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2.2 TMS-23 BORÇLANMA MALĐYETLERĐ STANDARDI

2.2.2 Standarda ilişkin Genel Hükümler

O mundo vive uma época de consumismo e individualismo cada vez mais exacerbados. Os homens são constantemente incentivados a produzir mais para que possam ganhar mais e, consequentemente, consumir mais. Apregoa-se essa ideia de que quanto maior o sucesso financeiro do indivíduo e maior a quantidade de bens e serviços que este possa adquirir, mais próximo ele estará da felicidade. Mas será que isso é verdade? Ou melhor, será que é toda a verdade?

A florescência de “shoppings centers” cada vez mais opulentos e destinados às camadas mais ricas da população faz parecer que a realidade desta sociedade de consumo seja uma experiência muito bem sucedida e que responda plenamente a um dos supostos anseios mais primevos (sic) do ser humano: o ter para ser.

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A facilidade da obtenção de financiamento e crédito junto a instituições bancárias e a procura cada vez maior da população por estes recursos parecem sinalizar na mesma direção.

Na contramão desta realidade, porém, diversos pesquisadores e ativistas sociais e ambientais sinalizam que seriam necessárias várias “Terras” para suprir esta ânsia consumista desenfreada caso a totalidade da população global tivesse a mesma taxa de produção e consumo dos países mais ricos. Isto mostra que se todos os cidadãos do planeta assumissem esta mesma postura dos “mais bem sucedidos” a Terra se tornaria um lugar insustentável, para todos.

Enganamo-nos se pensamos que esta crítica à posse desmedida seja exclusividade da sociedade contemporânea. Já no século XVIII, o filósofo francês Rousseau aludia ao fato de que nenhum homem fez tanto mal à humanidade quanto aquele que pela primeira vez cercou suas terras e as declarou como propriedade sua. A diferença é que o planeta nunca teve uma população tão grande como a atual e este desejo de possuir é exponencializado cotidianamente. Vivenciamos uma quantidade crescente de bens de consumo e serviços “imprescindíveis” que, até ontem, nem existiam.

Faz-se necessário, então, que a sociedade global repense seus valores e assuma um modelo de produção e consumo mais humanizado e responsável e que seja capaz de abranger a totalidade da população mundial de forma sustentável, afinal, todos os indivíduos devem ter direito ao acesso aos mesmos bens, à mesma dignidade e à mesma felicidade. Somente assim cada indivíduo poderá desfrutar do melhor que o mundo tem a oferecer, de maneira mais comedida, coletiva e verdadeira.

4.4.5.1 O esquema textual

O texto do candidato apresenta a sequência argumentativa na sua organização composicional. É um texto dissertativo de duas teses e apresenta em sua estrutura: Tese 1 > Contra-argumentos > Argumentos > Tese 2, como estratégia argumentativa. Aplicando o modelo de Silveira (2012) à redação do candidato, podemos construir a seguinte visualização:

100 Tese 1 Contra- argumentos Argumentos Tese 2 - quanto maior o sucesso financeiro do indivíduo e maior a quantidade de bens e serviços que este possa adquirir, mais próximo ele estará da felicidade. - os shoppings fazem parecer que o consumo é bem sucedido - faz o homem ter para ser

- a facilidade para obter

financiamento e a procura por este serviço sinalizam na mesma direção - pesquisadores sinalizam que várias Terras seriam necessárias para suprir a ânsia consumista - argumento de autoridade: Rosseau – o

homem fez mal à sociedade quando cercou suas terras e as declarou sua - a sociedade global deve repensar seus valores e assumir um modelo de produção e consumo mais humanizado e responsável e que seja capaz de abranger a totalidade da população mundial de forma sustentável. 4.4.5.2 A construção opinativa

O texto reduzido da proposta afirma:

Aproveite o melhor que o mundo tem a oferecer com o Cartão de Crédito X.

O texto do candidato:

Tese 1: Quanto maior o sucesso financeiro do indivíduo e maior a quantidade de bens e serviços que este possa adquirir, mais próximo ele estará da felicidade;

Tese 2: A sociedade global deve repensar seus valores e assumir um modelo de produção e consumo mais humanizado.

