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SPK’ya Göre Kurumsal Yönetim İlkeleri

I. BÖLÜM

1.10. Kurumsal Yönetim İlkeleri

1.10.2. SPK’ya Göre Kurumsal Yönetim İlkeleri

Destarte, a única participante do sexo feminino caracterizou um ato de valentia e progresso para a época, uma vez que a participação de mulheres em agremiações literárias não era bem vista na sociedade. No caso, Francisca Clotilde era uma cearense à frente do seu tempo, trabalhava como professora e foi uma das escritoras cearenses de destaque na época. Foi muito criticada e excluída da cena local, por ter publicado o livro ‘A Divorciada’, um escândalo para a época.

[...] o clube promoveria um órgão na imprensa, promoveria conferências públicas, procuraria relacionar-se com os vultos da literatura, das artes e da ciência, corresponder-se com as corporações congêneres do império e do estrangeiro, e interveria perante os poderes públicos, quando necessário. (BARREIRA, 1986, p. 118).

Essa revista é um importante vestígio das produções literárias da época, que iam desde as produções romancistas, realista e naturalista cearense. A revista A Quinzena foi uma espécie de escola de belas letras para os escritores cearenses da época, uma vez que, em suas reuniões, discutiam-se os temas mais atuais da literatura brasileira e do mundo no século XIX. Acrescente-se que, ao lado das atividades jornalísticas d’A Quinzena, realizava o Clube Literário sessões noturnas, durante as quais eram postas em discussão as mais recentes tendências da literatura estrangeira ou nacional. Dessa forma, o grêmio contribuiu admiravelmente para a renovação das letras no Ceará: com o conhecimento do que se passava nos grandes centros é que os nossos escritores foram pouco a pouco aderindo à nova corrente, o Realismo. Dir-se-ia haver João Lopes trazido da Academia Francesa o costume das leituras críticas [...] (AZEVEDO, 1976, p. 92).

Essas instituições de letras não foram as únicas dessa segunda metade dos oitocentos, servindo de ‘escolas literárias’ dos poetas e escritores que atualmente compõem o cânone da literatura cearense, essas agremiações deram espaço para outras como as produções dos alunos da Escola Militar, dos irreverentes e imortais ‘padeiros’ da Padaria Espiritual e dos intelectuais da Academia Cearense de Letras.

3.4 A Escola Militar, a Padaria Espiritual e a Academia Cearense de Letras

Com o maior patriotismo e sentimento repúblicano surgiu o movimento dos alunos da Escola Militar, nos idos de 1890. Era um agremiado de rapazes que tinha como objetivo a propagação das belas letras na capital da província do Ceará.

Esse “viçoso batalhão de intelectuais fardados”, alunos daquela tão falada Escola – os chamados Cadetes - , se compunha, entre outros, de ULISSES SARMENTO, ANÍBAL TEÓFILO, ALÍPIO BANDEIRA, MARCOLINO FAGUNDES, JOÃO BARRETO, GRACO CARDOSO, SOLFIERI ALBUQUERQUE, ÁLVARO

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BOMÍLCAR, ANTÔNIO IVO, CARVALHO LIMA, FRANCISCO BARRETO, ALFREDO SEVERO, VIANA DE CARVALHO, LUÍS AGASSIZ, BRUNO SABOIA, OTACÍLIO DE OLIVEIRA, MANUEL POGGI, COUTO FILHO, FLÁVIO BELEZA, LEITE DE BERREDO, CORTES GUIMARÃES, EUTÍQUIO GALVÃO e JOSÉ DA PENHA. (BARREIRA, 1986, p.261-262).

Influenciado pela Academia Francesa e a Padaria Espiritual – agremiação contemporânea a esta – esse batalhão de intelectuais formados por poetas e prosadores, todos alunos da escola militar – e afetados pelas ideias repúblicanas e positivistas encabeçadas pelos militares que haviam tomado o poder com a instalação da República. Possuíam uma revista dedicada às belas letras, ciências, filosofia e crítica literária.

Essa revista dizia-se órgão exclusivo da Escola Militar do Ceará, e procurava, segundo se exprimia no seu primeiro número, encimado com esse conceito de Horácio – Difficile est mero proprie communia dicere -, ‘modesto lugar para os seus jovens colaboradores entre aqueles que lutam e se esforçam pelo progresso das letras pátrias’. (BARREIRA, 1986, p. 264).

