• Sonuç bulunamadı

A preparação para a repatriação ou o período entre o acerto do retorno ao Brasil e a volta propriamente variou de quinze dias a seis meses, sendo que para boa parte dos repatriados, foi de três meses. Os códigos que formam esta categoria são questões burocráticas, legais e tributárias e passagem de bastão no exterior, entendida como a transferência das atividades desempenhadas pelo entrevistado para o colega de trabalho que assumiria sua função na unidade estrangeira.

• Questões Burocráticas, Legais e Tributárias

Entre as questões burocráticas necessárias para a finalização da designação internacional, estão o cancelamento de contratos firmados no exterior, a mudança ao Brasil e outras ações para regularizar a situação legal e tributária do expatriado e sua família. Com relação ao cancelamento de contratos, a maior parte dos entrevistados declarou que a empresa forneceu suporte através da contratação de um serviço de realocação especializado, o que, segundo os relatos, facilitou o retorno.

A ajuda lá pra fechar as coisas foi fantástica [...] nesse sentido, eu não me preocupei com absolutamente nada (E3-HOK).

Realocação eles vêem tudo, toda quebra de contrato, tudo lá... Toda quebra de contrato, seja, sei lá, academia, seja TV a cabo, internet, telefone, tudo, tudo, tudo... Então, lá o suporte foi tranqüilo (E13-ALE).

Essa empresa que me auxiliou cancelou todos os contratos, coordenou a entrega do apartamento na volta (....) essa empresa organizou tudo, fez o acompanhamento, fez auditoria, todos os contratos eles me auxiliaram nesse processo, de forma que a minha responsabilidade foi só fechar a minha mala, com objetos pessoais... (E15- FRA).

De forma similar ao cancelamento de contratos, a maioria dos relatos evidenciou que as multinacionais forneceram suporte para a mudança do país da expatriação ao país de origem.

Quando eu vim embora, um dia antes ou dois dias antes, foi uma empresa lá, empacotou tudo bonitinho em caixa, colocou tudo em caixa, levaram, eu só tive que assinar as coisas. Então foi 100% bacana (E3-HOK).

Mudança é direto com a (nome da empresa), é direto com a empresa. Eles fazem isso, tanto aqui no Brasil pra lá quanto de lá pro Brasil, chegam em casa, empacotam tudo, saem em quatro horas com tudo de lá (E5- ALE).

Então nesse período eu contratei uma mudança, um seguro, no dia vinte e sete de dezembro, a mudança foi lá, recolheu todos os itens, eles empacotaram, deixaram tudo organizado, o apartamento ficou limpo (E15-FRA).

Apesar do suporte oferecido na maioria dos casos, as falas dos entrevistados evidenciaram que o processo de fechamento dos contratos e pendências no exterior foi bastante cansativo e trabalhoso.

Por sorte, a empresa tem um pacote muito bacana, uma estrutura que dá apoio, mas essas coisas práticas são bastante, elas consomem muito tempo e geram uma certa insegurança, desde cancelar contrato com empresa de telefone, TV a cabo até resolver questões de visto, tudo isso é complicado (E10-ALE).

É presencial. Lá você tem que assinar muita coisa. Tem que resolver, mandar pintar apartamento e tal. E por causa do nervosismo eu tive um, na última semana antes de ir embora, minha esposa já estava no Brasil, tive que mudar para o hotel, entregar casa, mexer nas coisas... Tive um problema de cálculo renal. Tive que ficar mais um tempo no hospital [...]. É a pressão. Quando fui para o hospital e não consegui... Só consegui nesse meio tempo uma semana de férias. Eu perdi muitas férias. Não é um processo fácil, muito estressante (E14-SUI).

No lado emocional, foi muito desgastante, mas teve um certo momento que foi um alívio, meio que abrir uma garrafa de champanhe na sua mesa (E10-ALE).

