a arrecadação de recursos (IDIS, 2007). No Brasil, este é o exemplo mais antigo de um programa de marketing relacionado a causas, realizado desde 1988, porém com empresa estrangeira.
O McDia Feliz alcançou tamanha credibilidade junto à sociedade brasileira que conta com o apoio voluntário de artistas, atletas e personalidades, que gravam filmes publicitários utilizados na divulgação prévia do evento, como forma de atrair doações. Muitos comparecem ao McDonald’s no dia do evento e ajudam a servir os clientes, atraindo assim mais público (IDIS, 2007 ).
Ainda no Brasil a “cruzada contra o câncer de mama” da AVON é outro excelente exemplo de uma campanha de MRC. A campanha tem dois focos de atuação: a arrecadação de fundos para apoio financeiro a projetos que promovam o diagnóstico precoce, e a disseminação de informações sobre a doença. Os recursos arrecadados são direcionados pelo Instituto AVON para apoio a projetos de combate ao câncer de mama. Apesar de ser uma campanha global, assumiu em cada país uma estrutura própria. A campanha conta com o apoio das revendedoras autônomas dos produtos AVON em todo o país, para a disseminação de informações, com os consumidores que têm acesso aos folhetos de ofertas, além da mobilização de mulheres em todo o país e entidades que atuam no combate ao câncer de mama e outros setores da sociedade. No Brasil, a AVON destina 7% do valor de venda dos produtos com o selo para este fim. Os recursos são destinados pelo Instituto AVON, à projetos apresentados por entidades de referência em prevenção e atendimento ao câncer de mama. Por meio do foco na principal preocupação do seu público-alvo, mulheres de 16 a 60 anos, a AVON gerou milhões de dólares ao redor do mundo para a causa. Além disso, melhorou sua reputação e a percepção de seus consumidores. Gerou também mídia espontânea e vendas. A empresa criou fidelidade com seus consumidores e também com seus colaboradores ao redor do mundo (IDIS 2007).
Segundo o IDIS (2007) a arrecadação de recursos pode ser feita por meio da destinação de um valor das vendas de uma empresa ou de um determinado produto a uma causa. Esse é o caso da Havaianas-IPÊ, no qual 7% da venda líquida das sandálias é revertida para o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas; ou da Copagaz, que destina R$ 0,01 de cada botijão de 13 quilos vendido durante quatro meses do ano para financiar o Programa Adotei um Sorriso, da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente (IDIS 2007).
Nos Estados Unidos, a ferramenta de MRC é muito estudada e aplicada desde a década de 1970. Uma das primeiras campanhas ocorreu em 1976, há 36 anos, por meio de uma parceria entre a “Marriott Corporation” e da “March of Dimes”. O objetivo da “Marriott” era gerar visibilidade à marca e cobertura da mídia para a abertura de seu centro de entretenimento. E o objetivo da “March of Dimes” era aumentar a arrecadação de fundos. A promoção foi realizada simultaneamente em 67 cidades de todo o oeste dos Estados Unidos e superou todas as metas ao se tornar a promoção de maior sucesso na história do Oeste da “March of Dimes”, conseguindo publicidade gratuita e estimulando a abertura de recorde do complexo de entretenimento “Marriott”. O programa foi concebido por Bruce Burtch, que passou a se tornar um multiplicador para os programas de marketing de causa. Burtch foi quem inventou a frase "fazer bem fazendo o bem” (IDIS, 2007, p. 54). A criação do termo marketing de causas é atribuída à empresa “American Express” ao elaborar a campanha em 1983 para a restauração da Estátua da Liberdade. A mecânica consistia na doação de um centavo de dólar por cada utilização do cartão American Express, e um dólar para cada novo cartão emitido para ser doado ao programa. Durante um período de quatro meses, US$ 1,7 milhões de dólares foram arrecadados, as transações evoluíram 28% e o conceito “fazendo o bem” para os negócios foi lançado (VARADARAJAN; MENON, 1988, p.78).
“O Marketing Relacionado a Causas no Brasil, apesar de seu recente histórico, tem encontrado um terreno fértil para sua propagação, na medida em que algumas iniciativas pioneiras se consolidam e passam a ser reconhecidas, não apenas pelos parceiros, mas também pela sociedade”. “Este contexto, reforçado por várias experiências exitosas desenvolvidas no exterior, especialmente nos Estados Unidos, reforça o potencial da ferramenta, não apenas como um mecanismo de captação de recursos, mas como uma forma de desenvolver parcerias e alianças estratégicas entre Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e o setor privado, com resultados positivos para os parceiros e com capacidade de gerar valor social e ambiental” (TRAVASSOS; BOEMEKE, 2009, p.34).
