• Sonuç bulunamadı

3. TEK DÜZEN MUHASEB E SİSTEMİ DEĞERLEME İLE ULUSLARARAS

3.5. Değerleme Açısından Tek Düzen Hesap Planı ve Uluslararası Muhasebe

3.5.6 Hasılat

Apesar de não haver dúvidas sobre o momento onde o crescimento da atividade industrial indicava o início do processo de industrialização no Brasil, o mesmo não pode ser dito quanto ao surgimento das primeiras grandes organizações industriais. Considerando que a fase inicial da industrialização brasileira foi marcada tanto pela produção da grande indústria quanto pela produção pulverizada em pequenas unidades manufatureiras, não existem dados históricos específicos para informar com precisão o momento exato onde a pequena oficina artesanal é

substituída pela grande unidade fabril mecanizada e voltada para a produção em larga escala. Entretanto, tendo em conta a importância que este último tipo organizacional teve para a história do Management, é necessário que nosso estudo tente inferir sobre este período. Assim, neste subitem, abordaremos certos indícios históricos que nos ajudam a delimitar o período onde supostamente já existia no país um sistema industrial baseado nas grandes unidades fabris.

Como informam SUZIGAN (2000) e SILVA (1976), a precariedade dos registros disponíveis sobre a atividade industrial do início do século vinte dificulta o entendimento preciso do desenvolvimento industrial, especialmente devido ao problema da agregação dos dados. Como sugere SILVA (1976, p. 82), “nestes dados, sob o título geral de ‘indústria’, encontramos lado a lado artesanato, manufatura e grande indústria.” Ou seja, a análise do crescimento agregado da produção manufaturada – um critério utilizado pela maioria dos estudos sobre a industrialização brasileira – não revela o real desenvolvimento das grandes unidades fabris no país. Para levantar esta informação, são necessárias outras estratégias de investigação.

Para identificar o crescimento da grande indústria no país, SILVA (1976) investiga dados sobre o número de empregados e o valor do capital investido em cada unidade fabril. O autor parte do pressuposto de que empresas de transformação com mais de cem funcionários e que contavam com, no mínimo, cem contos de réis de capital investido poderiam ser consideradas como unidades fabris no estrito sentido do capitalismo industrial87. Assim sendo, SILVA (1976) aponta que

em 1907 havia 51 empresas de transformação nestas condições. Treze anos mais tarde, o autor informa que haviam 147 grandes empresas em São Paulo e 99 no Rio

87 SILVA (1976) considera três tipos distintos de empresas de transformação, a empresa

artesanal, a manufatura e a fábrica. A diferença das duas últimas em relação à primeira é quanto ao número de funcionários; já a diferença entre a manufatura e a fábrica é que esta última emprega um alto volume de capital, de maneira a permitir um nível de mecanização tal que se possa caracterizar o pleno processo de divisão interna do trabalho e, conseqüentemente, a separação entre o trabalhador e os meios de produção.

de Janeiro, sendo que 32 das grandes empresas paulistas tinham mais do que quinhentos funcionários88.

Por um caminho diferente feito pelo estudo de SILVA (1976), o trabalho de SUZIGAN (2000) permite que identifiquemos a emergência da grande empresa industrial no Brasil verificando o momento onde se estabeleceram no país os sistemas produtivos integrados. Como pudemos verificar no caso da industrialização norte-americana, à medida que a atividade industrial se expandia naquele país e crescia a demanda interna, a unidade fabril se tornava maior, devido ao fato da centralização da produção favorecer os ganhos de custo baixo em produção de escala. Neste processo, os grandes grupos corporativos ampliavam suas unidades empresariais pela integração vertical e/ou diversificação horizontal, aumentando a necessidade por uma coordenação mais precisa (CHANDLER, 1977). Além disso, o crescimento do mercado de ações permitiu que tais organizações mudassem seu perfil empreendedor para a configuração da propriedade anônima, tendo em conta que os fundos necessários para esta expansão quase sempre vinham de investidores da bolsa de valores e das instituições bancárias.

