3.1. ARAŞTIRMANIN METODOLOJİSİ
3.1.10. Araştırmanın Hipotezleri
Não é possível tratar do sindicalismo no Brasil, sem levar em consideração a particularidade das condições histórico-culturais que configuraram o modelo de desenvolvimento capitalista neste país. Sobre esse aspecto, é importante destacar que a integração do Brasil ao capitalismo internacional ocorreu de forma subordinada e hiper tardia e que o papel desempenhado pelo Estado brasileiro, nesse processo, engendrou um modelo de desenvolvimento extremamente concentrador e excludente (DURANS, 2006).
O desenvolvimento do capitalismo, no Brasil, difere do modelo “clássico”. Já em sua origem, apresenta a combinação de formas não-capitalistas de produção, associadas ao grande capital internacional. A passagem da fase mercantil, agro- exportadora, para a fase de industrialização nacional traz a marca da “modernização conservadora” definida por Fernandes (1977), (MOURA, 2008).
Os primeiros passos da organização sindical da classe trabalhadora, neste país, datam da primeira metade do século XX, sendo influenciados pela tendência anarco-sindicalista, oriunda da experiência da luta de trabalhadores estrangeiros. O país só poderia ter um proletariado significativo, influente, se a industrialização
avançasse, e isso dependia, fundamentalmente, da abolição do sistema baseado na exploração do trabalho escravo.
Com o fim da escravidão, em 1888, o caminho para o crescimento gradual de estabelecimentos industriais estava aberto. Segundo Konder (2003), neste período, esboçou-se um tímido surto de industrialização e, aos poucos, multiplicaram-se os grupos de trabalhadores, os embriões das futuras organizações sindicais.
No contexto da Velha República, que teve início em 1889, o movimento operário nascente se mostrava sensível a idéia do progresso pela via da industrialização. No entanto, a luta dos trabalhadores, nesse período era tida como caso de polícia e as organizações da classe operária se formavam na clandestinidade.
Somente, a partir da década de 1930, é que o Estado passa a reconhecer as organizações dos trabalhadores. No entanto, isso ocorre, a partir de uma intervenção direta na estrutura dos sindicatos trabalhistas, determinando o atrelamento destes ao Estado, o que implicou o cerceamento da liberdade e autonomia no processo de organização política dos trabalhadores. Os sindicatos eram constituídos numa perspectiva de colaboração e cooperação com o Estado, para manutenção do equilíbrio e da ordem social dominantes.
Devido às pressões do movimento operário, o governo Vargas64, para manter a sua política conciliatória, se viu obrigado a ceder a algumas das reivindicações da luta dos trabalhadores. No entanto, não hesitou em avançar no plano de intervenção a organização dos sindicatos. Para as pretensões do Estado brasileiro, nesse momento, era preciso aniquilar o movimento sindical livre e autônomo existente, influenciado, de início, pelo anarco-sindicalismo e, posteriormente, pelos comunistas. Objetivando extinguir a mobilização sindical combativa, determinou a integração destas ao Estado, a partir da instituição da legalidade de registros, criando uma modalidade de controle e uma nova estruturação (heteronômica) sindical, que se expressou através de sindicatos
64 Por meio de um golpe militar, realizado em 1930, Getúlio Vargas chegou a Presidência da República do Brasil,
ocupando o cargo por 15 anos ininterruptos (1930-1945). A Era Vargas (denominação dada ao seu governo nesse período), foi marcada por grandes mudanças sócio-econômicas e políticas na realidade do país, cujos resquícios perduram até hoje. São casos ilustrativos a instituição da lei de sindicalização; a legislação trabalhista, cujo marco foi o estabelecimento da Consolidação das leis trabalhistas (CLT) e; a adoção de uma política social de cunho populista, utilizada em benefício da sua governança ditatorial, iniciada com a criação do Estado Novo, em 1937. Os mesmos meios, pelos quais, Getúlio conquistou o poder, o perdeu. Sua deposição foi realizada por meio de um golpe militar no final de 1945. Getúlio voltou a ocupar o cargo de Presidente da República anos mais tarde, mas dessa vez, através de eleições democráticas, em 1951.
de gaveta e carimbo, que não possuíam nenhuma representatividade junto aos trabalhadores.
