3.5. Araştırmanın Bulguları
3.5.5. Araştırmada Sosyal Statüyü Belirleyen Değişkenler
Sessenta e seis calouros ingressaram no ano de 2007 no curso de Pedagogia noturno. Procurei conviver com eles nos primeiros dias de aula, participando anonimamente de seus contatos iniciais com a universidade. Primeiramente, houve uma semana de recepção aos calouros, com palestras promovidas pela Reitoria da UFMG e atividades culturais, como shows e oficinas, algumas oferecidas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE).
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Sugestão dada por Magda Soares, em banca de qualificação.
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O objetivo das palestras era mostrar um pouco das possibilidades que os calouros têm, não só no que se refere a sua formação, mas também com relação à assistência estudantil. No primeiro dia de palestras, foi significativa a ênfase dada aos cursos noturnos, como forma de possibilitar a inserção plena de calouros trabalhadores nas atividades da universidade, por meio de um programa especial de bolsas acadêmicas para os alunos se dedicarem integralmente aos estudos. No segundo dia, o objetivo foi apresentar as atividades de pesquisa, extensão e o programa de mobilidade estudantil, além de uma breve palavra do coordenador do DCE.
Interessante observar que as palestras apresentadas pela Reitoria e as programações do DCE não contemplavam satisfatoriamente assuntos que diziam respeito ao mundo digital, ou seja, este não foi lembrado como uma nova forma – virtual – de partilhar o conhecimento e contribuir para o desenvolvimento acadêmico individual e social.
A internet foi tratada como algo óbvio na vida de todos. Mas será que é tão óbvio mandar alguém buscar informações em mailing lists, home pages ou sites? Será tão óbvio pedir que alguém envie um e-mail para receber informações? E os palestrantes sugeriam que os calouros fizessem exatamente isso para saber mais sobre os programas oferecidos pela universidade.
Durante quase todas as palestras, os responsáveis convidavam os calouros para visitar o site do departamento que representavam. Alertavam os estudantes sobre a matrícula realizada exclusivamente via internet a partir do 2º período na universidade. A trivialidade com a qual os termos foram utilizados nos faz pensar que usar as possibilidades da internet hoje é como saber ler e escrever. É dessa
forma que a universidade tem enxergado o aluno calouro: aquele que já sabe lidar com o computador/internet, ou seja, a universidade o vê como digitalmente letrado.
Apenas em um momento o assunto foi tratado como algo que ainda poderia estar distante do mundo de muitos calouros; quando uma representante da
Fundação Mendes Pimentel (Fump)40 informou que existe o Programa de Acesso à
Informação Digital (Paid) 41, para alunos que ainda não sabem navegar na internet. O paradoxo ficou por conta de que ela sugeriu buscar informações sobre o curso no
site da entidade. Nota-se que a necessidade do aluno “infoexcluído” de encontrar
alguém disposto a ajudá-lo assemelha-se, em certo ponto, à necessidade do analfabeto encontrar alguém que o ajude a aprender a ler ou escrever. Tudo isto nos leva a pensar que usar a internet é algo muito fácil para quem passa em um concorrido vestibular. Será?
Outro ponto que chamou a atenção refere-se ao programa de avaliação socioeconômica de alunos calouros carentes para possibilitar o acesso aos benefícios oferecidos pela Fump. O acesso à ficha de inscrição é exclusivamente via internet. É claro que não se pode ter uma visão ingênua de que todo aluno carente não sabe usar internet, mas é provável que uma parte dos que se interessam por esses programas não possuem computador em casa ou estudaram em uma escola em que o acesso é precário. Mais uma vez, surge a necessidade de o estudante contar com a boa vontade de alguém no que se refere ao preenchimento do formulário socioeconômico.
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Instituição de direito privado e sem fins lucrativos que presta assistência estudantil a alunos da UFMG.
41
O Programa de Acesso à Informação Digital (Paid) é ministrado exclusivamente para os alunos carentes. Há laboratórios do Paid em várias unidades do Campus. Todos os alunos da universidade podem utilizá-lo através da senha do portal minhaUFMG, mas o curso é apenas para os alunos carentes. O sistema operacional utilizado pelo Paid é o Linux, pois este é distribuído gratuitamente, diferentemente do Windows.
O terceiro dia reservava aos alunos calouros um momento de boas-vindas na faculdade em que iriam fazer o curso, no caso, a Faculdade de Educação. Naquele dia, os estudantes foram convidados a conhecer as dependências da FaE. Diante do laboratório de informática, embora a porta estivesse aberta, ninguém entrou e alguns poucos alunos perguntaram se havia senhas pessoais para acessar as máquinas. No laboratório, o sistema operacional instalado nos computadores ainda era o Windows42 e, em frente, há uma sala reservada ao Paid, onde o sistema usado é o Linux.