De acordo com o estudo de SUZIGAN (2000), nas primeiras décadas de 1900 já se verificavam diversas transformações desta ordem, indicando o surgimento de um sistema industrial integrado em certos setores89. Em função disso, começam a

surgir várias unidades empresariais de grande porte que adotavam tecnologia

88 Outro autor informa que, em 1929, o número de empresas paulistas com mais de 4000 contos

de capital investido era superior a cinqüenta, nos seguimentos têxtil, de chapéus, cimento, papel e bebidas. (CANO, 1977)

89 Ao empreendermos a comparação entre a industrialização brasileira com a industrialização

nos Estados Unidos, devemos ter o cuidado em distinguir a proporção na qual as transformações ocorrem nestes dois países. Nos Estados Unidos, além da integração do sistema industrial nacional ter sido impetrada em uma magnitude muito maior que no Brasil, lá este processo ocorre antes. Além disso, há de se considerar as diferenças qualitativas entre estes dois processos, tendo conta o maior desenvolvimento tecnológico e a mais eficiente integração logística e dos meios de comunicação nos Estados Unidos. O que pretendemos sinalizar com a comparação entre estes dois países é que lógica pela qual se processou a integração sistêmica em certos setores industriais no Brasil foi similar aquela retratada por CHANDLER (1977) em sua história da grande empresa norte-americana. Mesmo assim, veremos nas seções seguintes que existiram diferenças culturais significativas que impediram a completa adoção do modelo da grande empresa multiunitária, especialmente no que se refere ao interesse pela profissionalização da gestão de cúpula.

equivalente as da indústrias européias e norte-americanas. Neste momento, emergem os primeiros grandes grupos empresariais, que aglomeravam diferentes unidades fabris, de um único setor, de setores correlatos ou integrados ou mesmo de diferentes setores (QUEIROZ, 1962)90. É assim que, induzidas pela expansão da economia cafeeira, setores mais antigos e predominantemente artesanais (chapéus, calçados, têxteis, moagem de trigo, açúcar, cerveja e fósforos) começam a contar com grandes indústrias mecanizadas, montadas a partir do capital obtido com a adesão de novos investidores91, mas também estimuladas pelo crescimento da demanda interna e pelo aumento da margem com o ganho da produtividade da produção em larga escala92. Também foi a partir da década de 1900 que a energia elétrica passa a ser usada como força motriz nos empreendimentos fabris, o que dá um novo ímpeto para a produção em grande escala93.

A partir da Primeira Guerra Mundial, indústrias de produtos semi-acabados e de bens de produção começam a assumir uma orientação de produção integrada e em larga escala, tais como a indústria de artefatos de borracha, de papel e celulose, metalmecânica e a de cimento, bem como os setores de tecnologia mais complexa, como por exemplo a indústria química e farmacêutica. De acordo com SUZIGAN

90 Em sua estrutura organizacional, os grupos empresariais do início da industrialização

brasileira correspondem às corporações empresariais multidivisionais de CHANDLER (1977), ou seja, como “conjunto estável e relativamente poderoso de firmas interligadas pelo capital e o poder de decisão de dirigentes comuns” (QUEIROZ, 1962, p. 157). Ainda de acordo com Queiroz, os primeiros grandes grupos empresariais datavam as últimas décadas do século dezenove e coincidem com os ramos mencionados por SUZIGAN (2000) como os primeiros a desenvolver um sistema produtivo industrial relativamente sofisticado.

91 Neste período, houve um grande interesse pela abertura de capital das sociedades limitadas.

Os principais investidores eram estrangeiros (pessoa física e jurídica) e instituições financeiras (CANO, 1977; SUZIGAN, 2000).

92 Sobre a implantação da produção em escala nos setores de bens de consumo, SUZIGAN

(2000) informa que, nas duas últimas décadas de 1800, surgiram grandes moinhos de trigo, algumas das maiores indústrias de tecidos de algodão que iriam dominar o mercado do século seguinte, bem como as três maiores cervejarias do país que dominariam mais de 90% do mercado nacional. Deste último ramo, um caso interessante mencionado pelo autor foi a expansão da Companhia Antártica, que após diversas aquisições de concorrentes e modernização do maquinário, amplia sua produção em 10 vezes mais o volume produzido pela média dos concorrentes e diversifica para a produção de águas, refrigerantes, licores, gelo e gás carbônico.

93 A Companhia Light inicia a distribuição de energia elétrica em São Paulo no ano de 1901 e no

Rio de Janeiro em 1906, permitindo que as indústrias da época tivessem grande vantagem na redução dos custos de produção e na desoneração do capital investido com os sistemas de geradores próprios, que representavam um alto custo (SUZINGAN, 2000; CANO, 1977).

