IV. BULGULAR ve YORUM
4.1. Değer Kavramına İlişkin Elde Edilen Bulgular
Existe mais uma questão de fundamental importância que será abordada para entender-se como falam os narradores de futebol do rádio porto-alegrense: a linguagem radiofônica. A voz nada mais é do que a principal ferramenta dos locutores de futebol. Independente do timbre19, do tipo ou do alcance vocal, nada faz sentido sem a voz. Nenhuma análise retórica, de técnicas ou de estilos fará a mínima diferença se a voz não for considerada. Porém, é importante ressaltar que a linguagem radiofônica não é feita apenas da voz dos locutores. Há uma série de outros aspectos que permitem a construção de linguagens e, por consequência, de mensagens. Um tipo de entonação, um ambiente auditivo, um tipo de ruído, são exemplos de fatores que permitem variadas observações. Conforme a autora Júlia Lúcia de Oliveira Albano da Silva (1999, p. 17), “a linguagem radiofônica não é exclusivamente verbal-oral, mas resultado de uma semiose de elementos sonoros”. Cyro César (2009), define a voz da seguinte forma:
19 O timbre da voz humana, conforme explica Cyro César (2009, p. 74), depende das várias cavidades
ósseas, nasais, boca, garganta, traqueia, pulmões e laringe, que vibram em ressonância com as pregas vocais. Nos homens, as pregas vibram 125 vezes por segundo. Nas mulheres, 250 vezes por segundo. As pregas dos homens têm mais massa e são menos esticadas do que das mulheres. As cordas mais agudas são mais esticadas e vibram mais do que as graves, o que é uma alusão aos instrumentos de corda como o violão, que possuem uma característica funcional semelhante. O timbre também é conhecido como a qualidade vocal, que varia conforme a constituição anatômica da pessoa.
A voz, no contexto do processo da comunicação humana, é insubstituível. Nenhuma outra forma sonora é comparável a ela, sendo a única com o privilégio de poder unir o texto à emoção. Mas uma voz só emociona se houver sensibilidade por parte do comunicador que, além das palavras, precisa traduzir o que não está escrito nas nuanças da sua interpretação. (CÉSAR, 2009, p. 102).
Silva explica que a radiofonia é o resultado de uma multiplicidade de oralidades e vozes:
Dentre as vozes que compõem esse mosaico da radiofonia, a sonoplastia, em colóquio com a voz, constrói o cenário acústico, os personagens e suas ações, inaugurando, portanto, formas de encantar e persuadir seu ouvinte (SILVA, 1999, p. 19).
Há também de enfatizar que a linguagem radiofônica possui uma relação completamente direta com a evolução da tecnologia no rádio. Conforme destaca Ferraretto (2014), a tecnologia disponível é um dos condicionantes básicos no que diz respeito à mensagem.
1.4.1 Os tipos de vozes
Cyro César (2009) afirma que a locução necessita de movimentos articulatórios que apresentem clareza aos ouvintes. Apesar de subjetiva, a voz pode ser avaliada conforme seu grau de agradabilidade. Voz e recursos sonoros são elementos que fazem parte de um jogo ou processo que precisa, necessariamente, ser interpretado e transformado em mensagem compreensível. Silva (1999, p. 41) diz que, “como um ‘meio cego’, o rádio lança signos no éter e luta contra a fugacidade para perpetuar a sua mensagem na memória de seus rádio-ouvintes”. De acordo com César (2009), o locutor, ao interpretar no rádio, deve levar uma série de questões em consideração, começando pela forma como vai empregar a tessitura da voz ao microfone. A tessitura pode ser entendida como o espectro de alcance, que classifica os tipos de vozes em: graves, médias e agudas. Entre essas três classificações, há também o que o autor denomina de extensão vocal, isto é, até onde um locutor pode, de alguma determinada frequência, alcançar variações de tons.
Segundo Cyro César (2009), os tons de voz variam conforme a interpretação do locutor. Os tipos de vozes podem ser:
Suave: A impostação ocorre totalmente pelo diafragma e a inflexão da voz se
concentra nas regiões mais graves.
Jovem: Locução modulada nos registros médio-agudos, com ritmo acelerado
e projeção forte, ocasionalmente com inflexão de sorriso.
Coloquial: Locução em que o profissional precisa ter a capacidade de
interpretar o momento, que pode ter o uso de variadas inflexões, ritmos, projeções, mas tudo de forma natural.
Voice-over: Uso de voz em documentários e matérias jornalísticas, conforme
o tema.
Caricata: É a capacidade de versatilidade muito utilizada no humor, com o uso
de imitações.
Quanto à interpretação e à flexibilização, a tessitura durante uma locução pode definida, segundo Cyro César (2009):
Modulação: Movimento harmônico da fala durante a locução.
Projeção Sonora: Se relaciona à quantidade de ar inspirado e expirado
durante uma locução, conforme a intensidade de projeção do som. A projeção está ligada diretamente à questão do volume da voz. César (2009) chama atenção para os cuidados necessários com a questão da voz. O excesso de esforço pode ocasionar lesões nas cordas vocais.
Variação do ritmo: Na locução de futebol no rádio é fundamental, pois o
narrador precisa modular sua voz dependendo, por exemplo, da posição da bola em campo. A variação do ritmo caracteriza o tipo de emoção do instante do acontecimento relatado.
