B. ROMANLARIN TEMA BAKIMINDAN ĐNCELENMESĐ
II. SOSYAL TEMALAR
Se pararmos para pensar nas motivações que um jogador tem para jogar um game, definitivamente os desafios que ele propõe estariam colocados como um dos principais motivos. Os jogadores se envolvem dentro de um jogo buscando sempre alcançar objetivos de curto, médio e longo prazo. Em seu livro, Design de Games: uma abordagem prática, Paul Schuytema (2008) diz que “o ‘impulso’ contínuo para jogar um game é nosso desejo de superar um desafio”.
Com isso, podemos entender que o desafio é um dos pilares mais importantes de um game, pois ele é responsável pelo envolvimento e imersão do jogador. Porém, o desafio dentro do game deve ser muito bem desenvolvido, para ser mais bem explorado por quem o joga. Isso quer dizer que o jogador deve passar por desafios ao tentar chegar a seus objetivos, de uma maneira que, ao superá-lo, ele tenha uma sensação de ter aprendido algo com o desafio, tornando-se um jogador mais capacitado para continuar no game.
Ainda em seu livro Design de Games: uma abordagem prática, Paul Schuytema (2008, p.204) define um game como “uma progressão de obstáculos, do início ao final, entrelaçados na tapeçaria de um contexto que permite que tudo faça sentido para o jogador”. Através desta afirmação, podemos salientar que um game é repleto de desafios, e que superá-los faz parte do jogar o jogo. Interagir com o game nos faz desejar por uma gama de obstáculos e testes para aplicarmos as habilidades recém-adquiridas ao progredir no universo do jogo.
Analisando diferentes tipos de games, Paul Schuytema (2008, p.205) apresenta oito variações de desafios que podem ser encontrados em jogos de videogame para estimular os jogadores a estarem jogando até o final do jogo. Elas serão apresentadas aqui e exemplificadas com um jogo diferente.
Desafios crescentes e variados
Quando temos desafios em situações reais da vida, encontramos muitas probabilidades e abordagens diferentes para superá-los. Isso faz com que os desafios sempre tenham características diferentes uns dos outros. Se tomarmos os games como base, o nível do desafio é limitado pela quantidade de informação que o computador está apto a receber, e conseqüentemente pelos resultados que os que o jogam podem alcançar. Sendo assim, o nível de resposta e aprendizado por parte do jogador é muito simples, tornando jogos que simulam elementos reais muito mais fáceis.
É por esse motivo que os jogadores sempre anseiam por diferentes tipos de desafios nos jogos que jogam, pois querem testar em todo o potencial as habilidades que aprenderam com o jogo nos diferentes obstáculos apresentados a eles. Tomando como exemplo jogos de tiro, como Wolfenstein e Duke Nukem, percebemos que, no decorrer do game, o jogador se depara com um número maior de inimigos, muito mais difíceis de derrotar e de superar.
A variação de armas e de inimigos cria desafios diferentes usando o mesmo conjunto de habilidades essenciais, e a força crescente (tanto defensiva quando ofensiva) dos inimigos cria o aumento dos desafios para os jogadores. À medida que se tornam mais confortáveis e adaptados às habilidades essenciais, o game continuamente lhes envia desafios que testarão os limites de suas habilidades. Desse modo, o jogador pode facilmente aprender o domínio básico das habilidades essenciais do game, mas pode se manter entretido e interessado no jogo a cada mudança de fase. (Schuytema 2008, p.205)
Cabe ao jogo então a tarefa de manter o interesse do jogador elevado com uma multiplicidade considerável de obstáculos e elementos que aumentam o nível de dificuldade e de aprendizado oferecido ao jogador, uma vez que ninguém quer continuar a superar um mesmo desafio já dominado várias vezes.
Figura 11 – Jogo Wolfenstein
Risco e Recompensa
Desafios que apresentam um nível de superação mais complicado podem muitas vezes se tornar uma experiência mais agradável para o jogador, pois conquistar uma recompensa envolve um sentimento maior de realização (Schuytema 2008, p.207). Para o jogador, os riscos assumidos com suas escolhas durante um game servem não só para testar suas habilidades adquiridas com o gameplay, mas também para desfrutar das conquistas adquiridas com essa superação.
