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II. Bölüm: Kuramsal Çerçeve

2.5. Sosyal Bilgiler Öğretiminde Kullanılan Bazı Öğretim Yöntem ve Teknikleri

Desse modo, os dados da primeira etapa foram codificados, quantificados e analisados descritivamente, e os dados da segunda etapa foram analisados pelo método do Discurso do Sujeito Coletivo, proposto por Lefèvre e Lefèvre (2010).

2.7.1 Primeira etapa – técnicas de análise de dados quantitativos

Para analisar os dados obtidos na primeira etapa, a pesquisadora realizou os seguintes passos:

 examinaram-se os dados obtidos para obter uma percepção das informações;

 criaram-se as seguintes categorias:

A) para o formulário sociodemográfico: idade, cor, estado civil, religião, se frequenta escola e, nos casos afirmativos, qual o tipo, grau de escolaridade, composição familiar, trimestre de gestação da participante, se trabalha e com o quê, se havia desejo de engravidar no presente momento;

B) para o CCEB: a partir do modelo de classificação da ABEP, os resultados foram somados e classificados conforme categoria de classificação;

C) para o diário de ocupações: os dados foram distribuídos a partir das definições e classificações das ocupações e das atividades classificadas em cada subcategoria apresentadas pela Associação Americana de Terapia Ocupacional (2015) em: atividades de

vida diária (AVD), atividades instrumentais de vida diária (AIVD), trabalho, educação, descanso e sono, participação social, lazer e brincar;

D) para a lista de inquérito das ocupações maternas: as questões foram categorizadas conforme as respostas “sim”, “não” das participantes. Em outros períodos da gestação, anterior à gestação e nos casos que a adolescente acrescentava alguma informação sobre a resposta, esta foi descrita.

Codificou-se se e tabularam-se os dados em planilha do software da Microsoft Excel.

 Realizou-se análise estatística dos dados por meio da escala nominal ou classificadora.

 Os dados foram representados de modo descritivo em quadros.

2.7.2 Segunda etapa – técnicas de análise de dados qualitativos

Na segunda etapa, a pesquisadora usou os seguintes passos para tratar dos dados obtidos:

 transferiu os dados do gravador para o computador;

transcreveu cada entrevista no software da Microsoft Word.

Depois de registrados os dados, a pesquisadora seguiu os passos do Método do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), apresentados por Lefèvre e Lefèvre (2010), para análise de dados. O método foi desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP) no fim da década de 1990 para pesquisas que tenham como material de base os depoimentos. O uso desse método permite que os resultados sejam generalizados e apresentados em uma escala coletiva “como uma opinião naturalmente se apresenta, isto é, como depoimento em forma de discurso” (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010, p. 16).

O DSC é uma técnica de tabulação e organização de dados qualitativos, que tem como fundamento a teoria da representação social. É um discurso-síntese que consiste em uma série de procedimentos sistemáticos e padronizados sobre a matéria-prima dos depoimentos individuais, gerando, no fim do processo, depoimentos coletivos (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010; FIGUEIREDO; CHIARI; GOULART, 2013).

Enquanto técnica de pesquisa empírica, o DSC representa uma mudança nas pesquisas qualitativas. Ao ter como objeto o pensamento de coletividades, permite conhecer pensamentos, representações, crenças e valores de uma coletividade sobre um determinado tema, resgatando o universo de diferenças e semelhanças existentes entre os atores sociais ou sujeitos coletivos que o habitam (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2006; LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010; FIGUEIREDO; CHIARI; GOULART, 2013).

Cada depoimento coletivo ou DSC possibilita acessar uma opinião, posicionamento distinto ou representação social porque os indivíduos acreditam que suas expressões de opinião sejam genuínas. Portanto, o resultado final de uma pesquisa representa a coletividade falando na primeira pessoa do singular, composta por diferentes opiniões, em forma de DSC, existentes em uma determinada população pesquisada (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010; FIGUEIREDO; CHIARI; GOULART, 2013).

Diante dos depoimentos individuais obtidos com a realização da pesquisa, estes precisarão ser processados a fim de que se obtenha o pensamento da coletividade pesquisada. Assim, a técnica consiste em analisar o material verbal coletado utilizando-se de operadores do DSC – expressões-chave, ideias centrais, ancoragem e discurso do sujeito coletivo (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010).

As expressões-chave (ECH) são trechos, pedaços, contínuos ou descontínuos, do discurso que devem ser selecionados pelo pesquisador e revelam a essência do conteúdo do depoimento ou da teoria subjacente (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010; FIGUEIREDO; CHIARI; GOULART, 2013).

A ideia central (IC) é um nome ou expressão linguística que revela e descreve o(s) sentido(s) das ECH de cada resposta analisada e de cada conjunto homogêneo das expressões-chave, que posteriormente dará nascimento ao DSC (que também recebe o nome de categoria) (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010; FIGUEIREDO; CHIARI; GOULART, 2013).

A ancoragem (AC) é a expressão de uma dada teoria ou ideologia declarada pelo autor do discurso, utilizada como uma afirmação qualquer. Esse tipo de ECH remete não apenas a uma IC, mas à afirmação denominada AC (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010; FIGUEIREDO; CHIARI; GOULART, 2013).

O discurso do sujeito coletivo (DSC) é uma reunião em um discurso-síntese que se redige na primeira pessoa do singular constituído de ECH que têm ICs ou ACs semelhantes (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010; FIGUEIREDO; CHIARI; GOULART, 2013).

Em relação aos procedimentos sistemáticos e padronizados para a confecção dos depoimentos coletivos redigidos com o material dos depoimentos individuais, a Figura 1 demonstra como os DSCs foram assim reconstituídos (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010; LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2010):

FIGURA 1 – Etapa para construção do DSC

Fonte: Figura adaptada do livro Lefèvre e Lefèvre (2003)

A descrição da reconstrução dos procedimentos dos discursos (Lefèvre; Lefèvre, 2010) está apresentada a seguir:

1) Com base nos princípios do DSC, cada questão da pesquisa foi analisada, selecionando-se literalmente de cada resposta as suas ECH.

2) Em seguida, cada um desses conteúdos selecionados associou-se a uma expressão sintética – a IC – que enuncia o sentido presente nas respostas.

3) Posteriormente, foram identificadas as ideias centrais que apresentavam sentido semelhante. Essas ideias foram agrupadas em uma categoria genérica que nomeavam tal sentido semelhante. Identificação de expressões- chave (ECH) Distribuição em ideias centrais (IC) Ancoragem (AC) Transcrição

dos discursos Agrupamento

das IC

Discurso do sujeito coletivo

4) Por fim, as ECH das respostas presentes na mesma categoria foram reunidas nos discursos dos sujeitos coletivos redigidos na primeira pessoa do singular. Cada DSC expressou um posicionamento presente na população pesquisada sobre o tema em questão.

— Gordinha, eu sei que eu ando muito chato, grosso, mas é que eu estou desesperado. Eu não posso ser pai, você entende? Eu não quero ser pai com dezessete anos. Eu gosto de estar com você, adoro a sua família, sua mãe é muito legal, mas não quero ser pai de ninguém. Você está entendendo? [...] — Estou entendendo, Ri. Você não quer ser pai. Mas você entende que eu posso querer ser mãe? Eu às vezes não me importo de ter um bebê. Eu vou saber cuidar. Aí, se você quiser, você vem visitar; se não, eu falo que não tem pai. Pronto.