IV. BULGULAR ve YORUM
4.5. Sosyal Bilgiler Öğretim Programında Yer Alan Değerlerin Kazandırılma
Desde 1953, “o engenheiro Homero Carlos Simon havia trabalhado na instalação dos transmissores na ilha da Pintada52 , de forma a aproveitar a conformação geográfica do local para melhorar as irradiações” (Ferraretto, 2007, p. 96). Desde o início, a Rádio Guaíba teve uma grande preocupação com a questão da qualidade de som e também com a programação.
A partir de 1957 e, logo um ano depois de sua inauguração, a Rádio Guaíba começou a conquistar espaço como meio de informação, instalando-se no imaginário da sociedade gaúcha. Um dos fatos mais emblemáticos da história da emissora aconteceu em 1961, período em que o então governador gaúcho, Leonel Brizola, formou a “Rede da Legalidade”. No palácio do governo, foi instalada uma central radiofônica, que contou com a participação de rádios da capital e do interior do Rio Grande do Sul (VAMPRÉ, 1979, p. 139). De acordo com Cláudio Mércio (2008, p. 272), “durante um período de dez dias, a Guaíba viveu uma programação de exceção, ou seja, em que não teve gerência sobre o que estava sendo transmitido: a Rede da Legalidade”. Mércio (2008, p. 273) explica de que forma a Guaíba foi utilizada pela rede:
As rádios Gaúcha e Farroupilha haviam sido tiradas do ar na madrugada do dia 26 de agosto por ordem do Ministro da Guerra. Os transmissores foram lacrados por terem transmitido manifesto do Marechal Henrique Teixeira Lott, que denunciava a tentativa de golpe dos ministros militares. A alternativa para Leonel Brizola é recorrer à Rádio Guaíba. O então proprietário da Companhia Jornalística da Caldas Júnior, Breno Caldas, exigiu, porém, que Brizola registrasse em documento a requisição da emissora, para assim, não ser responsabilizado por qualquer ação.
Breno Caldas não aceitou. Mas respondeu que liberaria a Rádio Guaíba para a Legalidade, caso a transmissão ocorresse em outro lugar. E foi o que realmente aconteceu. O engenheiro Homero Carlos Simon conseguiu, então, realizar uma série de manobras técnicas ao instalar uma estrutura de transmissão nos porões do Palácio do Governo. Conforme Mércio (2008), o Palácio estava ligado com o estúdio através de um longo cabo, o que gerou muita apreensão nos envolvidos pelas transmissões.
Mércio (2008, p. 278), conta que:
52 Ilha integrante do Parque Estadual Delta do Jacuí. Se localiza no bairro Arquipélago da cidade de
Radialistas, jornalistas, políticos e voluntários mantinham a Rede da Legalidade ininterruptamente no ar. Na programação, são irradiados os discursos do governador, informações, mensagens de mobilização e marchas militares. Também eram transmitidos regularmente boletins em francês, inglês, espanhol, italiano e alemão. A Rede da Legalidade chegou a ter um programa, com horário definido. É o A ponte da amizade, irradiado das 2h às 4h da madrugada. Nele, os ouvintes enviam recados a familiares e amigos de outros Estados. Para impedir as transmissões radiofônicas, os militares prepararam-se para bombardear o Palácio Piratini. Sargentos da Aeronáutica da Base Aérea de Canoas, 279 responsáveis pela manutenção das aeronaves, no entanto, esvaziaram os pneus dos aviões evitando, dessa forma, o ataque.
A Rede da Legalidade, segundo Mércio (2008, 279 – 280), “tinha cumprido seu papel. João Goulart chegou a Brasília em 5 de setembro e tomou posse no dia 7, mas dividiu o poder com o gabinete ministerial, chefiado por um primeiro-ministro”. No dia 6 de setembro de 1961, Leonel Brizola enviou ofício à Rádio Guaíba, liberando a emissora para suas transmissões normais.
