Os participantes puderam contar com a presença da pesquisadora durante o emprego dos dois instrumentos de coleta de dados e, consequentemente, tiveram a oportunidade de auxílio acerca do que estava sendo pedido nos mesmos.
4.3. Os instrumentos de coleta de dados.
O presente trabalho contou com dois instrumentos de coleta de dados: um questionário e um roteiro de entrevista semiestruturada.
4.3.1. O questionário.
O questionário aplicado como um primeiro instrumento de pesquisa teve por função realizar uma sondagem inicial acerca dos questionamentos iniciais da pesquisadora. O mesmo foi aplicado junto aos docentes participantes entre os meses de março e abril do ano de dois mil e quinze.
De acordo com Gil (2008) a aplicação de um questionário traz algumas vantagens, entre elas a “garantia do anonimato das pessoas; não expõe os pesquisados à influência das opiniões e do aspecto pessoal do entrevistado e possibilita atingir grande número de pessoas, mesmo que estejam dispersas numa área geográfica muito extensa” (GIL, 2008, p. 122).
O questionário (APÊNDICE I) contou com questões abertas e fechadas que contemplou dois grandes momentos:
I) Os dados gerais de identificação dos participantes, que abrangiam informações acerca da idade, formação, tempo de trabalho, entre outros; II) Dez questões específicas sobre o ensino de Sistemática e Taxonomia,
subdividido em três partes com questões que referiam-se aos a) conceitos específicos acerca do tema (quatro questões), b) a metodologia de trabalho em sala de aula por parte do professor (quatro questões) e, por último, c) a formação docente (duas questões).
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Observa-se que algumas das questões referentes aos conteúdos específicos bem como algumas daquelas relacionadas às metodologias de trabalho em sala de aula dizem respeito ao que é abordado pelos Cadernos do Professor e do Aluno.
Além disso, é importante ressaltar que a pesquisa foi formalizada mediante a assinatura de termo de consentimento livre e esclarecido pelos participantes; documento este que trazia as informações gerais do trabalho, bem como seus objetivos (APÊNDICE II).
Após a categorização exaustiva das ideias obtidas pelas respostas dos participantes, foi realizada a análise dos dados por intermédio da análise de conteúdo (AC), método este apresentado nas seções subsequentes.
Feito isso, encontrou-se algumas lacunas a serem preenchidas e, sendo assim, optou-se por realizar um segundo momento de coleta de dados; momento este caracterizado por uma entrevista semiestruturada.
4.3.2. A entrevista semiestruturada.
A entrevista semiestruturada é usualmente utilizada como uma estratégia adotada em trabalhos de campo. Minayo (2013) enfatiza que o trabalho de campo “permite a aproximação do pesquisador da realidade sobre a qual formulou uma pergunta, mas também estabelecer uma interação com os atores que conformam a realidade e, assim, constrói um conhecimento empírico importantíssimo para quem faz pesquisa social” (MINAYO, 2013, p. 61).
Por sua vez, Bogdan e Biklen (1994) descrevem a entrevista como aquela “utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 134).
Em relação ao tipo de entrevista, optou-se por utilizar um roteiro semiestruturado, pois o mesmo “combina perguntas fechadas e abertas, em que o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada” (MINAYO, 2013, p. 64). Ainda nas palavras de Bogdan e Biklen (1994, p.
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135), “nas entrevistas semiestruturadas fica-se com a certeza de se obter dados comparáveis entre os vários sujeitos”.
De acordo com os assuntos tratados no questionário, o roteiro de entrevista semiestruturada (APÊNDICE III) reuniu quatorze perguntas, sendo elas distribuídas em quatro momentos (partes):
1ª Parte: Conteúdo; 2ª Parte: Currículo; 3ª Parte: Metodologia;
4ª Parte: Fechamento e possíveis perspectivas futuras.
A elaboração das questões que compunham o roteiro de entrevistas ocorreu após a análise dos dados concedidos pelo questionário e, a partir disto, os quatro momentos de entrevista tiveram uma questão norteadora, isto é, uma pergunta do questionário que fazia alusão àquilo que poderia ser abordado nos momentos de cada parte do roteiro da entrevista.
