3. TEK DÜZEN MUHASEB E SİSTEMİ DEĞERLEME İLE ULUSLARARAS
3.4. Maddi Olmayan Duran Varlıkların Değerlemesi
3.4.4 Stoklarda Maliyet Bedeli ile Değerleme
O principal aspecto de ruptura do Brasil do século dezenove com o período colonial dos três séculos anteriores é a independência política. Esta independência se inicia com a transferência da família real portuguesa para a colônia brasileira, dada pelo temor da represália do exército de Napoleão na Europa. Neste momento, o governo português muda sua postura em relação ao Brasil, antes, visto apenas como uma colônia cujo único significado era atender aos interesses imediatos da coroa, atendidos exclusivamente através de impostos e recursos, a partir de uma lógica exploratória e descomprometida com os interesses dos nativos e portugueses expatriados (SKIDMORE, 1998; FAUSTO, 2001).
Com a transferência, o príncipe regente João VI pretendia transformar o Brasil no centro do reino e, para isso, iniciou assim que chegou um conjunto de medidas para consolidar este intento. A primeira – e uma das mais significativas – foi a abertura dos portos brasileiros às outras nações além de Portugal (LUZ, 1975; FAUSTO, 2001; SKIDMORE, 1998). Por conseguinte a esse processo de abertura e fortalecimento econômico, ocorre em 1822 a homologação da independência política, um evento que, antes de ter sido um ato revolucionário armado, foi a consolidação de um processo político que se iniciou já no fim do século dezoito67. Externamente, a independência do Brasil era algo interessante para a política imperialista da Inglaterra, que se intensificou no início do século dezenove com a explosão da
67 No fim do século dezoito, a elite estabelecida na colônia brasileira intensifica a pressão contra
o reino português devido a insatisfação em relação a política pombalina. (SKIDMORE, 1998; FAUSTO 2001)
produção fabril (GRAHAM, 1973; HOBSBAWM, 2000)68. Assim, diferentemente da
América espanhola e inglesa, a independência do Brasil foi pacífica, e correspondeu a uma continuidade política de fato, já que não provocou alterações na estrutura econômica e social vigente no período colonial (TOPIK, 1984; SKIDMORE, 1998). Este continuísmo se explica particularmente pela manutenção da oligarquia rural enquanto principal grupo na condução política do território brasileiro no século dezenove.
O Império brasileiro se estabelece legitimado pela elite produtora, especialmente suportado pela ação do Partido Conservador (NEEDELL, 2001). Na verdade, a lógica política empreendida neste período não tinha nenhuma diferença daquela presente no período colonial: o Estado se forma a partir de ações que favoreciam grupos de interesse e indivíduos específicos em troca de legitimidade política e outros favores, caracterizando o que se denomina por clientelismo, outro importante traço da política brasileira da época colonial (FAORO, 2001; HOLANDA, 1995 [1936]; TOPIK, 1984; CARVALHO, 1998).
Sob o ponto de vista econômico, o século dezenove se caracteriza por um grande acréscimo da produção interna do país (BAER, 1996), além da consolidação da atividade agrícola de exportação como o principal modelo econômico, especialmente a partir da produção de café (RIDINGS, 1978; SKIDMORE, 1998; STEIN, 1979). Este modelo, por sua vez, teve impacto direto na intensificação da desigualdade regional entre o sudeste e as outras regiões (LEFF, 1972a), mas também, na forma que se desenvolveram os outros setores, em especial, a indústria, tendo em conta o fato de que, o maciço investimento na monocultura para exportação e o comprometimento do governo com os interesses da elite agrária e com a política mercantilista da Inglaterra dificultaram o desenvolvimento da atividade industrial ao longo deste século (GRAHAM, 1973; RIDINGS, 1977; 1978; 1989).
68 É por este motivo em particular que a coroa inglesa patrocinou diretamente esta ‘insurgência
pacífica’ do Brasil, ou seja, visando os benefícios econômicos que teria com o fluxo direto de bens industrializados ingleses e matérias-primas brasileiras sem a intermediação de Portugal (GRAHAM, 1973; SKIDMORE, 1998).
