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3. TEK DÜZEN MUHASEB E SİSTEMİ DEĞERLEME İLE ULUSLARARAS

3.5. Değerleme Açısından Tek Düzen Hesap Planı ve Uluslararası Muhasebe

3.5.5 Satış Amaçlı Elde Tutulan Duran Varlıklar

Durante o século dezenove, o mercado interno brasileiro para bens manufaturados era inexpressivo e incapaz de suportar um ímpeto industrial, isto porque a maior parte da população brasileira (formada por trabalhadores e colonos rurais) sobrevivia da economia de subsistência e da produção doméstica de bens manufaturados (PRADO JR., 1977; BAER, 1996). Assim, a pouca demanda era dada por artigos específicos, tais como tecidos de qualidade inferior para produzir vestes aos negros ou ensacar produtos de exportação (STEIN, 1979; RENAULT, 1976), ou por produtos de alta qualidade que eram importados para suprir os anseios de uma ínfima parcela da sociedade que compunha a elite. Este cenário não permitia uma escala que impulsionasse a produção interna destes produtos ou que estimulasse a adoção dos modelos fabris modernos em sua plenitude (HARDMAN e LEONARDI, 1982). Outra importante barreira era a permanência do trabalho escravo, considerado um impeditivo para a lógica fabril de produção capitalista85.

É por isso que, conforme observado pelo levantamento de BAER e VILELLA (1973), o primeiro ímpeto industrial significativo foi caracterizado pelo aquecimento na economia interna provocado com o desenvolvimento da cultura do café para exportação. O grande salto qualitativo no sistema agrário-exportador baseado no

85 Apesar disso, as primeiras fábricas brasileiras do século dezenove empregavam escravos na

produção, e estes eram integrados ao trabalhador livre que era contratado eventualmente para funções técnicas de maior complexidade (BARBOSA, 2003). Um importante estudo sobre o trabalho escravo em indústrias foi feito por DANIELI NETO (2006), onde o autor levanta

café diz respeito às transformações tecnológicas e estruturais associadas a este tipo de atividade produtiva. As técnicas mais modernas de beneficiamento e conservação do café incrementam a competitividade deste produto no mercado internacional, e a economia cafeeira brasileira passa a ter um caráter mais capitalista (DEAN, 2001; CANO, 1977).

Além disso, como já foi dito, os acontecimentos políticos no final do século dezenove impetraram um novo formato para esta empresa agrícola, que passa a ser baseada na mão-de-obra livre do imigrante europeu. É por estas razões que a região que mais prospera na cultura do café neste período de transição é a do oeste paulista, superando os poderosos fazendeiros do vale do Paraíba no estado do Rio de Janeiro, que, por serem mais antigos e mais tradicionais (tendo sido, por exemplo, um dos grupos mais resistentes à extinção do trabalho escravo), entra em decadência a partir da abolição da escravatura (STEIN, 1961; DEAN, 2001; CANO, 1977).

Como já foi afirmado, o aspecto mais relevante para corroborar a importância do setor cafeeiro para a formação do operariado industrial é o fato de ter sido esta a principal atividade a impulsionar o processo de substituição do escravo para a mão- de-obra assalariada (CATELLI JR., 2004; HARDMAN e LEONARDI, 1982). Além de permitir a base social necessária à sistemática de trabalho fabril, o trabalho assalariado constituiu uma importante base para a formação de consumidores de produtos manufaturados de baixo valor, fato que impulsionou a proliferação de empreendimentos industriais em específicos segmentos.