A primeira parte do roteiro contou com quatro questões que faziam referência aos conteúdos tratados pela Sistemática e Taxonomia Biológica, além da importância do ensino dos temas tratados por essas duas áreas das Ciências Biológicas.
A segunda parte, por sua vez, também reuniu quatro questões que faziam alusão ao currículo, representado neste trabalho como os materiais concedidos pelo Governo do Estado de São Paulo (Caderno do Professor e do Aluno).
Por meio de quatro questões referentes à metodologia, a terceira parte do roteiro de entrevista abordou o modo como os docentes ensinam os conteúdos da Sistemática e Taxonomia Biológica aos seus alunos, além dos recursos utilizados, dificuldades e critérios de avaliação, este último item baseado no que é proposto pelos Cadernos do Professor e do Aluno.
Por fim, a quarta parte do roteiro trouxe dois questionamentos que diziam respeito a possíveis prospecções futuras acerca dos assuntos tratados no roteiro.
Salienta-se que para a realização da entrevista, foram convidados cinco professores participantes (n=5), isto é, um terço do total dos docentes que responderam ao questionário (n=15). Para a escolha dos mesmos, a pesquisadora teve como critério de seleção os questionários cujas respostas foram consideradas como as mais significativas, ou seja, o conjunto de respostas que ofereciam maior diversidade e riqueza de concepções
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e opiniões no que se diz respeito aos conteúdos, ao modo e ao motivo de ensinar Sistemática e Taxonomia Biológica na disciplina de Biologia do Ensino Médio.
Dessa maneira, a pesquisadora entrou em contato com os participantes previamente selecionados por meio de seus endereços eletrônicos para que assim fosse realizado o convite para este segundo momento de coleta de dados. Os participantes selecionados foram os seguintes: P4, P6, P10, P14 e P15. Mais uma vez, ressalta-se que todos os participantes assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido no momento do início da realização da entrevista (APÊNDICE IV).
Feito o convite pela autora da dissertação e o aceite por parte dos docentes participantes, foi agendado um horário para que os mesmos se reunissem individualmente, isto é, pesquisadora e docente. Todas as entrevistas foram realizadas nas residências dos entrevistados, exceto o participante P14 que optou para que a realização da entrevista ocorresse na própria escola em que ministra aulas.
A primeira entrevista concedida foi a do participante P15, na tarde do dia 12/07/2015 com duração de aproximadamente cinquenta minutos.
A segunda entrevista, concedida pelo docente P6, foi realizada na tarde do dia 13/07/2015, com duração aproximada de duas horas e quinze minutos.
A terceira entrevista foi realizada com o professor participante P4, feita na tarde do dia 02/10/2015, com duração de duas horas.
A quarta entrevista ocorreu com o docente P10 e foi realizada na tarde do dia 05/10/2015, com duração de uma hora e cinquenta minutos.
Por fim, a quinta e última entrevista foi concedida pelo participante P14, na manhã do dia 22/10/2015, com duração de aproximadamente cinquenta minutos.
As gravações das entrevistas foram feitas pelo gravador de um celular IPhone 5S, da marca Apple e as transcrições foram realizadas pela pesquisadora. Manzini (2006) discorre sobre as transcrições das entrevistas e os recortes que ocorrem nas mesmas:
Os dados que podem ser analisados, tendo como procedimento de coleta uma entrevista, são inúmeros e o produto verbal transcrito é um dos possíveis recortes desses dados. Dessa forma, temos optado, atualmente, por utilizar as expressões informações advindas da entrevista, dados advindos da entrevista, verbalizações advindas das entrevistas, ao invés da expressão a entrevista foi transcrita e analisada, pois, como apontamos, muitas podem ser as informações transcritas, de
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natureza verbal ou não-verbal, e muitos podem ser os dados a serem analisados (MANZINI, 2006, p. 371).
Como será visto na seção abaixo, assim como no questionário, os dados obtidos na entrevista também foram discutidos por meio da análise de conteúdo (AC).