• Sonuç bulunamadı

3.5. Araştırmanın Bulguları

3.5.6. Sosyal Statünün Satın Alma Davranışı Üzerindeki Etkisinin İncelenmesi

3.5.6.4. Sosyal Statü Değişkeni Milliyetler İle Satın Alma Davranışına İlişkin

A utilização da etapa quantitativa neste estudo deve-se ao fato de que, para chegar à seleção da amostra intencional – 12 sujeitos –, foi necessário, inicialmente, mapear o campo de pesquisa. Bogdan e Biklen (1994, p.63) ressaltam que as duas abordagens, qualitativa e quantitativa, se baseiam em pressupostos diferentes, mas é possível usá-las conjuntamente, o que torna-se uma “prática comum quando inicialmente se constroem questionários para entrevistas abertas”.

Para mapear o campo, foi realizada uma seleção através da aplicação de um questionário e, em seguida, os dados foram tabulados no programa Excel. O questionário aplicado teve como função permitir o levantamento de informações sobre a condição social e a escolaridade dos alunos calouros e de seus pais, além de incluir informações sobre os usos do computador e da internet nos contextos escolar, profissional e diário. Os dados do questionário foram essenciais para selecionar os jovens que pertencem à camada popular e não têm – ou têm pouca – intimidade com a cultura digital, especificamente o uso da internet.

Na tabulação dos dados, foram utilizadas técnicas de classificação dos sujeitos em conjuntos, por exemplo: sujeitos que pediram isenção de taxa na inscrição do vestibular; sujeitos que habitam em moradias próprias, alugadas, etc. Por esses conjuntos, foi possível visualizar os alunos pertencentes às diferentes frações da classe popular que constituem o curso de Pedagogia da UFMG. Foram também atribuídas notas (0 e 1) e códigos (S e R - respectivamente, sempre e raramente) aos itens do questionário relacionados aos usos da cultura digital, para

se chegar àqueles que possuíam mais, menos ou nenhuma habilidade em relação à mesma.

Antes de prosseguir apresentando os dados obtidos na etapa quantitativa, que revela algumas facetas do perfil dos calouros do ano de 2007, é importante definir o perfil geral dos estudantes da UFMG.

De forma geral, apenas cerca de 11% dos jovens brasileiros que terminam o ensino médio prosseguem os estudos e tornam-se universitários. Com intuito de mapear o perfil do seu estudante, a UFMG realizou um estudo baseado em perguntas formuladas aos candidatos que fizeram o vestibular em 2003 e em 2004. Os questionários deram origem ao Censo Socioeconômico e Étnico na UFMG. O trabalho, coordenado pelo professor Mauro Mendes Braga – Pró-Reitor de Graduação – baseia-se em dados dos candidatos aprovados. Como referencial para as análises, foi criada uma escala denominada Fator Socioeconômico (FSE), que combina renda familiar, nível de instrução e tipo de profissão dos pais, além de aspectos da trajetória escolar. O FSE é um parâmetro de avaliação diferenciado de outros utilizados em análises estatísticas, porque é mais específico47.

[...] de uma maneira geral, o retrato do estudante da UFMG desenhado pelo Censo é o seguinte: ele é de classe média; cursou ensino médio diurno e não profissional; veio principalmente da escola média privada; é solteiro; autodeclara-se da raça branca; tem, em média, 20 anos (ou até 24) e passou no vestibular pouco tempo depois de concluir o terceiro ano. Esse aluno típico não trabalhava quando se candidatou ao concurso (1/4 trabalhava), reside no Estado, e pelo menos um dos pais tem curso superior. A maioria da comunidade é formada por estudantes homens, apesar de 57% das inscrições ao vestibular terem sido feitas por mulheres. (DIVERSA, 2005)

O Censo revela que 2/5 dos estudantes da UFMG cursaram ensino médio em escolas municipais, estaduais ou federais. O que o estudo mostra é que a

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Fator Socioeconômico (FSE) é um indicador proposto por pesquisadores da UFMG para mensurar a condição socioeconômica dos estudantes da universidade.

manutenção do percentual de 2/5 de estudantes provenientes de escolas públicas está relacionada com a ampliação de vagas nos cursos noturnos. No momento em que o Censo foi produzido, predominava na UFMG a abertura de cursos noturnos como estratégia de inclusão social. A partir do Vestibular 2009, foi adotada também a concessão de bônus nas notas finais do exame a candidatos egressos de escolas públicas e a candidatos que, além de terem estudado na rede pública, se autodeclaram negros.

Para esta pesquisa, foram utilizados alguns dados do censo mencionado, porém dados específicos do curso de Pedagogia noturno, entrada em 2007, fornecidos pela Comissão Permanente do Vestibular da UFMG (Copeve). Tais informações foram importantes para efeito de comparação com os dados obtidos no questionário aplicado em sala e para verificar eventuais discordâncias, já que o relatório fornecido pela Copeve refere-se aos mesmos alunos que responderam o meu questionário, ou seja, os aprovados para o curso.

Após a definição do curso de Pedagogia pelas razões explicitadas na Introdução desta tese (p.16), minha hipótese inicial (estudantes das camadas populares, antes da entrada na universidade, viam-se afastados do computador interligado à internet; logo, teriam dificuldade em responder as demandas do contexto acadêmico) estava fundamentada em dois elementos: possuir computador interligado à internet é um serviço caro que alunos das camadas populares ainda não adquirem com facilidade; se não adquirem, não têm acesso satisfatório. A primeira parte de minha hipótese foi logo desconstruída após a aplicação do questionário, pois identifiquei por meio dos resultados da tabulação de dados que havia pouquíssimos alunos das camadas populares que não tinham acesso à internet. Eu imaginava encontrar uma quantidade de alunos significativa para minha

pesquisa e, de repente, ao me deparar com cada questionário – um a um – fui percebendo que quase não havia estudantes que não sabiam lidar com o computador/internet. Dessa forma, se sabiam lidar, tinham algum tipo de acesso. Uma importante característica deste estudo: ele contraria uma expectativa – generalizante – sobre o uso do computador/internet pelos estudantes das camadas populares.

Sobre o acesso ser satisfatório ou não, possibilitando o desenvolvimento do letramento digital, o questionário consegue revelar quais habilidades os estudantes

dizem saber realizar no computador/internet. Entretanto, sobre a qualidade desse

acesso48, só foi possível perceber e avaliar alguns traços do “novo” letramento através das observações feitas nas salas de aula, quanto ao uso pelos alunos dos aparatos tecnológicos em seminários ou apresentações de trabalhos.

Foram 60 questionários respondidos, dentre 66 alunos que ingressaram no curso de Pedagogia, no ano de 2007. Dos 60, encontrei apenas 12 estudantes que poderiam contribuir para este estudo, variando na escala de conhecimento e de uso, que vai dos que sabem pouco até os que não sabem nada. Oito estudantes declararam ter um domínio elementar das novas tecnologias e quatro disseram não saber lidar com computador/internet.

A seguir, será apresentado um perfil construído por meio das respostas dadas ao questionário pelos 60 estudantes.

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Buzato citado por Silva et al (2005, p.6) comenta que ter acesso não significa ser digitalmente letrado; é preciso conhecer que tipo de acesso tem esse estudante, como este faz uso social da internet.

1.2.5. Organizando os dados do questionário: perfil dos alunos calouros do