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A informação possui uma série de características próprias. Como as obras intelectuais protegidas pelos direitos autorais não são mais do que tipos, ou espécies, de informações, urge logo esclarecer que as características aqui discorridas estendem-se a elas.

A primeira característica notável da informação é a intangibilidade (ou

imaterialidade) e pode ser observada da sua própria conceituação. Setzer (1999) referiu-se à

informação como uma “abstração informal que está na mente de alguém”. De fato, a informação tem sido considerada pelos teóricos da economia como um bem imaterial, ou

intangível, isto é, “não possuem corpo físico, apesar de exigirem um suporte para serem realizados, ou melhor, visualizados e transportados” (SILVEIRA, 2005).

Dessa imaterialidade advém a segunda característica: a não rivalidade. Dizer que a informação é um bem não rival significa dizer que a utilização da informação por uma pessoa não exclui a utilização da mesma informação por outra pessoa (SILVEIRA, 2005). Com efeito, sendo a informação um bem imaterial, pode ser utilizada por mais de uma pessoa, em lugares diferentes, as mesmo tempo. Isto porque os bens imateriais podem ser reproduzidos infinitas vezes em diversos tipos de suportes, físicos ou não.

Citando o economista Charles Jones (2000, apud SILVEIRA, 2005) defende também a não “exclusibilidade” das informações. A exclusibilidade é uma noção relativa ao grau a que um proprietário consegue cobrar pelo uso de seu bem. Sendo a informação bem imaterial, é naturalmente não econômico. A não ser que sejam materializadas fisicamente em produtos, as informações não podem ser mensuráveis economicamente.

A terceira característica é a “externalidade”, que é por definição o grau de aproveitamento do bem por outros que não o seu próprio usuário, ou proprietário (SILVEIRA, 2005). Por certo, observa-se que os bens materiais não geram externalidades, ou “transbordamentos” (ninguém mais se aproveita de uma roupa a não ser seu usuário, pois é um bem rival), enquanto as informações, uma vez disponibilizadas, podem ser internalizadas e utilizadas por diversas pessoas.

Ressalte-se que a única ressalva a esta característica está relacionada ao conhecimento:

A internalização das informações (atribuição de seu significado por cada pessoa) depende do conhecimento dos dados que formam a informação. Por exemplo, uma pessoa que não sabe tocar instrumentos ou ler partituras ao ouvir uma música não conseguirá internalizar a estrutura da música. Se ela contudo, tiver conhecimento da língua na qual a música é cantada, poderá internalizar a letra da música. O processo de internalização segue os padrões de conhecimento do receptor da informação (ARAÚJO, 2008, p. 7).

Também sob o ponto de vista econômico, Kenneth Arrow, teórico da Economia, citado por Sérgio Amadeu Silveira (2005), analisou outras importantes características ou propriedades da informação.

Dentre elas destacamos a de que o insumo da informação é a própria informação. Em verdade, a informação não é criada a partir do nada. Toda nova criação é baseada em uma recombinação de idéias, de informações anteriores, ou seja, de conhecimento acumulado. Dessa característica, infere-se que quanto maior o volume de informação disponível, maior

será a produção de novas informações (quanto mais matéria-prima, mais produção), e conseqüentemente, maior será o desenvolvimento da ciência e da cultura (ARAÚJO, 2008, p. 7).

Desta quarta característica decorre a quinta: a produção da informação está

sujeita a incertezas. O processo de invenção ou geração de informações não pode ser previsto,

nem garantido de modo perfeito a partir de seus insumos, pois depende do conhecimento acumulado do criador, ou autor da informação. Nisto está a importância do conhecimento humano e, evidentemente, do ofício do processo de invenção ou criação.

A sexta propriedade é a de que o uso da informação não a desgasta. Por ser um bem imaterial, a informação pode ser utilizada de forma ilimitada e sem desgaste. Essa característica engloba a indivisibilidade da informação em seu uso, também destacada por Arrow (apud SILVEIRA, 2005): “O uso de parte da mesma, não implica em sua efetiva divisão. Ela continuará existindo também de modo completo”.

Outra importante característica que advém do seu próprio conceito é a

dinamicidade. Conforme visto na conceituação de informação (vide ponto 3.1.1), a

informação necessita de uma relação de comunicação para se completar; faz parte, portanto, da sua própria estrutura ser algo dinâmico.

John Perry Barlow (1994, apud ARAÚJO, 2008, p. 8), fundador da Eletronic

Frontier Foundation, destaca essa importante característica ao defender que “a informação é

relação”. Revela-se como uma atividade, um processo que ocorre no campo de interação entre duas coisas. É por isso que a informação só pode ser “experimentada, não possuída”, aduz Barlow. Para ele, “A informação é fluxo, se ela parar seu movimento deixa de existir”.

Com tais afirmações, pode-se enfim destacar a nona característica da informação: a de ser bem não passível de apropriação. Nesse sentido, Arrow (apud SILVEIRA, 2005) preconiza que a informação, por não depender de um corpo físico e pela sua intangibilidade, é de difícil “apropriabilidade” ou apropriação.

A análise das características aqui apontadas prova que a informação é elemento cambiante, sua razão de ser está no seu caráter dinâmico, ou melhor, na relação de comunicação que precisa haver para que se aperfeiçoe a informação.

Desse modo, chega-se à conclusão de que as informações - e, conseqüentemente, as obras do intelecto tuteladas pelos direitos autorais - não podem ser objeto de propriedade de alguém da mesma forma que os bens materiais. Os seus suportes físicos, por serem bens tangíveis, podem ser apropriados, porém o direito não pode pretender que todo e qualquer uso ou gozo de uma obra intelectual seja exclusivo do autor (ou do titular do direito de autor).

Isto vai contra a própria natureza das “criações do espírito”, uma vez que estas são inventadas para se tornarem públicas. Todas essas considerações serão de bom uso, posteriormente, para o correto entendimento da reformulação por que passa conceito de direito de autor, assim como das propostas de reforma da legislação autoral brasileira.