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Confrontando o texto reduzido da proposta da Fuvest com o ponto de vista novo assumido pelo candidato, verificamos que o candidato recategorizou os objetos-do-discurso:

Texto reduzido da Fuvest Tese 1 (opinião já formada pelo interlocutor)

o melhor maior o sucesso financeiro do

indivíduo

o mundo tem a oferecer a quantidade de bens e serviços

que este [o indivíduo] possa adquirir com o Cartão de Crédito X mais próximo ele [o indivíduo] estará

da felicidade

Nesse sentido, o candidato aproxima o texto reduzido da proposta da Fuvest à Tese 1. A seguir propõe o abandono dessa tese e apresenta uma nova tese a fim de que o auditório aquiesça a ela. Há uma opinião opositiva em relação à opinião expressa na proposta.

Como ocorreu a mudança do ponto de vista, ocorreu também a mudança do tema:

- proposta da Fuvest: A felicidade está em consumir bens materiais;

- proposta do candidato: A busca desenfreada pela “felicidade” deve ser repensada para que se assuma um modelo de produção e consumo mais humanizado e responsável.

No texto multimodal da proposta, a cor ouro e a imagem do interior de um shopping por andares é sintetizada nas palavras: Aproveite o melhor que o mundo tem a oferecer com o cartão de crédito X.

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No texto do candidato, por haver oposição com a busca desenfreada pela felicidade, houve a mudança para palavras que sintetizam a leitura feita por ele: “sucesso financeiro”, “quantidade de bens” e “felicidade”.

O candidato, após a leitura do texto multimodal, ressemantiza produzindo uma nova opinião. Para tanto, utiliza os seguintes procedimentos: - relexicaliza palavras do texto base;

- aproxima o texto base da tese 1, a ser abandonada;

- seleciona, na sua tese 1, algumas palavras que serão expandidas a fim construir seus argumentos, mantendo a manutenção temática e inserindo outras que também serão expandidas.

4.4.5.3 A referenciação

Abaixo o texto foi reescrito e dividido novamente em Tese 1 > Contra- argumentos > Argumentos > Tese 2.

As cores servem para visualizarmos a expansão das palavras do texto, conforme descrito nos Procedimentos Analíticos.

Consumismo e felicidade TESE 1:

O mundo vive uma época de consumismo e individualismo cada vez mais exacerbados. Os homens são constantemente incentivados a produzir mais para que possam ganhar mais e, consequentemente, consumir mais. Apregoa- se essa ideia de que quanto maior o sucesso financeiro do indivíduo e maior a quantidade de bens e serviços que este possa adquirir, mais

próximo ele estará da felicidade. Mas será que isso é verdade? Ou melhor,

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O candidato apresenta como Tese 1 - ou seja, o saber atribuído ao auditório - o fato de que quanto maior o sucesso financeiro do indivíduo e maior a quantidade de bens e serviços que este possa adquirir, mais

próximo ele estará da felicidade.

CONTRA-ARGUMENTOS: 1º parágrafo:

consumismo: A florescência de “shoppings centers” cada vez mais opulentos e destinados às camadas mais ricas da população faz parecer que a realidade desta sociedade de consumo seja uma experiência muito bem sucedida e que responda plenamente a um dos supostos anseios mais primevos (sic) do ser humano: o ter para ser.

a quantidade de bens: A facilidade da obtenção de financiamento e crédito

junto a instituições bancárias e a procura cada vez maior da população por estes recursos parecem sinalizar na mesma direção.

Na categoria Contra-argumentos, no primeiro parágrafo, o candidato expande o termo consumismo e a expressão a quantidade de bens citados no parágrafo introdutório. Este último também se relaciona com o ter, termo anterior.

ARRGUMENTOS: 2º parágrafo:

Na contramão desta realidade, porém, diversos pesquisadores e ativistas sociais e ambientais sinalizam que seriam necessárias várias “Terras” para suprir esta ânsia consumista desenfreada caso a totalidade da população global tivesse a mesma taxa de produção e consumo dos países mais ricos. Isto mostra que se todos os cidadãos do planeta assumissem esta mesma postura dos “mais bem sucedidos” a Terra se tornaria um lugar insustentável, para todos.

Na categoria Argumentos, o candidato convida o auditório a ir abandonando a Tese 1, apresentando seus argumentos antes de evidenciar a

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Tese 2. Apresenta os termos ânsia consumista desenfreada e taxa de produção e consumo, que serão expandidos adiante.

