Fonte: Secretaria Municipal de Habitaç o e ã Desenvolvimento Urbano – SEHAB Lei n.o13.885, de 25 de agosto de 2004 ESCALA: 1:10.000
O Centro de Exposições Imigrantes impactou sobre a área em que se instalou, trazendo um maior fluxo de pessoas e atraindo por consequência pequenos comércios e serviços para atender à demanda.
Após a década de 1970 há um desdobramento do eixo dos investimentos em São Paulo, em direção à Zona Sul e Sudoeste. Esta década é profícua em obras conduzidas pelo Estado ou em parcerias com a iniciativa privada, como por exemplo a construção da rodovia dos Imigrantes, o Terminal Rodoviário Jabaquara, a linha de metrô Norte-Sul, a Secretaria da Agricultura, o Parque do Estado e o Centro de Exposições Imigrantes, inaugurado em 1979, rebatimentos espaciais que redefinem as estratégias do capital para com esta região, organizando este espaço e redefinindo a forma urbana neste fragmento do espaço da cidade, que passa a adquirir uma nova dinâmica.
Figura 8 – Imagem de Satélite da Área Onde se Situa o Centro de Exposições Imigrantes
Fonte: http://earth.google.com, acessado em maio de 2008. Adaptação: Fábio C. Braz (2008)
Figura 9 - Vista Aérea do Centro de Exposições Imigrantes
Fonte: Imagem de 2000, na escala 1:5000, cedida pelo Depto de Marketing do Centro de Exposições Imigrantes.
Figura 10 - Vista Panorâmica do Centro de Exposições Imigrantes (ao fundo o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga)
A rodovia dos Imigrantes, que data de 1974, está se expandindo à mesma época da criação do CEI, sendo a principal via de acesso da cidade de São Paulo à Baixada Santista e ao litoral sul paulista, apresentando um tráfego intenso de veículos, o que nas palavras de Ana Silvia50, chefe do departamento de engenharia da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, “[...] favorece o conhecimento do espaço pelo público”. Essa rodovia faz parte de um complexo de estradas denominado Sistema Anchieta-Imigrantes, que ligam também as seguintes rodovias: Anchieta, Padre Manoel da Nóbrega e Cônego Domênico Rangoni, uma importante malha rodoviária do estado. Para a construção da rodovia dos Imigrantes, na altura do KM 1,5, onde se localiza o CEI, juntamente à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, a quem pertence o terreno, uma grande área ocupada teve que ser transferida desta secretaria para a Secretaria dos Transportes, por conta do canteiro de obras; uma superfície total de 34.524,50 m2, tendo como interessado a DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S.A).
No que se refere à Zona Sul de São Paulo (o entorno do Centro de Exposições Imigrantes) fica evidente que esta região da cidade foi “re-descoberta” por agentes de mercado na década de 1970, quando o Estado passa a realizar grandes obras e intervenções urbanas. A construção do metrô Jabaquara (linha Norte-Sul), o Terminal Rodoviário, a Rodovia dos Imigrantes, todos permitindo maior fluidez neste fragmento do espaço urbano, inserindo-o com mais força na dinâmica total da cidade, contraindo a distância centro-periferia. É muito difícil precisar os impactos do CEI na região, pois ele mostra-se ao mesmo tempo induzido e indutor de transformações, juntamente com os outros objetos técnicos dispostos no entorno.
Fonte: SCHIFFER, Sueli. Globalização e Estrutura Urbana. São Paulo:Hucitec-Fapesp, 2004 (in CD-ROM) Adaptação: Fábio C. Braz (2008)
Outro importante objeto técnico nas proximidades do CEI é o terminal rodometroviário do Jabaquara, o qual permite grande parte do fluxo de visitantes, assim como o deslocamento dos que trabalham no espaço de eventos. O metrô, após ser concebido o sistema e elaborado o projeto, passou a ser construído no final de 1968, momento em que as obras no subsolo da cidade passaram a ocorrer de Norte a Sul. Sete anos depois, os trens já operavam de ponta a ponta, unindo Jabaquara a Santana, hoje ampliada até o Tucuruvi. No que se refere ao Terminal Intermunicipal Jabaquara, foi inaugurado em maio de 1977, deste terminal partem ônibus para cidades do Litoral Paulista: Bertioga, Guarujá, Santos, Praia Grande, Ocean, Cubatão, São Vicente, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe. O percurso
entre o Terminal Jabaquara e o CEI pode ser feito numa caminhada de aproximadamente 15-20 minutos. Promotores de feiras/eventos facilitam esse translado colocando, gratuitamente, ônibus e vans percorrendo o tempo todo o caminho entre o terminal e o CEI. Há apenas uma linha de ônibus da prefeitura fazendo o trajeto metrô Jabaquara – Zoológico (o qual se encontra atrás do CEI, assim como o Jardim Botânico e o IAG-USP). (ver mapa 12).
