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Suçun Manevî Unsuru

O Serviço Social não atua de forma isolada de outros profissionais, estando inserido em um processo coletivo de trabalho para atender as demandas postas pelo sistema capitalista, o que é um desafio posto para todas as profissões e, especialmente para o Serviço Social que se configura como processo de trabalho atuando no enfrentamento às sequelas da questão social, com profissionais embasados em referenciais teórico metodológicos e comprometidos com o projeto ético-político da profissão, na defesa intransigente dos direitos da classe trabalhadora, mediando esses conflitos, e estando ao lado de outros profissionais, a partir de um processo coletivo, para garantir a efetivação de políticas públicas.

Assim sendo, se observa que os elementos constitutivos de qualquer processo de trabalho são compostos pela atividade humana, que é a força de trabalho; pela matéria a ser trabalhada, que é o objeto de trabalho; pelos instrumentais, os quais são os meios entre a atividade humana e a matéria a ser trabalhada, estando estes ligados à formação teórico metodológica, técnico

operativa e ético-política e, o produto que é o resultado da intervenção na matéria- prima.

Portanto, em se tratando do Serviço Social, o exercício profissional se fundamenta em um processo de trabalho, o qual não é único e idêntico, tendo a "questão social" como a base de sua fundação, ou seja, o seu objeto de trabalho. Todavia, tem o processo de trabalho o caráter investigativo, propositivo e interventivo, uma vez que, para a atuação profissional, o assistente social necessita conhecer a realidade para impulsionar um processo de mudança, apreendendo como a questão social em suas diferentes formas é experimentada pelos sujeitos.

O Serviço Social tem na questão social a base de sua fundação enquanto especialização do trabalho. Os assistentes sociais, por meio da prestação de serviços sócio-assistenciais – indissociáveis de uma dimensão educativa (ou político ideológica) – realizados nas instituições públicas e organizações privadas, interferem nas relações sociais cotidianas, no atendimento às variadas expressões da questão social, tais como experimentadas pelo indivíduos sociais no trabalho, na família, na luta pela moradia e pela terra, na saúde, na assistência social pública, entre outras dimensões (IAMAMOTO, 2008, p.163).

A literatura referencia que a categoria trabalho não surge por acaso. Iamamoto (2007) considera que tal categoria é uma atividade fundamental do homem, pois mediatiza a satisfação de suas necessidades diante da natureza e de outros homens. Segue, pois, considerando que o trabalho é uma atividade prático concreta e não só espiritual, afirmando que o mesmo opera mudanças tanto na matéria ou no objeto a ser transformado, quanto no sujeito, na subjetividade dos indivíduos, pois permite descobrir novas capacidades e qualidades humanas. Assim, conclui-se que qualquer processo de trabalho implica uma matéria-prima ou objeto sobre o qual incide a ação do sujeito.

A estrutura do Serviço Social centra-se em elementos e características que se preservam e se definem em sua trajetória histórica a qual sinaliza a forte vinculação com a ampliação do Estado, uma vez que, as relações entre sociedade civil e Estado servem de bases para a constituição da profissão, eis que, este último passa a gerir o conflito de classe decorrente da produção.

Como profissão inscrita na divisão do trabalho, infere Iamamoto:

O Serviço Social surge como parte de um movimento social mais amplo, de bases confessionais, articulado à necessidade de formação doutrinária e

social do laicato, para uma presença mais ativa da Igreja Católica no “mundo temporal”, nos inícios da década de 30 (2007, p.18).

Neste sentido, compreende-se que a Igreja Católica teve papel marcante na construção da identidade da profissão, pois, através de suas práticas assistenciais, influenciou sobremaneira na criação das primeiras escolas de Serviço Social no país, inicialmente, tendo por base o Serviço Social europeu e, ao depois, o Serviço Social norte-americano.

