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IV. BULGULAR ve YORUM

4.2. Değerler Eğitimine İlişkin Elde Edilen Bulgular

A análise dos narradores de futebol do rádio de Porto Alegre está organizada da seguinte forma:

B – Estilos e técnicas de narração (Schinner, 2004). C – Tipos de voz e Elementos e Recursos (César, 2009).

D - Nas categorias de 1 a 5, as informações foram colhidas através de análise

documental, bibliográfica, por audição e por intermédio de entrevistas com fontes. Da categoria 6 a 12, as classificações foram definidas conforme autores.

E - Cada narrador passou pelo processo de análise de critérios, com a identificação

de atributos, os quais, nem todos se identificam com cada um dos profissionais.

F - Dessa forma, se propôs uma investigação ampla e específica de cada um dos

narradores, permitindo traçar um perfil fundamentalmente individual.

G – O nível de intensidade dos gols estudados são classificados em 3 tipos: Gol

(intensidade mínima), Goool (intensidade média) e Gooooool (intensidade ampla).

Categorias de Análise da narração de futebol no rádio de Porto Alegre:

1- Biografia do narrador: Histórico e trajetória profissional.

2 - Inspirações profissionais/Influências pessoais: Narradores que influenciaram

no processo evolutivo de locução.

3 – Gol: Intensidade, duração e formato da narração de gol.

4 - Lances de jogo: audição, destaque e transcrição de partes de uma ou mais

transmissões.

5 - Abertura e Encerramento de jornada: Texto de jornada produzido ou improvisado. 6 – Estilos de narração: Estilo Livre ou Estilo Orientado (Schinner, 2004): Estilo livre

(emoção como fator principal de uma transmissão, sob vários aspectos, tais como: simpatia, criatividade e sedução nas palavras.)

Estilo Orientado (narração, conforme o evento, deve ser discreta, descritiva e dinâmica, técnica, ponderada e com a presença de emoção contextual.)

7- Tipos de narração (Schinner, 2004): Ancorada, Pontuada, Comentada ou Radical. 8 - Tipo de voz, flexibilização e tessitura (César, 2009): Suave, Jovem, Coloquial,

Voice-over, Caricata, Modulação, Projeção Sonora, Variação do ritmo, Inflexão de sorriso, Variação Interpretativa dos recursos, Tempo de emissão, Articulação: Ataque vocal, Ritmo, Registro, Brilho.

9 - Utilização de recursos expressivos (Castillo, 1989;1994): Universalização, Via

de exemplo, Tópicos, A Redundância, Personalização, Despersonalização, Inclusão, A Pergunta, Amplificação, Atenuação, Divisão, Acumulação de Palavras, Figuras

Retóricas (Figura de comparação, A Metáfora, A Sinédoque, A Hipérbole, A Antítese, Antonomasia, A Gradação, Hipérbato).

10 - Análise da capacidade Retórica (Klöckner, 2011): Contexto. Gêneros

persuasivos (judicial/forense, deliberativo, epidêitico/epdíctico). Aplicação dos cinco cânones da retórica: Invenção, Disposição, Estilo, Memória e Apresentação.

11 - Análise de Técnicas Argumentativas (Klöckner, 2011): Argumentos Quase-

Lógicos, Argumentos baseados na estrutura do real, Argumentos que fundam a estrutura do real.

12 - Grade Hierárquica (retoricidade e argumento) (Klöckner, 2011): Fraco,

Parcialmente Forte, Forte.

A partir do capítulo 2 deste estudo, serão contadas as histórias de narradores de futebol Desbravadores, Paradigmáticos e Contemporâneos do rádio porto- alegrense. Após o contexto histórico e biográfico dos narradores, se apresentará no capítulo 5, o perfil de análise individual, conforme os critérios explicitados