Analisando com acuidade as intervenções urbanas realizadas pelo Estado na década 1970 nesta região da cidade, pode-se afirmar que no processo de produção deste espaço, o mesmo é “re-descoberto” pelo capital a partir das grandes obras públicas que romperam com suas limitações (não acessibilidade) e ampliaram possibilidades do capital privado de inserir este fragmento do espaço na dinâmica totalitária da cidade, criando uma relação mais forte entre centro e periferia. É digno lembrar que neste momento histórico vivia-se no Brasil o chamado “milagre econômico” (1968-1973), uma época de grande crescimento econômico do país, um plano de governo coordenado pelos militares de forte apelo ideológico e nacionalista. A marca maior deste período foram as grandes obras públicas, algumas delas intervenções de grande impacto sobre as cidades. Obras que objetivavam mais do que possibilitar o desenvolvimento regional, mas principalmente dar ênfase ao governo militar. A espacialidade, nesta conjuntura histórica, foi adquirindo novos contornos, que no plano do espaço físico (sua morfologia) demonstrou mudanças em sua forma, estrutura e função. As transformações impulsionadas pelo Estado neste fragmento do espaço urbano da cidade induziram
a construção do prédio da Secretaria da Agricultura e Abastecimento nessa área e, por conseguinte, sob a administração desta secretaria, o Parque da Água Funda (posteriormente tornado Centro de Exposições Imigrantes), com a função de promover exposições agropecuárias.
Neste caso, o Estado age como uma espécie de “mestre de obras”, ao criar a materialidade necessária para atrair o investimento privado no espaço, um agente importante no processo de produção do espaço, aquele que o regula e ordena, exercendo o controle do ponto de vista organizacional, administrativo, jurídico, fiscal e político. O Estado reproduz a divisão centro-periferia com estratégias de poder fundadas no aparelho estatal que reproduzem espaços de confrontos e conflitos. Põe-se acento no processo de produção socializada (em que os custos são repartidos pela sociedade) e sua apropriação privada, que aprofundam a divisão do espaço em parcelas cada vez menores comercializadas no mercado. As grandes somas de capital aplicados na produção do espaço pelo Estado (por suas diversas instituições) hierarquizam os espaços e demonstram (raras as exceções) tática-estratégias51 de agentes hegemônicos.
O Centro de Exposições Imigrantes, desde sua fundação até o ano de 1993, esteve sob a administração do Estado, que, a partir daí, o terceirizou, sem, no entanto, abrir mão de suas instalações. A partir de então ele passou a ser administrado por um consórcio firmado pelas empresas Agrocentro Empreendimentos e Participações Ltda e CNAGA (Companhia Nacional de Armazéns Gerais Alfandegários), que em concorrência pública adquiriram da Secretaria de Agricultura e Abastecimento a concessão, por 20 anos, de uso remunerado do recinto de exposições.
O nascimento do CEI, no final da década de 1970, imbricou-se às características de um país primordialmente agro-exportador, em que pesava economicamente o setor agropecuário. Na conjuntura da época, as feiras agropecuárias faziam-se muito importantes (e continuam, embora a indústria prevaleça) devido à troca de experiências, métodos, técnicas modernas a serem aplicadas no campo, para consecutivamente melhorar a produção e a produtividade na agricultura e na criação de animais, com exposição de raças, técnicas de 51 LEFEBVRE, H. (1974)
fertilização, dentre outros. O CEI foi criado quando o “Parque da Água Branca”, notório pela realização de exposições agropecuárias na cidade (localizado no distrito da Barra Funda, Zona Oeste), já não era capaz de suprir a demanda e porque a área ocupada mostrava-se pequena e a estrutura defasada. Outro motivo que induziu a transferência desses eventos/feiras para o CEI foi a pressão urbana no entorno do Parque da Água Branca, pois deslocar e expor animais no local apresentava problemas. É nesse contexto que no bairro da Água Funda, somado ao projeto de construção da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado criou- se o projeto de um grande recinto de exposições, de caráter estritamente agropecuário, hoje denominado Centro de Exposições Imigrantes. O terreno já pertencia ao Estado e está inserido no chamado PEFI - Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, uma área de preservação florestal de espécies da Mata Atlântica. Anterior à edificação do CEI já existia a área de preservação, todavia, o PEFI só foi criado em 12 de agosto de 1991, pelo Decreto lei estadual 52.281, sendo mais conhecido como Parque do Estado, com uma área de 526 hectares.
A transferência do recinto de exposições do bairro da Água Branca para o Água Funda deu-se em 1979. Até o ano de 1993 somente feiras ou festas agropecuárias podiam ser realizadas. A partir da concessão do espaço para o consórcio Agrocentro/CNAGA, em 1993, reformas e transformações estruturais foram realizadas, diversificando os usos do espaço, englobando agora qualquer tipo de evento, de formaturas à Bienal do Livro, captando eventos/feiras de negócios de diversos segmentos do mercado. De 1979 a 1993, o Estado foi o responsável pela promoção das feiras/eventos realizados no espaço, mas no momento em que a estrutura física necessitava de profundas reformas, ampliação e manutenções constantes, o Estado decide passá-lo a uma administração privada, sob a forma de concessão remunerada, estratégia esta que não oneraria os cofres públicos e traria modernização e competitividade perante outros espaços, revelando um nítido discurso neoliberal.
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Fonte: Imagens de 2007, cedidas pelo Depto de Marketing do Centro de Exposições Imigrantes.
Fonte: PIRILLO, Fernanda C. O PEFI como
elemento estruturador de um sistema de áreas verdes. (- Dissertação de mestrado – FAU). São
Paulo: FAU-USP, 2004.
Mapa das Unidades Administrativas
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Fonte: Depto de Marketing do Centro de Exposições Imigrantes (2007)
Figura 12 – Imagem de Satélite Centro de Exposições Imigrantes
Centro de Exposições Imigrantes Secretaria da Agricultura e Abastecimento Hospital Psiquiátrico Água Funda Batalhão da Polícia Militar Polícia Ambiental Jardim Botânico Instituto de Botânica
Fundação Parque Zoológico de são Paulo Zôo Safari
USP- Parque da Ciência e Tecnologia Centro de Esporte Cultura e Lazer Área em Litígio
Mapa 12 – Áreas administrativas