“De acordo como IEG Sponsorship Report de Chicago o investimento americano em marketing relacionado a causa tem apresentado um crescimento
contínuo nos últimos anos. Desde os anos 90, este tipo de investimento passou de 120 milhões de dólares para atuais 1,57 bilhão de dólares, o que representa o terceiro maior investimento privado no país, ficando atrás apenas do patrocínio a área de esporte seguida pela área de entretenimento. Os principais investidores em marketing relacionado a causas nos EUA estão nos setores de comércio, indústria automobilística e bancos” (TRAVASSOS; BOEMEKE, 2009, p. 35).
No Reino Unido a ferramenta de MRC, igualmente nos EUA, é bem aceita pela sociedade e pelos atores envolvidos, assim como por empresas e organizações da sociedade civil. Segundo a organização inglesa “Business in the Community”, marketing relacionado a causas (MRC) é definido como “atividade comercial na qual empresas e ONGs formam uma parceria para comercializar uma imagem, um produto ou serviço com benefício mútuo”. MRC pressupõe uma relação ganha-ganha, tanto para a causa quanto para a empresa, se realizado de forma legítima (ADKINS, 1999, p. 78).
Para Sue Adkins (1999), fundadora e diretora da área internacional da organização “Business in the Community”, e autora do livro “Cause Related Marketing” no Reino Unido, diz que o MRC se resume a uma questão de valores. Se antigamente a responsabilidade social era feita por donativos, atualmente está associado a valores. Os consumidores desejam que as empresas compartilhem os valores com a comunidade de forma autentica.
No contexto atual, as marcas estão constantemente competindo por lealdade dos seus consumidores e estes exigindo que a empresa deixe de visar somente o lucro e tenha ações que beneficie a sociedade, portanto para Adkins (1999), estratégias de MRC beneficiam tanto as empresas quanto a sociedade.
Sue Adkins (1999) alega que em um ambiente onde o preço e a qualidade são cada vez mais igual, onde reputação e posição para algo além dos benefícios funcionais do produto ou serviço é estratégico, as marcas estão constantemente competindo por atenção e fidelização do consumidor. Adkins continua a informar que o MRC pode variar em seu alcance, mas o que se espera é uma relação ganha- ganha, onde as empresas aumentam as suas vendas e dão visibilidade para a
marca, as organizações da sociedade civil (OSCs) captam recursos para a causa de forma perene e os consumidores participam ao comprar o produto.
No Reino Unido, a empresa Aquaid Water Coolers doou 5,5% do volume de negócios de abastecimento de água potável para as pessoas na África por meio de duas instituições de caridade Christian Aid e Pump Aid. O resultado foi satisfatório e levou os concorrentes a pensarem em novas formas de proporcionar água para pessoas menos favorecidas (IDIS, 2007).
Outro exemplo no Reino Unido é o “Programa de Computadores para Escolas” da Tesco, a maior rede de supermercados inglesa. Nesse programa, a empresa estimula consumidores a comprar nas lojas Tesco, ao invés de comprar no seu concorrente. A cada 10 libras gastas, os consumidores recebem vales. Estes são colecionados e oferecidos às escolas que os próprios consumidores escolhem. As escolas colecionam os vales e os utilizam para trocar por computadores e demais equipamentos de informática. Por meio desse programa de MRC, uma parceria entre Tesco, seus colaboradores, seus consumidores e a comunidade, a empresa gerou milhões de libras em computadores e equipamentos de informática. Ao mesmo tempo, a Tesco melhorou sua reputação e imagem perante a comunidade, construiu um relacionamento com diferentes públicos de interesse, agregou valor ao negócio e aumentou o número de consumidores nas lojas, os quais aumentaram o valor gasto na sua rede de supermercados (IDIS 2007).
Portanto, uma produtiva ferramenta para as empresas inserirem a atuação social em seu negócio. Além de ser uma oportunidade das empresas expressarem aos seus consumidores e à sociedade seus valores socioambientais; um programa bem estruturado de marketing relacionado a causas costuma gerar impacto social (IDIS, 2007).
Nesta mesma perspectiva, Dowbor (2010, p. 67) afirma que “tal como as políticas ambientais, o social tem forte dimensão de transversalidade. As políticas sociais constituem ao mesmo tempo setores de atividade, como saúde, educação, cultura, esporte, informação, lazer, segurança, o conjunto dos investimentos diretamente orientados para a valorização das pessoas e uma dimensão de todas as
outras atividades, como relações de trabalho, qualidade das infraestruturas, formas de organização da produção agrícola e assim por diante”.
Estudo comparado de políticas sociais no programa Gestão Pública e Cidadania da FGV-SP mostra que o denominador comum das políticas sociais que demonstraram grande eficiência nas diversas regiões do país é o fato de serem executadas em parceria, envolvendo tanto o setor público, como empresas e as organizações da sociedade civil; tornam-se assim mais sustentáveis e permanentes (Dowbor, 2010).