O envolvimento do jogador pode ser medido com a quantidade de riscos e recompensas conseqüentes que o jogo apresenta a ele. Superar obstáculos que fazem com que o jogador tenha que chegar a um esforço a ponto de poder se surpreender com a sua performance tornam a experiência do jogar mais expressiva e apreciada.
Uma oportunidade de risco e recompensa é uma chance de conquistar algo opcional, mas benéfico no game. Se for bem-sucedido no desafio para conquistar o objeto, você ficará melhor do que se estivesse sem ele. Se fracassar no desafio, ficará pior do que estava antes. É um dilema
clássico que pode ser muito bem representado em um game. (Schuytema 2008, p.207)
Se levantarmos como um exemplo jogos como Uncharted: Drake’s Fortune e Tomb Raider: Anniversary, podemos perceber essa relação de risco e recompensa claramente nos desafios propostos ao jogador. Itens especiais, ou simplesmente colecionáveis, são mais difíceis de encontrar, e exigem uma destreza e estratégia maior por parte do jogador. Superando o desafio, o jogador muitas vezes é premiado apenas com um item diferenciado, que muitas vezes é desnecessário para completar o game com sucesso.
No entanto, conquistar esses itens é de extrema importância para muitos dos jogadores, pois o sentimento de realização e conquista é saboreado euforicamente após a superação do risco oferecido pelo obstáculo. Por mais que o item se prove inútil, a posse dele por parte do jogador, o torna diferenciado de um outro jogador, e sua história passa a ser mais rica e complexa do que a que é proposta tradicionalmente pelo jogo.
Figura 12 – Relíquia coletada no jogo Tomb Raider: Anniversary
Desafio adaptável
Jogos com desafios muito complexos podem trazer um sentimento de frustração ao jogador, ao mesmo tempo em que jogos muito fáceis podem fazer justamente o oposto, entediar o jogador por ser muito simples. Uma das partes interessantes que Schuytema (2008, p.208) aborda considerando desafios é a definição do desafio adaptável.
Como conceito geral, a mecânica do desafio adaptável é uma excelente ferramenta para manter o jogador competitivo, no entanto, é preciso tomar cuidado para que o jogador não consiga facilmente “ver o homem por trás das cortinas“. (Schuytema 2008, p.208)
Isso significa que um dos elementos importantes nos desafios dos jogos é a capacidade de se adaptar ao nível de performance do jogador. Caso ele esteja em um nível mais elementar do game, apresentando poucas habilidades e levando um tempo maior para resolver os desafios, a
inteligência do game deve entender isso e amoldar os próximos desafios de uma maneira que o jogador não se frustre com muita dificuldade.
O oposto também deve ser verdadeiro. Se o jogador estiver apresentando uma performance mais avançada, dominando as habilidades necessárias para superar os desafios e resolvendo-os com considerável rapidez, o game deve entender e apresentar desafios à altura do jogador, para que ele não ache o game entediante e se canse de jogar.
Exemplos clássicos de jogos que apresentam esse tipo de sistema são jogos de corrida. Em seu livro, Design de Games: uma abordagem prática, Schuytema (ibid) dá o exemplo de uma variável de controlador criada por designers de jogos de corridas para que o jogador, que fosse mais devagar, não ficasse sendo constantemente ultrapassado pelos seus oponentes.
Figura 13 – Tela do jogo Gran Turismo 4
No jogo de corrida, caso o carro computadorizado ficasse mais de uma volta à frente, o controlador de velocidades do jogo diminuía sua velocidade média para que o jogador pudesse ter uma chance de se recuperar e não perder de uma distância tão longa. Caso o jogador conseguisse alcançar o carro
computadorizado, este teria sua velocidade média restabelecida normalmente.
Com isso, foi criado o conceito de adaptar a dificuldade dos desafios primeiramente pela escolha do jogador ao iniciar um jogo: jogar no nível fácil, médio ou difícil. Depois disso, sua performance é contabilizada e analisada pela inteligência artificial do jogo, e a variável dos desafios e inimigos é apresentada de acordo com os cálculos feitos dentro do game ao estudar as ações do jogador.