Quando o governo Vargas impôs esta estrutura de organização, tinha o objetivo de reduzir as greves e organizar os trabalhadores de acordo com as necessidades da produção e da política econômica assumida pelo Estado. Nesse sentido, o tripé da estrutura oficial consistia, fundamentalmente, na concepção de colaboração com o Estado e com os patrões; eliminação da independência da organização sindical em relação ao Estado; construção de representatividades sindicais baseadas na formação de cúpulas e apartadas dos trabalhadores da base.
Com bastante habilidade, Vargas fortaleceu o Estado não só em sua relação com os trabalhadores sindicalizados, mas também em sua relação com os empresários. Fazendo concessões aos primeiros, ele nem por isso contrariava os interesses fundamentais dos segundos65 (KONDER, 2003).
O Estado brasileiro cumpriu papel crucial no processo de industrialização do país, por isso atendeu a reivindicações históricas da classe trabalhadora, estabelecendo uma relação dialógica com alguns setores, inaugurando o que foi denominado, por vários autores, de “política populista” (DURANS, 2006). Nesse sentido, o Estado Varguista implementou um conjunto de políticas objetivando regulamentar a relação capital/trabalho, controlando a luta dos trabalhadores, por meio da criação de mecanismos de controle (o Ministério do Trabalho, por exemplo), que visava conter a classe operária, por meio de uma política de conciliação entre o capital e o trabalho66.
Desta forma, permitia a representação dos trabalhadores, junto ao governo e ao patronato, apenas aos sindicatos oficiais, credenciados pelos órgãos de controle
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A intervenção do Estado burguês nas relações entre as classes sociais possui dimensões muito contraditórias. As políticas sociais realizadas pelo Estado, por exemplo, desempenham um papel eminentemente complexo e contraditório em relação aos interesses das classes sociais. É evidente que a complexidade dessa questão ganha novas configurações conforme as particularidades do tempo histórico, no que diz respeito ao estágio de desenvolvimento do capital e suas estratégias de acumulação; a luta de classes; e ao papel interventivo do Estado. O ataque ideológico que o pensamento dominante vem dispensando contra os direitos e as políticas sociais, na atualidade, é empreendido para reverter a formação social capitalista do período de expansão econômica, no pós segunda guerra. Em síntese, as contradições sociais não podem ser compreendidas apenas do ponto de vista moral, ou propriamente ideológico, mas fundamentalmente, a partir da economia política.
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Lopez (1988) destaca que as leis trabalhistas, promulgadas neste período, eram leis de harmonia social, que expressam a idéia de que a supressão do embate das classes sociais dependia de uma legislação social que incorporasse o equilíbrio dos interesses da coletividade, eliminando os antagonismos e ajustando os fatores econômicos.
estatal. Esse fato acabou por subverter, na perspectiva dos trabalhadores, o próprio sentido dos sindicatos como instrumento de luta.
A reação de grande parte da classe operária, frente a esta realidade, foi subversivamente eclodida, a partir da intensificação do movimento grevista, que, atingindo importantes conquistas, fazia crescer as mobilizações das massas, frente às atrocidades imperialistas, que, crescentemente, instauravam-se no país. Mas, a contra- reação, por parte do Estado, veio de forma imediata. Emergiu, através da adoção de medidas repressoras. Todas as manifestações combativas (que geralmente eram conduzidas pela perspectiva ideológica de esquerda) do movimento de trabalhadores foram brutalmente reprimidas (ANTUNES, 1981).
[...] os governos dos países atrasados, que consideram inevitável ou mais proveitoso marchar lado a lado com capital estrangeiro, destroem as organizações operárias e implantam um regime mais ou menos totalitário. [...] a debilidade da burguesia nacional, a ausência de uma tradição de governo próprio, a pressão do capital estrangeiro e o crescimento relativamente rápido do proletariado cortam pela raiz toda possibilidade de um regime democrático estável (AGUENA, 2008, p. 202-203).
Dentre outras medidas, o governo passou a proibir o desenvolvimento de atividades políticas e ideológicas no interior dos sindicatos; vetar a filiação a organizações sindicais internacionais; impedir a criação de organismos sindicais horizontais, como centrais sindicais que representam as bases de todos os sindicatos e negar o direito de sindicalização aos funcionários públicos.