3º parágrafo:

ânsia consumista desenfreada : Enganamo-nos se pensamos que esta crítica à posse desmedida seja exclusividade da sociedade contemporânea. Já no século XVIII, o filósofo francês Rousseau aludia ao fato de que nenhum homem fez tanto mal à humanidade quanto aquele que pela primeira vez cercou suas terras e as declarou como propriedade sua. A diferença é que o planeta nunca teve uma população tão grande como a atual e este desejo de possuir é exponencializado cotidianamente.

taxa de produção e consumo: Vivenciamos uma quantidade crescente de bens de consumo e serviços “imprescindíveis” que, até ontem, nem existiam.

Neste parágrafo, o candidato apresenta mais argumentos a favor da Tese 2, expandindo os termos ânsia consumista desenfreada e taxa de produção e consumo.

TESE 2:

Faz-se necessário, então, que a sociedade global repense seus valores e assuma um modelo de produção e consumo mais humanizado e responsável e que seja capaz de abranger a totalidade da população mundial

de forma sustentável, afinal, todos os indivíduos devem ter direito ao acesso aos mesmos bens, à mesma dignidade e à mesma felicidade. Somente assim

cada indivíduo poderá desfrutar do melhor que o mundo tem a oferecer, de maneira mais comedida, coletiva e verdadeira.

No último parágrafo, o candidato apresenta a Tese 2: Faz-se necessário, então, que a sociedade global repense seus valores e assuma um modelo de produção e consumo mais humanizado e responsável.

Sendo assim, o candidato utilizou a estratégia argumentativa de sequenciar Tese 1 > Contra-argumentos > Argumentos > Tese 2. Selecionou algumas palavras e expandiu-as no decorrer do texto e utilizou argumentos de autoridade.

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Adotou, na organização composicional, a sequência argumentativa ou o gênero dissertativo de duas teses. Além disso, utilizou a norma de padrão de gramatical para se expressar.

Sendo assim, esse texto apresenta uma boa formação e atende totalmente aos itens avaliados pela Fuvest: tipo de texto, abordagem do tema, estrutura e expressão.

4.4.6 Texto 6: Do consumo (Texto 19 do Anexo)

Dado que os anúncios publicitários têm o objetivo de atingir determinado público para difundir determinada ideia, é fato que ela reflete os valores desse mesmo público e do tempo em que foi produzido. Nesse sentido, se mudam os valores, muda o anúncio: se antes chaminés expelindo fumaça eram propaganda do progresso, são hoje o contrário devido à preocupação ambiental a que a opinião pública tem aderido. Desse modo, um anúncio que associa “o melhor que o mundo tem a oferecer” a um shopping center não é menor indicativo de que o consumo é, hoje, parte central do modo de vida urbano, fundamental no que se entende por lazer e, muitas vezes, o objetivo do cidadão comum.

Não é, pois, à toa que o “melhor que o mundo tem a oferecer” não seja um laço afetivo forte com outra pessoa ou as maravilhas do mundo natural, mas sim o consumo, já que, afinal, ele tem um valor social muito grande hoje por ser um indicador de status social, associado a poder financeiro e, portanto, a prestígio: o tipo de consumo que alguém pode sustentar é fundamental na formação de sua identidade perante aos outros.

No entanto, se o incentivo ao consumo tem lógica no raciocínio macroeconômico, no sentido de se acompanhar a oferta crescente de uma sociedade industrial, transformá-lo em ideologia tem implicações muito maiores na vida cotidiana do que a manutenção do funcionamento das engrenagens do sistema: as relações interpessoais passam a seguir lógica do consumo e se tornam mais líquidas, nos termos de Bauman, sendo mais frágeis e superficiais já que, afinal, são agora muitas vezes mediadas por bens materiais. Nesse

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sentido e ainda mais, o individualismo tende a crescer atrelado a esse processo, provocando junto uma valorização excessiva do espaço privado em detrimento do espaço público.

Surge, então, o shopping center como refúgio de lazer dentro desse modo de vida. Afinal, ele oferece o que há de “melhor” nesse mundo do consumismo: um espaço à parte do resto da cidade, repleto de lojas, exclusiva para quem nele pode comprar. É, pois, símbolo tanto do poder financeiro dos bancos, que oferecem cartões de crédito que facilitam o aproveitamento desse “ melhor” que há, como também é símbolo de reificação das relações sociais e de segregação econômica. A publicidade, enfim, pode vender em um anúncio o que há de melhor em determinada visão de mundo, mas existem muitas outras, e a do consumo pode muito bem não ser a melhor delas.

