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IV. BULGULAR ve YORUM

4.6. Sosyal Bilgiler Öğretim Programında Yer Alan Değerlerin Öğrencilere Etkili Bir

Considerado também como um desbravador do rádio, Jorge Alberto Mendes Ribeiro ajudou a criar a Rádio Guaíba, em 1957, emissora que completou 58 anos em 2015. Conforme conta Ferraretto (2007, p. 96), a história da Guaíba tem início em 30 de abril de 1957, por Breno Caldas, filho de Caldas Júnior. Entre as etapas de estruturação do grupo de trabalho, o departamento de esporte foi definido e composto pelo próprio Mendes Ribeiro, Pedro Carneiro Pereira e Milton Jung (DALPIAZ, 2002, p. 08). Apesar de jovem, a rádio transmitiu a Copa de 1958 na Suécia e tornou-se pioneira no Rio Grande do Sul, ao enviar uma equipe totalmente formada por profissionais gaúchos à Europa. A dupla Mendes Ribeiro e Flávio Alcaraz Gomes relatou, do estádio Rasunda55, a vitória do Brasil sobre a Suécia, por 5 a 2.

Antes da Guaíba, porém, como conta a obra Radiodifusão no RS (1993, p. 81), Mendes Ribeiro começou sua trajetória em 1951, pelos microfones da Rádio Gaúcha. Após realizar teste para locução e não ser aceito, recebeu uma oportunidade de Cândido Norberto e, poucos meses depois, além de narrador esportivo, já cumpria diversas outras funções. Mendes Ribeiro (1993, p. 81) comenta a decisão de Cândido Norberto.

55 Inaugurada em 1937, o estádio Rasunda foi demolido em 2012 e substituído pelo Friends Stadium,

Acho que o Cândido tinha razão. Uma semana depois, passei a fazer comentário esportivo e notícias. Trinta dias mais, comecei a narrar futebol. Eu dois meses de rádio, eu era diretor de esportes, notícias e chefe dos locutores. Daí para frente, só fui.

A oportunidade que recebeu em 1951, rendeu também uma grande amizade entre Mendes Ribeiro e Cândido Norberto, conforme conta Elizabeth Mendes Ribeiro Da Rocha56 (2015). Segundo a filha de Mendes Ribeiro, era comum seu pai receber em casa a visita de Norberto, aliás, não dó dele, mas de outros amigos que foi cultivando ao longo de sua trajetória.

Na profissão de vocês não existe sábado e nem domingo. Nunca vi coisa igual, né? Não existe segunda, terça, quarta, quinta... Todos os dias são de novidade, de trabalho. E quem acha que existe, perde o trem da história. Então, ele tinha muito da história de estar no meio do que acontecia, de estar no meio do povo, de estar no meio dos furos de reportagem, de entrar no meio dos jogos. E o Cândido, de certa forma, também vivia de uma forma bem intensa isso. E a tia Iara era uma pessoa muito condescendente, digamos, que não exigia do Cândido que ele se mantivesse todo tempo. Acho que as mulheres dos jornalistas, de um modo geral, tinham essa característica, de dar força, de acompanhar, de estar com o radinho. De ficar ligada no radinho de manhã, de tarde e de noite. Onde a gente ia, o radinho estava atrás. Até hoje, quando o meu marido liga para ouvir o jogo de futebol, eu sinto uma dupla emoção, porque lembro do pai, lembro de novo isso, porque todo o tempo estava no rádio, né? A gente tinha a televisão ligada, porque era o Jornal do Almoço, depois era de manhã, então a gente se criou com isso (ROCHA, 2015).

Em 2002, em entrevista ao projeto Vozes do Rádio, a esposa de Mendes Ribeiro, Marlene Garcez Mendes Ribeiro57, entre outras histórias, relembrou o diálogo entre Mendes Ribeiro e Cândido Norberto, que significou, para Mendes Ribeiro, o início de sua trajetória como narrador de futebol no rádio. De pequenos postos atrás das goleiras, logo, Mendes Ribeiro começou a comandar jornadas esportivas e desenvolver seu próprio estilo. A conversa entre ambos, aconteceu da seguinte forma, conforme relata a esposa de Ribeiro:

Cândido Norberto - “Passas a trabalhar comigo. Já fostes ao futebol? Sabes o futebol?”