Este modelo de organização sindical perdurou em toda a Era Vargas (1930- 1945), consolidando-se numa poderosa estratégia de manobras políticas das classes dominantes, no interior dos sindicatos, durante as décadas seguintes. O enfrentamento e a desestruturação desta lógica, só despontam na conjuntura do fim da década de 1970, a partir da construção do novo sindicalismo no Brasil.
Da segunda metade dos anos 1950 até 1964, o país atravessou uma crise econômica que gerou dificuldades para a burguesia prosseguir no seu projeto de
desenvolvimento autônomo, em função da crise internacional e da pressão do movimento de massas, por reformas de base no país67, no início dos anos 1960.
Na conjuntura dos anos 1960, o Brasil vivenciou a efervescência da luta de segmentos de trabalhadores, através de sindicatos (que controlados, principalmente, por trabalhistas e comunistas, mantinham-se fiéis ao esquema populista, no entanto, buscavam atuar com relativa independência, sem atrelamento aos velhos pelegos) e outras expressões de movimento social, que, orientados pelo afã de uma transformação na sociedade brasileira, lutavam pelas reformas estruturais (a partir da intervenção) do Estado. Tal movimento se derruiu com o advento do golpe militar, em 1964.
No cenário internacional, predominava, nessa época, a bipolarização do poder político-econômico, com a guerra fria entre as então, potências mundiais, Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que representavam os sistemas sócio-político-econômico-ideológicos, respectivamente capitalismo e socialismo. Entretanto, essa realidade não impediu que a internacionalização do capital desse passos largos, de forma contrária a estagnação das experiências socialistas.
O avanço do processo de internacionalização do capital possibilitara a expansão das multinacionais e do comércio no mundo capitalista, conseguindo, inclusive, atingir, a partir da instalação de empresas multinacionais, uma expressiva liderança industrial no Brasil (BRUM, 1998).
Esta realidade provocou importantes transformações na divisão social do trabalho, através da ampliação de segmentos de trabalhadores industriais, refletindo num maior desenvolvimento no país de atividades terciárias e da formação de novos segmentos de empregados assalariados. “Essas inflexões alteraram a consciência das classes trabalhadoras, enfraquecendo o domínio ideológico que as classes dominantes tinham sobre as subordinadas” (BRUM, 1998, p. 262). Como o capital estrangeiro não importa operários, mas proletariza a população nativa, o proletariado nacional
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Os setores da esquerda progressista da sociedade brasileira propugnavam, neste contexto, a implementação das Reformas de Base, como imperativo da consciência nacional para retirar o país do atraso e subdesenvolvimento. Na verdade, as reformas de base constituiam um conjunto de medidas econômicas e sociais de caráter nacionalista constituintes do plano econômico do então presidente João Goulart. Embora não intencionassem implantar o socialismo no Brasil, objetivavam, além da modernização do capitalismo, a redução das desigualdades sociais do país, a partir da intervenção direta do Estado na economia. Sobre isso confira (BRUM,1998).
começou, muito rapidamente, a desempenhar o papel mais importante na vida nacional. Nesse sentido, a irrupção da luta de classe, no interior dos sindicatos, fez com que o operariado emergisse como força autônoma, com posição própria e mais independente, o que levou a maioria do empresariado nacional a abandonar sua aliança com esse segmento e a aliar-se com o setor multinacional da economia.
A posição nacionalista-estatizante do governo Goulart68 e a emergência política da luta dos trabalhadores preocupavam o empresariado e os setores conservadores. A despeito de preconizar as reformas de base no país, o presidente Goulart não tinha suficiente credibilidade aos olhos da esquerda em geral, e, além disso, irritava as forças de centro e de direita.
De acordo com Brum (1998), dois aspectos importantes podem ser destacados, como principais motivos para os acontecimentos, ocorridos neste período (de radicalização das posições de esquerda e direita), quais sejam: a fraqueza dos setores de esquerda, da organização popular e a deterioração do quadro político- partidário. Argumenta que as classes populares encontravam-se num estágio, ainda embrionário de organização e articulação, que existia muito mais quantidade do que força orgânica articulada, com pouca consistência e representatividade; emergiam e buscavam ocupar seu espaço, mas não tinham condições de respaldar um projeto político global.
