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Araştırma Modelini Oluşturan Değişkenlere İlişkin Keşfedici Faktör Analizi

A concepção de sujeito tem assumido várias acepções nas diferentes teorias lingüísticas. Brandão (2002) menciona que Orlandi identifica três concepções de sujeito, em três fases das teorias lingüísticas modernas. Na primeira das fases, Orlandi identifica uma concepção de sujeito idealista, na qual as relações interlocutivas estão centradas na idéia de interação harmônica entre o eu e o tu. Na segunda fase, a qual incorpora a idéia de conflito nas relações intersubjetivas, o tu determina o que o eu diz. Na terceira fase, reconhece-se o dualismo entre o eu e o tu da segunda fase e procura-se romper com essa circularidade. Reconhece-se a incompletude do sujeito, que anseia pela completude na relação com o outro. Assim, ao contrário das fases anteriores, na terceira fase, o foco da relação não se encontra nem no eu, nem no tu, mas na diversidade do espaço discursivo gerado pela interação do eu com o tu.

Tomaremos como idéia diretriz o seguinte questionamento: para a AD quem é o sujeito no discurso?

Na AD, a concepção de sujeito se constrói na interação dinâmica com o outro. Com isso, o sujeito na AD se sustenta em duas idéias básicas. A primeira delas é que a idéia de sujeito e sentidos não são dados, a priori, mas, constituídos no discurso. Com isso supera-se a concepção espontânea de subjetividade, fundada em uma filosofia idealista. No entendimento de Pêcheux (1997) a constituição do sujeito e do próprio sentido, sempre ocorre com a interpelação da ideologia.

Percebe-se, assim, que tanto a idéia de formação ideológica quanto a formação discursiva ocupam papel fundamental no contexto da AD.

93 Outra idéia basilar da AD em relação ao sujeito, a qual é adotada por Pêcheux (op. cit), é o descentramento do mesmo, à medida que passa a integrar o funcionamento dos enunciados. Assim, abandona-se a noção de sujeito psicológico, que empiricamente coincide consigo mesmo, e adota-se a idéia de posições do sujeito. Nesta perspectiva surge a função-autor, função discursiva do sujeito, a qual se estabelece em meio a outras funções enunciativas, que são o locutor e o enunciador.

O descentramento do sujeito não é uma tentativa de eliminá-lo, haja vista que não existe discurso sem sujeito. A AD destitui o sujeito falante da posição central, do local de produtor autônomo dos sentidos, para integrá-lo ao funcionamento dos enunciados. Por tal perspectiva, muito frequentemente Pêcheux e Foucault são responsabilizados pela morte do sujeito, conforme mencionado anteriormente.

Essa noção de sujeito, que se desloca e assume vários papéis no discurso, harmoniza-se com a polifonia bakhtiniana. Bakhtin (2006) opõe o discurso polifônico tecido com o discurso do outro, com o discurso denominado monológico.

Faraco (2007) lembra que nos primeiros escritos de Bakhtin, elaborados no início da segunda década do século XX, ele já distinguia o autor-pessoa, do autor criador. Na concepção bakhtiniana, o autor-pessoa seria o escritor, o artista que é um constituinte da atividade estética – um elemento imanente ao todo artístico – aquele constituinte que dá forma ao objeto estético. O autor-criador é a função-estético-formal engendradora da obra. O autor criador não apenas registra passivamente os atos da vida, mas dá forma aos conteúdos. Por isso, uma posição refratada da vida para a arte, pelo viés valorativo do autor-pessoa. Também posição refratante, porque é a partir dela que se reordena esteticamente os acontecimentos da vida.

Segundo Brandão (2002) o descentramento do sujeito na AD é reflexo de uma teoria da subjetividade de natureza psicanalítica. A partir dessa perspectiva, Pêcheux propõe uma teoria não-subjetivista da enunciação com o intuito de fundar uma teoria materialista dos processos discursivos.

Apesar de, na AD, o sujeito ter sido destituído da origem do discurso, segundo Pêcheux (1983), o mesmo se utiliza de ilusões discursivas para colocar-se na origem do discurso. Essas ilusões discursivas são os esquecimentos, anteriormente mencionados.

A ilusão do sujeito de ser a fonte, a origem do sentido constitui para a AD uma ilusão necessária, à medida que é construtora do sujeito. Em relação à origem dos discursos, Foucault (2005) convida a colocar em suspensão todas as formas prévias de continuidade, tendo em vista que o discurso manifesto não passaria da presença

94 repressiva do que ele diz. Nesta perspectiva, Foucault se opõe a análise histórica do discurso, defendendo que se faz necessário acolher o discurso no momento da sua irrupção. Em defesa deste ponto de vista, Foucault assinala:

Não é preciso remeter o discurso à longínqua presença da origem: é preciso tratá-lo no jogo de sua instância (2005, p. 28). No exposto acima, podemos destacar a ruptura foucaultiana com a noção de continuidade e tradição, a qual leva a buscar as causas em um passado longínquo e remoto.

Em relação ao discurso, Orlandi (2002) também considera que a memória discursiva se coloca como interdiscurso – aquilo que foi falado por alguém. É o já dito por outra pessoa, em outra época e em outro lugar, já pertencendo ao anonimato, porém fazendo presença naquilo que está sendo dito. Logo afetando a maneira como o sujeito dá significado em uma situação discursiva. Esse dito tem história, tem filiação de sentido em outras vozes e não pede licença para se fazer presente no discurso. Assim temos o interdiscurso – formulações já feitas e esquecidas, porém que determinam aquilo que dizemos no presente.

Segundo Brandão (2002), Maingueneau associa discurssividade com a gênese discursiva, com o intento de evidenciar que não existe um discurso de origem absoluta.

Devido à memória discursiva, Orlandi (2002) considera sem sentido em uma entrevista perguntar-se ao sujeito o que ele quis dizer com determinada palavra, por exemplo. O que ele sabe acerca da palavra não é suficiente para o analista compreender os efeitos de sentido ali presentes, ou os diferentes sentidos presentes em um mesmo enunciado.

A partir da perspectiva de que o discurso não tem como função constituir uma representação fiel da realidade, mas, assegurar uma representação da mesma, na gênese do discurso há a atuação de um sujeito e esta atuação o converte em autor.

Diferentemente de Foucault, a função-autor não se limita a um quadro restrito de produtores originais de linguagem. A função-autor se realiza toda a vez que o produtor da linguagem se representa na origem, produzindo um texto com unidade, coerência, progressão, não contradição e fim (ORLANDI, 2004).