Mendes Ribeiro - “De vez em quando com o meu pai”.

Cândido Norberto - “Sabes narrar futebol?” Mendes Ribeiro - “Nunca fiz isso”.

Cândido Norberto - “Tá bem. Domingo vais para o campo comigo”.

Mendes Ribeiro - “Ai?”, disse ele.

56 É psicóloga. Em 2014, doou parte do acervo de crônicas de seu pai à ESPM-Sul, durante a realização

do 2º Simpósio Nacional do Rádio, em Porto Alegre. Irmã de Mendes Ribeiro Filho, advogado e político, que faleceu de câncer, em 2015.

Conforme relembra Marlene Ribeiro (2002), os locutores se posicionavam atrás das goleiras, portando seus respectivos microfones. Mendes Ribeiro trabalhou dessa forma, durante dois domingos seguidos, e, no terceiro, Cândido Norberto chamou-o para a cabine:

Cândido Norberto - “Vem para cabine”

Mendes Ribeiro - “Porque me trouxestes para cá, Cândido?”

Cândido Norberto - “Quero que tu fiques aqui. Dois meses e tu vai tá aqui comandando tudo”.

Mendes Ribeiro narrou o primeiro tempo, até que Cândido lhe disse: “Olha, cara, eu estou cansado. Vou para casa. Vou te ouvir de casa. Assume o microfone aí”. Lauro Santos (2015), filho de Cândido Norberto, diz que tem ótimas lembranças da amizade do seu pai com Mendes Ribeiro. “Jorge Alberto Beck Mendes Ribeiro também narrador, foi uma pessoa maravilhosa”. Conforme conta Elizabeth Mendes Ribeiro Da Rocha (2015), a família tinha pouco contato com Mendes Ribeiro, justamente pelo número de tarefas que ele cumpria diariamente.

Sim, é que eles ficavam muito tempo longe de casa. A mídia era muito complicada. O acesso à tecnologia era outra. Não existia o tal do computador. As máquinas eram Olivetti, não eram as máquinas elétricas. Eu me lembro que o pai batia só com os dois dedos (indicadores), mas ele batia com uma velocidade que tu não podes imaginar. Tu não consegues digitar com a velocidade que ele batia. Essa Olivetti acompanhava ele e eu ainda tenho lá em casa.

Mas a consagração como narrador de futebol no rádio não seria pelo microfone da Rádio Gaúcha, mas da Rádio Guaíba. Mendes Ribeiro tinha apenas 28 anos, quando se tornou o primeiro diretor de broadcasting da emissora, fundada em 1957. Foi, segundo consta na obra Radiodifusão no RS (1993, p. 84), “o primeiro repórter brasileiro a irradiar uma Copa do Mundo, em 1958”.

Na busca de viabilizar a transmissão do mundial, Flávio Alcaraz Gomes foi pessoalmente a Europa tentar conseguir um canal de transmissão para o mundial da Suécia, conforme Dalpiaz (2002). A Guaíba, então, inaugurou através de um acordo com a PPT (Postes Telegraphes et Telephones) suíça, o sistema chamado Single