Tendo sempre como marca um profundo ufanismo em suas publicações, a Escola militar também públicou outros impressos, como nos conta Barreira (1986, p. 266):

Na Escola Militar do Ceará publicaram-se, ademais, -- cumpre mencionar – o jornal Silva Jardim, científico, literário e crítico, aqui surgido a 10 de Novembro de 1891, e a Revista Evolução, do mesmo modo crítica, literária e científica, aparecida nesta cidade a 20 de Julho de 1893, sob a redação dos alunos Luís Agassiz, Flávio Beleza, Viana de Carvalho, Leite de Berredo, Francisco Barreto, Cortes Guimarães, Eutíquio Galvão e José da Penha, e tendo por divisa as palavras sugestivas de Joseph de Maistre: ‘nada do que é grande começou grande’. (BARREIRA, 1986, p. 266). Era um grupo configurado por estudantes, que se valiam do incentivo escolar e dos anseios de progresso e modernidade que aflorava em todo o país com a Proclamação da República. A época reclamava uma busca pela identidade nacional e um espírito de coletividade e nacionalidade. Era o rompimento do velho regime político que semeava esperança de mudanças em toda a sociedade. Pena que a república não tenha correspondido a esses anseios.

Diante de tal cenário, o incentivo às letras e a propagação de leituras positivistas e repúblicanas, só fizeram aflorar, ainda mais, a produção de impressos em todo o país. Segundo Barreira (1986, p. 266), a Escola militar ainda públicou as revistas: ‘A Pequena Revista’, a 13 de maio de 1891 e ‘O Atleta’, de 15 de junho do mesmo ano.

É preciso registrar uma divergência quando Barreira relaciona a publicação da Revista ‘O Atleta’ à Escola Militar, pois segundo o historiador Mezenezes citado no início da

113 subseção 2.6, essa revista é atribuída aos integrantes da Fênix Caixeiral. Tal fato causa estranhamento, mas tal questão será investigada posteriormente.

No mesmo período, surge na capital um dos mais lembrados movimentos literários da história de Fortaleza, marcado pela irreverência e inovação, unindo sob os signos do café com o pão do espirito, o humor e a literatura que reclama uma identidade regional e nacional.

A Padaria Espiritual surgiu no dia 3 de maio de 1891. A agremiação teve duas fases, quando houve reorganização dos sócios e mudanças na direção do grupo. Sua segunda fase teve inicio em 28 de setembro de 1894, tendo a agremiação encerrado suas atividades em 20 de dezembro de 1898 (BARREIRA, 1986, p. 136).

A formação original ou a primeira fase foi composta pelos seguintes sujeitos e seus respectivos pseudônimos entre parênteses: Jovino Guedes (Vencesláu Tupiniquim); Antônio Sales (Moacir Jurema); Tibúrcio de Freitas (Lúcio Jaguar); Ulisses Bezerra (Frivolino Catavento); Carlos Vítor (Alcindo Bamdolim); José de M. Cavalcante (Silvino Batalha); Raimundo T. de Moura (José Marbri); Álvaro Martins (Policarpo Estouro); Lopes Filho (Anatólio Gerval); Temístocles Machado (Túlio Guanabara); Sabino Baptista (Sátiro Alegrete); José Maria Brígido (Mogar Jandira); Henrique Jorge (Sarasate Mirim); Lívio Barreto (Lucas Bizarro); Luís Sá (Corrégio Del Sarto); Joaquim Vitoriano (Paulo Kandalaskaia); Gastão de Castro (Inácio Mongubeira); Adolfo Caminha (Félix Guanabarino); José dos Santos (Miguel Lince) e João Paiva (Marco Agrata).

A segunda fase foi composta pelos seguintes nomes: Antônio de Castro (Aurélio Sanhaçu); José Carlos Júnior (Bruno Jaci); Rodolfo Teófilo (Marco Serrano); Almeida Braga (Paulo Giordano); Waldimiro Cavalcante (Ivan D’Azehofe); Antônio Bezerra (André Carnaúba); José Carvalho (Cariri Braúna); Xavier de Castro (Bento Pesqueiro); José Nava (Gil Navarra); Roberto de Alencar (Benjamim Cajui); Francisco Ferreira Vale (Flávio Boicininga); Artur Teófilo (Lopo de Mendonza); Cabral de Alencar (Abdul Assur) e Eduardo Saboia (Braz Tubiba).

Essa agremiação abraçou a cidade como palco de suas produções. A Padaria é fruto dos agitamentos culturais e literários que a antecederam, somados às influências da Belle

Époque; os acontecimentos que culminaram na República e as ideias naturalistas,

racionalistas e positivistas que afloraram no século XIX.

Mesmo tentando romper com os afrancesamentos e estrangeirismos que inundaram as sociabilidades da época, a Padaria Espiritual não poderia fugir, por completo,

114 dessas influências, pois nos moldes dos debates literários franceses muitos dos encontros dos padeiros aconteciam no Café Java, um dos quatro cafés da praça do Ferreira.