Apesar da grande importância histórica das culturas da cana-de-açúcar e do fumo na política brasileira de comércio exterior, em meados do século dezenove, o café torna-se o mais importante produto de exportação brasileiro, deslocando o centro da economia agrária da região nordeste para o sudeste do país. Mais que isso, indicou uma transição para um novo panorama social, tendo em conta que foi a partir do ciclo do café que o país vislumbrou a modernidade, seja porque a crescente demanda por este produto era reflexo da avassaladora industrialização e urbanização européia (e, posteriormente, norte-americana), seja porque foi aliado aos interesses dos produtores de café que o país consegue concluir seu moroso processo de transição do trabalho escravo para o assalariado, bem como do regime monárquico ao republicano.
Além de ter sido suportada pela institucionalização de um modo de vida rural na tessitura social brasileira, a ascensão política dos ‘barões do café’ durante o século dezenove esteve diretamente relacionada ao interesse da Inglaterra na efetiva participação do Brasil no comércio mundial, que se fundamentava ideologicamente pelo liberalismo e na divisão mundial do trabalho, mas que, na verdade, correspondia a manutenção da hegemonia econômica do Reino Unido no cenário mundial, dada pelo escoamento da produção industrial inglesa para o resto do mundo e no fácil acesso do industrial inglês a bens primários (PRADO JR, 1971 [1942]; GRAHAM, 1973; SKIDMORE, 1998). Paradoxalmente, a estrutura social patriarcal começa a se corroer a partir das transformações geradas pelo desenvolvimento da economia cafeeira de exportação. Tornando-se cada vez mais complexo, este modelo econômico exigia um maior número de intermediários, na burocracia estatal, no comércio internacional ou no sistema financeiro (GRAHAM, 1973; RIDINGS, 1977; SKIDMORE, 1998). Isto fez com que se desenvolvessem os centros urbanos, especialmente a partir da segunda metade do século.
Estes novos centros, por sua vez, ajustavam-se à vida metropolitana das cidades européias, e incorporavam gradualmente seus respectivos estilos de vida. É assim que surgem grupos urbanos de interesse, que difundiam ideais europeizados como o positivismo, o abolicionismo e o republicanismo. Todavia, tais idéias eram incorporadas à sociedade brasileira antes pelo mimetismo da cultura estrangeira – especialmente a européia, durante o século dezenove – do que por um
esclarecimento legítimo sobre as questões políticas e sociais nacionais. Por exemplo, sobre as doutrinas importadas da Europa que foram de suma importância para as transformações políticas e sociais no fim deste século, Holanda comenta a fragilidade deste processo de mimetismo empreendido na sociedade brasileira:
Trouxemos de terras estranhas um sistema complexo e acabado de preceitos, sem saber até que ponto se ajustam às condições da vida brasileira e sem cogitar das mudanças que tais condições lhe imporiam. Na verdade, a ideologia impessoal do liberalismo democrático jamais se naturalizou entre nós. Só assimilamos efetivamente esses princípios até onde coincidiram com a negação pura e simples de uma autoridade incômoda, confirmando nosso instintivo horror às hierarquias e permitindo tratar com familiaridade os governantes. A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal entendido. Uma aristocracia rural semi-feudal importou-a e tratou de acomodá-la, onde fosse possível, aos seus direitos ou privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido, no Velho Mundo, o alvo da luta da burguesia contra os aristocratas. (HOLANDA, 1995 [1936], p. 160).
Mesmo considerando que os novos movimentos modernizadores de uma nascente elite urbana refletiam um idealismo insólito, estes tiveram o seu papel importante na consecução dos processos de transformação na ordem social do Brasil oitocentista. Neste sentido, um fato marcante foi a simultaneidade dos eventos políticos da abolição da escravatura e proclamação da república, nos dois últimos anos da década de 1880. Entretanto, considerando a persistência dos princípios da sociedade agrícola colonial durante todo o século dezenove, partimos da premissa de que este processo de modernização política e social foi condicionado pela força institucional da sociedade agrária, fato este que estabeleceu uma constante tensão circundando as tentativas de modernização das instituições em nosso país. Esta tensão entre o tradicional e o moderno pode ser observada pela difícil transição de práticas patrimonialistas de governo e de negócios para aquelas que caracterizaram a modernidade.