Side Band (SSB), banda lateral simples. Os sons dos estádios de futebol em Berna

eram enviados via telefone, que respondia de Porto Alegre o sinal radiofônico transmitido pela PPT. Deste modo, conforme Dalpiaz (2001), a emissora cobriu, como nenhuma outra, com excelentes condições, o campeonato mundial de 1958. Iniciariam

as memoráveis transmissões que a emissora iria realizar dali para frente. A maior concorrente na época (ainda hoje), a Rádio Gaúcha, possuía direitos de transmissão, mas optou por uma parceria com a Rádio Nacional. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, a Guaíba conseguiu transmitir o torneio no país nórdico e, inclusive, foi pioneira no Rio Grande do Sul em transmissão de uma Copa do Mundo com uma equipe totalmente formada por profissionais gaúchos. No final, o narrador Mendes Ribeiro e o repórter Flávio Alcaraz Gomes relataram, in loco, a vitória do Brasil sobre a Suécia, por 5 a 2, que deu o primeiro título ao país. Ferraretto (2007) reproduz um dos momentos históricos não apenas da Rádio Guaíba, mas do rádio gaúcho. Durante a final de 58, alto-falantes irradiavam as emoções da partida narrada por Mendes Ribeiro, com a presença de uma aglomeração de pessoas em frente à sede da emissora. O Brasil, naquele momento, vencia por 4 a 2, mas Pelé ainda reservou mais uma façanha que fecharia aquele primeiro título mundial com “chave de ouro”. Mendes Ribeiro, conforme Ferraretto (2007, p. 486), narrou assim:

Os 200 brasileiros começam a acenar os lencinhos aqui./ São poucos lenços!/ São poucas bandeiras!/ São poucas vozes gritando Brasil!/ Mas a verdade é que o Brasil é campeão!/ Lenços brancos para o Brasil!/ Duzentos brasileiros.../ Bola com Vavá, caiu na área, atingido novamente./ Pelo meu cronômetro, está esgotado o tempo regulamentar!/ Vem Garrincha com a bola./ Está terminando a Copa do Mundo!/ Garrincha com a bola./ Garrincha para Djalma./ Brasil 4 a 2!/ Djalma para Didi./ Entra na área./ Para Vavá, para Zagalo, para Pelê./ Entra Zagalo na área, vai à linha de fundo, atira/. Agarra o sueco./ Quarenta e cinco minutos de jogo!/ Brasil 4, Suécia 2!/ Pelo meu cronômetro, terminou!/ Duzentos lenços contra 60 mil!/ Atirou Zagalo./ Cabeceou Pelê./ Goool!/ Goool do Brasil!/ Gol do Brasil!/ Peleeê!/ Ficou estendido no gramado, Peleeê!/ Quarenta e cinco minutos./ Entrou Zagalo, entrou Pelê e, de cabeça, atirou nas redes./ Gol de Pelê para o Brasil!/ Gol de Pelê para o Brasil!/ Eu tenho a impressão que o árbitro não deu o gol.../ [hesita] Terminou o jogo!/ Terminou o jogo!/ Terminou o jogo!/ Brasil, campeão do mundo de 1958!//

Após a cobertura no Chile, gradativamente, Mendes Ribeiro foi deixando a narração de futebol. Lauro Santos (2015) faz uma alusão ao próprio futebol para explicar porque esse processo da retirada da locução de futebol aconteceu com Ribeiro, assim como com seu pai, Cândido Norberto.

Da década de 70 para a década de 80, se um jogador fizesse com a bola o que o Valdomiro Vaz Franco fazia, ele tinha tempo de correr, do meio de campo até a grande área, pensar no que ia fazer, brincar com a bola, driblar dois caras e fazer o gol. Hoje, não existe mais isso. Por isso que eu digo que o Pelé, mal comparando, com um narrador do padrão do Cândido, ou do próprio Mendes Ribeiro, enfim, já não teriam lugar hoje. E acho que até por

isso, eles mesmos começaram a se “escantear”. Eles sabiam que vinha coisa nova. Eles eram macacos velhos de rádio, sabiam o que mudaria.

Figura 4: Rádio Guaíba na Copa do Chile58

Fonte: QUADROS (2015).

Em 1962, ainda, eleito deputado, Mendes Ribeiro transferiu-se para a Rádio Gaúcha, onde permaneceu até 1992. Na Gaúcha, Mendes Ribeiro voltou a trabalhar ao lado de Cândido Norberto, integrando a equipe de esportes da emissora, como mostra a Figura 5.

Figura 5: Mendes Ribeiro na Gaúcha em 1968

Fonte: ROCHA (2015).