Tão logo a biblioteca começou a ser apresentada, alguns termos referentes ao mundo digital começaram a ser utilizados com muita naturalidade. Tive a oportunidade de ver um treinamento dos alunos calouros na base de dados da biblioteca. Eles receberam informações sobre como encontrar livros, vídeos e periódicos. Percebi no instrutor certo tom de obviedade e rapidez, comum à universidade. Ele dizia que os estudantes iriam “pegar rapidinho o jeito” de achar os livros. Além disso, às vezes, a explicação ficava confusa, e os alunos demonstravam angústia diante das máquinas.
Logo no início, no laboratório de informática da biblioteca, o instrutor pediu aos alunos que acessassem a internet. Uma aluna, Vânia, manifestou-se dizendo não saber usar o computador. Ele aconselhou que ela se assentasse com quem soubesse. Observei que, durante todo o treinamento, ela encontrava-se imóvel, entre duas colegas que sabiam como usar a máquina e a internet. Apenas seus olhos, de forma angustiada, acompanhavam a navegação das outras. Ela permaneceu de “braços cruzados e ombros caídos”, excluída daquele momento.
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Depois de alguns minutos, havia alunos que já demonstravam facilidade em lidar com o sistema, enquanto outros não conseguiam seguir as instruções. Enquanto uns visitavam muitos sites simultaneamente – a possibilidade de acessar o Orkut43 e conversar, ao mesmo tempo, no MSN44 foi comentada –, outros se mostravam desconcertados diante da máquina. Mas uma ação foi comum entre todos os participantes: anotar no papel o “caminho” que deveriam fazer para encontrar os livros na base de dados.
Em um dos treinamentos que presenciei, a lentidão do sistema de busca angustiava o instrutor e os alunos. Diante disso, uma aluna que tem familiaridade com o computador comentou o quanto deveria ser complicada a situação para aqueles que não sabiam navegar na internet, pois ficariam sem saber se estavam ou não no “caminho certo”.
As perguntas feitas pelos alunos ao instrutor nem sempre recebiam uma resposta satisfatória. Por exemplo, um aluno perguntou o que era Scielo e a resposta dada foi: “É um portal www45”. Ou, diante da pergunta “Como fazer para
pesquisar periódicos?”, a resposta foi: “Lá fora, a base é Isis, não tem mouse, tecle D para ver os resultados da pesquisa, S para limpar a tela”.
Sintetizando, o instrutor ensinou a fazer uma busca, pediu que os alunos entrassem na tela de usuários para cadastrar uma senha e ensinou a fazer reservas (“Clica na setinha e escolhe a biblioteca”). Tudo em cerca de 40 minutos. Cabe, então, indagar de que forma o aluno calouro “infoexcluído” desenvolve estratégias
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Site de relacionamentos on-line, em que é possível contactar pessoas que têm os mesmos interesses. O endereço eletrônico é www.orkut.com.
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“Programa de envio de mensagens que podem ser lidas instantaneamente por uma outra pessoa conectada à internet. Os programas de mensagens instantâneas diferem do correio eletrônico por serem mais simples e capazes de estabelecer diálogos on-line imediatos”. (http://tecnologia.uol.com.br/dicionarios)
45
“Sigla para World-Wide Web (rede do tamanho do mundo, na tradução literal do inglês). É o sistema de documentos ligados através de hyperlinks que formam a Internet”. (http://tecnologia.uol.com.br/dicionarios/)
para atender às demandas de uso da internet no mundo acadêmico. Presenciei, na recepção aos calouros, um dos professores alertar que esse treinamento na biblioteca seria um momento de suma importância, pois os alunos deveriam se instrumentalizar o mais rápido possível. Essa é uma forma de cobrança dos usos da internet logo no início da trajetória acadêmica. O que essa cobrança representa para os calouros infoexcluídos? Será que tais ações mencionadas configuram uma exclusão digital numa tentativa aparente de inclusão?
Após oito meses de observações, foi possível perceber que a Faculdade de Educação continuava tratando como óbvio saber usar a internet. Em uma noite de observação, comparei duas aulas, nas turmas G e H, em que um monitor de uma disciplina ensinava os alunos a pesquisar em sites acadêmicos devido à greve da biblioteca46. Em cerca de vinte segundos contados no relógio, a explicação era dada: como entrar, como clicar, o que escrever. Entretanto, a explicação não foi verbalizada, e sim demonstrada por meio do data show, ou seja, não houve uma interação verbal com os alunos que estavam assistindo àquela apresentação, apenas visual. As informações eram passadas sem uma pausa para perguntas como: “Vocês estão entendendo?”, “É preciso repetir o processo de busca?”,
“Querem treinar?”, etc. Foram apresentados os sites Scielo, Google Acadêmico,
Domínio Público, Portal do MEC, Portal Capes. Tais sites são específicos para pesquisas acadêmicas e, muitas vezes, são de difícil compreensão até mesmo para quem já sabe navegar por sites mais comuns. Para o aluno que não sabe lidar com a internet, navegar por eles é quase impossível. Na turma H, os alunos mostraram- se dispersos e conversaram muito durante a apresentação, e na turma G ficaram completamente apáticos.
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No período de abril a setembro, as bibliotecas da UFMG encontravam-se fechadas devido à greve dos servidores públicos.
1.2.4. Uma etapa parcialmente quantitativa a partir da aplicação de