(2000, p. 261), “elas representam o início da diversificação do investimento industrial e também da transição para um sistema econômico dominado pelo capital industrial”. Assim, este período é marcado pela transferência moderada da tecnologia de produção da Europa e dos Estados Unidos para o Brasil, seja através do maquinário mais sofisticado, seja através de novas técnicas de produção necessárias para dar conta da produção em larga escala de produtos de grande complexidade. O crescimento da demanda por bens de produção, fez com que a cadeia produtiva se tornasse mais integrada, chegando a promover a nacionalização de certas cadeias94 ou a integração vertical de vários grupos empresariais.

O cenário apresentado por SILVA (1976) e SUZIGAN (2000) demonstra que, até 1930, a realidade industrial brasileira já contava com um número significativo de grandes empresas mecanizadas, divisionadas e integradas vertical e horizontalmente. Apesar disso, o pleno estabelecimento da lógica gerencial burocrática e profissional naquela época era comprometido pelo fato das empresas brasileiras deste período não terem assimilado completamente a lógica da separação entre a propriedade e o controle gerencial. Assim, um importante aspecto destes primeiros grandes empreendimentos industriais foi a forte orientação para o controle proprietário, apesar do fato destas empresas adotarem o sistema de capital aberto95. Como asseverou CARDOSO (1972), a orientação para o controle

proprietário em si mesma não representa uma contradição dentro da economia industrialista; todavia, este autor assevera que, no caso brasileiro, a presença do personalismo das relações familiares na direção das grandes empresas de capital aberto do país é algo tipicamente peculiar, pois, de certa maneira, caracteriza o confronto entre orientações historicamente antagônicas.

94 Por exemplo, o ciclo produtivo caracterizado pela mineração, siderurgia, indústria de peças e

montadoras de máquinas.

95 CARDOSO (1972) informa que muitas empresas abriam capital sem eliminar o controle

acionário da família fundadora, usando para este intento o artifício jurídico da legislação brasileira, na qual permitia a emissão das ações preferenciais, ou seja, a ação com direto a voto. Assim, era perfeitamente possível que famílias fundadoras com pouco controle acionário, por deterem tais ações preferenciais, mantivessem o controle gerencial do grupo empresarial. Este caso se comprovou em vários grupos empresariais, como por exemplo nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, como informa MARTINS (1973).

Assim sendo, considerando a tendência para a racionalização da gestão – buscada pela expansão e descentralização do quadro gerencial aliada a profissionalização dos gestores – a permanência da forte presença proprietária nas decisões de cúpula das grandes indústrias da primeira metade do século vinte reflete uma inclinação contrária à configuração de participação acionária característica da grande indústria capitalista monopolista (CHANDLER, 1977; CARDOSO, 1972; BRAVERMAN, 1981), tendo em conta o imperativo de eficiência gerencial e a sistemática de funcionamento das estruturas burocráticas que se desenvolvem dentro destas organizações. Como informa CARDOSO (1972, p. 103), no caso brasileiro, “o padrão de controle dos empreendimentos implica na intromissão dos proprietários que ultrapassam o limite natural de ingerência dos acionistas nas empresas dos países desenvolvidos”.

É assim que, sob a égide do poder patronal das famílias proprietárias e da conturbada dinâmica de relacionamentos personalísticos que deste tipo de poder deriva – dinâmica esta que vai além das relações entre consangüíneos diretos96 –,

muitos dos mais imponentes grupos industriais paulistas se extinguiram em dificuldades geradas por esta contraditória orientação patriarcal, que se manifesta de maneira crônica especialmente nos problemas da sucessão e da falta de profissionalismo do quadro gerencial97. Neste ponto, dois estudos empreendidos na

década de 1960 indicam que, além de não representarem a maioria no quadro de direção geral, os diretores profissionais das empresas industriais paulistas daquela época não possuíam mais de 10% do capital proprietário e, por isso, participavam pouco das decisões de relevância (CARDOSO, 1972; PEREIRA, 1974). Sobre esta questão, CARDOSO (1972) verificou que estes diretores profissionais somente se mantinham nos quadros de direção das empresas porque eles se sujeitavam às vontades dos proprietários não profissionais, fato que refletia um forte direcionamento da propriedade como fonte de poder e legitimação da autoridade,

96 Neste caso, me refiro a extensão das relações personalísticas que se estabelecem entre os

empreendedores e seus homens de confiança, bem como com genros e cunhados.

97 Neste sentido, o mais emblemático exemplo é o das empresas de Francisco Matarazzo,

caracterizando nestas empresas um sistema de confiança tipicamente patriarcalista98.