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MUHAKEMEYE İLİŞKİN KURALLAR

C. İçtima 1 Gerçek İçtima

VIII. MUHAKEMEYE İLİŞKİN KURALLAR

Momento em que se deve contemplar o planejamento e a organização para que a etapa seguinte não seja prejudicada, a coleta dos dados, conforme explicita Marconi & Lakatos é tarefa cansativa e toma, quase sempre, mais tempo do que se espera. As referidas autoras sinalizam da “necessidade do pesquisador ter paciência, perseverança e esforço pessoal, além do cuidadoso registro dos dados” (2010, p.149). Em não observando estes quesitos, o pesquisador poderá incorrer em erro e transformar sua pesquisa em meros dados.

A entrevista, procedimento utilizado na investigação social, vem sendo utilizada por vários campos das ciências sociais, tendo por objetivo precípuo a obtenção de informações da pessoa entrevistada obtendo dados que interessam à investigação. Para Gil (2009) a entrevista é seguramente a mais flexível de todas as técnicas de coleta de dados de que dispõem as ciências sociais.

Richardson explica que “o termo entrevista é construído a partir de duas palavras, entre e vista. Vista refere-se ao ato de ver, ter preocupação de algo. Entre indica a relação de lugar ou estado no espaço que separa duas pessoas ou coisas”. Portanto, segue o autor, “o termo entrevista refere-se ao ato de perceber realizado entre duas pessoas” (1999, p. 207-8).

Considerando a entrevista como técnica privilegiada de comunicação verbal, bem como, a estratégia mais utilizada como fonte de informação no processo de pesquisa, Minayo ensina-nos que “ela – a entrevista – tem o objetivo de construir

informações pertinentes para um objeto de pesquisa, e a abordagem pelo entrevistador, de temas igualmente pertinentes com vistas a este objetivo” (2008, p.64).

Para Minayo as entrevistas podem ser classificadas como: sondagem de opinião; semiestruturada; aberta ou em profundidade; focalizada e projetiva. Com o fito de realizar a coleta de dados com os entrevistados a partir do uso da técnica de entrevista, elegemos a entrevista semiestruturada, a qual “combina perguntas fechadas e abertas, momento em que o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada” (2008, p.64), o que nos proporcionou conduzir a entrevista de acordo com o nosso foco investigativo.

Elegemos para cada sujeito da pesquisa, um formulário (APÊNDICE B) específico. Somado a isto, como a pesquisa previa a probabilidade de serem inseridos sujeitos que não se encontravam ao nosso alcance, devido a distância geográfica, foi utilizado, também, como instrumento para coleta de dados o

questionário (APÊNDICE C).

Importante referir neste momento, que realizamos as entrevistas somente após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, que assegurava o sigilo dos dados e a autorização para gravação da entrevista. Utilizamos um gravador de modo que pudéssemos apreender na integralidade as falas dos mesmos garantindo maior fidedignidade às palavras, o que nos facilitou na transcrição das entrevistas.

Nossa coleta de dados com os profissionais assistentes sociais ocorreu, inicialmente, em um contexto diverso do cotidiano pessoal e profissional da pesquisadora. Em maio/2011 fomos autorizados pelo TJRS a participar do I Encontro Nacional de Experiências de Tomada de Depoimento Especial de Crianças e Adolescentes no Judiciário Brasileiro – CNJ, ocorrido em Brasília-DF.

Sabendo que neste evento poderíamos encontrar com as assistentes sociais dos Estados que estavam incluídos em nossa pesquisa e que já tinham respondido positivamente a realização desta, sendo o Espírito Santo, Distrito Federal, Acre e Pernambuco, passamos a estabelecer contato, via telefone, e até mesmo por email, com as profissionais. Nosso projeto também já estava aprovado pela Comissão Científica da FSS e pelo Comitê de Ética da PUCRS, através do protocolo nº 11/05408 (ANEXO H). Estávamos assim autorizados a iniciar a coleta de dados.

O referido Encontro, marcado com a presença de 157 profissionais, dentre eles, promotores de Justiça, defensores públicos, psicólogos e assistentes sociais, técnicos do Judiciário e juízes e convidados, de 25 Estados, contando ainda com a presença de S. M. Rainha Silvia, da Suécia, fundadora da World Childhood Foundation [WCF], bem como de Itamar Gonçalves, Coordenador de Programas da Childhood Brasil, e Benedito dos Santos, consultor da ONG, serviu de “cenário” para iniciarmos nosso processo de coleta de dados.

