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2.7. Sosyal Ağlar

2.7.5. Sosyal Ağ Çeşitleri

Ao longo da história, o texto tem assumido múltiplas significações. Na AD o texto é uma unidade empírica de análise que se apresenta ao leitor por diferentes

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Oficialmente, esse período iniciou-se com a publicação de uma edição inglesa da obra Semântica do Discurso, em 1978 (GREGOLIN, 2006).

19 O conceito de formação discursiva foi desenvolvido por Foucault com o intento de proceder com uma análise arqueológica dos discursos. Tal conceito encontra-se desenvolvido na obra Arqueologia do Saber, publicada originalmente em 1969.

82 materialidades (ORLANDI, 2001). Enquanto representante material da linguagem, o texto restabelece historicidade e não está associado a sua extensão. Assim, poderá ser constituído por uma única letra, frases, um único som, uma única imagem, etc. (ORLANDI, 2002).

Segundo Orlandi (2001), diante do leitor, o texto possui um autor que se representa na própria unidade do texto, sendo este autor o que busca propiciar ao texto coerência, progressão e finalidade. A organização do texto evidencia a organização da discursividade, ou seja, o lugar do sujeito e como está significando a sua posição; como o sujeito está praticando a relação com o mundo a partir das condições de produção. Mesmo assim, não é possível passar diretamente de um para outro.

Do ponto de vista da sua constituição, Orlandi (op. cit.) comenta que o texto poderá ser atravessado por diferentes formações discursivas. Assim, um único texto poderá ser afetado por diferentes posições do sujeito, tornado-se uma unidade heterogênea. Com isso evidencia-se o processo de textualização do discurso, o qual sempre se faz através das falhas e dos defeitos, evidenciando o jogo da língua com a própria língua e a relação da língua em um processo histórico. Logo, o texto não é apenas um objeto lingüístico, mas lingüístico-histórico, no qual sua composição ultrapassa os limites da palavra. A autora acrescenta ainda que o texto não é uma unidade fechada nela mesma, mas, enquanto elemento simbólico, abre-se para diferentes possibilidades de leitura.

Considerando o texto como um elemento lingüístico-histórico, avaliamos pertinentes as observações de Martins (2006) no tocante ao texto didático. Nas palavras da autora:

O texto do livro didático não é a simples adaptação do texto científico para efeito do ensino escolar, exclusivamente por meio de transposições didáticas de conteúdos de referência. Ele reflete as complexas relações entre ciências, cultura e sociedade no contexto da formação de cidadãos e se constitui a partir de interações situadas em práticas sociais típicas do ensino na escola. Nesse sentido, ele representa uma instância articuladora de diferentes vozes e horizontes sociais e conceituais, constituindo e materializando o discurso científico-escolar, ou o discurso sobre ciência na escola (p. 124). Apoiando-se em reflexões de Halliday, Orlandi (2004) também acrescenta que, para se tornar texto, faz-se necessário ter textualidade, a qual é função da relação do texto consigo mesmo, bem como com a exterioridade. A autora acrescenta ainda que

83 essa condição de textualidade possibilita que as palavras adquiram sentido no texto, tendo em vista que, isoladamente, elas não significam; mas o texto significa.

Orlandi (2004) discorre sobre a complexidade do texto, o qual incorpora articulações ocorridas a partir de relações significativas, individualizadas em uma dada análise discursiva. Essa individualização das relações poderá ser percebida através da noção de heterogeneidade. A autora apresenta quatro condições para a heterogeneidade do texto, a saber:

1) Em relação à própria natureza dos diferentes materiais simbólicos, tais como imagem, grafia, som, etc;

2) Em relação à natureza das linguagens, como a oral, a escrita, a científica, a literária, a narrativa, a descrição, etc;

3) Em relação às posições do sujeito e

4) Em termos da multiplicidade de formações discursivas possíveis de constituírem o texto.

No entendimento de Orlandi (2001), entre o discurso e o texto há um espaço difuso, de limites fluídos e o ajuste entre os mesmos resulta em uma multiplicidade de sentidos, os quais abrem espaço para o simbólico. No entanto, Orlandi (2006a) lembra que o discurso não é um conjunto de textos, mas uma prática.

Para a AD, a noção de discurso como prática é uma influência foucaultiana. Prática que relaciona o discurso com outra coisa, ou seja, a prática discursiva. Essa prática discursiva, por sua vez, não está separada das demais práticas, como por exemplo, da prática social (FOUCAULT, 2005).

Acerca da perspectiva de adoção do discurso como prática social, Pinto (2002) lembra que a linguagem verbal e outras semióticas, com as quais se constroem o texto, não são apenas coisas de caráter puramente instrumental, externas aos acontecimentos sociais. São integrantes do contexto sócio-histórico.

Existem várias perspectivas situando especificidades tanto do texto como do discurso, as quais não se confundem com a fala. No entanto, o texto, enquanto unidade empírica e enquanto manifestação verbal do discurso, não se constitui em uma superfície lingüística fechada em si mesmo, podendo inclusive ser atravessado por vários discursos. Conforme assinala Orlandi (1987):

/.../ o discurso é tomado como conceito teórico e metodológico, e o texto, em contrapartida como conceito analítico

84 correspondente. Há, portanto, uma relação necessária entre eles (p. 159).

Na perspectiva da AD, o sentido da palavra não existe em si mesmo, como que vinculado à constituição e a sua organização léxica. A palavra adquire sentido de acordo com a posição ocupada por aquele que faz uso dela, ou seja, adquire sentido de acordo com as suas condições de produção. Segundo Orlandi (1987), na AD não se procura atravessar o texto e encontrar o sentido no outro lado do mesmo, tampouco encontrar sentido naquela unidade, tal qual se procede na análise de conteúdo.

