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2.1. Sosyal Medya

2.1.6. Yeni İletişim Biçimleri, Özellikleri ve Toplumsal Hayata Etkileri

2.1.6.4. Sosyal Medyanın Psikolojik Etkileri

A gestão social é uma questão muito discutida na atualidade no Brasil diante de uma conjuntura de crise em que se impôs uma contra-reforma do Estado brasileiro com base no ideário neoliberal de um Estado-mínimo, desencadeando a emersão de um padrão conservador hegemônico de intervenção social, baseado na parceria entre Estado, sociedade civil e mercado para incidir nas expressões da questão social.

Desse modo, há uma crescente cultura com base nos princípios gerenciais de que os problemas sociais devem ser administrados de forma mais “moderna” e “eficiente”, para se alcançar resultados, no que diz respeito ao alcance da cidadania. Neste rol de novidades aparece em cena o terceiro setor como um braço forte dessa lógica do processo contra- reformista. Diante disso, propaga-se a “ineficiência” do Estado no alcance da cidadania, pois é burocrático e não tem condições de arcar sozinho com a questão social porque está falido, transferindo-se para as organizações privadas e sem fins lucrativos da sociedade civil e para o mercado, a responsabilidade de tratar as seqüelas da questão social, modificando assim a relação Estado/sociedade e desencadeando respostas tidas como “inovadoras” para tratar a questão social e suas diversas expressões que vão desde a (re)mercantilização até a (re)filantropização dos serviços sociais.

Tem-se, então, a propagação ilusória de uma sociedade civil homogênea, sem conflitos e interesses distintos, identificada por Nogueira (2003) como a concepção liberalista de sociedade civil.

No cotidiano das ONGs estudadas alguns aspectos desta versão de sociedade civil liberalista aparecem no discurso de três ONGs:

[...] uma empresa está trabalhando com responsabilidade social, maravilha! ela está investindo, ela está ensinando, ela está contribuindo, de uma forma até mais confortável. A gente sabe quando a empresa entra é por que ela tem recursos, facilmente ela levanta uma estrutura, facilmente ela paga funcionários... entendeu? Então, fazer o bem e não olhar a quem... se ela trabalha bem, isso pra qualquer instituição do terceiro setor. ONGs, OSCIPS, só muda o nome, né? (GESTORA, ONG5).

Eu acho importantíssimo, e não só de organizações não governamentais e governo, mas da sociedade civil toda, eu só acredito se a gestão for compartilhada, eu acho que é esse o caminho... do mundo! [...] eu só acredito em políticas compartilhadas, sem isso, ninguém vai da conta de uma coisa...(GESTORA, ONG4).

Eu acho que se outros atores sociais tivessem uma contribuição importante, como a classe empresarial, com parcerias mesmo, da tão falada

responsabilidade social, ser assumida e ser realmente praticada né... num âmbito maior, num âmbito geral, mas eu creio, assim, estamos presenciando um bom momento, tem ainda muita coisa a melhorar, mas também muita coisa já aconteceu boa nesse modelo de gestão, e eu acho que estamos no caminho certo. (PROFISSIONAL, ONG3).

Com relação ao modelo de gestão gerencial não aparece de forma muito nítida principalmente na ONG4, que utiliza método informal, interativo e participativo no processo de avaliação das ações. Já nas ONG3 e ONG5, há uma tendência mais tradicional. No entanto, observou-se que há um hibridismo entre o tradicional e moderno nas ONGs que estão mais no campo da prestação de serviços.

Tudo tem avaliação, o tempo todo, nós trabalhamos com avaliação. Toda a segunda-feira nós temos uma reunião com a equipe, e é tudo desdobrado, até chegar lá no aluno. [...] A gente tem uma prática, de fazer as rodas de prosa, que é um momento, assim, nossas reuniões pedagógicas, sempre tem alunos, não é só o professor, tem o aluno ali presente. Há representatividade do aluno, daquele que está mais no entendimento do processo [...]. E nós temos levado nossa metodologia às rodas de prosas que são conversas interativas. Nessa conversas nós convidamos o aluno, a escola formal, uma representatividade do corpo de professores da escola, e convidados, e temos temáticas. Aí se discute o que no dia-a-dia está afligindo. Aí a gente bota a boca no trombone e vamos convidando especialistas, pessoas que possam falar e desenvolver junto (GESTORA, ONG4).

Há planejamento e reuniões freqüentes, semanalmente nos reunimos com os voluntários, sempre que eles vêem aqui, a gente está se reunindo, tá conversando, sentando ali na mesa, o que podemos fazer para melhorar, revendo o método, sempre nós temos essa preocupação, porque nós queremos realmente resultados, então é necessário planejar. Traçamos metas, e nós trabalhamos para atingir estas metas (GESTORA, ONG5).

Já na ONG1 e ONG2, aparece uma crítica ao padrão de gestão, além de posicionamentos contrários a terceirização das ações públicas, como mostra os seguintes discursos:

[...] muitas vezes, a gente que trabalha no terceiro setor, acha que é um setor extremamente harmônico, né... onde todos nós somos colaborativos por excelência, porque trabalhamos com o social, e isso na verdade oculta mais do que revela, porque dentro desse campo do terceiro setor nem todos nós somos iguais, ou temos as mesmas perspectivas de sociedade e visão de mundo (GESTOR, ONG1).