4.4.6.1 O esquema textual

O texto do candidato apresenta a sequência argumentativa na sua organização composicional. É um texto dissertativo de duas teses e apresenta em sua estrutura: Tese 1 > Contra-argumentos > Argumentos > Tese 2, como estratégia argumentativa. Aplicando o modelo de Silveira (2012) à redação do candidato, podemos construir a seguinte visualização:

Tese 1 Contra-

argumentos

Argumentos Tese 2

- o consumo é, hoje, parte central do modo de vida urbano, fundamental no que se entende por lazer e, muitas vezes, o - o consumo tem valor social muito grande por indicar

status e é fundamental na formação da identidade perante os outros - transformar o consumo em ideologia tem implicações: as relações pessoais se tornam líquidas (argumento de - o consumo pode muito bem não ser a melhor visão do mundo.

107 objetivo do cidadão comum. autoridade : Bauman), o individualismo se destaca e há valorização do espaço privado 4.4.6.2 A construção opinativa

O texto reduzido da proposta afirma:

Aproveite o melhor que o mundo tem a oferecer com o Cartão de Crédito X.

O texto do candidato afirma:

Tese 1: o consumo é parte central do modo de vida urbano, fundamental no que se entende por lazer e, muitas vezes, o objetivo do cidadão comum;

Tese 2: o consumo pode muito bem não ser o que há de melhor no mundo.

Confrontando o texto reduzido da proposta da Fuvest com o ponto de vista novo assumido pelo candidato, verificamos que o candidato recategorizou os objetos-do-discurso:

Texto reduzido da Fuvest Tese 1 (opinião já formada pelo interlocutor)

o melhor que o mundo tem a oferecer o shopping center

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Nesse sentido, o candidato aproximou a Tese 1 ao saber atribuído ao auditório. Há uma opinião opositiva em relação à opinião expressa na proposta da Fuvest. Como ocorreu uma mudança de ponto de vista, houve também mudança de tema:

- proposta da Fuvest: o melhor que há no mundo é consumir em um shopping bens materiais e utilizar o cartão de crédito como forma de pagamento;

- proposta do candidato: o consumo é o principal objetivo do cidadão comum, mas este objetivo não é o único e pode não ser o melhor [objetivo] do mundo.

No texto multimodal da proposta, a cor ouro e a imagem do interior de um shopping por andares são sintetizadas nas palavras: Aproveite o melhor que o mundo tem a oferecer com o Cartão de Crédito X.

No texto do candidato, por haver oposição com aquilo que seria a melhor coisa do mundo, houve a mudança para palavras que sintetizam a leitura feita por ele: “shopping center” e “consumo”.

O candidato, após a leitura do texto multimodal, ressemantiza produzindo uma nova opinião. Para tanto, utiliza os seguintes procedimentos: - relexicaliza palavras do texto base;

- aproxima o texto base da tese 1, a ser abandonada;

- seleciona na sua tese 1 algumas palavras que serão expandidas a fim construir seus argumentos, mantendo a manutenção temática e insere outras que também serão expandidas.

4.4.6.3 A referenciação

Abaixo, o texto foi reescrito e dividido novamente em Tese 1 > Contra- argumentos > Argumentos > Tese 2.

As cores servem para visualizarmos a expansão das palavras do texto, conforme descrito nos Procedimentos Analíticos.

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Do consumo

TESE 1:

Dado que os anúncios publicitários têm o objetivo de atingir determinado público para difundir determinada ideia, é fato que ela reflete os valores desse mesmo público e do tempo em que foi produzido. Nesse sentido, se mudam os valores, muda o anúncio: se antes chaminés expelindo fumaça eram propaganda do progresso, são hoje o contrário devido à preocupação ambiental a que a opinião pública tem aderido. Desse modo, um anúncio que associa “o melhor que o mundo tem a oferecer” a um shopping center não é menor indicativo de que o consumo é, hoje, parte central do modo de vida urbano, fundamental no que se entende por lazer e, muitas vezes, o objetivo do cidadão comum.

O candidato apresenta como Tese 1 que o consumo é, hoje, parte central do modo de vida urbano, fundamental no que se entende por lazer e, muitas vezes, o objetivo do cidadão comum.

No parágrafo que introduz essa tese, o estudante apresenta uma análise sobre o que as propagandas projetam: os valores do homem. Essa já seria uma forma de apresentar contra-argumentos antes de evidenciar a Tese 1, o “saber” atribuído ao auditório.