Neste espaço, pudemos entrevistar as assistentes sociais do Estado do Espírito Santo e do Distrito Federal; as profissionais dos Estados do Pernambuco e Acre não se fizeram presentes ou não conseguimos localizá-las. Aproveitando que participavam do referido evento outras três assistentes sociais do RS, também estabelecemos contato para a realização da pesquisa.

Para todas as profissionais, estabelecemos o mesmo critério de abordagem, ou seja, apresentamo-nos pessoalmente (em relação às assistentes sociais dos outros Estados já havíamos feito contato prévio), explicamos sobre a pesquisa a ser realizada, esclarecemos que antes mesmo de abordá-las já tínhamos a autorização dos respectivos Presidentes dos Tribunais para a realização da pesquisa, por tanto, da autorização a elas expressa. Propiciamos às mesmas a leitura do Termo de Consentimento Informado, Livre e Esclarecido (APÊNDICE D), além de apresentarmos a carta do Comitê de Ética em Pesquisa da PUCRS (CEP-PUCRS), dando conta da liberação para a execução da pesquisa proposta.

Pudemos, então, neste evento, entrevistar cinco de um total de doze assistentes elencados como sujeitos da pesquisa.

Dos cinco assistentes sociais das Comarcas de outros Estados da federação eleitos como sujeitos nesta pesquisa, dois entrevistamos e para três enviamos questionário, sendo estes últimos dois do Estado do Pernambuco e um do Espírito Santo. Os questionários foram enviados por meio eletrônico, acompanhados do Termo de Consentimento Livre e Informado. Utilizamos o questionário por não mais disponibilizar de tempo hábil para realizarmos entrevistas com estes sujeitos. Os questionários enviados às três profissionais foram devidamente respondidos e retornaram em sua totalidade, ou seja, os três retornaram.

Em relação aos outros sujeitos da pesquisa, todos foram abordados por entrevista e previamente consultados do interesse em participar da pesquisa. Os técnicos da rede, considerados dois psicólogos da rede assistencial de apoio do

município de Novo Hamburgo, vinculados ao serviço CEP-Rua - Centro de Estudos Psicológicos sobre Meninos e Meninas de Rua (CEP-RUA/ Novo Hamburgo), foram entrevistados em seu local de trabalho, na cidade de Novo Hamburgo. Para estes sujeitos, adolescentes, responsáveis e técnicos, foi realizada a leitura do Termo de Consentimento Informado, Livre e Esclarecido (APÊNDICE E).

Em relação aos sujeitos assistentes sociais do RS, à exceção dos três já entrevistados por ocasião do Evento em Brasília, foram entrevistados em suas respectivas Comarcas as quais foram escolhidas aleatoriamente dentre as Comarcas que realizavam o Depoimento Especial através do assistente social. Os assistentes sociais do RS entrevistados são das seguintes Comarcas:

 Santa Maria;  Caxias do Sul;  Estrela;  Porto Alegre;  Pelotas;  Osório.

No que se referem às entrevistas das crianças e adolescentes, bem como de seus respectivos responsáveis, ainda que tenhamos estabelecido como um dos critérios de inclusão “que tinham participado de audiência no Fórum da Comarca de Novo Hamburgo/RS, através da modalidade DSD, no decorrer da pesquisa este critério necessitou sofrer alteração, pois, a frequência de DE realizado em Novo Hamburgo estava muito inferior ao que prevíamos isto porque, não estavam ocorrendo audiências nesta modalidade e as que aconteciam não incluíam nossos sujeitos. Diante deste fato, optamos por realizar as entrevistas com estes sujeitos em Porto Alegre, no Foro Central, especialmente oriundos do 2º Juizado da Infância e Juventude desta Comarca. Os outros critérios de inclusão/exclusão foram respeitados.

Especialmente em relação às entrevistas aplicadas aos sujeitos crianças nos deparamos com a necessidade de fazer a abordagem de maneira mais protetiva de forma que algumas perguntas do roteiro de entrevista fossem respondidas por seus responsáveis e não por eles. Demo-nos conta de que as perguntas “grau de parentesco com o abusador”; “atualmente convive com o abusador” e “data

aproximada do abuso” de certa forma traria maior sofrimento para aquelas crianças e, um dos compromissos assumidos quando da assinatura no Termo de Assentimento Informado para a Criança (APÊNDICE F) era de não haver qualquer risco para o sujeito entrevistado.

Benzer Belgeler