Além do engenheiro Homero Carlos Simon, outro profissional que foi fundamental durante o episódio da Rede da Legalidade, mas também durante muitos anos, foi Celso Costa. Costa escreveu seu nome na história do rádio do Rio Grande do Sul, pois notabilizou-se por indicar os primeiros caminhos tecnológicos que permitiram a cobertura de Copa do Mundo, principalmente pela Rádio Guaíba. Celso Costa, conforme entrevista ao projeto Vozes do Rádio, em 2002, contou detalhes de sua trajetória, desde os tempos de experimentos amadores na infância, até o instante que atuou ao lado de Maurício Sirotsky Sobrinho, no serviço de alto-falante, em Passo Fundo. Com Sirotsky, trabalhou na Rádio Passo Fundo, em 1947. Celso Costa relata ao projeto Vozes do Rádio (2002).
No início da década de 50, fui morar em Porto Alegre, para trabalhar na Rádio Farroupilha, como chefe do transmissor, um RCA de 50 quilovates. Em 1954 fui testemunha de um dos maiores incidentes da história do rádio gaúcho. A rádio Farroupilha, que funcionava nos altos do Viaduto da Borges de Medeiros em Porto Alegre, foi totalmente destruída por militantes pró Getúlio Vargas, horas após o suicídio do presidente. Nada restou da sede da emissora pertence aos Diários Associados de Assis Chateaubriand, empresa de comunicação que não poupava críticas contra o pai dos pobres.
Celso Costa, antes de integrar a Rádio Guaíba, ainda nos anos 1950, trabalhou na Rádio Nacional e na TV Tupi, ambas no Rio de Janeiro. Ele também atuou
profissionalmente no exterior, tendo sido funcionário do Voz da América53, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Em 195754, trabalhou em toda a montagem da estrutura técnica da Rádio Guaíba, sendo um dos fundadores da emissora. Na entrevista ao projeto Vozes do Rádio (2002), Celso detalhou de que forma ocorreu a instalação da estrutura da Guaíba:
O equipamento já estava todo comprado. O engenheiro Homero Simon era um homem de grande competência, professor da PUC e da UFRGS. O equipamento era Philips, o Homero era um homem muito nacionalista, então o equipamento era todo nacional, o que foi um erro. Na época já existia coisa muito boa importada. Nós iniciamos com equipamento de terceira categoria na Rádio Guaíba. Equipamento de estúdio e de transmissor. Sofremos muito porque o transmissor começou a queimar quase que semanalmente. Grandes perdas de transformadores de alta potência, porque aquela zona onde está o transmissor da Guaíba, ali na ilha da Pintada, é muito úmida. E o transmissor ficou muito tempo parado ali, ficou 3, 4 anos ali, e, quando entrou em funcionamento pleno, começou a estourar tudo. E o Homero não admitia comprar equipamento importado.
E completou:
A Guaíba só comprou equipamento importado agora na gestão da família Bastos. Por que até então o transmissor era Philips, fabricado em São Paulo. O equipamento de estúdio também não era bom, o equipamento de externa era péssimo, construído por nós mesmos. Mas como podia uma emissora da qualidade da Rádio Guaíba, da categoria da programação, principalmente os esportes? Era o que eu dizia sempre para eles: “Olha doutor Márcio, o doutor Breno Caldas que é o proprietário da Rádio e diretor, tem uma Mercedes Benz, porque nós não podemos ter um equipamento importado?” (COSTA, 2002).
Conforme Vampré (1979), os anos 1960 continuavam difíceis para o rádio, em relação ao avanço da TV. Após a Copa de 1958, as principais rádios de todo o país fizeram o possível para equipar-se da melhor forma e cobrir a Seleção Brasileira, aonde quer que fosse jogar. Exemplo disso, foi pouco antes da Copa do Mundo de 1962, no Chile. Emissoras de diversas partes do Brasil estiveram presentes em Assunção para transmitir um amistoso preparatório do Brasil, diante do Paraguai. Pelo Rio Grande do Sul, estavam cobrindo o jogo as Rádios Guaíba e Gaúcha. Se no Brasil
53 A Voice of America (em português, conhecida como Voz da América) ou VOA é o serviço oficial de
radiodifusão internacional financiado pelo Governo Federal dos Estados Unidos e autorizado a operar exclusivamente fora de território americano. É retransmitida em mais de 44 idiomas (via rádio) e 24 idiomas (via televisão) por várias estações ao redor do mundo e está sob supervisão do International
Broadcasting Bureau, uma instituição vinculada ao Presidente dos Estados Unidos e que teoricamente
garantiria a isenção da VOA perante a política externa norte-americana. A Voz da América tem seus escritórios localizados na 330 Independence Avenue SW, em Washington DC, 20237, nos Estados Unidos.