Inflexão de sorriso: É a figura de carisma no rádio, porém, é preciso que o
locutor tenha bom senso ao utilizar esse recurso.
Variação Interpretativa dos recursos: É a variação de todos os recursos
anteriores que deverão ser observados pelo locutor. De forma prática, é saber posicionar a voz em diferentes momentos, alegres, tristes, acelerados, noticiosos, mantendo a naturalidade.
Tempo de emissão: É a capacidade de encerrar em uma palavra uma
sentença de locução longa, naturalmente.
Articulação: Tem relação com a capacidade de ser claro ao microfone,
Ataque vocal: Segundo explica César (2009), pode acontecer de três formas:
brusco, aspirado ou suave. São formas de locução que têm muito a ver com o tipo de rádio em que se atua. Por exemplo nas rádios jovens, conta o autor, os locutores apresentam um tom de voz mais elevado, mais alegre.
Ritmo: É a variação do tipo de locução do momento, que pode ser: lenta,
acelerada, muito acelerada e adequada.
Registro: Tem a ver com o modo de vibração das cordas vocais.
Brilho: Conforme a estrutura das cavidades de ressonância, a voz parece mais
ou menos “cheia”.
1.4.2 Elementos e recursos
De acordo com Cyro César (2009, p. 129), “a linguagem do rádio tem suas bases em quatro elementos: a palavra, a música, os efeitos sonoros e o silêncio”. A palavra nada mais é do que o conteúdo oral dos variados tipos de segmentos como entrevistas, comentários, notícias, entre outros. A música diz respeito à sonorização, às trilhas, à harmonia, aos set lists, aos efeitos, enfim, a todo tipo de caracterização sonora utilizada no rádio, em harmonia à palavra humana. O silêncio é um dos recursos existentes desde o nascimento do rádio. Conforme uma situação que envolva o silêncio, uma série de análises podem ser feitas diante dessa linguagem. O silêncio pode representar questões muito íntimas ao sentimento, à dúvida ou à reflexão (CÉSAR, 2009, p. 131).
Segundo Ferraretto (2014), todos esses elementos descritos por Cyro César contribuem para a elaboração de mensagens e atuam em formatos isolados, ou combinados. Sobre a mensagem, Ferraretto (2009, p. 35) diz que “se trata da mescla de forma e conteúdo e é o objeto da comunicação”. O conteúdo e a forma são condicionados, segundo o autor, em seis fatores: capacidade auditiva do receptor, linguagem radiofônica, a tecnologia disponível, a fugacidade, os tipos de público e a forma de escuta. Como ressaltou Silva (1999) o rádio é um meio cego, portanto, a capacidade auditiva está muito ligada à codificação da mensagem para o entendimento claro por parte do receptor. A fugacidade, segundo explica Ferraretto (2014), não permitiu que até os anos 1990 os ouvintes pudessem consumir o conteúdo além do momento de sua emissão, o que se modificou com o avanço da tecnologia. Hoje é comum o acesso a conteúdo, por exemplo, através de site das emissoras na
internet. Sobre a audiência, a maneira como o ouvinte se atém ao que acontece no rádio diferencia-se de pessoa para pessoa. Pode o ouvinte, segundo Ferraretto (2014), apenas escutar, sem dar um foco de atenção para o assunto, ou, pelo contrário, prestar atenção, sintonizar diferentes estações, aumentar o volume do rádio.
Ruído, silêncio, locução, não importa, qualquer uma dessas características gera algum tipo de compreensão ao receptor. Qualquer um dos critérios citados, podem ser irradiados com ou sem intenção. No caso do silêncio e do ruído, ambos podem adquirir, de acordo com Silva (1999), um aspecto indesejado no rádio. Por outro lado, também há a possibilidade de caracterizarem-se por efeitos, isto é, de tornarem-se desejáveis. Júlia Silva (1999) diz que tanto o ruído quanto o silêncio, dependendo das combinações, acentuam sugestões sonoras e, por sua vez, mensagens. Geralmente, os ruídos e os efeitos são utilizados para objetivar na mente dos ouvintes características muito próximas do objeto de um acontecimento que está sendo relatado. Nas transmissões de futebol pelo rádio esses tipos de recurso notabilizam-se, pois auxiliam o locutor a construir imagens através da oralidade com mais amplitude de variáveis. Em uma transmissão esportiva não se tem apenas a voz do locutor em ênfase, mas uma série de outros recursos sonoros, como o som ambiental dos estádios. A reação da torcida captada pelos microfones pode passar uma série de significados aos ouvintes, relacionadas, por exemplo, às inquietações, à euforia, à raiva, à presença maciça ou não de torcedores nas arquibancadas. Com a distribuição de microfones ambientes, outros sons podem ser captados durante o jogo, com a intenção de ampliar o poder de contextualização, como os ruídos do apito do árbitro ou dos chutes numa bola. Segundo explica Júlia Silva, o ruído/feito sonoro pode assumir dois tipos de estruturas: “a descritiva e a narrativa, nas quais indistintamente o ruído só se torna manifesto no momento em que se ouve o seu som (uma vez que não podemos ver a sua causa, ou o seu objeto) e por isso torna-se a prova da sua existência e tem função de voz” (SILVA, 1999, p. 76).