2 OS NARRADORES DESBRAVADORES

É no ano de 1923 que, conforme Sonia Virginia Moreira (1991), o rádio inicia sua trajetória no Brasil, com a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Porém, Moreira (1991) indica que houve outros fatos que devem ser destacados em relação ao pioneirismo radiofônico brasileiro. Um deles, segundo a autora, foi o importante marco alcançado em 192220. No mês de setembro daquele ano, ocorria a primeira transmissão de rádio oficial no Brasil, com discurso do então presidente Epitácio Pessoa. Conforme Ferraretto (2002), a demonstração inaugural aconteceu durante a Feira-Exposição Mundial do Centenário da Independência, no dia 7 de setembro de 1922. O autor afirma que a implantação do rádio no Brasil possui também um caráter diretamente ligado à dinâmica do capitalismo e que, buscava, naquele período, expandir mercados. Esse era o interesse da Westinghouse, corporação que promoveu a demonstração no Brasil. A Feira-Exposição Mundial do Centenário da Independência foi um evento no qual participaram outras empresas expositoras como a Western Eletric. O governo brasileiro adquiriu dois transmissores de 500W que, somente em 1923, foram utilizados nas primeiras operações da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada por Roquette Pinto. Portanto, no que diz respeito à tecnologia, define-se, segundo Ferraretto (2002), que o Brasil entrou definitivamente para a era das comunicações eletrônicas.

No início, o rádio era acessível, predominantemente, às classes de alto poder aquisitivo, conforme afirma Moreira (1991). Além disso, como o rádio era uma novidade, estava se criando, segundo Marialva Carlos Barbosa (2013), um “idioma de escuta” na cabeça dos ouvintes. O fato é que a novidade, cada vez mais, chamava a atenção e causava fascínio. No início da década de 1920, espalhou-se rapidamente, através de anúncios e artigos, a “possibilidade de escutar ruídos e sons do novo aparelho”, (BARBOSA, 2013, p. 216). Não se tinha uma ideia clara sobre o que o rádio viria a tornar-se ao longo dos próximos anos. No início dos anos 1920, falava-se em radiotelefonias, isto é, uma nova forma de comunicação por “telefone sem fio”. A ideia de rádio, como é conhecido atualmente, evoluiu no instante que buscou-se

20Em 6 de abril de 1919, foi fundada o Rádio Clube de Pernambuco, “a primeira entidade a reunir

aficionados pelas possibilidades da transmissão de mensagens por ondas eletromagnéticas” (FERRARETTO, 2014).

compartilhar o som como prática comunicacional coletiva. Marialva Carlos Barbosa (2013, p. 218) descreve o processo:

Mas o som que migrava dos espaços públicos para os privados deveria conter as características básicas construídas na longa história das práticas comunicacionais: deveria ser ruidoso, podendo ser escutado de forma coletiva, partilhado, comentado e complementado com a voz do outro. As estratégias da oralidade que permeavam a vida cotidiana quando estivessem reunidas no novo invento o transformaria em rádio. Mas no início os rádios de galena não possuíam características técnicas que permitissem esses usos: o nível de áudio extremamente baixo fazia com que fosse necessário para a escuta o silêncio.

Conforme Ferraretto (2002), com a popularização do rádio no Brasil, durante a década de 1920, outras iniciativas devem ser destacadas. No princípio, a programação do rádio não era popular musicalmente, isto é, os gêneros como o samba, quase não tinham espaço. Predominavam os gêneros “eruditos da música clássica”. O rádio não possuía nem ao menos publicidade e a difusão da cultura apresentava um caráter elitista. Em 30 de novembro de 1923, era fundada a Rádio Sociedade Paulista, com caráter semelhante a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, no que diz respeito à programação. Ferraretto (2002) ressalta o fato ainda de que há uma dúvida quanto ao pioneirismo histórico do rádio brasileiro. Os aparelhos de rádio, ao longo do desenvolvimento tecnológico, no que condiz ao aparato estrutural, evoluíram aos poucos durante os anos seguintes. Era o rádio considerado um móvel importante no universo das residências, no qual as famílias passaram a reunir-se à sua volta, durante a transmissão das programações. Não demorou para que o rádio fosse entendido como uma fonte geradora de lucro. Em 1924 “foi fundada a Rádio Clube do Brasil, em 1° de junho, por Elba Dias, um dos técnicos que auxiliara a estruturação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro” (FERRARETTO, 2002, p. 34). A rádio foi a primeira autorizada a difundir a publicidade, o que se tornou um imenso atrativo para artistas e empresas. Foi um grande passo para o desenvolvimento da indústria fonográfica no Brasil. Ao longo da década de 1920, várias empresas por todo o país se dedicaram, conforme Ferraretto (2002, p. 34) “à venda de equipamentos de rádio e à montagem de suas próprias estações de rádio, como a Byington & Cia, de São Paulo, e a Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro”.