58 A Figura 4 apresenta a equipe de esportes da Rádio Guaíba, em 1962, na cabine do Estádio Sausalito,

em Vinã del Mar. Segundo Lauro Quadros (2015), “a partir da esquerda, Adroaldo Streck, Ataíde Ferreira, Lauro Quadros, Mendes Ribeiro, Flávio Alcaraz Gomes e Amir Domingues.

Nesse tempo, o repórter João Carlos Belmonte também integrava o “time” da Gaúcha, mas, logo se transferiria para a Guaíba. Em 1983, Ribeiro voltou à Suécia, onde transmitiu um jogo comemorativo entre a seleção da casa e o Brasil, pelos 25 anos em memória ao mundial de 1950. Durante sua trajetória, foi um profissional de várias mídias e não só do rádio, também jornal e televisão e formou-se em jornalismo, direito e filosofia. Trabalhou na RBS TV e foi cronista do jornal Zero Hora, comentarista, apresentador e correspondente em Brasília, capital federal. Segundo o jornalista Fábio Marçal59 (2015), Mendes Ribeiro era “apaixonado pelo Inter”. Porém, conforme Elizabeth Mendes Ribeiro da Rocha, ele sempre manteve a imparcialidade, publicamente, como jornalista.

Dizia ele, em casa, que era do colorado, mas ele nunca pôde assumir que, de fato era colorado. Então ele dizia para o povo que era zequinha, para manter uma certa neutralidade. Mas ele dizia que, quando estava narrando, que já não sabia mais nem o que ele era, porque, na realidade, ele entrava dentro daquele jogo, e queria mesmo irradiar com a emoção de estar participando de tudo.

Mesmo após ter abandonado o esporte, Mendes Ribeiro, eventualmente, falava ou escrevia sobre futebol como mostra a Figura 6. Na segunda-feira, 18 de julho de 1994, 36 anos após o primeiro título da Seleção, na Suécia, Mendes dedicou-se em sua coluna, no Correio do Povo, a falar do tetracampeonato do Brasil, nos Estados Unidos. Em uma das passagens, Mendes Ribeiro (1994, p. 6) se referiu àquela Copa da seguinte maneira:

Ninguém ligou para outra coisa no mês possuído pela Copa. E, se todos notaram a inflação em 50% antes do real e quase 8% depois dele, Romário e Bebeto assinaram o decreto mandando deixar para lá.

Em 1991, reelegeu-se deputado federal, tendo sido o mais votado do Rio Grande do Sul e do Partido do Movimento Democrático do Brasil (PMDB) (RADIODIFUSÃO NO RS, 1993, p. 82). No mês de julho de 1999, perto de completar 70 anos, Mendes Ribeiro faleceu. A principal influência de Mendes Ribeiro foi Cândido Norberto, que permitiu que começasse a narrar futebol no rádio. Pouco tempo depois, Ribeiro já era o principal narrador da recém fundada Rádio Guaíba, por onde transmitiu os mundiais de 1958 e 1962.

59 Foi produtor de Mendes Ribeiro entre 1981 a 1983, e, depois de 1985 a 1999. Segue atuando como

FIGURA 6 – Coluna de Mendes Ribeiro – Final Copa do Mundo de 94

Fonte: Jornal Correio do Povo60, Porto Alegre, 18 jul. 1994. p. 6.

No capítulo 5, será apresentada a análise de um episódio da carreira de narrador de Mendes Ribeiro. Obtido através do vasto arquivo histórico da Rádio Guaíba, serão avaliados trechos do jogo entre Brasil e França, transmitido desde a Suécia, em 1958. Algo já pode ser adiantado, Mendes Ribeiro, diferentemente de Cândido Norberto, um locutor absolutamente descritivo, imprimia, já no final da década de 1960, emoção, improvisação, dicção acelerada e grito de gol contundente. Se tornou, inclusive, um criador de frases e, a mais conhecida é: “Deus não joga, mas fiscaliza”.