Sobre o nome da agremiação, se deve ao órgão de divulgação do grupo, um jornal, chamado espirituosamente ‘O Pão’. Nele se publicavam as composições literárias do grupo. Outro fato importante é que era um grupo formado também por sujeitos comuns – que não figuravam cotidianamente na elite intelectual – além de músicos e pintores, não sendo apenas restrito a escritores e poetas.

Possuíam um estatuto onde haviam as funções de padeiro mor, padeiros e até um guarda livros (no sentido de bibliotecário). Ficaram marcados na literatura como os precursores do simbolismo no Ceará, além de terem antecipadas muitas ideias nacionalistas defendidas pela Semana de Arte Moderna, de 1922, realizada em São Paulo. Com irreverência, humor e crítica política e social refinada a Padaria Espiritual trouxe novos ares para a literatura local, mostrando que literatura, cotidiano e política andam lado a lado nos discursos da época.

Outro marco da leitura em Fortaleza foi o surgimento da Academia de Letras mais antiga do País, fundada antes da Academia Brasileira. Criada no dia 15 de agosto de 1894, a Academia Cearense de Letras (ACL) se mantém ainda em atividade. Segundo Dolor Barreira (1986), a Academia Cearense passou por três fases distintas: a primeira fase estende-se de 15 de agosto de 1894 a 17 de julho de 1922; a segunda fase vai de 1922 até 1930 e a terceira fase abrange desde 21 de maio de 1930 aos nossos dias.

A Academia segundo Cardoso (2000) buscava inspiração nas repúblicas das letras francesas que buscavam na instauração do discurso erudito exercer sua influencia na sociedade. Cabe aqui investigar a parte do período inicial da ACL, da sua fundação até o fim do século XIX. Seus fundadores, atuais patronos das cadeiras da ACL foram:

[...] Tomás Pompeu, Pedro de Queirós, Valdimiro Cavalcante, Raimundo Arruda, Álvaro Mendes, Farias Brito, Antônio Augusto de Vasconcelos, Guilherme Studart, José Carlos Júnior, Virgílio Augusto de Morais, J. Fontenele, José de Barcelos, Antônio Bezerra de Meneses, Francisco Alves Lima, Drumond da Costa, Eduardo Studart, Adolfo F. Luna Freire, Eduardo Salgado, Alcântara Bilhar, Franco Rabelo, Benedito Sidou, Antônio Fontenele, Antônio Teodorico Filho, Álvaro de Alencar, Padre Valdevino Nogueira, Henrique Théberge e Justiniano de Serpa. (BARREIRA, 1986, p. 179).

Essa organização possuía também um estatuto que objetivava incentivar a promoção da educação pública, pressionando o governo para que se democratizasse o acesso

115 à educação. Além disso, incentivavam as artes, ciências e literatura. Os objetivos registrados no estatuto da ACL são os seguintes:

[...] a) promover o exame das doutrinas ou questões literárias e científicas de actualidade, por meio de pareceres, memórias, livros, etc., que seriam entregues à publicidade, ou por discussões, palestras e conferências, cujos resumos ficariam exarados nas actas das respectivas sessões; b) acompanhar o movimento intelectual dos povos cultos, por meio de exposições escritas das principais teorias, problemas, ou questões tractadas em revistas especiais ou obras nacionais ou estrangeiras; c) esforçar-se por alargar a esfera da instrução superior e secundária do Ceará, devendo criar, manter ou auxiliar institutos profissionais e técnicos sempre que lhe fosse possível; d) Procurar levantar a instrução primária, provocando pela imprensa ou oralmente a atenção dos poderes públicos para os variados problemas da educação, da pedagogia, dos programas e, em geral, dos assuntos que a ela se prendem; e) fomentar o gosto artístico e literário pelos meios ao seu alcance. (BARREIRA, 1986, p. 180).

O que vale lembrar é que outro órgão literário organizado pelas elites, mas que tem um viés social e cultural, mesmo que seja esse viés nivelado pelos salamaleques da alta classe. No entanto, é uma importante instituição literária e leitora, uma vez que é guardiã da tradição literária e dos imortais das belas letras de Fortaleza. Como difusora de cultura, conhecimento e informação, a ACL cumpre seu papel de marco leitor e de propagação de múltiplas possibilidades leitoras para a população da cidade a época. Vale ainda lembrar o famoso órgão de divulgação dessa organização, impresso até a atualidade, a Revista da ACL é registro fiel das produções literárias locais.

Por fim, têm-se como marcos representativos finais da leitura dos oitocentos os sujeitos que compunham o ‘Centro Literário’ e a ‘Iracema Literária’, instituições que serviriam de referência para movimentos futuros das letras cearenses e para deleitar milhares de leitores cearenses com o legado literário por elas produzido.