Então, essa história daquela tríade famosa entre Estado, sociedade civil e mercado, como se o Estado fosse um ator igual ao mercado e a sociedade, não é possível agente pensar assim. Eu acho que há muita ingenuidade pensar que o Estado é um mero ator. Ele nos regulamenta no final das

contas. Se disputa pra chegar até ele! Não é à toa que há tanta disputa por isso. (GESTOR, ONG1).

Aqui a gente tem tentado sair, não sair totalmente, mas assim em relação ao campo dentro do sistema de garantia de direito, [a ONG] historicamente sempre esteve no eixo da promoção. Então, hoje a gente tá num momento de transição, pra o eixo da defesa, então nos filiamos a ANCED, já alguns anos, a ONG vem discutindo seu papel, enquanto organização não governamental, enquanto movimento social, né... pra não tá fazendo um papel que é eminentemente estatal, que deveria ser do Estado. O Estado deveria garantir, e como a gente pode aproveitar essa experiência que temos ao longo desses anos, fazendo promoção, mas atuar no eixo da defesa, e pegando essa experiência toda e apontando como uma experiência exitosa para que seja realizada no âmbito governamental. Então toda a nossa atuação, todos os nossos esforços estão focados para o controle social e pra defesa, de crianças e adolescentes. (GESTORA, ONG2, grifo nosso).

Em linhas gerais, por enquanto, eu acho que é um nicho, que continua substituindo o Estado, mesmo que co-financiado por ele, mas as organizações não governamentais ainda têm muito de filantropia, assim, de viver de doações, de cooperações, porque a cooperação internacional é o quê, são organizações humanitárias da Europa ou de outros países, que sensibilizam pessoas por uma causa, e aí querem aplicar o dinheiro em tal situação e querem ver se está sendo feito, enfim, estão fazendo pelo bem, e isso é uma obrigação, e o Estado não está fazendo pelo bem, mas ele tem que fazer porque é uma obrigação. Então a existência de uma organização não governamental, ela se dá por uma ausência do Estado (PROFISSIONAL, ONG2).

Entretanto, nestas duas ONGs, apesar desse entendimento do lugar que elas ocupam neste debate, percebeu-se uma preocupação em manter a visibilidade de suas ações como experiências “exitosas” e “eficientes”, estruturando as organizações a partir de conceitos empresariais, como o uso de planejamento estratégico, a questão da eficiência, eficácia e efetividade, a questão da flexibilidade, da qualificação profissional, para se obter resultados visualmente positivos para continuarem com os financiamentos de seus projetos, como bem mostra os depoimentos a seguir:

Cada financiador tem um formulário próprio de avaliação, a gente faz os relatórios, e coloca em cima do que... têm uns que tem os formulários bem certinho, eles colocam, lá as metas, e pronto, a UNESCO trabalha muito com isso, o UNICEF, também, trabalha com produtos. Então assim, ao final de cada projeto, você tem que ter tais e tais produtos. E se você tem os produtos é porque cumpriu. UNESCO trabalha com metas, então, se você diz que vai atender cinqüenta meninos, eles colocam lá, metas, propostas, metas alcançadas. Eles trabalham muito assim. Eu não acho muito legal, mas é a forma que eles utilizam, aí da cooperação internacional, tem um que quer receber o relatório em duas páginas do ano inteiro... e aí lá vai, quer que tenha tudo, e ainda tem que ir ao formato de carta, queridos parceiros, queridos amigos...porque é uma carta que vai pra comunidade que doou,

então, não adianta um relatório técnico, porque pra eles não interessa. Mas tem que ter dados de atendimentos, da situação de violência em Natal, e aí, agente rebola um pouquinho pra fazer, né? (GESTORA, ONG2).

Acho que um desafio de gestão é você ter cada vez mais claro, como que os profissionais envolvidos, os colaboradores, enfim, a equipe que trabalha interna, como é que eles entendem a partir de sua visão de mundo seu trabalho técnico. Então eu acho que aí o experimento das ONGs, do ponto de vista, em inovar, em alguns processos político-pedagógicos, inclusive propor ao Estado, políticas públicas a partir de sua experiência, passa por uma vinculação dos profissionais que é outro jeito de trabalho, esse trabalho mais flexível, esse trabalho mais de acompanhamento (GESTOR, ONG1).

Nesse sentido, as ONGs para sobreviverem financeira e administrativamente, adaptem-se a uma realidade empresarial para possibilitar aprovação de projetos e, conseqüentemente, recebimento de recursos. Desse modo, observou-se que a utilização de planejamento, de avaliação e monitoramento das ações, segue as orientações e determinações dos financiadores dos projetos. Constatou-se, inclusive, uma preocupação com estas questões em duas das organizações pesquisadas (ONG1 e ONG2), aonde chegaram a contratar consultores/facilitadores externos para ajudá-las a redefinir estratégias de planejamento e avaliação.