Estes são os principais pontos daquilo que CANO (1977) denominou por ‘complexo cafeeiro’, ou seja, o sistema produtivo capitalista integrado que se desenvolveu no oeste paulista para dar conta da produção agrário-exportadora cafeeira. Além de uma nova base lógica nas relações de produção, o complexo cafeeiro suscitou diversas outras mudanças, como, por exemplo, no sistema de transportes (com o desenvolvimento do sistema ferroviário para escoar a produção

importantes questões sobre a incompatibilidade do ritmo fabril para o regime de trabalho

do café), e, principalmente, no sistema financeiro. Sobre este último ponto, importante notar que a exportação de café desenvolveu significativamente a economia monetária no Brasil, especialmente na região de São Paulo onde, até o final do século dezenove, praticamente não existia (MORSE, 1970; DEAN, 2001). E este fator foi crucial para o desenvolvimento da indústria, conforme demonstra a seguinte citação:

O café era a base do crescimento industrial nacional, primeiro que tudo, porque proporcionava o pré-requisito mais elementar de um sistema industrial – a economia monetária. Sem produção para exportar, os proprietários de terras de São Paulo pouca necessidade tinham de dinheiro em caixa ou de crédito. Antes da introdução do café, as fazendas se dedicavam tipicamente à agricultura de subsistência, ainda que fossem suficientemente grandes para exigir trabalho escravo ou a participação de meeiros. (...) Entretanto, assim que os lavradores encontraram um mercado que pagava em dinheiro os seus produtos, aumentou o volume do dinheiro em circulação e do crédito bancário. Resultado dessa tendência foi a instalação de umas poucas fábricas de tecidos na província, na década de 1870. Essas fábricas transformavam o algodão produzido localmente em material tosco, cru, que se vendia aos agricultores para que vestissem seus escravos. Antes disso, os lavradores forneciam aos seus trabalhadores tecidos fiados em casa; por volta de 1875, as vendas do café começavam a proporcionar dinheiro para comprar o pano e desestimular o emprego de escravos em oficinas manuais. (DEAN, 2001, p. 10-11)

O trecho acima revela claramente como o complexo cafeeiro induziu o desenvolvimento inicial da industrialização brasileira em específicos seguimentos industriais (por isso, denominada por fase de industrialização restringida [CANO, 1977]), correspondendo aos artigos que supriam necessidades específicas para a produção do café (ferramentas agrícolas, estradas de ferro, etc.), mas também aos produtos que visavam atender a demanda provocada pela crescente população de assalariados: considerando que os trabalhadores das lavouras de café eram proibidos do cultivo de subsistência (DEAN, 2001), surge a necessidade por produtos industrializados baratos e de primeira necessidade – especificamente, têxteis, alimentos e bebidas – e outros artefatos para uso doméstico. Sobre este ponto, SUZIGAN (2000) aponta que as principais indústrias que se estabeleceram no período anterior a primeira guerra mundial foram as têxteis (algodão, juta e lã), de chapéus, de calçados, os moinhos de trigo, as refinarias de açúcar, as cervejarias, as indústrias de fósforos e as do setor metal-mecânico (que produziam especialmente as ferramentas para a agricultura).

Neste ponto, é necessário destacar que este rápido progresso econômico proporcionado pelo café é um importante fator para explicar a concentração industrial brasileira na região de São Paulo, já que, como foi observado, nesta região concentravam-se os principais fatores sociais e econômicos para viabilizar uma economia baseada nos empreendimentos fabris (CANO, 1977; NEGRI, 1996; RATTNER, 1972): o trabalhador assalariado, o capital excedente para financiamento das fábricas e de seus equipamentos (que vinha dos próprios produtores de café ou de investidores estrangeiros relacionados ao café), e a demanda pelos produtos industrializados (dada especialmente pelo novo mercado consumidor formado pelos assalariados).

Finalmente, devemos reforçar que a relação entre a primeira fase da industrialização brasileira e o ciclo cafeeiro da virada para o século vinte não foi isenta de contradições. Isto porque, apesar das ações diretas de grandes produtores de café no fomento da atividade industrial (DEAN, 2001), não se pode negar que foi este grupo que mais se opôs politicamente aos industriais no momento que estes se fortaleciam enquanto classe (PEREIRA, 1974; LEOPOLDI, 2000). Isto porque a elite cafeeira carregava consigo a responsabilidade de ser a representante do conservadorismo político-econômico brasileiro – indicando a perenidade das relações institucionais rurais que impediram durante muito tempo o estabelecimento da atividade industrial no país86.