Outro aspecto relevante, para Pringle & Thompson (2000), é o investimento que o proprietário da corporação ou da marca pretende fazer para divulgar a campanha de marketing de causas sociais ao consumidor. Percebe-se também que os parceiros venceram as barreiras iniciais do alinhamento de expectativas com relação à parceria, mas ainda estão em processo de adaptação de convivência com uma nova cultura e com a gestão de novas demandas do relacionamento.
A pesquisa realizada pela ONG “Business in the Community” com quatro mil consumidores na Inglaterra e dois mil nos EUA, aponta que 98% dos consumidores consideram mais confiáveis as empresas que usam a ferramenta de marketing de causas. Com relação a opção por outra marca, 83% mudaram de marca por terem participado de alguma ação e 95% disseram que incentivam mais empresas atuarem em causas sociais (INSTITUTO CARBONO BRASIL, 2010, p.68).
O consumidor está mais consciente e valoriza marcas ligadas a causas socialmente relevantes. A conclusão é apontada pelos resultados junto a mais de 7 mil consumidores, distribuídos em 13 países, realizada pelo Instituto de pesquisa Edelman em novembro de 2010. Para os respondentes, a percepção de que as organizações atuam de forma genuína sobre propósitos subiu de 46% para 64% (INSTITUTO CARBONO BRASIL, 2010, p.55).
No Brasil, realizou-se por meio do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), uma similar pesquisa, onde se constatou que 95% das grandes empresas realizam ações sociais. Porém, somente 57% conhecem a ferramenta de MRC e 30% realizaram alguma ação. Na visão dos consumidores,
88% consideram importante que as empresas comuniquem o que estão fazendo pelo social. Um aspecto marcante é que 47% das empresas temem que a associação da marca com a causa possa parecer oportunista (IDIS, 2007).
Assim, os dados mostram que a comunicação é essencial para desdobrar a ferramenta de MRC em novos projetos com outras parcerias, a fim de evoluir o conhecimento para outras empresas e organizações da sociedade civil. No entanto, se faz necessário que o programa aconteça de forma genuína para enaltecer a imagem da organização.
Visando desmistificar a afirmação de oportunismo apresentada na pesquisa acima, Dowbor (2010, p. 67) diz que “o denominador comum das políticas sociais que demonstram grande eficiência nas diversas regiões do país é o fato de serem executadas em parceria, envolvendo tanto o setor público, como empresas e as organizações da sociedade civil”. Tornam-se assim mais sustentáveis e permanentes, se realizadas de forma legítima.
Portanto, conclui-se por meio destes indicadores que existe um vasto campo a ser trabalhado, que a ferramenta é um dos meios de trabalhar a responsabilidade social, porém é preciso que seja legítima para não parecer oportunista e sim uma excelente estratégia de marketing, pois trabalha concomitantemente a causa e o negócio.
A seguir, Ricardo Voltolini (2006) teórico e especialista na temática de marketing relacionado a causas, fundamenta os aspectos determinantes que influenciam a consciência organizacional para a legitimidade do MRC.
Segundo Voltolini (2006) o marketing relacionado a causas pode ser visto sob a perspectiva de um novo modelo de parceria que pode ser muito útil para a geração de receitas nas organizações sociais, além da adição de valor social às marcas e a viabilização de ações sociais transformadoras para a sociedade. Não constituem prática altruísta muito menos filantrópica porque as empresas desejam obter retorno na forma de ganho de imagem e venda de produtos e serviços.
Ainda nesta perspectiva, Voltolini (2006 p. 46) diz que desde os anos 90, o desafio tornou-se mais complexo: antes as bases racionais e emocionais eram suficientes para estabelecer preferência. Atualmente, o consumidor deseja se relacionar com marcas que oferecem mais do que o produto simplesmente. “Quer comprar de empresas dotadas de “espírito”, de crenças, de práticas e de valores cidadãos, de compromisso ético com a sociedade”.
Na visão de Voltolini (2006 p. 52) legitimidade na aplicação do marketing relacionado a causas segue alguns princípios: a) a escolha da causa; a empresa precisa levar em conta a vocação da marca do parceiro e como ela é percebida pelos consumidores, a fim de ter uma adição de valor; b) as metas e planejamento da empresa devem estar alinhados com a causa da organização parceira; c) transparência; a empresa deve comunicar à sociedade os valores arrecadados por meio da campanha do MRC e como será destinado; d) o compromisso com a causa precisa ser de longo prazo e não ações pontuais; e) a empresa precisa dispor de orçamentos e ser uma estratégia de investimento social privado; f) parceria