CONTRA-ARGUMENTOS:

“o melhor que o mundo tem a oferecer” : Não é, pois, à toa que o “melhor que o mundo tem a oferecer” não seja um laço afetivo forte com outra pessoa ou as maravilhas do mundo natural, mas sim o consumo, já que, afinal, ele tem um valor social muito grande hoje por ser um indicador de status social, associado a poder financeiro e, portanto, a prestígio: o tipo de consumo que alguém pode sustentar é fundamental na formação de sua identidade perante aos outros.

Na categoria Contra-argumentos, o candidato expande o termo “o

melhor que o mundo tem a oferecer”, citado no parágrafo introdutório da Tese 1 e enfatiza que esse seja o consumo.

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ARGUMENTOS:

No entanto, se o incentivo ao consumo tem lógica no raciocínio macroeconômico, no sentido de se acompanhar a oferta crescente de uma sociedade industrial, transformá-lo em ideologia tem implicações muito maiores na vida cotidiana do que a manutenção do funcionamento das engrenagens do sistema: as relações interpessoais passam a seguir lógica do consumo e se tornam mais líquidas, nos termos de Bauman, sendo mais frágeis e superficiais já que, afinal, são agora muitas vezes mediadas por bens materiais. Nesse sentido e ainda mais, o individualismo tende a crescer atrelado a esse processo, provocando junto uma valorização excessiva do

espaço privado em detrimento do espaço público.

Para apresentar os argumentos a favor da Tese 2, a ser apresentada, o estudante eviencia as consequências dessa manutenção constante do incentivo ao consumo: as relações interpessoais se tornam líquidas (Bauman é citado como reforço) e o individualismo imperará.

ARGUMENTOS:

espaço privado : Surge, então, o shopping center como refúgio de lazer dentro desse modo de vida. Afinal, ele oferece o que há de “melhor” nesse mundo do consumismo: um espaço à parte do resto da cidade, repleto de lojas, exclusiva para quem nele pode comprar. É, pois, símbolo tanto do poder financeiro dos bancos, que oferecem cartões de crédito que facilitam o aproveitamento desse “ melhor” que há, como também é símbolo de reificação das relações sociais e de segregação econômica.

Reforçando os argumentos já apresentados, o candidato expande o termo espaço privado, citado no parágrafo anterior e relaciona-o a shopping

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TESE 2:

A publicidade, enfim, pode vender em um anúncio o que há de melhor em determinada visão de mundo, mas existem muitas outras, e a do consumo pode muito bem não ser a melhor delas.

Por fim, a Tese 2 aparece: o consumo pode muito bem não ser a melhor visão do mundo.

Sendo assim, o candidato utilizou a estratégia argumentativa de sequenciar Tese 1 > Contra-argumentos > Argumentos > Tese 2. Selecionou algumas palavras e expandiu-as no decorrer do texto e utilizou argumentos de autoridade.

Adotou, na organização composicional, a sequência argumentativa ou o gênero dissertativo de duas teses. Além disso, utilizou a norma de padrão gramatical para se expressar.

Portanto, esse texto apresenta uma boa formação e atende totalmente aos itens avaliados pela Fuvest: tipo de texto, abordagem do tema, estrutura e expressão.

112 Resultados parciais

No que se refere ao esquema textual: as três análises realizadas

anteriormente representam modelos de textos dissertativos que selecionaram a sequência argumentativa na sua organização composicional. Apresentaram duas teses. A primeira se refere ao “saber” atribuído ao auditório e esta tese foi aproximada ao texto reduzido da proposta da Fuvest. A segunda tese se refere ao “saber novo” que será proposto pelo candidato. Ou seja, o auditório deve abandonar a tese 1 e as ideias veiculas pela proposta da Fuvest e aquiescer à tese 2, a proposta pelo candidato. A estratégia argumentativa adotada foi sequenciar Tese 1 > Contra-argumentos > Argumentos > Tese 2 (Silveira, 2012). Apenas o texto 4 apresentou outra estratégia: Tese 1 > Contra- argumentos > Tese 2 > Argumentos. Entendemos que a estratégia adotada pelo candidato não é tão eficiente quanto à proposta por Silveira (2012): expor a tese antecedendo a justificativa enfraquece a argumentação.

No que se refere à construção opinativa: Os três textos assumiram pontos

de vista opositivos ao ponto de vista da proposta da Fuvest. No entanto,