Os conflitos entre os interesses de classes contraditórias, explícitos no contexto dos anos 1960, arrefeceram-se devido ao esquema da contra-revolução preventiva, culminada pelo golpe militar, em 1964, montado pelo conluio entre segmentos da classe dominante nacional e o capital estrangeiro, mais precisamente, norte-americano.
A política industrial, fixada pelos governos militares, aprofundou a
dependência do país ao capital internacional. Nesse período, a classe trabalhadora cresceu de cerca de 7,7 milhões para um contingente de 14,3 milhões, centrada no sul e sudeste do país. A ditadura utilizou todos os métodos da era Vargas para controlar a
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João Goulart foi por duas eleições consecutivas eleito a vice-presidente da República do Brasil, em ambos os pleitos foi candidato pelo PTB. Nas eleições de 1955, concorreu a vice de Kubitschek na chapa de coligação entre o Partido Trabalhista Brasileiro e o Partido Social Democrático, respectivamente PTB/PSD. Nas eleições de 1960 foi candidato pela chapa de oposição ao Presidente eleito Jânio Quadros (Partido Democrata Cristão - PDS). Nessa época as eleições para presidente e vice aconteciam separadamente. Goulart veio a se tornar Presidente quando da renúncia de Jânio Quadros em 1961. João Goulart foi deposto do cargo pelo golpe militar de 1964.
ação sindical dos trabalhadores, aperfeiçoando-os e combinando com a repressão. A censura ditatorial dos governos militares repreendeu todas as tentativas de resistência - ao modelo sócio-econômico e político-ideológico instaurado - manifestadas pela sociedade, através das instituições orgânicas de representação de classe, como os sindicatos de trabalhadores, (muitos foram fechados, com o direito de greve suspenso); partidos políticos, ou por meio da organização de outros segmentos (intelectuais e estudantes, principalmente) progressistas da sociedade. As atuações políticas dos setores progressistas voltaram, nesse período, para o anonimato e os sujeitos militantes dos movimentos sociais passaram a agir na clandestinidade, pois todas as formas de resistência eram tratadas, pelo regime, como caso de polícia.
O revigoramento da organização política da classe trabalhadora brasileira ocorre somente no contexto de decadência do regime militar, por volta de 1979. As greves e manifestações, iniciadas nesse período, revitalizaram a ofensiva da classe trabalhadora, em torno das lutas em defesa da reposição das perdas salariais e das bandeiras democráticas no Brasil. A deflagração do novo sindicalismo, nessa época, como movimento político radicalmente subversivo, afirmava a participação de base e a luta por direitos, iniciando um amplo e vigoroso processo de mobilização de amplos segmentos de trabalhadores.
O novo sindicalismo transformou-se, ao longo da década de 1980, num importante processo político de organização dos trabalhadores brasileiros, conseguindo incorporar nas lutas sindicais e, naquelas de cunho político mais amplo, vastos contingentes de trabalhadores de todos os ramos de atividades e categorias profissionais. A mobilização política de vários segmentos de trabalhadores, do campo de esquerda, foi de fundamental importância no processo de construção da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983.
Em meio a uma conjuntura de intensas lutas e mobilizações, diante de debates estratégicos sobre os rumos do país, afirmava-se a necessidade de apoio a construção de uma ferramenta política dos trabalhadores e essa ferramenta foi o Partido dos trabalhadores (PT). No início dos anos 1980 a formação do PT, constituiu- se como uma nova experiência de partido de massa, com referência socialista. Com grande participação da intelectualidade de esquerda, e tendo como base social um
movimento operário em ascensão, em meio a luta contra a vigorosa intervenção política nas lutas progressistas da população brasileira, o PT foi determinante na formação da CUT (MOURA, 2008).
Pode-se dizer que as fronteiras entre os militantes do PT e da CUT, além da ampla maioria dos movimentos sociais e populares, que retomavam suas ações ou se constituíam no pós-ditadura, não estavam claramente definidas. Naquele contexto, o PT expressava o movimento de massa, o conjunto dos trabalhadores, que em geral não estavam ligados aos partidos comunistas. A formação do PT foi de fundamental importância, mas ao mesmo tempo insuficiente para consolidar hegemonicamente um projeto estratégico socialista e revolucionário (MOURA, 2008). A candidatura de Lula nas eleições de 1989, apoiada pelo PT, representou, naquele momento, um projeto alternativo e radicalizado. Seu programa político eleitoral expressava, objetivamente, o vigoroso movimento dos trabalhadores iniciado a dez anos. Mas, a vitória de Fernando Collor de Mello representou a derrota das forças progressistas dos trabalhadores organizadas na sociedade civil.