Frisa-se que a profissão surge no seio do capitalismo o qual vinha impregnado pela alienação, contradição e antagonismo. Surge, pois, a serviço da burguesia que lhe atribuiu uma identidade que se expressava através de práticas sociais repressoras e controlistas com o fim precípuo de ampliar a consolidação do sistema capitalista. Teve, ainda,Igreja católica papel marcante na construção da identidade profissão, pois, através de suas práticas assistenciais, influi sobremaneira na criação das primeiras escolas de Serviço Social no país, inicialmente, tendo a influencia do Serviço Social europeu e, ao depois, do Serviço Social norte-americano.

Lembra Martinelli que:

O fato de ter operado durante anos seguidos com uma identidade atribuída pelo capitalismo, sem um projeto profissional próprio e específico, marcou historicamente o Serviço Social como uma profissão complementar, a serviço de terceiros, representando permanentemente formas mistificadas de repressão e controle (1995, p. 139).

Cabe, pois, assinalar que do início do Serviço Social no Brasil até os dias atuais, a categoria profissional enfrentou o desafio de repensar sua prática, seu objetivo e seu objeto. Apropriou-se de novas vertentes teóricas caminhando para a ruptura histórica com o conservadorismo.

Iamamoto destaca em uma de suas obras que:

O Serviço Social construiu, ao longo de sua existência, uma história de sua prática e uma história do ideário que incorporou para se explicar na sociedade e para nela projetar o seu fazer. Impôs-se, pois, como compulsório, o diálogo com o pensamento social clássico e contemporâneo, que hoje vem sendo aprofundado no debate teórico metodológico presente no meio acadêmico (2008, p. 239).

É sabido que a intervenção profissional possibilita o estreitamento da relação teórico-prática, haja vista, a articulação e a mediação que se estabelece entre os

conhecimentos teórico metodológicos, técnico operativos e ético-políticos, apreendidos na formação profissional. Ensina-nos Mioto:

O processo interventivo não se constrói a priori, ao contrário, faz-se necessário no seu próprio trajeto, e essa construção não depende só do Assistente Social, mas também dos outros sujeitos envolvidos, dentre eles, o espaço sócio-ocupacional no qual o profissional está inserido e os destinatários das ações nele desenvolvidas (2009, p. 27).

A ação interventiva do assistente social é norteada por uma finalidade a qual é planejada e possui um significado social, assim, diante a manifestação da questão social nos processos de trabalho, é fundamental apreender o modo de ser e de se reproduzir o ser social historicamente dado contribuindo, desta forma, para o aprimoramento da qualidade dos serviços prestados.

Assim, tem-se a questão social. Está posta como o objeto de trabalho dos assistentes sociais nos mais diversos processos de trabalho identificados, pela categoria profissional, como expressões da questão social. Entende-se, desta forma, que o objeto de trabalho que os assistentes sociais se propõem a transformar é a questão social, o que é realizado a partir de conhecimentos teórico metodológicos, ético-políticos e técnico operativos que, também, constituem os meios de trabalho.

Tem-se então, que o objeto de trabalho do assistente social é a questão social a qual, em suas múltiplas expressões, suscita a necessidade da intervenção profissional seja na área da infância e juventude, da mulher, do idoso, da violência doméstica, etc. Tais áreas, tidas como a matéria-prima do trabalho do assistente social, em suas particularidades, produzem e reproduzem relações sociais quotidianas e, para dar conta destas múltiplas expressões o profissional necessita pesquisar e conhecer a realidade que as envolvem, condição sinequanom para a ação transformadora.

Nesta seara de possibilidades e limites, buscando apreender como a questão social em suas múltiplas expressões é experienciada pelos sujeitos em suas vidas quotidianas (FALEIROS, 2004) que o Serviço Social em sua história foi se legitimando nos espaços sócio-ocupacionais assumindo papel relevante frente à sociedade possibilitando, desta forma, garantia de direitos e exercício de cidadania aos sujeitos que o acessam.

Benzer Belgeler