Em relação à multiplicidade de leituras possibilitadas pela incompletude do texto em relação à discursividade, deixa de ser algo dependente da vontade do sujeito e remete-se a uma textualidade que, enquanto matéria discursiva, oferece várias possibilidades de leitura. Logo, a relação entre o discurso e o texto não é uma relação biunívoca. Nesta perspectiva, Orlandi (2001) considera que o texto é uma “peça,” no sentido de engrenagem, e que tem um jogo que possibilita o trabalho da interpretação.

Nas situações coloquiais, o silêncio é considerado como distinto do discurso. Tendo em vista que discurso não é sinônimo de mensagem, mas, determinado pelas condições de produção, na AD o silêncio, o não-dito, também é discurso, logo, significa. Nesta perspectiva, Pêcheux (2006) ressalta que discurso é efeito de sentido entre interlocutores. Assim, o silêncio também faz parte da investigação do analista do discurso no sentido de atribuir-lhe significados.

Em relação ao silêncio, Orlandi (1993) considera que ele possui várias formas, distinguido duas como essenciais. A primeira destas formas é o silêncio fundador, considerado como necessário aos sentidos, haja vista que sem o mesmo tudo seria preenchido pela linguagem. É esse silêncio que atravessa as palavras e possibilita que o não dito adquira significado, a partir da eminência de sentido.

A segunda forma de silêncio considerada por Orlandi (op. cit.) é a política do

silêncio. Uma das formas de expressão da política do silêncio é o silêncio constitutivo,

para o qual todo dizer apaga outras palavras igualmente possíveis, produzindo, assim, um silêncio sobre outros sentidos. Outra forma de expressão da política do silêncio é o

silêncio local ou censura, a qual remete a interdição ou apagamento de sentidos

possíveis. É aquilo que é proibido dizer em um local, em uma conjuntura.

Tendo em vista que o silêncio também é discurso, ou seja, o silêncio também significa a partir da sua materialidade, deverá está submetido às mesmas regras de produção e de funcionamento do discurso (ORLANDI, 2001).

85 As palavras incorporam as marcas das posições de quem as produz e de quem as interpreta, as quais são colocadas em jogo no processo sócio-histórico em que se constituem (PÊCHEUX, 1983). Com isso, pode-se assegurar que o discurso materializa ideologias.

O discurso não se apresenta para Pêcheux, Bakhtin e Foucault separados da enunciação, a qual representa o singular, o irrepetível em um discurso (CARDOSO, 2003).

Na perspectiva bakhtiniana, quando se enuncia, se enuncia para alguém a partir de um determinado lugar, ou de uma posição sócio-histórica. Além disso, o outro também ocupa uma determinada posição, sendo estes lugares constitutivos da enunciação. Por isso, para Bakhtin a enunciação não é um ato individual, mas um ato eminentemente social.

O enunciado, segundo Foucault (2005), é a unidade elementar do discurso, a materialidade repetível. No entanto, apesar destas características do enunciado, Cardoso (2003) menciona que o mesmo é aberto a transformação e a reativação. É um acontecimento que nem a língua, porém o sentido não esgota inteiramente. Logo, é distinto da frase gramatical, do período, do parágrafo e até mesmo do texto. É também distinto da análise lógica ou com um ato de fala (juramento, promessa, etc).

Cardoso (op. cit.) também menciona que o enunciado está ligado não apenas às situações que os provocam ou às conseqüências delas decorrentes, mas, ao mesmo tempo, está ligado tanto a enunciados que o precedem, quanto aos que o seguem. Por isso um enunciado sempre pertence a uma formação discursiva. Exemplificando, a autora traz a seguinte menção: “A mulher é um ser inferior” (p. 37). Conforme discutido pela autora, esse enunciado pertence a formação discursiva do discurso machista, o qual constitui um certo modo sócio-histórico de linguagem. Equivale a dizer que o sentido de um enunciado somente é dado na sua relação com a formação discursiva a que pertence.

Mesmo sendo o texto a unidade de análise, não é a unidade de construção do discurso, unidade de construção esta que se localiza no enunciado, porém deverá ser referida ao texto (ORLANDI, 2006a).

Para Foucault (2005) uma informação pode ser transmitida com outras palavras, com uma sintaxe simplificada ou ainda com um código convencionado. Neste sentido, o enunciado suporta paráfrases. Exemplificando uma paráfrase enunciativa, Cardoso (2003) assinala: “Lugar de mulher é na cozinha” (p. 38). Na formação

86 discursiva machista, esse enunciado constitui uma paráfrase do último enunciado: ”A

mulher é um ser inferior” (p.37).

Tendo em vista que o conteúdo informativo e as possibilidades de utilização são preservadas nos dois enunciados do último parágrafo, pode-se dizer que constituem o mesmo enunciado. Foucault (2005) considera ainda que o conceito de enunciado está associado à função enunciativa e ao discurso. Assim, assinala:

Em seu modo de ser singular (nem inteiramente lingüístico, nem exclusivamente material) o enunciado é indispensável para que se possa dizer se há ou não frase, proposição, ato de linguagem (...) ele não é, em si mesmo, uma unidade, mas sim uma função que cruza um domínio de estruturas e unidades possíveis e que faz com que apareçam, com conteúdos concretos, no tempo e no espaço (Foucault, 2005, p. 125 - 126). A enunciação, por sua vez, é o singular, o irrepetível. Assim toda vez que o enunciado-exemplo A mulher é um ser inferior é repetido pelo mesmo indivíduo ou indivíduos diferentes, trata-se de uma nova enunciação (CARDOSO, 2003).