No início dos anos 199069, o projeto neoliberal ganhou fôlego no Brasil e as
conseqüências da nova realidade foram e continuam claras, basta observarmos como a esquerda, de um modo geral, foi empurrada a um debate marcado pelo compasso da agenda neoliberal. Cada vez mais, setores do movimento sindical brasileiro incorporaram as teses gestadas pelos intelectuais orgânicos da burguesia (MOURA, 2008).
Na concepção de Moura (2008), a nova ofensiva capitalista deixou o movimento dos trabalhadores, partidos de caráter socialista e os sindicatos cutistas a frente de duas perspectivas: enfrentar-se com as estratégias do capital articulando novos métodos de luta e reformulando um programa anticapitalista, ou buscar negociar, pontualmente, na tentativa de defender conquistas e direitos isoladamente.
A rigor seriam essas as perspectivas nas quais as organizações representativas dos trabalhadores encaminhariam as suas lutas. Aparentemente a
69 Os impactos da globalização, incididos na estrutura sindical brasileira, se deram num momento posterior ao dos
países centrais do capital. Isso se deve, a um conjunto de fatores de ordem sócio-econômico-política, peculiares à realidade de cada país, sobretudo, ao fato de o sindicalismo nos países periféricos ser oriundo do período da industrialização tardia. As transformações no mundo do trabalho foram experiências efetivadas, inicialmente, no contexto das experiências capitalistas avançadas, só depois, entraram num processo de mundialização.
primeira perspectiva, seria do ponto de vista político, mais estratégica e compatível com a defesa dos interesses históricos da classe trabalhadora. Contudo, a experiência histórica vem nos mostrando um processo de profunda descaracterização dos projetos anticapitalistas, e nesse aspecto, é importante atentar para o significado do que seria a reformulação do projeto anticapitalista. É fundamental observar em qual direção esta “reformulação” é concebida, se numa perspectiva de ruptura com a ordem ou com as lutas que apontam para a necessidade de superação da ordem capitalista. A segunda perspectiva apontada é, no final das contas, uma tentativa inócua de preservação de emprego, salário e direitos, numa sociedade que, pelas suas determinações, é incapaz de oferecer ou permitir que todas as pessoas tenham acesso a essas condições. Ambas, as perspectivas apresentadas pelo autor seriam, noutras palavras, formas de resignação ante as determinações do capital, que gera um arrefecimento concreto na ação combativa das lutas sociais.
A concepção marxiana, sobre os limites das lutas em da defesa dos salários, nos ajuda a refletir melhor essa problemática. Conforme Aguena (2008),
Em salário preço e lucro, [Marx] alerta que os operários não podiam cair na armadilha de superestimá-las [as lutas em defesa do salário], porque elas se dirigiam contra os efeitos e não contra as causas que levavam à queda dos salários, ou melhor, o próprio sistema de exploração capitalista baseado na busca do lucro. Se bem que as lutas em defesa dos salários serviam para refrear o movimento descendente da baixa salarial, elas não alteravam seu curso geral. Ou seja, a pressão permanente por rebaixamento salarial era imposta, em última instância, pela própria necessidade dos capitalistas manterem seus lucros sobre o fogo cruzado da crescente concorrência entre eles. [...] Assim, as lutas da classe operária, se ficassem restritas à lógica da melhoria do sistema assalariado, ou seja, ao sistema sobre o qual se apóia a exploração capitalista, se encontrariam presas num círculo vicioso. Por isso defender que os operários, ao invés de lutarem sob a palavra de ordem „um salário justo por um dia de trabalho justo‟ deviam lutar pela palavra de ordem revolucionária „abolição do trabalho assalariado‟. Logicamente, isso não significava desprezar e subestimar a importância da luta econômica, mas alertar que seria um erro fazer dela um fim em si mesmo (p. 14).