Encontros com chefes de fase
No decorrer do jogo, o jogador irá se deparar com o fim de cada fase apresentada pelo game. Neste final, normalmente, ele tem de passar pelo maior desafio daquele estágio: o chefe de fase. O chefe de fase é um oponente que se destaca dos demais por sua dificuldade maior e pelo seu comportamento diferenciado.
Normalmente, todas as habilidades adquiridas durante a fase devem ser utilizadas para a superação deste desafio. Schuytema (ibid. p.210) aponta algumas observações que os chefes de fase devem ter para tornar o desafio plausível e válido:
- O chefe de fase deve se encaixar no contexto do mundo do game; - Um encontro com o chefe de fase geralmente é mais longo do que
com um inimigo-padrão;
- A criatura chefe de fase deve dominar a atenção do jogador;
- Uma batalha com o chefe de fase exige informações contínuas do jogador;
- O chefe de fase dispara um golpe ofensivo substancial contra o jogador;
- Deve haver oportunidades para o jogador reconquistar a vantagem durante o encontro;
- O chefe de fase deve exibir uma forma de comportamento complexa, mas baseada em padrões;
- O chefe de fase normalmente oferece diversos alvos para o jogador; - A vitória deve proporcionar um momento de repouso para o jogador; - O caminho para reencontrar o chefe de fase não deve ser
excessivamente longo;
- Cuidado com a frustração do jogador.
Essas observações deixam claro que o encontro com um chefe de fase é um evento esperado e preparado dentro do jogo. É um desafio diferenciado que põe à prova a capacidade de superação de um jogador, e também testa sua familiaridade com os comandos do jogo.
Tomando o jogo God of War como exemplo, o jogador tem diversos chefes de fase para superar e, ao fazer isso, ele pode utilizar as habilidades ganhas com a superação dos desafios anteriores. Isso faz com que o jogo apresente cada vez mais desafios complexos, aumentando o grau de dificuldade dos chefes de fase, até a batalha final, na qual o maior de todos os chefes se apresenta ao jogador. A superação de cada um desses chefes de fase traz uma recompensa ao jogador, sendo ou uma habilidade especial que ele vai necessitar para superar os próximos desafios, ou itens que vão auxiliá-lo no decorrer do jogo.
Figura 14 – Tela do jogo God of War
Outras pessoas
Os jogos muitas vezes apresentam desafios que muitos jogadores consideram limitados. Com isso, os modos multiplayers foram criados para suprir essa necessidade de ter uma dificuldade maior para determinados modos de jogo, suprindo a falta de dificuldade e variedade nos desafios apresentados nos games.
O modo multiplayer ficou realmente popular com o jogo Counter Strike, uma modificação do clássico Half Life, que chegou à internet. Podendo ter jogadores do mundo inteiro conectados via internet e jogando uns contra os outros em um game de primeira pessoa dividido em equipes, a modificação conseguiu alcançar muitos jogadores que passavam horas a fio jogando com pessoas desconhecidas.
Os games multiplayer apresentam uma variedade de desafios com base nos conjuntos de habilidades do jogador, porém o fato de que os avatares do game são controlados por outros seres humanos, e não por
inteligência artificial, significa que os encontros serão muito mais variados e interessantes para os jogadores. Os jogadores podem conversar entre si, traçar estratégias e disputar pontos fracos e fortes uns dos outros. As jogadas normalmente se transformam em equipe contra equipe, e a dinâmica se torna ainda mais complexa e interessante para os participantes. (Schuytema 2007, p.213)
Com a criação e popularização de jogos massivos online, como World of Warcraft e Lineage 2, muitos jogadores optam por jogar online com outras pessoas, com o propósito justamente de buscar desafios imprevisíveis e inesperados ao lidar com outros jogadores que possuem habilidades e estratégias diferentes das deles.
Figura 15 – Tela do jogo Counter Strike
Com isso, podemos perceber que os desafios são parte integrante de um game, constituindo um pilar importante que se comunica com os demais, ainda impondo consequências e opções para os jogadores avançarem no jogo.