54 Em 2014, a direção da Record, atual detentora do sistema Correio do Povo, Rádio Guaíba e TV
as dificuldades técnicas eram imensas, no exterior as emissoras, muitas vezes, “penavam” para colocar uma transmissão no ar. Sobre a Copa de 1962, Ferraretto (2014) destaca ainda que, no Rio Grande do Sul, “apesar de já existir alguma produção nacional, os receptores – em sua maioria, da marca Spica – chegam, então, não raro, contrabandeados pelo porto de Rio Grande”. Desde a Copa de 1958, quando o ato de “colar o rádio ao ouvido” começou a fazer parte da cena urbana, foi encarado por muitas pessoas, conforme Ferraretto (2014), como uma espécie de epidemia. O autor cita uma reportagem, de 1960, feita pela revista Visão, que buscava compreender o significado do uso do rádio de pilha naquele período:
Nas filas de ônibus, nos lotações, bondes e ônibus, nas praias e estádios, nas repartições e nas ruas, em toda parte, até nos cinemas, os rádios portáteis se fazem presentes. Uma conversa na condução é, não raro, perturbada pela intromissão do instrumento sintonizado em altos brados. Como se isso não bastasse, surgem as situações mais esdrúxulas: num jogo de futebol há sempre espectadores que parecem não acreditar naquilo que enxergam no campo e mantêm os seus ouvidos colados aos radiozinhos; na Bienal de São Paulo se podiam surpreender vários visitantes observando as obras de arte, enquanto ouviam os seus aparelhos; na praia, o rádio incorporou-se à bagagem dos banhistas, tornando-se elemento tão importante ou mais que a barraca, o pé de pato, a bola de vôlei ou o cachorrinho que a grã-fina leva às areias de Copacabana; e nos cinemas, em meio aos filmes de maior suspense, espectadores veem-se obrigados a reclamar contra vizinhos que ligam o respectivo rádio, que muitos já denominam de “maquininha infernal”.
A qualidade de som, na medida que a tecnologia avançava, foi apresentando algumas novidades. E no caso do rádio, que, conforme Vampré (1979), depende apenas do ouvinte, foi fundamental o aprimoramento técnico, principalmente do som transmitido. Em 1966, o rádio passou a utilizar o sistema estereofônico, isto é, começou a trabalhar com dispositivos de duplos canais, valorizando e permitindo a captação, no caso das gravações, e a emissão de diferentes elementos de som. A valorização dos elementos sonoros tornou-se uma tônica no rádio nos anos seguintes. Passou-se, principalmente a partir dos anos 1970, com maior ênfase dos anos 1980 até à atualidade, a distribuição de microfones ambiente, principalmente próximos aos torcedores. Com a mobilidade proporcionada pelo avanço tecnológico, que permitiu uma movimentação cada vez mais livre dos repórteres esportivos, os próprios profissionais passaram a incrementar as transmissões, compreendendo que o som também pode ser uma informação. Há uma série de exemplos de muitos repórteres que passaram a executar e que, ainda hoje, utilizam recursos sonoros em uma jornada
esportiva, por exemplo: a captação de um som durante uma cobrança de escanteio. Enquanto o narrador descreve oralmente, o som do impacto do chute na bola enriquece o momento. O ruído emitido pelo apito do árbitro. Os gritos dos treinadores à beira do gramado. O impacto da bola ao chocar-se com a trave. Os ruídos de uma forte tormenta durante a disputa de um jogo. Os sons dos alto-falantes do estádio. São exemplos de recursos que, ao longo do processo evolutivo das jornadas e da tecnologia, passaram a tornar-se elementos presentes nas transmissões. Porém, é bom enfatizar que os recursos sonoros sempre foram características exploradas no rádio, com destaque para as radionovelas e radio-teatros, que, em muitos momentos, desde os anos 1930, utilizaram a sonoplastia para caracterizar situações o máximo possível.