Outro ponto complicado referente à preparação para a repatriação diz respeito às questões legais e tributárias, como imposto de renda, seguro, documentação para sair do país e para crianças nascidas no exterior, bem como para validação dos estudos realizados lá fora.

Teve um probleminha ou outro com a parte de exigência legal no país, questão de documentação que tinha que ser preenchida, que passava uma, preenchia, mas não era bem essa, tem essa outra (E3-HOK).

No meu caso tinha a questão legal da documentação do (nome do filho), que nasceu lá. O RH deu apoio (E7- ING).

A questão da escola, porque tem que fazer uma, minha filha teria que parar, sair da escola e vir pra cá, então a (nome da empresa) ajudou com a questão do cartório, que tinha que traduzir algumas coisas... Juramentada. Na verdade, não é que faz, indica pessoas que podem fazer (E17-ARG).

Eu acho que o que mais demorou foi o processo de fronteiras, então a parte do que era na Venezuela e a parte do que era no Brasil, então você comunicar as duas áreas dos despachantes, a papelada do seguro que eu tive que fazer, isso demorou bastante (E18-VEN).

• Passagem de Bastão no Exterior

Outro assunto que apareceu nos relatos a respeito da preparação para a repatriação diz respeito ao handover ou passagem de bastão, entendida como a transferência das atividades que eram de responsabilidade do expatriado para algum colega de trabalho. Em alguns casos, este processo ocorreu de forma tranqüila.

A pessoa lá entrou umas três semanas antes de eu sair, então foi mais tranqüilo, eu tive um pouco mais de tempo para passar para ela (E1-SUE).

Porque o meu substituto também era interno na empresa, então em um mês ele passou as atividades dele pro substituto dele, sentou um mês do meu lado pra, eu passei as minhas atividades todas pra ele no meu último mês e depois eu embarquei (E5-ALE).

Então foi contratada uma pessoa, quer dizer, a gente ficou quase ali um mês trabalhando junto, mais preocupado nas últimas semanas, eu já comecei a participar um pouco menos. Essa era uma pessoa que tinha uma experiência muito grande nessa área específica de mercado, então, quer dizer, não precisou ter um acompanhamento muito próximo porque já conhecia, já tava dentro do mercado (12- EUA).

Porém, alguns entrevistados relataram que o processo de passagem de bastão foi mais complicado e que, mesmo após a volta ao Brasil, foi necessário continuar a desempenhar

atividades relativas à expatriação. Também foi preciso retornar ao país da designação mesmo após a repatriação para a finalização de alguns projetos.

Outras empresas do grupo de Portugal me pediram para fazer serviços para eles porque eu tinha um know-how específico, esse de pricing. Então, eu passei seis meses com sede no Brasil fazendo projetos ainda em Lisboa. E viaja para lá, bate e volta e tudo. Uma situação meio atípica até (E2-POR).

Então eu fiquei meio que, eu vim em junho, só que dia 20 de junho eu tava lá de novo, pra mais dez dias de reunião [...] e na empresa quem me substituiu [...] também só poderia vir em junho, então eu voltei pra lá no final de junho, quando eu já tava aqui, justamente pra fazer o handover. Passei pros meus assistentes, mas quando ela chegou fisicamente, eu voltei pra lá, que era parte do acordo, pra fazer o

handover com ela (E4-ITA).

Bem, é muita coisa presencial que você tem que estar. No escritório em si, é claro que você muda toda a sua rotina para se organizar, fechar projetos. O tempo para se repor um cargo global... Nos poucos meses, na realidade, três meses é muito [...]. Ou seja, eu já sabia que eu ia sair de lá sem uma pessoa. Então, o acordo foi: eu voltaria para o Brasil e uma semana depois eu voltaria para a Suíça para passar uma semana para fazer o handover. E, nesse caso, também o que acontecia? O Brasil também queria que eu participasse de coisas [...]. Eu ainda estou no processo de handover (E14-SUI).